Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes
Princípios de Crescimento e Mudança
O charme e o apelo mais popular da Ética da Personalidade encontram-se na crença de que existe um caminho rápido e fácil para se obter qualidade de vida -
eficácia a nível pessoal e relacionamentos satisfatórios e profundos com outras pessoas, sem passar pelo processo natural de esforço e amadurecimento que a torna possível.
Trata-se de uma forma sem conteúdo, de um esquema para se "ficar rico depressa", por meio de promessas de "fortuna sem fazer força".
Pode até ser que dê certo, mas a picaretagem é inegável.
A Ética da Personalidade é ilusória e enganosa. Tentar aumentar a qualidade de vida utilizando suas técnicas e receitas rápidas equivalem a uma tentativa de ir a um ponto de Chicago tendo como base um mapa de Detroit.
Devemos ter em mente as palavras de Erich Fromm, um arguto observador das raízes e frutos da Ética da Personalidade:
Hoje em dia nos deparamos com indivíduos que se comportam como autômatos, que não conhecem ou compreendem a si mesmos, e a única pessoa que conhecem é a que pensam ser, alguém cuja conversa vazia substituiu a comunicação real, alguém em quem o sorriso sintético tomou o lugar do riso genuíno e a sensação de desespero total ocupou o vazio deixado pela dor autêntica. Duas coisas podem ser ditas de tais indivíduos. A primeira é que sofrem de defeitos aparentemente incuráveis, como a falta de espontaneidade e personalidade. Ao mesmo tempo, podemos dizer que eles não diferem de milhões de pessoas que, como nós, caminham pela face da Terra.
Durante toda a vida, passamos por estágios seqüenciais de crescimento e desenvolvimento. Uma criança aprende a virar, sentar, engatinhar e depois a andar e a correr. Cada fase é importante, e cada uma delas leva tempo. Nenhuma parte do processo pode ser pulada.
Isso vale para todas as fases da vida, em todas as áreas onde há desenvolvimento, seja o aprendizado do piano ou a comunicação eficaz com um companheiro de trabalho. E vale para indivíduos, casamentos, famílias inteiras e organizações.
Reconhecemos e aceitamos a existência do fato ou princípio do processo quando se trata de elementos físicos, materiais, mas é mais difícil e raro compreender isso em áreas como as relações humanas, emoções e personalidade.
E mesmo que as pessoas entendam isso, aceitar este princípio e viver em harmonia com ele é ainda mais difícil e raro. Conseqüentemente, de vez em quando buscamos um atalho, sonhando em saltar algumas destas fases vitais, de modo a economizar tempo e esforço para atingir o resultado pretendido.
Mas o que acontece quando tentamos encontrar um atalho para um processo natural em nosso crescimento e desenvolvimento? Se alguém é um jogador de tênis apenas mediano, e resolve jogar com adversários muito superiores, de forma a causar uma boa impressão, o que acontece? Será que o pensamento positivo, sozinho, torna possível enfrentar um profissional com bons resultados?
E se você convencer seus amigos de que pode dar um concerto de piano, apesar de seu nível real, no momento, ser apenas o de um principiante?
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As respostas são óbvias. É simplesmente impossível violar, ignorar ou cortar caminho no processo de desenvolvimento. Contraria a natureza, e as tentativas de cortar caminho só resultam em desapontamento e frustração.
Em uma escala de um a dez, se eu estou na posição dois, em qualquer atividade, e desejo atingir o nível cinco, preciso primeiro dar um passo em direção ao nível três. "Uma jornada de mil quilômetros começa pelo primeiro passo", diz um ditado, e só pode ser feita na base de um passo a cada vez.
Se você não permite ao mestre saber em que estágio se encontra -fazendo uma pergunta ou revelando sua ignorância -, jamais vai aprender ou amadurecer.
Ninguém consegue fingir por muito tempo, pois será descoberto algum dia. A admissão da ignorância é com freqüência
o primeiro passo em nossa educação.
Thoreau nos ensinou: "Como podemos lembrar de nossa ignorância, uma exigência para o amadurecimento, se estamos usando nossos conhecimentos durante todo o tempo?”
Eu me recordo de uma ocasião em que duas moças, filhas de um amigo meu, vieram a mim em prantos, reclamando da rigidez e falta de compreensão do pai delas. Elas temiam falar abertamente com os pais, por causa das possíveis conseqüências.
