Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes

Stephen R. Covey · Capítulo 30 de 99

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Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes

Torne-se seu Próprio Criador Inicial

Reescrevendo os Papéis

Torne-se seu Próprio Criador Inicial

Conforme foi dito antes, a proatividade se baseia no dom exclusivamente humano da autoconsciência.

Os outros dons exclusivamente humanos adicionais, que permitem a expansão da proatividade e o exercício da liderança pessoal em nossas vidas são a imaginação e a consciência.

Através da imaginação conseguimos visualizar os mundos possíveis potencialmente existentes dentro de nós. Através da consciência, podemos entrar em contato com as leis e princípios universais, através de nossos dons singulares e modos de atuação, bem como com as diretrizes pessoais para melhor desenvolvê-los. Combinados com a autoconsciência, estes dois talentos nos dão o poder de escrever nossos próprios papéis.

Uma vez que já vivemos dentro de diversos papéis que foram passados para nós, o processo de escrever nosso próprio papel é, na verdade, muito mais um processo de "reescrever", ou de mudança de paradigma, de alteração de alguns paradigmas básicos que já temos. Conforme reconhecemos os papéis ineficazes, os paradigmas incompletos ou incorretos dentro de nós, podemos iniciar o processo proativo de reescrevê-los dentro de nós mesmos.

Acredito que um dos relatos mais inspiradores do processo de reescrita encontra-se na autobiografia de Anuar Sadat, antigo presidente do Egito. Sadat nasceu, foi criado e profundamente doutrinado para sentir ódio de Israel. Ele fez uma declaração à televisão: "Jamais apertarei a mão de um israelense enquanto eles ocuparem um único centímetro de solo árabe. Nunca, nunca, nunca!”

E multidões imensas em todo o país repetiam: - "Nunca, nunca, nunca! "

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Ele aglutinava a energia e unia o desejo de todo o país ao desempenhar aquele papel. Era um papel muito independente e nacionalista, e provocou manifestações de profunda emoção no povo. Mas era também muito irresponsável, Sadat sabia disso. Ele ignorava a situação explosiva e altamente interdependente que existia.

Sendo assim, ele reescreveu seu papel. Este ato foi resultado de um processo que ele aprendeu quando era um jovem prisioneiro da Cela 54, uma solitária na Prisão Central do Cairo, em função de seu envolvimento em uma conspiração contra o rei Faruk. Ele aprendeu a se afastar de sua própria mente e, através de um processo profundo de meditação, a fazer seus próprios livros sagrados, suas próprias orações e também a reescrever seu papel.

Ele conta que chegou a relutar em deixar a cela da prisão, pois fora lá que aprendera que o sucesso verdadeiro é o sucesso interior. Não se encontra na posse das coisas, e sim na posse de si mesmo, na vitória sobre o eu.

Durante algum tempo, no governo de Nasser, Sadat foi relegado a uma posição de relativa insignificância.

Todos acreditavam que seu espírito havia sido destroçado, mas não era verdade. Eles estavam projetando seu próprio modo de ser sobre ele. Não o compreendiam. Ele apenas esperava sua vez. E, quando a hora chegou, quando ele se tornou presidente do Egito e se deparou com a realidade política, reescreveu seu papel em relação a Israel. Visitou o Knesset, em Telavive, e iniciou um dos mais importantes movimentos de paz na história do mundo, uma iniciativa tão valiosa que acabou produzindo o Acordo de Camp David.

Sadat foi capaz de utilizar sua autoconsciência, sua imaginação e sua consciência para exercer a liderança pessoal, para mudar um paradigma essencial, para alterar o modo como via a situação. Ele trabalhou no centro de seu Círculo de Influência. E, a partir daquele momento, da mudança de paradigma, aconteceram modificações de comportamento e atitudes que afetaram milhões de vidas, parte de seu Círculo de Preocupações.

