Par Perfeito

Eleanor Prescott · Capítulo 32 de 90

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Par Perfeito

John

John se sentou e tentou disfarçar a raiva. Felizmente, todo mundo se encontrava ocupado. Audrey estava bombardeando Barry Chambers com estatísticas otimistas sobre o sucesso da Mesa Para Dois, prevendo confiantemente sua vitória na premiação de “Agência do Ano”. Por algum motivo, John duvidava que ela fosse ganhar. Ele não sabia muito sobre agências de relacionamentos, mas não tinha a menor dúvida de que Audrey não tinha nem a finesse para ser uma empresária de sucesso nem a empatia necessária para ser casamenteira. Nunca conhecera ninguém que fosse menos sensível às pessoas do que Audrey. Não podia haver uma mulher no planeta menos propensa a realizar as fantasias românticas dos solteiros.

John franziu a testa. Por que Audrey não tinha defendido Alice? Por que ficara ali quieta e deixara que ela fosse esculhambada? Que tipo de mulher ela era? Sempre a achara um tanto sem educação, mas aquela falta de bondade já era outra coisa.

Ergueu os olhos. No outro lado da mesa, Sheryl fingia absorver cada palavra de Ernie, mas John via claramente o que ela estava fazendo. Podia reconhecer uma caçadora a quilômetros de distância. Sheryl inclinava deliberadamente o corpo na direção de Ernie, no ângulo exato para dar a ele a visão perfeita de seu decote. A sua vez, Ernie curtia o cenário. Sua pobre esposa, Patricia, estava ali ignorada e esquecida, contemplando, pobrezinha, os restos de seu crème brûlée. John pensou em começar uma conversa com ela, mas, subitamente, sentiu-se muito cansado. Olhou para seu relógio. Calculou que tivesse mais uma meia hora antes de levar Audrey para casa e esquecer completamente aquela noite infeliz.

De repente, um holofote radiante deslizou por sua mesa, fazendo-o piscar. O holofote se fixou em Sheryl, refletindo-se em seu vestido num milhão de centelhas que se espalharam pelo salão como uma miríade de diamantes. Ela parecia um estroboscópio gigante. Exagerando sua surpresa e jogando beijos para as outras mesas, Sheryl se levantou.

— Ah, não, pelo amor de Deus! — exclamou Audrey grosseiramente, batendo a taça de champanhe na mesa enquanto o salão todo se levantava.

— Ela conseguiu! — gritou Barry Chambers. — A Pombinhos venceu o prêmio! Parabéns, garota! — Ele levou os dedos à boca e soltou um assobio penetrante.

Sheryl se dirigiu até o palco, diretamente atrás de John e Audrey. Quando ela passou por eles, John sentiu que ela correu o dedo sugestivamente por suas costas. Surpreso, olhou para ela, mas sua atenção estava focada no palco e numa loura minimamente vestida e minimamente nutrida que segurava um troféu e dava um sorriso artificial de showbiz. Ela devia ser a subcelebridade do momento, pensou John. Tinha o ar de alguém que estava sendo pago para estar ali. Ele reconhecia a expressão; ele mesmo a exibia. Sheryl, por outro lado, parecia ter nascido para estar sob os holofotes, absorvendo a atenção como uma dançarina numa boate de strip.

— É brincadeira! — resmungou Audrey alto e revirou os olhos. Ela apanhou a garrafa de champanhe mais próxima e, de forma selvagem, encheu sua taça, antes de também se levantar, mas com relutância.

Quando Sheryl iniciou seu discurso de agradecimento, John olhou para Audrey. Seu rosto estava franzido e seus lábios estreitos e apertados. Não era o rosto de uma boa perdedora. Com sua expressão malévola e seu vestido azul-petróleo, ela parecia uma mancha de óleo. Hoje tinha sido uma das noites mais desagradáveis de sua vida profissional, pensou John. Definitivamente, telefonaria para Geraldine no dia seguinte para dizer que nunca mais iria acompanhar Audrey. Nem que sua vida dependesse disso.

O discurso de Sheryl estava chegando ao fim. John se uniu ao aplauso quando ela saiu lentamente do palco, espremendo até o último nanossegundo de atenção. Com um sobressalto, ele percebeu que ela não estava voltando para sua cadeira. Ainda iluminada pela luz periférica do holofote, ela parou bem diante dele.

— Você não vai me dar um beijo de parabéns? — exigiu ela acima do barulho dos aplausos.

A perspectiva de beijar Sheryl era tão atraente quanto a de mergulhar o rosto num ninho de ratos. E ele, certamente, não queria fazer aquilo na frente de Audrey que, afinal, era sua cliente. Rapidamente, tentou pensar em como recusar de maneira educada.

Por sorte, Audrey interrompeu a cena, seu tom de voz cheio de autoritarismo e posse.

— Não acho que seria apropri…

Ignorando-a completamente, Sheryl tomou a cabeça de John em suas mãos e o puxou com força na direção dela, depositando um beijo forte e demorado quase em sua boca. A cabeça dele latejou sob o aperto de morsa e a movimentação insistente dos lábios dela. Ele tentou se afastar. Podia ouvir Audrey ofegando, horrorizada. Finalmente, Sheryl o soltou.

Ele se virou para Audrey, pedindo desculpas com o rosto. Ela era sua cliente e não deveria ter de testemunhar um comportamento desses. Mas Audrey não olhava para ele. Ela estava olhando para Sheryl, e parecia prestes a cometer um assassinato.

— Sheryl Toogood, você não passa de uma vagabunda; uma prostituta barata e vulgar! — O rosto e o pescoço de Audrey estavam cobertos por uma erupção vermelha, sua expressão, além da fúria. — Você não pensa em nada além de sexo, sexo, sexo. Você me dá nojo!

Sheryl deu um sorrisinho afetado e, enfaticamente, limpou o canto da boca com um dedo esmaltado.

— Amor, fidelidade e casamento não significam nada para você — trovejou Audrey. — Você está mais interessada em quantidades. Você não sabe que os homens não gostam desse tipo de gente? Homens decentes, quero dizer, não desse tipo de machos decorativos e fracassados dos quais você se rodeia. Você precisa crescer, se cobrir e parar de agir como uma piranha adolescente. Você não está à altura de ganhar esse prêmio. Você é um constrangimento para a Associação!

— Ora, vamos, Audrey, você foi longe demais. — Ernie estava em pé, vacilando um pouco de embriaguez e balançando o dedo na direção de Audrey. — Exijo que você peça desculpas à pobre Sheryl imediatamente. Todos nós achamos que ela está muito bonita hoje; parece um diamante.

John olhou para Audrey, que encarava Ernie, perplexa. Sua boca estava aberta de surpresa e horror.

Houve uma longa pausa. Sheryl se moveu de forma insolente, um sorriso desrespeitoso nos lábios, enquanto inspecionava Audrey e esperava seu pedido de desculpas. Que, claramente, não viria.

Estava na hora de agir.

John pôs a mão sob o cotovelo de Audrey e, gentilmente, tentou afastá-la dali.

— Muito bem, pessoal — disse ele, de forma simpática. — Foi uma noite muito agradável, mas está na hora de Audrey e eu irmos embora.

Com alívio, ele sentiu Audrey girar no eixo.

— Vejo todos vocês no ano que vem! — Ele lançou um sorriso amplo na direção da mesa, virou-se e seguiu rumo à saída, meio guiando, meio empurrando Audrey pelo cotovelo. Felizmente, ela seguiu com ele.

Ele a guiou para fora do salão principal, passando pela chapelaria e indo diretamente para seu carro.