Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes

Stephen R. Covey · Capítulo 24 de 99

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Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes

Expandindo o Círculo de Influência

É inspirador perceber que ao escolhermos nossa reação a uma circunstância, afetamos intensamente esta mesma circunstância. Quando modificamos parte de uma fórmula química, alteramos a natureza do resultado.

Trabalhei em uma organização por vários anos, sob a liderança uma pessoa muito dinâmica. Ele conseguia antecipar as tendências. Ele era criativo, talentoso, capaz e brilhante - e todos sabiam disso. Mas tinha um estilo ditatorial de direção.

Mostrava a tendência de tratar as pessoas como servos, como se elas não tivessem qualquer opinião. Seu modo de se dirigir às pessoas que trabalhavam na organização sempre começava por "Faça isso... pegue aquilo... agora resolva isso...

depois vá para lá... Eu tomo as decisões".

O resultado foi que ele praticamente alienava todo o corpo de executivos ao seu redor. Estes se reuniam no corredor para reclamar. As discussões eram sempre muito sofisticadas, muito articuladas, como se eles estivessem tentando resolver o impasse criado pela situação. Mas eles

não passavam deste ponto, tirando o corpo fora das responsabilidades, escudados pelas fraquezas do presidente.

- Você não pode imaginar o que aconteceu desta vez - alguém falou um dia. -

O presidente veio até meu departamento. Eu estava com tudo pronto. Só que ele entrou e deu ordens completamente diferentes.

Todo o serviço que eu realizara durante meses estava descartado, sem mais nem menos. Nem sei como consigo continuar trabalhando para ele. Quantos anos faltam para que se aposente?

- Ele tem apenas 59 anos - alguém comentou. - Acha que consegue agüentar mais seis anos?

- Sei lá. Ele é o tipo de sujeito que não vai querer se aposentar, de qualquer modo.

Um dos executivos, contudo, era proativo. Agia em função de valores, e não de sentimentos. Ele tomou a iniciativa - estudou, procurou compreender e antecipar os desdobramentos da situação. Não fez vista grossa para as deficiências do presidente. Mas, em vez de criticá-las, procurou compensá-las. Onde este era fraco, em matéria de estilo, o executivo buscava estimular seu pessoal, de modo a tornar tais deficiências irrelevantes. E ele tentava estimular os pontos positivos do presidente - sua visão, seu talento, sua criatividade.

Este homem concentrou-se em seu Círculo de Influência. Ele também era tratado como se fosse um servo. Mesmo assim, fez mais do que era esperado. Ele antecipou as necessidades do presidente. Tentou compreender as preocupações deste, de modo que, ao apresentar seus relatórios, também fazia análises e recomendações baseadas nas informações levantadas.

Quando me sentei um dia para conversar com o presidente, em uma reunião de consultoria, ele falou:

- Stephen, mal consigo crer no que este homem fez. Ele não apenas forneceu as informações solicitadas como reuniu dados suplementares, por sinal exatamente do que precisávamos. Além disso, contribuiu com uma análise sintonizada com minhas preocupações mais sérias e uma lista de recomendações. As recomendações são coerentes com a análise, e esta se harmoniza com os dados.

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Ele é notável! Como fico contente por não precisar me preocupar com este setor da empresa!

Na reunião seguinte, era "faça isso" e "faça aquilo" para todos os executivos, menos um. Quando se tratava daquele homem, a frase era: "Qual é a sua opinião?"

O Círculo de Influência havia crescido.

Este fato agitou bastante a organização. As cabeças reativas começaram a fazer rodinhas para despejar seu despeito naquele homem proativo.

Absolver a si mesmas de qualquer responsabilidade é típico das pessoas reativas. Fica muito mais fácil dizer: "Eu não sou responsável".

Se a pessoa disser "Eu sou responsável", poderá ter de afirmar um dia "Eu sou irresponsável". Seria doloroso demais para a pessoa dizer que possui a capacidade de escolher qual atitude tomar, e que sua decisão resultou no envolvimento em uma situação desgastante, conflituosa, negativa, especialmente se, durante anos, esta pessoa acostumou-se a eximir-se das responsabilidades pelos resultados de seus atos escondendo-se atrás dos defeitos e fraquezas alheios.

Sendo assim, os executivos concentraram-se em procurar mais provas, evidências e elementos para provar que não eram responsáveis.

Aquele homem, contudo, foi proativo em relação aos colegas também. Pouco a pouco, seu Círculo de Influência cresceu na direção deles também. E continuou a se expandir, até chegar ao ponto em que ninguém na organização tomava uma decisão importante sem consultar e obter a aprovação dele, inclusive o presidente.

Apesar disso, não se sentia ameaçado, pois a força de um aumentava a força do outro e aquele homem ainda compensava certas fraquezas do presidente, que agora contava com força dobrada.

O sucesso de alguém como ele não dependia das circunstâncias. Outros estiveram na mesma situação. Seu sucesso decorreu das respostas dadas às circunstâncias, do foco sobre o Círculo de Influência.

Este foco o diferenciou.

Existem pessoas que interpretam o termo proativo como sinônimo de agressivo, insensível ou excessivamente exigente, mas não é nada disso.

