Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes

Stephen R. Covey · Capítulo 3 de 99

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Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes

Importância Primária e Secundária

A experiência que tive com meu filho somou-se aos estudos a respeito da percepção e pesquisas na literatura sobre o sucesso para gerar uma revelação, um daqueles momentos na vida em que se diz Ah-ah! - e subitamente tudo se encaixa.

Repentinamente, tornei-me capaz de perceber o impacto poderoso da Ética da Personalidade, e a entender claramente as discrepâncias sutis, que freqüentemente passam despercebidas a nível consciente, entre o que eu sabia ser verdadeiro - coisas que eu havia aprendido quando criança há muitos anos, e outras profundamente enraizadas na minha própria noção de valor - e a filosofia apressada que me cercava no dia-a-dia. Compreendi, em um nível mais profundo, por que as coisas que eu ensinava a pessoas de todos os tipos, há anos, e sabia serem eficazes, com freqüência se opunham a estes conceitos popularizados recentemente.

Não pretendo afirmar que os elementos da Ética da Personalidade -

amadurecimento do indivíduo, treinamento em técnicas de comunicação e educação na área das estratégias da influência não sejam fatores benéficos, por vezes essenciais ao sucesso. Acredito que sejam.

Mas constituem traços secundários, e não primários. Talvez, acostumados a utilizar o dom humano de construir a partir dos alicerces das gerações anteriores, tenhamos nos concentrado inadvertidamente na construção em si, esquecendo um pouco das bases que a sustentam.

Ou, talvez, de tão habituados a colher onde não semeamos, tenhamos esquecido da necessidade de semear.

Se eu tentar usar a estratégia de influenciar as pessoas, ou táticas que levem os outros a fazer aquilo que quero, ou a trabalhar melhor ou a ter mais motivação, ou a gostar mais de mim e de todos, enquanto meu caráter revela defeitos profundos, e está marcado pela ambigüidade e falta de sinceridade, então não conseguirei obter o sucesso a longo prazo. Minha ambigüidade vai gerar desconfiança, e tudo que eu fizer - mesmo usando as chamadas técnicas de relações humanas adequadas - será considerado uma tentativa de manipulação.

Simplesmente não faz diferença a qualidade da retórica empregada, nem mesmo a existência de boas intenções. Se a confiança é pouca, ou inexistente, não se forma uma base sólida para o sucesso duradouro.

A única coisa que dá vida à técnica é a qualidade intrínseca.

A ênfase na técnica lembra o aluno que estuda somente na véspera das provas. Ele pode até passar de ano, e com um pouco de sorte conseguir boas notas, mas, como não se dedica diariamente ao aprendizado, nunca consegue dominar realmente as matérias e torna-se incapaz de aprimorar seu espírito.

Dá para imaginar a mesma atitude em uma fazenda? Um agricultor que se esquecesse de plantar na primavera, passasse o verão inteiro de folga e depois, no outono, trabalhasse feito louco para conseguir uma safra? A fazenda é um sistema natural. O esforço precisa ser feito diariamente, com respeito ao processo produtivo.

As pessoas sempre colhem o que semearam. Não existe nenhum atalho.

Este princípio também é válido, em última análise, para o comportamento humano, para as relações entre as pessoas. Estas são também sistemas naturais, baseadas no binômio semear / colher. A curto prazo, em um sistema social artificial

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como a escola, alguém pode conseguir se dar bem a curto prazo, se aprender a manipular as regras feitas pelo homem, a "dançar conforme a música".

Na maioria das interações humanas onde há um único contato, ou de curta duração, a Ética da Personalidade pode ser utilizada e funcionar, criando uma impressão favorável nos outros, através do charme, envolvimento e interesse forçado nos passatempos alheios. Não é difícil aprender técnicas simples, rápidas, que costumam dar certo em situações específicas. Mas estes aspectos secundários não possuem valor permanente nos relacionamentos a longo prazo.

No final, se não existir uma profunda integridade e uma força moral intrínseca, os desafios existentes na vida farão com que a verdadeira motivação venha à tona, e o fracasso no relacionamento substituirá o sucesso efêmero conseguido.

Muitas pessoas com importância secundária - ou seja, reconhecimento social por seus talentos - sofrem de falta de importância primária ou de firmeza de caráter.

Mais cedo ou mais tarde, em qualquer relacionamento a longo prazo- seja com um sócio, amigo, cônjuge ou filho adolescente em crise -isso vai ficar claro. E a própria maneira de ser da pessoa mostrará como ela realmente é, com eloqüência. Ou, segundo as palavras de Emerson: "O que você é ecoa em meus ouvidos com tanta força que não consigo ouvir o que diz".

Existo, claro, momentos nos quais as pessoas possuem firmeza de caráter, mas lhes falta capacidade de comunicação, e isso indubitavelmente também afeta a qualidade do relacionamento. Ainda assim, os efeitos são secundários.

Em última análise, o que somos se transmite com muito mais eloqüência do que as coisas que fazemos ou dizemos. Todo mundo sabe disso.

Existem pessoas em quem confiamos de forma absoluta, pois conhecemos seu caráter. Não importa se são eloqüentes ou se conhecem as técnicas de comunicação ou não. Confiamos nelas, e trabalhamos com elas de modo proveitoso.

As palavras de Wil iam George Jordan resumem bem esta questão: "Nas mãos de cada indivíduo encontra-se um poder maravilhoso, para o bem ou para o mal - a influência silenciosa, inconsciente e velada de sua vida. Trata-se simplesmente da radiação constante do que a pessoa realmente é, e não o que ela pretende ser".