Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes

Stephen R. Covey · Capítulo 57 de 99

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Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes

A Integridade Pessoal gera confiança, sendo a…

Demonstrar Integridade Pessoal

A Integridade Pessoal gera confiança, sendo a base para vários tipos de depósitos.

A falta de integridade pode minar a maioria dos esforços para criar contas onde a confiança é alta. As pessoas podem procurar entender, lembrar-se das pequenas coisas, manter as promessas, esclarecer e preencher as expectativas, e mesmo assim fracassar na construção de saldos de confiança se forem emocionalmente desonestas.

A integridade inclui a honestidade, mas vai além dela. A honestidade implica contar a verdade - em outras palavras, adequar nossas palavras à realidade. A integridade é adequar a realidade a nossa palavras - em outros termos, manter as promessas e preencher as expectativas.

Isso exige um caráter íntegro, firmeza em relação a si mesmo e em relação à vida também.

Uma das formas mais importantes de se demonstrar a integridade é ser leal a quem não está presente. Ao agir assim, conquistamos a confiança daqueles que estão presentes. Quando alguém defende os ausentes, ganha a confiança dos presentes.

Vamos supor que você e eu estivéssemos sozinhos, criticando nosso supervisor de um modo que não ousaríamos fazer se ele estivesse presente. O que aconteceria quando eu e você cometêssemos um erro?

Você saberia que eu iria discutir suas deficiências com outra pessoa.

Foi o que você e eu fizemos pelas costas do supervisor. Você conhece minha natureza. Eu o elogio pela frente, e o critico pelas costas. Sabe disso porque viu quando tal coisa aconteceu.

Esta é a essência da dubiedade. Será que isso aumenta a reserva de confiança em minha conta?

Por outro lado, suponha que você tenha começado a criticar nosso supervisor, e eu responda que concordo basicamente com o conteúdo de algumas críticas, e sugira que nós dois marquemos uma reunião para conversar com o supervisor, e explicar claramente nossas sugestões para melhorar as coisas. O que acha que eu faria quando alguém o criticasse pelas costas?

Dando outro exemplo, suponha que, em meu esforço para melhorar o relacionamento com você, eu revele algum segredo de outra pessoa.

"Eu não deveria contar isso, mas como você é meu amigo...", posso dizer.

Será que trair outra pessoa aumenta minha conta de confiança com você? Ou você pensará que as coisas ditas confidencialmente para mim serão contadas aos outros?

Tal atitude dúbia pode criar a impressão de fazer um depósito com a pessoa que está a seu lado, mas na verdade é uma retirada, pois está revelando na verdade a sua falta de caráter Talvez consiga o ovo de ouro do prazer temporário, ao diminuir alguém ou revelar uma informação privilegiada, mas estará estrangulando a galinha, enfraquecendo 0 relacionamento que fornece um prazer duradouro como conseqüência.

A integridade, em uma realidade interdependente, é apenas o seguinte; tratar a todos conforme o mesmo conjunto de princípios. A partir daí, as pessoas confiarão em você. Talvez elas, no começo, não valorizem a experiência de contato com a verdade que esta integridade provoca.

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Encarar a verdade exige bastante coragem, e muita gente prefere seguir o caminho mais fácil, hostilizando e criticando, traindo a confiança e "participando de fofocas sobre os outros, pelas costas. Mas, a longo prazo, as pessoas confiarão em você e respeitarão sua postura, se for honesto, gentil e franco. Você se importa o suficiente com elas para adotar esta atitude. E ser de confiança, dizem, vale mais do que ser amado:

A longo prazo, estou convencido de que ser de confiança conduzirá também a ser amado.

Quando meu filho Joshua era novo, ele freqüentemente fazia uma pergunta esclarecedora. Sempre que eu reagia de modo extremado, demonstrava impaciência ou irritação, ele revelava sua vulnerabilidade e honestidade, e nosso relacionamento era tão bom que perguntava, olhando no fundo dos meus olhos...

"Papai, você gosta de mim?" Se pensasse que eu estava rompendo com um princípio básico de vida em relação a uma pessoa, imaginaria que eu poderia quebrá-lo no que

referia a ele também.

Como professor e como pai descobri que a chave para o todo é a unidade.

