Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes

Stephen R. Covey · Capítulo 8 de 99

Páginas do PDF

Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes

Princípios interiorizados e padrões de comportamento O…

HÁBITOS EFICAZES

Princípios interiorizados e padrões de comportamento O crescimento, desde a infância até a idade adulta, se faz em conformidade com as leis naturais. Claro, existem diversas direções no crescimento. Atingir a maturidade física total, por exemplo, não assegura automaticamente a maturidade emocional ou intelectual.

Por outro lado, a dependência física de uma pessoa não significa que esta seja intelectual ou emocionalmente imatura.

No processo de amadurecimento, a dependência é o paradigma do você: Você tem de tomar conta de mim.

Você fez a coisa certa.

Você não fez a coisa certa.

A culpa é toda sua.

A independência é o paradigma do eu: Eu sei fazer. Eu sou responsável. Eu tenho certeza. Eu sei escolher.

A interdependência é o paradigma do “nós”: Nós podemos fazer isso. Nós podemos cooperar. Nós vamos unir nossos talentos e habilidades para juntos criarmos algo maior.

As pessoas dependentes precisam das outras para conseguir o que desejam.

As pessoas independentes conseguem obter o que desejam através de seu próprio esforço. As pessoas interdependentes combinam seus próprios esforços com os esforços dos outros para conseguir um resultado muito melhor.

Se eu fosse fisicamente dependente - paralítico, deficiente ou incapaz fisicamente -, precisaria da ajuda das pessoas.

Se eu fosse emocionalmente dependente, meu senso de valor e minha segurança dependeriam da opinião dos outros a meu respeito. Seria devastador se alguém não gostasse de mim.

Se eu fosse intelectualmente dependente, precisaria de terceiros que iriam pensar em meu lugar e resolver as questões e problemas da minha vida.

Se eu fosse independente, poderia me virar sozinho fisicamente. No plano intelectual, seguiria minhas próprias idéias e teria capacidade de passar de um nível de abstração a outro. Poderia pensar de modo crítico e analítico, organizando e expressando meus pensamentos de forma inteligível. Emocionalmente, saberia reconhecer meu valor sozinho. Conduziria minha vida tendo minha personalidade como base. Não dependeria do fato dos outros gostarem de mim ou me tratarem bem para saber meu próprio valor.

Não é difícil perceber que a independência revela mais maturidade do que a dependência. A independência é, em si e por si, uma grande conquista. Mas a independência não é suprema. Não obstante, o paradigma social privilegia a independência. Ela representa o objetivo supremo de muitos indivíduos e movimentos sociais.

A maioria da literatura sobre motivação coloca a independência em um pedestal, como se a comunicação, o trabalho em equipe e a cooperação fossem valores secundários.

30

Mas grande parte da ênfase atual na independência reflete uma reação à dependência - ao fato de outras pessoas controlarem, definirem, usarem e manipularem nossas vidas.

O conceito de interdependência, tão mal compreendido, lembra para muita gente a dependência. Sendo assim, encontramos muitas pessoas, às vezes por razões egoístas, destruindo o casamento, abandonando os filhos e deixando de lado todas as responsabilidades sociais, sempre em nome da independência.

O tipo de reação que leva as pessoas a "arrancar as algemas", "promover a liberação", "buscar a afirmação" e "se impor", com freqüência revela uma dependência mais profunda, da qual elas não podem fugir, pois vem de dentro, e não de fora - uma dependência que permite à fraqueza alheia arruinar sua vida emocional, ou que coloca a pessoa na posição de vítima dos outros e de acontecimentos que escapam completamente do seu controle.

Claro, por vezes é preciso mudar as circunstâncias. Mas o problema da dependência é uma questão ligada à maturidade emocional, tendo pouco ou nada a ver com as circunstâncias. Mesmo que as condições sejam mais favoráveis, a imaturidade e a dependência freqüentemente persistem.

A verdadeira independência da personalidade nos dá o poder para agir, abandonando a posição passiva.

Ela nos liberta da dependência das circunstâncias e das outras pessoas, sendo um objetivo valioso, libertador. Mas nem por isso é o objetivo supremo de uma vida eficaz.

Uma postura independente, por si só, não se adapta à realidade interdependente. Pessoas independentes podem ser eficazes a nível individual, mas não constituem líderes adequados ou bons elementos em uma equipe. Eles não adquiriram ainda o paradigma da interdependência, necessário para se conseguir o êxito na vida familiar, no casamento e no mundo profissional.

A vida é, por natureza, totalmente interdependente. Tentar atingir o máximo de eficácia através da independência equivale a tentar jogar tênis com um taco de golfe - a ferramenta não serve para a tarefa.

A interdependência é um conceito muito mais maduro e avançado.

Se eu sou fisicamente interdependente, continuo mantendo minha autoconfiança e capacidade, além de saber que nós dois juntos podemos fazer muito mais do que um de nós isoladamente, por melhor que seja.

Caso eu seja emocionalmente interdependente, tenho noção do meu próprio valor, e esta noção vem do íntimo, mas também reconheço a importância do amor, de compartilhar e de saber receber as dádivas dos outros.

Sendo intelectualmente interdependente, tenho consciência de que preciso de toda a capacidade mental das outras pessoas, para somar a minha.

Como pessoa interdependente, tenho a oportunidade de me relacionar de modo mais profundo e significativo com os outros, conseguindo o acesso ao potencial e aos imensos recursos dos demais seres humanos.

