Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes

Stephen R. Covey · Capítulo 71 de 99

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Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes

Como ouvimos auto biograficamente, temos a tendência…

Quatro Reações Autobiográficas

Como ouvimos auto biograficamente, temos a tendência de reagir conforme um destes quatro modos. Nós avaliamos - aprovamos ou desaprovamos; nós testamos - fazemos perguntas a partir de nosso próprio quadro de referências; nós aconselhamos - damos conselhos a partir de nossa própria experiência; nós interpretamos -tentamos ter uma idéia das pessoas, explicar seus motivos, seu comportamento, a partir de nossos próprios motivos e comportamentos.

Estas respostas vêm naturalmente até nós. Estamos profundamente presos a elas. Vivemos a partir dos modelos propostos por elas o tempo inteiro. Mas como elas afetam nossa capacidade para realmente compreender?

Se eu estou tentando me comunicar com meu filho, ele pode se sentir livre para se abrir comigo, se eu avalio tudo o que ele diz antes que possa realmente explicar? Eu estou dando a ele algum ar psicológico?

É o que ele sente quando eu o testo? Testar é ficar fazendo perguntas. É

autobiográfico, controla e invade a pessoa. Também é lógico, e a linguagem da lógica é diferente da linguagem do sentimento e da emoção. Você pode ficar fazendo perguntas o dia inteiro, sem descobrir o que é importante para a pessoa. Os testes constantes são um dos principais motivos para o distanciamento entre pais e filhos.

- Como vai indo, filho?

- Tudo bem.

- E aí, o que você tem feito ultimamente?

- Nada.

- Tem alguma coisa legal acontecendo na escola?

- Mais ou menos.

- E quais são seus planos para o final de semana?

- Eu não sei.

Você não consegue que ele largue o telefone quando fala com os amigos, mas o menino só lhe dá respostas monossilábicas. Sua casa é um hotel onde ele come e dorme, pois ele nunca se abre, nunca conversa. E quando você pensa a respeito, honestamente, por que deveria, se toda vez que ele se abre, sendo tão sensível, você é sutil como um elefante, e entra logo dando conselhos autobiográficos e dizendo: "Eu cansei de avisar".

Vivemos tão profundamente influenciados por este tipo de reação que nem percebemos quando as utilizamos. Eu ensinei este conceito a milhares de pessoas, em seminários feitos por todo o país, e ele nunca deixou de chocá-las profundamente quando representamos situações de

atenção empática, e elas finalmente começaram a escutar suas próprias respostas típicas. Mas, ao começarem a ver como normalmente reagem e a aprender a ouvir com empatia, elas conseguem perceber os resultados dramáticos na comunicação.

Para muita gente, tentar primeiro compreender torna-se o Hábito mais excitante, mais imediatamente aplicável de todos os Sete Hábitos.

Vamos dar uma olhada no que pode ser considerado um momento típico na comunicação entre um pai e seu filho adolescente. Atentem para as palavras do pai, em comparação às quatro diferentes reações que acabamos de descrever.

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- Puxa, pai, eu estou cheio! Escola é coisa de panaca!

- Qual é o problema, filho? (testando)

- Não presta para nada. Não aprendo coisa alguma.

- Bem, você não consegue ver os benefícios agora, filho. Eu sentia a mesma coisa quando tinha a sua idade. Eu me lembro de que pensava que algumas aulas eram uma grande perda de tempo. Mas estas aulas acabaram se mostrando muito úteis mais tarde. Faça uma força. Espere mais algum tempo. (aconselhando)

- Já passei dez anos na escola! Você pode me dizer de que adianta saber quanto é "x" mais "y" se vou ser mecânico de carros?

- Um mecânico de automóveis? Você deve estar brincando! (avaliando)

- Não estou não. Olhe para o Joe. Ele abandonou a escola. E está ganhando um monte de dinheiro. Isso sim vale a pena.

- Pode parecer bom agora. Mas daqui a alguns anos Joe vai se arrepender de ter saído da escola. Você não vai querer ser mecânico. E precisa se preparar para tentar algo melhor. (aconselhando)

- Não sei. Joe está se dando muito bem.

- Bem, filho, você está realmente se esforçando? (testando)

- Estou há dois anos no colegial. Claro que estou me esforçando. Mas é perda de tempo.

