Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes

Stephen R. Covey · Capítulo 53 de 99

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Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes

Terceira Parte

VITÓRIA EM PÚBLICO

PARADIGMAS DA

INTERDEPENDÊNCIA

“Não pode haver amizade sem confiança, nem confiança sem integridade.”

SAMUEL JOHNSON

Antes de passarmos para a área das Vitórias em Público, devemos lembrar que interdependência eficaz só pode ser construída em uma base de independência real. A Vitória Interna antecede a Vitória em Público. A álgebra vem antes do cálculo.

Conforme olhamos para trás e estudamos o terreno, para determinar onde estivemos e onde estamos, em relação ao local para onde vamos, podemos ver claramente que não poderíamos ter chegado onde estamos sem ter vindo pelo caminho que viemos. Não há outros acessos; não existem atalhos. Não há como pular de pára-quedas neste terreno.

A paisagem à frente está coberta de fragmentos de relacionamentos deixados por pessoas que tentaram e fracassaram. Elas tentaram pular para os relacionamentos eficazes sem ter a maturidade e a de caráter necessária para mantê-los.

Não se pode fazer isso. É preciso seguir pela estrada. Não se pode conseguir o sucesso com outras pessoas sem pagar o preço do sucesso pessoal.

Há alguns anos, quando eu dava um seminário na costa do Oregon, um homem veio a mim e disse:

-Sabe, Stephen, eu na verdade não gosto de participar destes seminários. -

Ele atraiu minha atenção. - Olhe para todas estas pessoas prosseguiu. - Olhe para esta costa maravilhosa, e para o mar lá fora, e para tudo que está acontecendo. E a única coisa que consigo fazer é ficar sentado pensando na bronca que vou tomar de minha esposa hoje à noite, pelo telefone.

“Ela cai matando sempre que eu viajo. Onde tomei café de manhã? Quem estava lá? Será que eu passei mesmo a manhã inteira em reuniões? Onde parei para almoçar? O que fiz durante o almoço? Como passei a tarde? Como me diverti à noite? Quem estava comigo? Sobre o que conversamos?”.

"E o que ela realmente quer saber, embora nunca pergunte diretamente, é quem pode confirmar tudo que conto a ela. Fica pegando no meu pé, e duvida do que falo, sempre que viajo. A situação me deixa possesso. Realmente não gosto nem um pouco disso."

Dava dó olhar para ele. O homem falou durante algum tempo, e depois fez um comentário muito interessante.

- Creio que ela sabe fazer todas as perguntas necessárias – falou meio envergonhado. - Eu a conheci em um seminário deste tipo...Quando eu estava casado com outra mulher!

Refleti sobre as implicações deste comentário, e depois disse:

- Você é um fã das "soluções rápidas", correto?

- O que quer dizer com isso? - retrucou.

- Bem, você gostaria de pegar uma chave de fenda, abrir a cabeça de sua esposa e reprogramar as atitudes dela rapidamente, não gostaria?

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- É claro que eu gostaria que ela mudasse! - exclamou. – Não acho que seja certo ela me pressionar constantemente, como faz.

- Meu amigo - falei -, você não pode fugir através da conversa dos problemas em que se meteu graças ao seu comportamento.

Estamos lidando aqui com uma mudança de paradigma dramático e fundamental. Você pode tentar melhorar suas interações sociais através de técnicas e manipulação da personalidade, mas corre o risco afetar o caráter básico vital durante o processo.

Não se pode ter os frutos sem as raízes. É o princípio da seqüência: a Vitória Interna antes da Vitória em Público. O autocontrole e a disciplina pessoal são a de um bom relacionamento com os outros.

Certas pessoas dizem que você precisa gostar de si mesmo antes gostar dos outro. Acredito que este conceito tenha lá seu mérito, mas se você não conhece a si mesmo, não controla a si mesmo, não tem poder sobre si mesmo, fica muito difícil gostar de si mesmo, e não de uma forma superficial, forçada, breve.

