Par Perfeito
Alice
Aquele fora o pior dia de sua vida, pensou Alice tristemente, deitada na cama ao lado do homem de seus sonhos.
Deitada de lado, sentindo o calor do corpo de John, que dormia encaixado às suas costas, Alice não podia deixar de cogitar se valia a pena. É claro, John valia a pena. Ele era o melhor homem que já conhecera e a ideia de perdê-lo fazia com que mal pudesse respirar. Mas será que ela valia a pena? Será que sua própria felicidade egoísta valia mais do que a de Audrey?
Alice olhara para o rosto de sua chefe, à luz suave de velas do Beckwith’s, e vira algo se romper dentro de si.
Tentara ir atrás dela. Ignorara a advertência de John e correra para a noite lá fora, em seu rastro. Mas Audrey não estava em parte alguma.
— É melhor assim — dissera John. — Não estamos tendo um caso passageiro. Ela tinha de descobrir, mais cedo ou mais tarde.
— Eu só não queria que fosse dessa forma. Queria…
— O quê? — argumentara John, com gentileza. — Não existe uma forma boa de contar a ela. Pelo menos agora podemos sair das sombras; curtir o fato de estarmos juntos.
Mas como podia curtir estar com John quando Audrey estava sofrendo tanto? Não parecia justo.
— Amanhã… — começou ela.
— … vai ser dureza — admitiu John.
— O que eu faço? Vou trabalhar? Mantenho distância? Qual seria a coisa mais caridosa a fazer?
— Só você sabe o que é melhor.
— Ela deve me odiar.
— Ela provavelmente se odeia ainda mais. Foi ela mesma quem criou esse problema. Meu relacionamento com Audrey foi definido claramente desde o início. Só que ela escolheu vê-lo como uma coisa que não era.
— Ela estava apaixonada.
— Não estava, não. Ela não estava mais apaixonada por mim do que uma adolescente apaixonada pelo ídolo que vê na TV. O que ela sentia não era real. Ela nem sequer me conhecia.
Alice puxou o braço de John, apertando-o mais à sua volta, desejando que ele pudesse protegê-la do amanhã. Nunca vencera em nada. Como iria saber que ganhar o primeiro prêmio podia ser mais complicado do que simplesmente ser feliz? Mas, na realidade, as coisas nunca eram pretas ou brancas. Dizem que há sempre um lado positivo na tristeza, Alice disse a si mesma. E, agora, sabia que existia também um lado feio na alegria.
Suspirou pesadamente.
Ela iria trabalhar no dia seguinte. E chegaria lá cedo, para que pudesse falar com Audrey antes que as outras chegassem. Pediria desculpas. E, então, se demitiria. Era o mínimo que poderia fazer. Afinal, já ganhara o primeiro prêmio. Deveria ter o tato de deixar os negócios para Audrey. Podia, ao menos, deixá-la com isso.
Ai, meu Deus, pensou ela, de repente. Vou sair da Mesa Para Dois!
E, subitamente, sentiu-se ainda pior.