- Sua escola é altamente conceituada, filho. Ponha um pouco de fé nela.

(aconselhando, avaliando)

- Bem, os outros se sentem do mesmo jeito que eu.

- Você tem idéia dos sacrifícios que sua mãe e eu fizemos para que você chegasse onde está? Você não pode parar agora, quando está quase chegando.

(avaliando)

- Sei que está se sacrificando, pai, mas não vale a pena.

- Bem, quem sabe se você dedicar mais tempo ao estudo, e passar menos tempo na frente da tevê... (aconselhando, avaliando)

- Olha, pai, acho que não vale a pena. Ah... Deixa pra lá! Não quero mais falar nisso.

Obviamente, o pai dele tinha a melhor das intenções. Obviamente, ele gostaria de ajudar. Mas será que ele, em algum momento, tentou entender?

Vamos olhar mais atentamente para o filho - não apenas para suas palavras, mas para seus pensamentos e sentimentos (expressos abaixo entre parênteses) e o possível efeito de algumas respostas autobiográficas de seu pai.

- Puxa, pai, eu estou cheio! Escola é coisa de panaca! (Quero conversar com você, ter sua atenção.)

- Qual é o problema, filho? (Você está interessado. Ótimo.)

- Não presta para nada. Não aprendo coisa alguma. (Tenho problemas na escola, e estou me sentindo péssimo lá.)

- Bem, você não consegue ver os benefícios agora, filho. Eu sentia a mesma coisa quando tinha a sua idade. (Ah, não! Lá vem o capítulo três da biografia do papai. Não era sobre isso que eu queria conversar Não estou interessado em quantos quilômetros ele tinha de andar na neve sem botas para chegar à escola.

Quero falar do meu problema.)

-Eu me lembro de que pensava que algumas aulas eram uma grande perda de tempo. Mas estas acabaram se mostrando muito úteis mais tarde. Faça uma força. Espere mais algum tempo. (O tempo não vai resolver meu problema. Gostaria de poder dizer-lhe isso. Gostaria de poder desabafar)

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- Já passei dez anos na escola! Você pode me dizer de que adianta saber quanto é "x" mais "y" se vou ser mecânico de carros?

- Um mecânico de automóveis? Você deve estar brincando! (Ele não vai mais gostar de mim se eu for mecânico. Ele não vai mais gostar de mim se eu sair da escola. Eu preciso justificar o que estou dizendo.)

- Não estou não. Olhe para o Joe. Ele abandonou a escola. E está ganhando um monte de dinheiro. Isso sim vale a pena.

- Pode parecer bom agora. Mas daqui a alguns anos Joe vai se arrepender de ter saído da escola. (Ah, não! Lá vem a aula dezesseis sobre a importância da educação.) Você não vai querer ser mecânico. (Como sabe, papai? Será que você realmente tem alguma idéia do que eu quero?) E precisa se preparar para tentar algo melhor.

- Não sei. Joe está se dando muito bem. (Ele não é um fracassado. Ele não terminou o colégio e não é um fracassado.)

- Bem, filho, você está realmente se esforçando? (Estamos dando voltas, pai.

Se você pelo menos me escutasse. Eu realmente preciso conversar com você sobre algo importante.)

- Estou a dois anos no colegial. Claro que estou me esforçando. Mas é perda de tempo.

- Sua escola é altamente conceituada, filho. Ponha um pouco de fé nela.

(Maravilha. Agora o assunto é a credibilidade. Eu gostaria de poder conversar sobre o que eu quero.)

- Bem, os outros se sentem do mesmo jeito que eu. (Também tenho alguma credibilidade. Não sou nenhum idiota.)

- Você tem idéia dos sacrifícios que sua mãe e eu fizemos para que você chegasse onde está? (Pronto. Começou a chantagem emocional. Talvez eu seja mesmo um idiota. A escola é ótima. Meu pai e minha mãe são ótimos. Eu sou um idiota.) Você não pode parar agora, quando está quase chegando.

- Sei que está se sacrificando, pai, mas não vale a pena. (Você não está entendendo nada).

- Bem, quem sabe se você dedicar mais tempo ao estudo, e passar menos tempo na frente da tevê... (O problema não é esse, pai! Não tem nada a ver! Nunca vou conseguir conversar com você direito. Besteira ficar tentando.)

