Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes

Stephen R. Covey · Capítulo 78 de 99

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Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes

Sinergia na Sala de Aula

Como professor, cheguei à conclusão de que muitas das melhores turmas vivem a um passo do caos. A sinergia mostra o quanto professores e alunos estão realmente abertos para o princípio de que o todo é maior que a soma das partes.

Há épocas em que nem o professor nem os alunos sabem realmente o que vai acontecer. No início, existe um ambiente seguro, que permite às pessoas realmente se abrirem, para aprender e escutar as idéias dos outros. Depois chega a hora do brainstorming, onde o espírito de avaliação se subordina ao espírito da criatividade, à imaginação e ao trabalho intelectual coletivo. Neste ponto, um fenômeno absolutamente inusitado começa a acontecer. A classe inteira se transforma com a excitação de um novo desafio, uma nova idéia, uma nova direção, que apesar de difícil de definir é quase palpável para as pessoas envolvidas.

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A sinergia é quase um acordo coletivo de um grupo para deixar de lado os antigos roteiros e escrever um novo.

Eu jamais me esquecerei de um curso universitário que dei sobre estilo e filosofia de liderança. Depois de três semanas de aulas, em um determinado semestre, uma pessoa, no meio da aula, começou a relatar algumas experiências pessoais suas muito fortes, que eram simultaneamente emotivas e reveladoras. Um espírito de humildade e reverência tomou conta da classe inteira - reverência pelo indivíduo, e reconhecimento por sua coragem.

Este espírito criou um solo fértil para os esforços sinérgicos e criativos. Outros alunos começaram a ser influenciados por ele, relatando algumas de suas experiências e descobertas, bem como certas dúvidas.

O espírito de confiança e segurança estimulou vários deles a se abrirem. Em vez de apresentarem os trabalhos preparados, eles aproveitaram as idéias e descobertas dos colegas para começar a criar um cenário totalmente novo para aquela turma e o que ela representava. Eu me envolvi profundamente no processo.

Na verdade, estava fascinado por ele, porque parecia tão mágico e criativo. E aos poucos percebi que abandonava meu compromisso com a estrutura do curso, percebendo um leque de novas possibilidades. Não era só um entusiasmo de momento. Havia uma noção de maturidade, da estabilidade e da substância que transcendia muito a estrutura e o plano anterior.

Abandonamos o projeto, os livros adotados e os seminários já marcados, estabelecendo novos planos, projetos e tarefas. Ficamos tão excitados com o que estava acontecendo que dentro de outras três semanas nós todos sentimos um imenso desejo de passar aquilo para os outros.

Decidimos escrever um livro contendo nosso aprendizado e descobertas sobre o assunto estudado - princípios de liderança. As tarefas foram revistas, novos projetos assumidos, novos grupos formados. As pessoas trabalharam muito mais do que na antiga estrutura do curso, em função de motivos completamente diferentes.

Desta experiência emergiu uma cultura extremamente singular, coesa e sinérgica, que não acabou no final do semestre. Durante anos foram realizados encontros entre os alunos daquela turma. Mesmo atualmente, muitos anos depois, quando nos encontramos, falamos do assunto e freqüentemente tentamos descrever o que aconteceu e o motivo para tanto.

Um dos aspectos interessantes foi o tempo curto transcorrido até quase criasse confiança suficiente para gerar a sinergia. Acredito que o grande motivo foi a maturidade relativa das pessoas. Eles estavam no último semestre do curso, e acredito que estivessem em busca de algo mais forte do que apenas mais uma matéria agradável. Estavam famintos por algo novo e excitante, algo que pudessem criar e considerassem verdadeiramente significativos. Era uma "idéia cujo momento havia chegado", para eles.

Para completar, o método era correto. Acredito que experimentar a sinergia é mais forte do que falar sobre ela, que produzir algo novo tem mais significado do que apenas ler algo velho.

Também experimentei, e acredito que a maioria das pessoas também, momentos que foram quase sinérgicos, momentos que se penduraram na beira do caos e que, por alguma razão, desceram até ele. Infelizmente as pessoas que saíram chamuscadas por estas experiências freqüentemente começam uma nova experiência com este fracasso na cabeça. Elas se defendem contra ele, e se afastam da sinergia.

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Elas estão agindo como administradores que estabelecem novas regras e regulamentos, baseados nos abusos de algumas poucas pessoas no dentro de uma organização, desta forma limitando a liberdade e as possibilidades criativas de muitos - ou sócios em um negócio que imaginam o pior cenário possível e o registram na linguagem do direito, liquidando com o espírito da criatividade, com a sinergia e com o espírito empreendedor.

Conforme eu repasso meus muitos anos de consultoria e formação de executivos, posso afirmar que os pontos altos foram quase que invariavelmente sinérgicos. Havia normalmente um momento inicial que exigia uma dose considerável de coragem, talvez para ser extremamente autêntico, confrontar alguma verdade sobre o indivíduo, a organização ou a família, que realmente precisava ser dita, exigindo uma combinação de coragem e amor genuíno considerável. Depois as pessoas se tornavam mais autênticas, mais abertas e honestas, e o processo de comunicação sinérgica se iniciava. Ele se tornava normalmente cada vez mais criativo, acabando em descobertas e planos que ninguém havia antecipado inicialmente.

Conforme ensinou Carl Rogers: "O que é mais pessoal é mais universal".

Quanto mais autêntico você se torna, mais genuína é sua expressão, particularmente com referência a experiências pessoais e até mesmo dúvidas, e mais as pessoas conseguem se relacionar com você.

Isso facilita a expressão delas, tornando-as mais segura. Esta capacidade de se expressar, por sua vez, se reforça no espírito da outra pessoa, e a empatia criativa verdadeira acontece, produzindo novas descobertas e ensinamentos, além de um senso de aventura e excitação que mantém a dinâmica do processo.

As pessoas começam a interagir uma com as outras usando quase meia frase, de modo aparentemente incoerente, mas conseguem entender as mensagens do outro rapidamente. Assim, universos inteiros de descobertas, novas perspectivas, novos paradigmas que permitem opções, e novas alternativas se abrem e são analisadas. Apesar de ocasionalmente estas idéias ficarem boiando no ar, elas normalmente atingem algum tipo de resultado que é prático e útil.