As pessoas proativas não são exigentes demais. Elas são tranqüilas, agem conforme seus valores, percebem a realidade e sabem o que é preciso fazer.

Pensem em Gandhi. Enquanto seus detratores ficavam no congresso criticando sua recusa em unir-se ao Círculo Retórico das Preocupações, condenando o Império Britânico por subjugar o povo indiano, Gandhi percorria os campos de arroz, calma, imperceptível e lentamente expandindo seu Círculo de Influência junto aos trabalhadores rurais. Uma imensa onda de apoio, confiança e fé percorreu o país, seguindo seus passos. Apesar de Gandhi não ter cargo ou função política, através da compaixão, da coragem do jejum e da persuasão moral ele finalmente pôs a Inglaterra de joelhos, rompendo a dominação política de 300

milhões de pessoas com o poder de seu Círculo de Influência imensamente expandido.

O "Ter" e o "Ser"

Uma das formas de se determinar em que círculo nossa preocupação se encontra é distinguir entre o ter e o ser:

O Círculo de Preocupações vive cheio de ter:

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"Ficarei feliz quando tiver acabado de pagar minha casa”.

"Se eu pelo menos tivesse um chefe que não fosse tão ditador”.

"Se eu tivesse um marido mais paciente..."

"Se eu tivesse filhos obedientes”.

"Se eu tivesse um diploma”.

"Se eu tivesse mais tempo para mim”.

O Círculo de Influência está cheio de ser:

Eu posso ser mais paciente, ser mais sábio, ser mais carinhoso. O foco dirige-se para o caráter.

Sempre que achamos que o problema está “lá fora”; este pensamento em si é o problema. Damos ao que está lá fora o poder de nos controlar”.

A mudança de paradigma precisa acontecer de "fora para dentro" -o que está lá fora precisa mudar antes que nós possamos mudar.

A abordagem proativa prescreve a mudança de dentro para fora: ser diferente e, ao ser diferente, alterar positivamente o que está lá fora.

Eu posso ser mais engenhoso, posso ser mais diligente, posso ser mais criativo, posso ser mais compreensivo.

Uma de minhas histórias favoritas encontra-se no Antigo Testamento, que faz parte da tradição judaico-cristã fundamental para nossa cultura.

Trata-se da história de José, vendido como escravo no Egito pelos irmãos, quando tinha 17 anos. Dá para imaginar como seria fácil para ele sentir pena de si mesmo, como servo de Putifar, concentrando-se nos defeitos dos irmãos, de seu amo e em tudo aquilo que lhe faltava?

Mas José era proativo. Ele lutava para ser. E dentro de pouco tempo ele era o encarregado do palácio de Putifar. Foi encarregado de cuidar de todos os bens de Putifar porque a confiança depositada nele era imensa.

Então chegou o dia em que José se viu às voltas com uma situação difícil, e se recusou a comprometer sua integridade. Como resultado, ele foi injustamente aprisionado, por treze anos. Mais uma vez ele foi proativo. Trabalhou no círculo menor, no âmbito do ser e não no do ter, e em pouco tempo estava administrando a prisão e logo o Egito inteiro, obedecendo apenas ao faraó. Sei que esta idéia representa uma mudança de paradigma dramática para muitas pessoas. É muito mais fácil acusar as outras pessoas, o condicionamento ou as circunstâncias por nossa situação estagnada.

Saber que nós somos responsáveis, "capazes de responder" e de controlar nossas vidas, influenciando intensamente nossas condições externas se nos concentrarmos no ser, naquilo que somos.

Se eu tenho um problema no casamento, o que realmente ganho em apontar sistematicamente os defeitos de minha mulher?

Ao dizer que não sou responsável, eu me torno uma vítima indefesa, eu fico aprisionado, imóvel em uma situação negativa. Também diminuo minha capacidade de influenciá-la. Minha atitude implicante, acusatória e crítica, apenas confirma para ela as fraquezas que possui. Minhas críticas são piores do que as deficiências que procuro corrigir.

A possibilidade de interferir positivamente na situação definha e morre. Caso eu realmente deseje melhorar minha situação, posso trabalhar com a única coisa sobre a qual tenho controle - eu mesmo. Se eu parar de tentar moldar minha esposa e trabalhar em minhas próprias deficiências, posso ser um companheiro melhor no

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casamento, uma fonte inesgotável de apoio e amor. Assim, se tudo der certo, minha esposa sentirá o poder de um exemplo proativo e reagirá de modo similar.

Caso ela reaja bem ou não, a maneira mais positiva possível para influenciar a situação encontra-se em um trabalho dirigido a mim.Existem tantas maneiras de se trabalhar no âmbito do Círculo de Influência – ser um ouvinte mais atento, ser um companheiro mais carinhoso no casamento, ser um estudante melhor, ser um funcionário mais aplicado e cooperativo. Em certos momentos a atitude mais proativa que podemos tomar é ser feliz, simplesmente sorrir com sinceridade.

A felicidade, como a infelicidade, é uma escolha proativa. Existem coisas, como o tempo, que nosso Círculo de Influência jamais conseguirá abranger. Mas, como pessoas proativas, podemos ser felizes e aceitar as coisas que não podemos controlar no momento, e concentrar esforços no que podemos mudar.