- Olha, pai, acho que não vale a pena. Ah... Deixa pra lá! Não quero mais falar nisso.

Dá para você ver agora como somos limitados quando tentamos entender outra pessoa com base unicamente nas palavras, especialmente quando olhamos para a pessoa em questão através de nossos próprios óculos? Pode ver como são limitadas nossas respostas autobiográficas

para uma pessoa que está genuinamente tentando fazer com que possamos compreender sua experiência de vida?

Jamais será possível entrar de verdade dentro de outra pessoa, de o mundo como ela o vê, a não ser que se desenvolva o desejo puro de fazer isso, além de usar a força do caráter, e de se ter uma Conta Bancária Emocional positiva, bem como a capacidade para a atenção empática necessária para tanto.

A capacidade é a ponta do iceberg da atenção empática, e abrange quatro estágios de desenvolvimento.

O primeiro e menos eficaz é a repetição do conteúdo. Este é o estágio onde se aprende a ouvir de um modo "ativo" ou "reflexivo". Sem o caráter e o relacionamento por trás, tal atitude é freqüentemente um insulto às pessoas, e

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provoca seu retraimento. Trata-se, contudo, do primeiro estágio, porque pelo menos leva a pessoa a escutar o que está sendo dito.

Repetir o conteúdo é fácil. Você escuta as palavras que saem da boca de alguém e as repete. O uso do cérebro é mínimo.

- Puxa, pai, eu estou cheio! Escola é coisa de panaca.

- Você está cheio. A escola é coisa de panaca.

- Você essencialmente repetiu o conteúdo do que foi dito. Não avaliou, testou, aconselhou ou interpretou. Pelo menos você mostrou que estava prestando atenção a estas palavras. Mas, para compreender, é preciso mais.

O segundo estágio da atenção empática é reestruturar o conteúdo. Trata-se de um processo um pouco mais eficaz, mas ainda assim restrito à comunicação verbal.

- Puxa, pai, eu estou cheio! Escola é coisa de panaca.

- Você não quer mais ir à escola.

Desta vez, você usou suas próprias palavras para repetir o sentido.

Agora você está pensando no que foi dito, majoritariamente com o lado esquerdo, o lado lógico, analítico, do cérebro.

O terceiro estágio coloca o cérebro direito em funcionamento. Você reflete o sentimento.

- Puxa, pai, eu estou cheio! Escola é coisa de panaca.

- Você está se sentindo muito frustrado.

Neste ponto, você não está prestando mais tanta atenção ao que ele está dizendo, mas sim ao que ele sente em relação ao que está dizendo.

O quarto estágio inclui o segundo e o terceiro. Você reestrutura o conteúdo e reflete o sentimento.

- Puxa, pai, eu estou cheio! Escola é coisa de panaca.

- Você está realmente frustrado com a escola.

A frustração ê o sentimento, a escola o conteúdo. Você está usando os dois lados de seu cérebro para compreender os dois lados da comunicação.

As coisas que acontecem se você usar o quarto estágio da atenção empática são realmente incríveis. Quando você tenta realmente entender, reestrutura o conteúdo, e reflete o sentimento, você está dando a ele ar psicológico. E também o ajuda a lidar com seus próprios sentimentos e pensamentos. Conforme ele adquire mais confiança em seu desejo sincero de realmente entender e ouvir, a barreira entre o que está acontecendo dentro dele e o que está sendo realmente comunicado a você desaparece. Uma pessoa se abre para a outra. Ele não está mais pensando e sentindo uma coisa e comunicando outra. Ele começa a confiar a você seus sentimentos e pensamentos mais íntimos e preciosos.- Puxa, pai, eu estou cheio! Escola é coisa de panaca. (Quero conversar com você, preciso de sua atenção.)

- Você está realmente frustrado com a escola. (É isso aí! Sinto isso mesmo.)

- Sem dúvida. É algo totalmente inútil. Não vou aproveitar nada mesmo.

- Parece que você acha que a escola não está te ajudando em nada. (Deixe-me ver - é isso mesmo que quer dizer?)

- Bem, mais ou menos. Acho que não estou aprendendo nada que possa me ajudar. Por exemplo, olha o Joe. Ele saiu da escola e agora e trabalha com carros.