Precisavam desesperadamente, contudo, dos conselhos, do amor e da compreensão dos pais.
Conversei com o pai delas, e descobri que ele tinha consciência do que estava acontecendo, a nível intelectual. Mas, apesar de admitir que tinha um problema de temperamento, recusava-se a aceitar a responsabilidade por isso, e a aceitar honestamente o fato de que seu amadurecimento emocional era baixo. Seu orgulho não suportava dar o primeiro passo em direção à mudança.
Precisamos aprender a ouvir, para nos relacionarmos eficazmente com nossas esposas, filhos, amigos ou colegas de trabalho. E isso exige força interior.
Ouvir implica paciência, mente aberta e vontade de compreender -qualidades supremas do caráter. É muito mais fácil agir de um modo grosseiro e ficar dando conselhos de alto nível.
Nosso nível de desenvolvimento é bem óbvio quando se trata de tênis ou piano, pois é impossível fingir. Mas as coisas não são tão evidentes quando se trata do caráter e do amadurecimento emocional. Podemos fazer "pose" ou "enganar" um estranho ou um colega. Podemos fingir. E, por algum tempo, ir levando adiante a farsa - pelo menos em público. Podemos até enganar a nós mesmos. Contudo, creio que a maioria de nós sabe a verdade, no que se refere ao que somos lá no fundo. E
acredito que a maioria das pessoas com quem convivemos e trabalhamos também sabe esta verdade.
Tenho visto as conseqüências das tentativas de encurtar este processo natural com freqüência, no mundo dos negócios, onde executivos buscam "adquirir"
uma nova cultura, com produtividade maior, qualidade, moral alto e satisfação dos clientes através de discursos convincentes, sorrisos forçados e intervenções externa, ou então através de fusões, aquisições e jogadas amigáveis ou não para assumir o controle de outras empresas. Mas eles ignoram o clima de desconfiança produzido por tais manipulações. Quando estes métodos dão errados, eles procuram outras técnicas da Ética da Personalidade que funcionem, ignorando e violando, durante todo o tempo, os princípios e processos naturais em que uma cultura confiável se baseia.
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Recordo que eu mesmo violei este princípio, como pai, há muitos anos. Um dia voltei para casa, era o aniversário de minha filha, que fazia 3 anos, e a encontrei em um canto, na sala da frente, agarrada a todos os presentes, em atitude desafiadora, sem querer deixar que
as outras crianças brincassem com eles também. A primeira coisa que me chamou a atenção foi a presença de outros pais na sala, testemunhando aquela demonstração de egoísmo. Fiquei constrangido, mais ainda porque na época estava dando um curso na universidade sobre relações humanas. E imaginava, podia até sentir, a expectativa dos pais presentes.
A atmosfera na sala estava realmente carregada - as crianças rodeavam minha filha com as mãos estendidas, pedindo para brincar com os presentes que haviam acabado de trazer, mas minha filha recusa-se firmemente a permitir tal coisa.
Disse a mim mesmo: "Sem dúvida preciso ensinar a minha filha a necessidade de compartilhar seus presentes”. A capacidade de compartilhar é um dos valores básicos de minha vida".
Comecei, portanto, com um pedido bem direto:
- Querida, será que você não poderia deixar seus amiguinhos pegarem um pouco os brinquedos que eles trouxeram para você?
- Não - ela retrucou, lacônica.
Minha segunda tentativa incluiu uma argumentação mais sofisticada.
- Querida, se você aprender a compartilhar seus brinquedos com eles quando estamos em nossa casa, eles irão compartilhar os brinquedos deles, quando for visitá-los.
Não! - mais uma vez ela respondeu.
Fiquei mais embaraçado ainda, depois estava claro que não conseguia influenciá-la nem um pouquinho. O terceiro método foi o do suborno. Com muito cuidado eu falei:
- Querida, se você deixar que eles brinquem também, tenho uma surpresa especial para você. Um chiclete.
- Não quero chiclete! - ela explodiu.
Eu estava ficando exasperado. Na quarta tentativa apelei para a ameaça e para o medo.
- Se você não deixar os outros brincarem vai ver só uma coisa!
- Não quero nem saber! - ela gritou. - Os brinquedos são meus. Não tenho de deixar ninguém pegar!
No final, recorri à força. Peguei alguns brinquedos e dei para as outras crianças.