Principalmente se a unidade está testando a paciência e o bom humor de muitos. É

o amor e a disciplina de um filho, de um estudante, que comunica o amor dos outros.

A forma como você trata cada um revela a maneira como encara todos os outros, porque, em última análise, todos são um.

A integridade também inclui evitar qualquer comunicação que seja enganosa, venenosa ou abaixo da dignidade do ser humano. "Uma mentira é uma comunicação com o intuito de enganar", diz uma das definições da palavra. Seja na comunicação através das palavras ou do comportamento, havendo integridade a intenção não pode ser enganar.

Pedir Desculpas Sinceras Quando Você Faz uma Retirada Quando a gente faz uma retirada da Conta Bancária Emocional, precisa pedir desculpas, e fazer isso com sinceridade. Grandes depósitos derivam de palavras sinceras.

- Eu estava errado.

- Foi falta de gentileza minha.

- Faltei com o devido respeito.

- Passei por cima da sua dignidade, e sinto muito.

- Eu o deixei constrangido na frente de seus amigos, e não havia motivo para isso. Apesar de pretender defender meu ponto de vista, eu nunca deveria ter agido assim. Desculpe-me.

Pedir desculpas com o coração, e não por pena, exige muita firmeza de caráter. Uma pessoa precisa ser dona de si, e ter um senso profundo de segurança quanto aos princípios e valores fundamentais para poder pedir desculpas com sinceridade.

As pessoas inseguras não conseguem fazer isso. Ficam por demais vulneráveis. Acham que tal coisa é sinal de fraqueza e vulnerabilidade, que os outros se aproveitarão desta desvantagem. Sua segurança se baseia na opinião alheia, e elas se preocupam com o que os outros vão pensar. Além disso, elas normalmente encontram desculpas para o que fizeram. Elas situam seus erros no contexto do erro dos outros, e, se chegam a pedir desculpas, estas são superficiais.

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"Se você vai se curvar abaixe bastante", diz um ditado oriental. "Pague até o último tostão", diz a ética cristã. Para valer como depósito, um pedido de desculpas precisa ser sincero. E ser recebido como algo sincero.

Conforme ensinou Leo Roskin: "Os fracos são cruéis. A suavidade só pode vir dos fortes".

Estava em meu escritório uma tarde, escrevendo sobre a questão da paciência, entre outras coisas. Ouvia meus filhos pulando de um lado para outro do corredor, fazendo barulho, e percebi que minha paciência estava se esgotando.

De repente David começou a esmurrar a porta do banheiro, gritando a plenos pulmões:

- Quero entrar! Quero entrar! Quero entrar!

Saí do escritório imediatamente e disse a ele, muito bravo:

- David, você tem uma idéia do quanto isso está me perturbando?

Sabe como é difícil uma pessoa se concentrar e escrever criativamente?

Agora você vai já para seu quarto, e fique lá dentro até conseguir se comportar direito! - Foi o que ele fez, deprimido, fechando a porta.

Quando virei, me dei conta de outro problema. Os meninos brincaram de futebol americano no corredor estreito, e um deles havia sido atingido por uma cotovelada na boca. Ele estava deitado no chão, sangrando. David, assim que soube, fora ao banheiro para pegar uma toalha molhada para colocar no ferimento.

Mas sua irmã Maria estava tomando banho e não queria abrir a porta.

Quando me dei conta de que havia interpretado a situação de modo totalmente errado, e reagido impulsivamente, fui pedir desculpas a David na hora.

Quando abri a porta, a primeira coisa que ele disse foi:

- Nunca mais vou perdoar você!

- E por que não, meu filho? - retruquei. - Sinceramente, não percebi que você estava tentando ajudar seu irmão. Por que não pode me perdoar?

- Porque você fez a mesma coisa na semana passada - respondeu'

Em outras palavras, ele estava dizendo: "Papai, você agiu errado, e vai conseguir se safar só pedindo desculpas".

Desculpas sinceras representam depósitos, desculpas repetidas, tidas como insinceras, provocam o afastamento. E isso se reflete na qualidade do relacionamento.

Uma coisa é cometer um erro, e outra completamente diferente é admitir este erro. As pessoas perdoam os enganos, porque normalmente os enganos são produtos da mente, erros de avaliação. Mas as não perdoam facilmente os erros do coração, as intenções maldosas, motivos torpes, as justificativas arrogantes que visam encobrir a anterior.

