Par Perfeito
John
John estava cansado. Não tivera uma boa noite de sono. Depois que Alice saíra do restaurante, ele tinha pagado a conta e caminhado até em casa, na esperança de encontrá-la pelo caminho.
Ao chegar, deu-se conta de que ainda não estava pronto para entrar; então, continuou andando. Viu-se em frente ao centro de jardinagem Dedos Verdes, onde havia esbarrado com Alice pela primeira vez. Não sabia o que lhe dera na cabeça. O local estava fechado; era meia-noite! Ele deu meia-volta e foi para casa.
John sorveu seu café e acariciou Parceiro distraidamente.
Teria de esperar que o melhor acontecesse, pensou consigo mesmo. Alice acreditava em finais felizes. Ela com certeza lhe daria a chance de se explicar, não? Ele só precisava ficar na dele e dar a ela um pouco de espaço.
Ou não?
Pegou o telefone e ligou para Emily.
— Relaxa, paizão — aconselhou ela calmamente. — Dê o fim de semana para que ela pense no assunto e, então, ligue na segunda.
— Mas e se o fim de semana for tempo demais? E se ela chegar às conclusões erradas?
— Ela só precisa de tempo para digerir por que você começou a trabalhar como acompanhante… qual é seu objetivo mais elevado.
Houve um silêncio constrangedor.
— Você contou a ela sobre a morte da mamãe, não contou, e como você ficou se sentindo solitário? — indagou ela, de repente.
— Humm, eu meio que tinha mencionado isso antes. Há um tempinho — resmungou John.
— Mas não em conjunção com o trabalho de acompanhante? Você não mencionou como isso te ajudou a voltar à vida? Não disse a ela como você ajuda as mulheres a recuperar a autoconfiança, como você faz com que elas se sintam atraentes de novo?
— Não tive muita chance — interrompeu John, com tristeza.
— Pai! — Emily usou o mesmo tom severo e exasperado que ele se lembrava de usar com ela quando era pequena. — Eu te disse para explicar direito, lembra? Não me admira que ela tenha ido embora. Provavelmente achou que você fosse um garanhão de aluguel; que metade das mulheres da cidade já tinha te usado!
Ele a ouviu suspirar.
— Olha, esqueça isso de esperar até segunda-feira — instruiu ela, sem piedade. — O estrago será grande demais até lá. Você tem que ligar para ela agora. Diga a ela que você não é o Casanova empesteado de doenças venéreas que ela provavelmente pensa que você é…
John empalideceu, diante da franqueza dela.
— Diga a verdade! — comandou ela. — Diga que você não tem um encontro de sua própria escolha há mais de uma década. Diga que não transa há mais tempo ainda! Diga que não amou ninguém desde a mamãe, mas que acha que pode estar se apaixonando por ela!
Houve uma pausa. As palavras de Emily ecoavam entre eles.
— Bem, é a mais pura verdade, não é? — perguntou com intensidade.
— Sim — John admitiu quase com um sussurro. — É a mais pura verdade.
Ele observou seu café.
— Fiz bobagem, não fiz? — perguntou ele.
— Sim, pai — disse Emily sinceramente. — Você fez bobagem.