A interdependência é uma escolha que só pode ser feita por pessoas independentes. Os dependentes não conseguem atingir a interdependência. Não possuem personalidade suficiente para tanto, não conhecem o bastante de si.

Por esta razão, os Hábitos 1, 2 e 3, nos capítulos seguintes, tratam do autodomínio. Eles levam a pessoa da dependência para a independência. Estes hábitos formam as "Vitórias Particulares", a essência do desenvolvimento do caráter.

As vitórias particulares precedem as vitórias públicas. Não se pode inverter este

31

processo, assim como não se pode fazer a colheita antes do plantio. Vem de dentro para fora.

Conforme alguém se torna verdadeiramente independente, adquire as bases para a real interdependência. Torna-se possuidor do caráter básico a partir do qual se pode trabalhar eficazmente as "Vitórias Públicas", mais dirigidas à personalidade, tais como o trabalho em equipe, a cooperação e a comunicação, presentes nos Hábitos 4, 5 e 6.

Isso não significa que você precise ser perfeito no tocante aos Hábitos 1, 2 e 3 antes de trabalhar nos Hábitos 4, 5 e 6. A compreensão da seqüência ajuda a tornar o crescimento mais eficaz, mas não pretendo sugerir que você se isole por vários anos, até que desenvolva os Hábitos 1, 2 e 3 de forma plena.

Como parte de um mundo interdependente, você precisa se relacionar com este mundo diariamente. Os problemas agudos do mundo podem, contudo, obscurecer as causas crônicas presentes na personalidade. Compreender o modo como sua maneira de ser interfere em todas as interações interdependentes irá ajudá-lo a se concentrar paulatinamente, dando um passo de cada vez, em harmonia com as leis da natureza e do crescimento.

O Hábito 7 é o hábito da renovação - uma renovação regular, equilibrada, das quatro dimensões básicas da vida. Ele abrange e circunscreve todos os outros hábitos. Trata-se do hábito do aprimoramento contínuo, criador da espiral ascendente do amadurecimento, capaz de levá-lo a níveis inéditos de compreensão e de vida, onde se desfruta o resultado de cada um dos hábitos, conforme se atinge um plano superior.

O diagrama da Figura 2 é uma representação visual da seqüência e da interdependência dos Sete Hábitos, e será utilizado com freqüência neste livro, à medida que explorarmos tanto o relacionamento seqüencial entre os hábitos, bem como sua sinergia- a maneira como, ao se relacionarem com os outros, geram novas formas, o que aumenta ainda mais seu valor. Cada um dos conceitos ou hábitos será explicado no momento de sua introdução.

Definindo a Eficácia

 

Os Sete Hábitos são hábitos eficazes.

Como estão baseados em princípios, conduzem ao máximo possível de resultados benéficos a longo prazo.

Torna-se a base do caráter da pessoa, criando um centro poderoso de mapas corretos, a partir dos quais um indivíduo pode resolver problemas com eficácia, maximizar oportunidades, aprendendo a integrar novos princípios em sua espiral ascendente de crescimento.

Eles são hábitos eficazes também porque se baseiam em um paradigma de eficiência harmônico com as leis naturais, um princípio que chamei de "Equilíbrio P/CP", o que causa estranheza a muita gente. Este princípio pode ser facilmente compreendido se recordarmos a fábula de Esopo sobre a galinha dos ovos de ouro.

A fábula conta a história de um pobre fazendeiro, que um dia descobre no ninho de sua galinha preferida um reluzente ovo de ouro. No início, ele desconfia de algum tipo de brincadeira. Mas, no momento em que vai jogar o ovo fora, pensa melhor e o leva para ser avaliado.

O ovo era de ouro maciço! O fazendeiro não consegue acreditar em sua sorte. Fica ainda mais surpreso no dia seguinte, quando o fenômeno se repete. Dia

32

após dia ele se levanta e corre para o galinheiro para apanhar mais um ovo de ouro.

Ele acaba ficando imensamente rico, e mal podia acreditar em tanta sorte.

Junto com a fortuna, porém, vieram a cobiça e a impaciência. Incapaz de esperar pelo ovo de ouro de cada dia, o fazendeiro decide matar a galinha e pegar todos os ovos de uma só vez. Mas, quando abre a ave, descobre que não havia nada dentro dela. Nenhum ovo de ouro. E agora não havia mais meio de consegui-los. O fazendeiro destruíra a galinha que os produzia.

Acredito que nesta fábula se manifesta uma lei natural, um princípio- a definição básica da eficácia. A maioria das pessoas enxerga a eficácia a partir do paradigma dos ovos de ouro: quanto mais alguém produz, quanto mais faz, mais eficaz a pessoa é.

Entretanto, conforme se pode ver na história, a eficácia resulta de duas coisas: o produto (ou seja, os ovos de ouro) e o meio de produção, ou a capacidade de produzir (a galinha).

Se você adotar um modo de vida focalizado nos ovos de ouro, negligenciando a galinha, em pouco tempo perderá a fonte dos ovos de ouro. Por outro lado, se cuidar apenas da galinha, sem dar importância aos ovos de ouro, logo não terá mais meios para alimentar a galinha, ou a si próprio.

A eficácia consiste no equilíbrio - no que chamo de Equilíbrio P/CP

P representa a Produção dos resultados desejados, os ovos de ouro. CP

indica a Capacidade de Produção, o bem ou meio que produz os ovos de ouro.