As Leis do Amor e as Leis da Vida

Quando fazemos depósitos de amor incondicional, quando respeitamos as leis básicas do amor, encorajamos os outros a viver conforme as leis básicas da vida. Em outras palavras, quando amamos as pessoas de verdade, sem condições, sem restrições, fazemos com que se sintam seguras, fortes e queridas, bem como tranqüilas quanto a seu valor intrínseco, identidade e integridade. Seu processo natural de crescimento é encorajado. Tornamos mais fácil para elas viver conforme as leis da vida - cooperação, contribuição, disciplina interna, integridade - e viver de acordo com o que há de melhor dentro delas. Damos a liberdade para que ajam a partir de seus próprios imperativos, em vez de reagirem a nossas condições e

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limitações. Isso não quer dizer ser permissivo ou condescendente. Estas atitudes significam um afastamento total. Damos conselhos, fazemos promessas, estabelecemos limites e conseqüências. Mas, mesmo assim, amamos.

Quando violamos as leis básicas do amor - quando criamos limites e condições para este dom -, estamos na verdade encorajando as pessoas a violarem as leis básicas da vida. Levamos as pessoas a uma atitude defensiva, reativa, onde elas sentem que precisam provar que "existem como pessoas, independentes de você".

Na realidade, elas não são independentes. São dependentes às avessas, outra forma de dependência, que se encontra no fundo do poço da Escala de Maturidade. Elas se tornam reativas, quase centradas no inimigo, mais preocupadas em defender seus "direitos" e dar provas de sua individualidade do que ouvir proativamente e honrar seus próprios imperativos internos.

A rebeldia é um nó no peito, não na mente. O segredo é fazer depósitos -

depósitos constantes de amor incondicional.

Tive certa vez um amigo, diretor de uma faculdade de muito prestígio. Ele fez planos e economizou durante anos para dar ao filho a oportunidade de freqüentar aquela instituição, mas quando chegou a época o garoto se recusou a cursá-la.

Seu pai ficou profundamente consternado. Um diploma daquela faculdade seria um grande trunfo para o rapaz. Além disso, era uma tradição familiar. Três gerações se formaram lá, antes dele. O pai pediu, exigiu e tentou conversar. Ele também tentou ouvir o rapaz, e compreendê-lo, sempre esperando que o filho mudasse de idéia.

A mensagem oculta era o amor condicional. O filho sentia que o desejo do pai de que ele entrasse para aquela faculdade era maior do que o valor que colocava nele como pessoa e como filho, o que era algo terrível. Conseqüentemente, ele lutou por sua integridade e identidade, insistindo em sua decisão e em seus esforços de justificar sua atitude.

Depois de muita reflexão, o pai decidiu fazer um sacrifício: renunciar ao amor condicional. Ele sabia que o filho poderia fazer uma escolha diferente da que considerava acertada. Não obstante, ele e a esposa resolveram amar o filho incondicionalmente, fosse qual fosse a escolha.

Era algo extremamente difícil de fazer, pois o valor daquela experiência educacional estava tão arraigado dentro deles, e aquilo era algo planejado e batalhado desde o nascimento do menino.

O pai e a mãe passaram por um período dificílimo de reciclagem, lutando para realmente entender a natureza do amor incondicional. Eles contaram ao rapaz o que estavam fazendo, e o motivo, e disseram que haviam atingido o ponto de poder dizer com toda a honestidade que a decisão não afetaria o sentimento incondicional de amor que nutriam por ele. Eles não tentaram isso para manipulá-lo, ou para que ele

"acordasse". Eles o fizeram como conseqüência natural de seu amadurecimento e caráter.

O rapaz não reagiu a isso na época, mas seus pais tinham um paradigma de amor incondicional tão forte àquela altura, que isso não diferença em relação ao amor que sentiam por ele. Uma semana depois ele comunicou aos pais que decidira não cursar a faculdade. Eles

estavam perfeitamente preparados para a decisão, e continuar a demonstrar um amor incondicional por ele. Tudo continuou como antes, e vida seguiu em frente normalmente.