- Pronto, podem brincar com estes aqui.
Talvez minha filha precisasse passar pela experiência de possuir os brinquedos antes de poder compartilhá-los. (Na verdade, como posso dar realmente, sem antes passar pela experiência de ter?) Ela precisava de mim, enquanto pai, para adquirir um nível mais alto de maturidade emocional, que permitisse a ela tal experiência.
Mas, naquele momento, eu pensei mais na opinião daqueles pais a meu respeito do que no crescimento e amadurecimento de minha filha ou no relacionamento de nós dois. Simplesmente parti de um pressuposto inicial, de que eu estava certo, ela deveria dividir os brinquedos, e errava ao se recusar a fazê-lo.
Talvez eu tenha imposto a ela uma expectativa excessiva, apenas porque eu estivesse em um nível baixo em minha própria escala. Eu não fui capaz, nem estava disposto a ter paciência ou compreensão, e ainda queria que ela compartilhasse
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suas coisas. Em uma tentativa de compensar minha deficiência, usei a força de minha posição e autoridade para obrigá-la a fazer o que eu queria que fizesse.
Mas a força derivada da posição é uma fraqueza. Ela diminui o potencial de quem a usa, pois reafirma a dependência de fatores externos para conseguir resultados. E diminui o potencial da pessoa obrigada a aquiescer, brecando o desenvolvimento da capacidade de pensar por conta própria, de crescer e de aprimorar a disciplina interna. E, finalmente, enfraquece o relacionamento. O medo substitui a cooperação, e as duas pessoas envolvidas passam a ser mais arbitrárias e defensivas.
E o que acontece quando a fonte que fornece a força - seja ela o tamanho maior, a força física, posição, autoridade, títulos, símbolos de status, aparência ou conquistas passadas - se modifica ou desaparece?
Se eu fosse mais maduro, teria confiado em minha força interior -minha compreensão do que é compartilhar e amadurecer, em minha capacidade de amar e ajudar, e teria permitido que minha filha fizesse uma escolha livre, compartilhando ou não seus brinquedos. Talvez eu
tivesse, depois de tentar convencê-la, conseguido desviar a atenção das crianças para uma brincadeira interessante, desviando a pressão emocional concentrada na menina. Aprendi que as crianças, após adquirirem o sentido real de propriedade, passam a compartilhar suas coisas de forma livre, natural e espontânea.
Minha experiência demonstra que há momentos em que se deve ensinar, e momentos em que não se deve ensinar nada. Quando os relacionamentos estão tensos, e o ar carregado de emoções, uma tentativa de ensinar, com freqüência, é vista como uma forma de julgamento e rejeição. Por outro lado, uma aproximação tranqüila, longe dos outros, em um momento bom do relacionamento com a criança, para discussão aberta dos ensinamentos ou valores, parece causar um impacto muito maior. Aparentemente a maturidade emocional para agir assim estava além do nível de paciência e controle interno que eu dispunha naquele momento.
É possível que o sentido da posse venha necessariamente antes da capacidade de compartilhar. Muitas pessoas dão mecanicamente, ou se recusam a dar e compartilhar, em seus casamentos e famílias. Elas podem não ter experimentado nunca a sensação de ser donas de si mesmas, vivendo desprovidas da noção de identidade e valor enquanto pessoas. Ajudar os filhos a crescer para valer implica ter paciência suficiente para permitir a eles o sentido da posse, bem como sabedoria suficiente para mostrar a importância de compartilhar através de nosso próprio exemplo.
O Problema é o Modo Como Vemos o Problema
As pessoas ficam intrigadas quando vêem que acontecem coisas boas nas vidas de indivíduos, famílias e organizações baseadas em princípios sólidos.
Admiram a força pessoal e a maturidade, a unidade familiar e o trabalho em equipe, e também a flexibilidade da cultura organizacional sinérgica.
E sua primeira reação é bastante reveladora de seu paradigma básico.
"Como isso é possível? Mostre as técnicas utilizadas."
O que estão realmente dizendo é: “Mostre uma solução ou dê um conselho milagroso que alivie a dor da minha condição".
Elas encontrarão pessoas que tentarão realizar seus desejos e ensinar tais coisas, e por um curto período as técnicas e conselhos parecerão funcionar Talvez
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eliminem alguns problemas superficiais e agudos, através de aspirinas e band-aids sociais.