Está ganhando dinheiro. Isso é legal.

- Você acha que Joe fez a coisa certa... (Bem...)

- Creio que ele fez, de certo modo. Ele está ganhando um bom dinheiro agora. Mas daqui a alguns anos ele talvez se arrependa.

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- Você teme que Joe acabe concluindo que tomou a decisão errada.

- Acho que sim. É só olhar para o que ele está deixando de lado.

- Quer dizer, se a pessoa não tem instrução, não consegue nada no mundo de hoje.

- A instrução é realmente importante.

- Ah! Claro. Se o cara não tem diploma do colegial, não consegue um bom emprego, não pode entrar na faculdade. Vai fazer o quê? A gente precisa da escola.

- Ela é importante para o seu futuro.

- E como. E... sabe de uma coisa? Estou muito preocupado. Olha, você não vai falar nada para a mamãe, não é?

- Não quer que sua mãe descubra nada.

- Na verdade não. Sei lá, acho que pode dizer a ela. Provavelmente ela vai acabar descobrindo mesmo. Olhe, fiz esta prova de leitura hoje. Sabe, papai, eles estão dizendo que eu leio como uma criança do quarto ano. E estou no primeiro colegial!

Como a verdadeira compreensão faz uma grande diferença! Todos os bons conselhos do mundo somados não valem nada se a pessoa passar ao largo do verdadeiro problema. E você nunca chegará ao problema se ficar preso a sua autobiografia, seus paradigmas, se não tirar seus óculos pelo tempo suficiente para ver o mundo de um outro ponto de vista.

- Vou levar pau, pai. Acho que vou ser reprovado, então acho melhor sair logo de uma vez. Mas não quero parar de estudar.

- Você parece confuso. Está enfrentando um dilema.

- O que acha que devo fazer, pai?

Ao tentar primeiro compreender, o pai transformou uma oportunidade transacional em uma oportunidade transformacional. Em vez de interagir na superfície, na base da comunicação autoritária, ele criou uma situação na qual ele possui capacidade de transformação, não apenas sobre o filho, como também sobre o relacionamento. E, ao deixar de lado sua própria autobiografia, tentando realmente compreender o filho, fez um depósito volumoso na Conta Bancária Emocional, que permitiu ao filho se abrir, pouco a pouco, até chegar ao problema real.

Agora pai e filho estão realmente lado a lado, olhando para o problema, e não mais em lados opostos, olhando um para o outro. O filho está olhando para a autobiografia do pai e pedindo conselhos. Mesmo quando o pai dá conselhos, contudo, ele precisa continuar atento para as mensagens do filho. Enquanto as respostas forem lógicas, o pai pode fazer perguntas eficazmente, e dar conselhos. Mas no momento em que a atitude se tornar emocional, ele precisa voltar à atenção empática.

- Bem, tenho algumas idéias, e gostaria que as levasse em consideração.

- Dê um exemplo, pai.

- Talvez procurar ajuda especial nas leituras. Talvez eles tenham algum programa de leitura suplementar na escola técnica.

- Já fui ver isso. Preciso dedicar duas noites e o dia inteiro, no sábado. É

tempo demais!

Ao perceber o conteúdo emocional da resposta, o pai volta para a empatia.

- É um preço muito alto a pagar.

- Além disso, eu disse ao pessoal da sexta série que seria o treinador do time deles.

- E não quer deixar o pessoal na mão.

- Mas tem uma coisa, pai. Se eu realmente achar que o curso extra

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vai ajudar, vou freqüentá-lo todas as noites. E arranjo outro para treinar os garotos.

- Você quer ajuda, mas tem dúvidas quanto à eficácia do curso.

- Você acha que isso resolve o problema, pai?

O filho está novamente agindo de modo aberto e lógico. Ele está aceitando a experiência do pai novamente. Neste ponto, o pai tem mais uma chance de influenciar e transformar.

Existem momentos em que a transformação não depende de ajuda exterior.

As pessoas, com freqüência, quando têm uma chance para se abrir, mostram seus problemas, e a solução aparece clara, no decorrer do processo.

Em outros momentos, elas realmente precisam de uma visão de fora e de auxílio. A chave é buscar verdadeiramente o bem do indivíduo, ouvir com empatia, deixar que a pessoa chegue ao problema e à solução com seu próprio ritmo, na hora certa. Pouco a pouco, como se estivesse descascando uma cebola, até chegar ao centro.