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Pouco tempo depois, algo interessante aconteceu. Já que o rapaz percebeu que não precisava mais defender sua posição, ele olhou para dentro de si e descobriu que ele na verdade gostaria de passar por aquela experiência educacional. Ele solicitou admissão, e, quando contou ao pai este demonstrou o mesmo amor incondicional, aceitando totalmente a decisão do filho. Meu amigo ficou contente, mas não em excesso, que havia aprendido a amar sem impor condições.

Dag Hammarskjold, ex-secretário-geral das Nações Unidas, fez certa vez uma declaração profunda, de amplo alcance: "É mais nobre se entregar completamente a um indivíduo do que trabalhar diligentemente pela salvação das massas".

Acho que isso significa que posso devotar oito, dez ou doze horas por dia, cinco, seis ou sete dias por semana para os milhares de pessoas e projetos "lá fora", e mesmo assim não ter um relacionamento profundo, significativo com minha esposa, meu próprio filho adolescente, meus colegas de trabalho mais próximos. E

exigiria mais nobreza de caráter - mais humildade, coragem e força -para reconstruir um único relacionamento do que para continuar a dedicar todo aquele tempo às causas e pessoas.

Em 25 anos de consultoria a pessoas e organizações, fiquei muitas vezes impressionado com o poder desta declaração. Muitos dos problemas das organizações derivam das dificuldades de relacionamento no alto escalão - entre dois sócios de uma firma, entre o dono e o presidente de uma companhia, entre o presidente e o vice-presidente executivo. Enfrentar e resolver estes problemas exige mais firmeza de caráter do que a necessária para prosseguir trabalhando diligentemente para todos os projetos e pessoas "lá fora".

Quando me deparei com a declaração de Hammarskjold pela primeira vez, eu estava trabalhando para uma organização onde havia expectativas pouco claras em relação ao indivíduo que me servia de braço direito e eu mesmo. Eu simplesmente não tinha coragem para enfrentar nossas diferenças quanto a papéis, metas e valores, particularmente no que se referia a métodos administrativos. Sendo assim, trabalhei durante vários meses de modo conciliatório, de forma a evitar o que poderia ser um conflito pesado. Durante todo este tempo, os sentimentos negativos se avolumavam dentro de nós.

Depois de ler que era mais nobre devotar-se a um indivíduo do que trabalhar diligentemente pela salvação das massas tomei a firme decisão de lutar pela idéia de reconstruir aquele relacionamento.

Precisei me concentrar na tarefa que tinha pela frente, porque sabia que seria duro lidar com os problemas e conseguir um entendimento e uma compreensão verdadeira de ambas as partes. Eu me recordo que tremia antes de uma reunião.

Ele parecia ser um sujeito tão duro, tão teimoso em seus pontos de vista, tão seguro a seu próprio ver. Contudo, eu precisava de sua força e habilidade. Eu temia que um confronto pudesse prejudicar o relacionamento e resultar na perda daquela força.

' Realizei um ensaio mental da reunião antecipada, e finalmente decidi me comportar em conformidade com os princípios e não com as questões praticas, quando fosse agir e falar. Assim consegui paz de espírito e coragem para o encontro.

Quando nos reunimos, para minha surpresa absoluta, descobri que o sujeito havia passado pelo mesmo tipo de processo, e esperava a oportunidade para uma conversa do gênero. Ele podia ser tudo, menos duro e inflexível.

Mesmo assim, nossos estilos administrativos eram consideravelmente distintos, e a organização inteira estava reagindo a estas diferenças.

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Nós reconhecemos os problemas que nossa desunião havia causado. Depois de várias reuniões, fomos capazes de resolver as questões mais graves, colocá-las todas na mesa e repassar cada uma delas dentro de um espírito de respeito mútuo.

Fomos capazes de criar uma equipe poderosa, complementar, bem como uma profunda afeição pessoal, o que aumentou tremendamente nossa capacidade para o trabalho conjunto e eficaz.

Criar a unidade necessária para administrar eficazmente uma empresa, família ou casamento requer muita força de vontade e coragem a nível pessoal.

Nenhuma quantidade de trabalho administrativo técnico, voltado para as massas, pode compensar a falta de nobreza no caráter para os relacionamentos pessoais.

Vivemos as leis primárias da vida e do amor em um nível essencial, individual.