O respeito real por si mesmo vem do domínio sobre a personalidade, vem da verdadeira independência. E este é o foco dos Hábitos 1, 2 e 3. A independência é uma conquista. A interdependência é uma escolha que apenas as pessoas independentes podem fazer. A não ser que você esteja disposto a conquistar a independência real, é perda de tempo tentar desenvolver técnicas de relações humanas. Pode-se tentar.

Quem sabe até obter algum sucesso, enquanto tudo estiver correndo bem.

Quando as dificuldades chegarem, contudo, faltará a base necessária para manter as coisas nos devidos lugares. E as dificuldades chegarão, sem dúvida.

O ingrediente mais importante que colocamos em qualquer relacionamento não é o que dizemos ou fazemos, mas sim o que somos. E, se nossos atos e palavras derivam de técnicas de relações humanas superficiais (a Ética da Personalidade), e não de nosso íntimo (a Ética do Caráter), as outras pessoas perceberão esta duplicidade. Seremos simplesmente incapazes, portanto, de criar e manter as bases necessárias para uma interdependência eficaz.

A habilidade e as técnicas que realmente fazem diferença nas interações humanas são aquelas que fluem de modo quase natural, de uma naturalidade verdadeiramente independente. Sendo assim, o local para começar a construir qualquer relacionamento é dentro de nós mesmo, dentro de nosso Círculo de Influência, de nosso próprio caráter.

Conforme nos tornamos independentes - proativos, centrados nos princípios corretos, guiados pelos valores e capazes de nos organizar e agir conforme as prioridades da nossa vida com integridade, então podemos escolher a interdependência, a capacidade de construir relacionamentos ricos, duradouros e altamente produtivos com outras pessoas.

Conforme olhamos para o caminho que temos pela frente, vemos que estamos penetrando em uma dimensão totalmente nova. A interdependência nos abre as portas de novas possibilidades de relações profundas, ricas, significativas, para a produtividade aumentada em progressão métrica, para servir, para construir, para aprender, para amadurecer. Mas também é o lugar onde sentimos a dor mais forte, a frustração, a dor, onde enfrentamos os bloqueios mais poderosos contra nossa vida e sucesso. E temos plena consciência desta dor, porque ela, com freqüência vivemos durante anos com a dor crônica da falta de visão, liderança ou capacidade de administração de nossas vidas pessoais. Sentimos um desconforto e um incômodo vagos, e ocasionalmente tomamos medidas para aliviar a dor, pelo

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menos por algum tempo. Como a dor é crônica, entretanto, acabamos por nos acostumar a ela, a conviver com ela.

Mas, quando temos problemas em nossas interações com outras pessoas, percebemos a dor aguda - com freqüência ela é intensa, e queremos que ela se vá.

Neste momento, tentamos tratar os sintomas com receitas e técnicas fulminantes - os band-aids da Ética da Personalidade. Não percebemos que a dor aguda é um desdobramento do problema crônico, mais profundo. E até pararmos de tratar os sintomas e começarmos a tratar do problema, nossos esforços darão resultados contraproducentes apenas. Só conseguiremos obscurecer ainda mais a dor crônica.

Neste ponto, ao pensarmos nos relacionamentos eficazes com os outros, vamos retornar a nossa definição inicial de eficácia. Dissemos que era o equilíbrio P/CP, o conceito fundamental na história da galinha dos ovos de ouro.

Em uma situação interdependente, os ovos de ouro são a eficácia, sinergia maravilhosa, os resultados gerados por uma comunicação a e uma interação positiva com outras pessoas. E, para conseguirmos ovos regularmente, precisamos tomar conta da galinha. Necessitamos criar e cuidar dos relacionamentos que tornam realidade estes resultados.

Assim sendo, antes de encerrar este reconhecimento prévio e penetrar nos Hábitos 4, 5 e 6, eu gostaria de introduzir o que acredito ser uma poderosa metáfora na descrição dos relacionamentos e na efetivação do equilíbrio P/CP em uma realidade interdependente.