Quando as pessoas estão muito tristes, e você quer realmente ouvi-las, com vontade de compreender o que sentem, ficará surpreso com a velocidade com que se abrem. Elas precisam revelar seus sentimentos. As crianças precisam desesperadamente mostrar o que sentem a seus amigos e familiares. É o que fazem, se sentem que os pais as incondicionalmente e serão fiéis a elas sempre, sem julgá-las ou ridicularizá-las.

Se você realmente procura compreender, sem hipocrisia e sem malícia, haverá momentos em que ficará literalmente abismado com o conhecimento e a compreensão puros que fluirão de você para os outros seres humanos. Nem sempre é necessário falar para "empatizar". Na verdade, às vezes as palavras podem até atrapalhar. Esta é uma razão muito importante para explicar por que as técnicas sozinhas não funcionam. Este tipo de compreensão transcende as técnicas. Estas isoladamente só confundem o caminho.

Eu abordei as técnicas de atenção empática porque elas são uma parte importante de qualquer hábito. Nós precisamos dominar as técnicas. Mas gostaria de insistir que as técnicas não são eficazes a não ser que venham acompanhadas de um desejo sincero de compreender. As pessoas se ressentem com qualquer tentativa de manipulação. Na verdade, se você está lidando com pessoas próximas, é melhor dizer a elas o que está tentando fazer.

- Li este livro a respeito de ouvir e da empatia, e fiquei pensando em meu relacionamento com você. Percebi que não estou te ouvindo como deveria. Mas gostaria de fazer isso. Não que seja fácil para mim. Pode ser que de vez em quando eu não consiga, mas vou tentar. Gosto de você, e quero entendê-la. Espero que me ajude. -Esclarecer seus motivos é um grande depósito.

Mas, se você não estiver sendo sincero, nem tente uma coisa dessas. Pode criar uma abertura e uma vulnerabilidade que mais tarde se voltarão contra você, no momento em que a pessoa descobrir que não se importa com ela, que não quer ouvir nada, e que ela está exposta, aberta e magoada. A técnica, a ponta do iceberg, deve emergir de uma base maciça de caráter, que lhe dá sustentação.

Muita gente reclama que a atenção empática toma muito tempo. Pode ser que tome mais tempo no começo, mas acaba economizando um bocado de tempo futuro. A coisa mais eficaz que você pode fazer, se for um médico e quiser prescrever um tratamento adequado, é diagnosticar corretamente. Você não pode dizer: "Estou com pressa, não tenho tempo para fazer um diagnóstico. Faça este tratamento e pronto”.

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Eu me recordo de que estava escrevendo certa vez em um quarto na costa norte de Oahu, no Havaí. Havia apenas uma brisa suave soprando, e por isso abri duas janelas uma na frente e uma na lateral – para manter o quarto mais fresco.

Tinha um monte de papéis dispostos em cima de uma grande mesa, separados em capítulos.

Repentinamente a brisa começou a espalhar os papéis por todos os lados. Eu me recordo da sensação angustiante de perda que senti, porque as coisas não estavam mais em ordem, inclusive as páginas ainda não numeradas, e comecei a correr pelo quarto, tentando desesperadamente arrumar tudo. Finalmente me dei conta de que seria melhor dedicar dez segundos a fechar uma das janelas.

A atenção empática exige tempo, mas exige um tempo muito menor do que o necessário para consertar estragos, desfazer mal-entendidos quando já se percorreu um longo caminho, conviver com problemas mal resolvidos e reprimidos e lidar com as conseqüências de não dar ar psicológico para as pessoas.

Um ouvinte empático atento pode compreender rapidamente o que está acontecendo lá no fundo, e mostrar esta compreensão, este entendimento, de forma que as outras pessoas se sentem seguras para abrir seus corações pouco a pouco, até atingir o íntimo onde se encontram verdadeiramente os problemas.

As pessoas querem ser compreendidas. E qualquer que seja o investimento de tempo necessário para fazer isso, o retorno será muito maior se você trabalhar com uma compreensão correta dos problemas e das questões existentes, bem como com uma Conta Bancária Emocional alta, resultado da compreensão profunda dos sentimentos alheios.