Mas a condição problemática crônica, subjacente, permanece, e mais dia menos dia os sintomas agudos voltarão a se manifestar. Quanto mais as pessoas se concentram nas soluções rápidas para resolver os problemas agudos e aliviar a dor, mais esta atitude contribui para piorar o caráter crônico da situação.
O problema é como vemos o problema.
Leia novamente algumas das preocupações citadas na abertura deste capítulo, e o impacto das idéias da Ética da Personalidade.
“Fiz vários cursos para aumentar a eficácia dos meus métodos de treinamento de pessoal. Eu espero um bocado de meus funcionários, e faço o possível para ser cordial e justo com todos. Mas não percebo nenhuma lealdade da parte deles. Se eu ficasse em casa um dia, doente, acho que passariam todo o tempo batendo papo e tomando café. Por que não consigo treiná-los para”.
que sejam independentes e responsáveis - nem encontrar outros que o sejam ?”“.
A Ética da Personalidade diz que posso tomar algumas atitudes dramáticas -
botar as coisas nos devidos lugares, despedir alguém – para obrigar meus empregados a tomar jeito e dar valor ao que possuem.
Ou que eu posso descobrir algum programa de treinamento e motivação que os tornará mais interessados. Em último caso, posso contratar outras pessoas, mais competentes para o serviço.
Mas não seria possível que, debaixo deste comportamento aparentemente desleal, exista um questionamento quanto a minha real atitude, no que se refere aos interesses deles? Eles não poderiam sentir que os trato como objetos inanimados?
Haveria alguma verdade nisso?
Lá no fundo, de que maneira eu os vejo realmente? Há alguma chance de que o modo como vejo as pessoas que trabalham para mim faça parte do problema?
“Tenho tanta coisa para fazer. Nunca dá tempo. Eu me sinto pressionado e tenso o dia inteiro, sete dias por semana. Compareci a seminários sobre organização do tempo e tentei meia dúzia de sistemas de planejamento diferentes.
Eles ajudaram um pouco, mas ainda assim eu percebo que não estou levando a vida feliz, produtiva e pacífica que pretendia”.
A Ética da Personalidade me diz que existe algo capaz de resolver meu problema - um novo método de planejamento, ou um seminário que vai me ajudar a lidar com todas as pressões de forma mais eficaz.
Entretanto, não haveria uma chance de que a eficácia não seja a resposta?
Será que fazer mais coisas em menos tempo vai mesmo fazer diferença, ou apenas aumentar a velocidade com que reajo às pessoas e circunstâncias que parecem controlar minha vida?
Não poderia haver algo que preciso notar de um modo mais profundo, mais fundamental? Um paradigma, dentro de mim, que afete o modo como vejo o tempo, a vida e minha própria natureza?
“Meu casamento empacou. A gente não briga nem discute. Simplesmente não nos amamos mais. Fizemos terapia de casal. Tentamos inúmeras outras coisas, mas não conseguimos mais ressuscitar os sentimentos antigos”.
Segundo a Ética da Personalidade, há um novo livro, ou um seminário onde as pessoas botam todos os sentimentos para fora, e isso vai ajudar minha esposa a
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me entender melhor. Ou quem sabe seja mesmo inútil continuar tentando, e só um novo relacionamento possa fornecer o amor de que tanto necessito. Mas não é possível que minha esposa não seja o problema real? Eu não estaria promovendo a fraqueza dela, tornando minha vida uma conseqüência da forma como a trato?
Será que eu tenho algum paradigma básico referente a minha esposa, ao casamento, ao amor como deve ser, capaz de alimentar o problema?
Dá para perceber como os paradigmas da Ética da Personalidade afetam profundamente a própria maneira como encaramos os problemas, bem como as tentativas de solução que adotamos?
Quer as pessoas vejam isso ou não, muita gente vem se desiludindo com as promessas vazias da Ética da Personalidade. Em minhas viagens pelos Estados Unidos e em trabalhos com instituições, percebo que os executivos com visão a longo prazo não dão a menor importância à psicologia de estímulos fáceis e aos conferencistas ”motivacionais" que não trazem nada além de histórias divertidas entremeadas de lugares- comuns.
Eles procuram substância, querem entender os processos. Desejam muito mais do que aspirinas e band-aids. Eles precisam solucionar os problemas crônicos que estão na base, e se concentrar nos princípios que fornecem resultados a longo prazo.