No decorrer do desenvolvimento de nossa autoconsciência, muitos de nós identificamos papéis inadequados, profundamente arraigados, que são completamente perniciosos para nós, totalmente incongruentes com as coisas que realmente valorizamos na vida.

O Hábito 2 estabelece que não precisamos conviver com esses papéis.

Somos capazes de usar a imaginação e a criatividade para escrever novos papéis, mais eficazes, mais de acordo com nossos valores mais profundos e com os princípios corretos que lhes dão sentido.

Vamos supor, por exemplo, que eu esteja extremamente sensível com relação a meus filhos. Sempre que eles começam a fazer algo que considero inadequado, sinto uma tensão imediata na boca do estômago.

Percebo que as muralhas defensivas se levantam, e que eu me preparo para a batalha. Minha preocupação não é o amadurecimento a longo prazo e a compreensão, e sim o comportamento a curto prazo. Estou tentando ganhar a batalha, e não a guerra.

Preparo minha munição - meu tamanho superior, minha posição que confere autoridade - e grito, intimido, ameaço ou castigo e ganho. Fico parado lá, vitorioso, no meio dos destroços de um relacionamento abalado, quando meus filhos mostram-se aparentemente submissos, embora revoltados no íntimo, reprimindo sentimentos que serão postos para fora mais tarde, de um modo muito pior.

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Bem, se eu estivesse no funeral mencionado anteriormente, e um de meus filhos fosse falar, eu gostaria que sua vida representasse a vitória dos ensinamentos, do treino e da disciplina com amor, durante muito anos, e não as cicatrizes de batalha e de escaramuças de efeito apenas imediato. Gostaria que o coração dele, e o meu, estivesse lotado de lembranças de momentos de união, significativos e profundos.

Gostaria que ele se lembrasse de mim como um pai carinhoso, que compartilhasse com ele a alegria e a dor do amadurecimento. Gostaria que ele se lembrasse dos momentos em que veio a mim com seus problemas e preocupações.

Eu gostaria de ter ouvido, ajudado e amado. Gostaria que ele soubesse que eu não era perfeito, mas que fiz o melhor que pude. E que, talvez mais do que qualquer outro no mundo, eu o amei.

O motivo para eu desejar estas coisas é valorizar meus filhos, bem lá no fundo. Eu os amo, e desejo ajudá-los. Valorizo meu papel de pai.

Mas nem sempre eu percebo estes valores. Vivo preso aos problemas do dia-a-dia. O que realmente interessa acaba sufocado por várias camadas de problemas urgentes, preocupações imediatistas e comportamentos exteriores. Eu me torno reativo. E o modo como me relaciono com meus filhos diariamente acaba tendo pouco a ver com o modo como me sinto em relação a eles.

Uma vez que possuo a faculdade da autoconsciência, a imaginação e a consciência, eu posso examinar meus valores mais profundos. Posso me dar conta de que o papel que estou desempenhando não está em harmonia com estes valores, que minha vida não é o resultado de meus planos proativos, mas sim da criação inicial, que cedeu a circunstâncias e a outras pessoas. E eu posso mudar.

Posso viver da minha imaginação, e não da memória. Posso me reportar a meu potencial ilimitado, não a meu passado restrito. Posso me tornar meu próprio criador inicial.

Começar com o objetivo na mente significa abordar meu papel como pai, bem como os outros papéis que desempenho na vida, a partir do esclarecimento de meus valores e pretensões. Significa ser responsável pela minha própria criação inicial, reescrever meu papel, de forma que os paradigmas determinantes de meu comportamento estejam em conformidade com meus valores mais profundos e em harmonia com os princípios corretos.

Isso também significa começar cada dia com estes valores claros na mente.

Assim, quando as vicissitudes e os desafios chegarem eu posso tomar minhas decisões baseado nestes valores. Posso agir com integridade. Não preciso mais reagir às emoções, às circunstâncias. Posso me tornar realmente proativo, movido pelos valores, porque meus valores estão nítidos.