Par Perfeito

Eleanor Prescott · Capítulo 34 de 90

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Par Perfeito

Kate

Kate chegou cedo ao café e se sentou numa mesa de canto. Eram quase 15h45 e o local estava cheio de pais que haviam trazido os filhos para uma fatia de bolo depois da escola. Rostos jovens e animados embaçavam gulosamente o vidro da vitrine de doces, tentando decidir qual escolher. Kate sorriu diante da agonia com que sopesavam cuidadosamente o mil folhas com doce de leite versus a bomba de chocolate.

— Preciso me apressar — repreendeu a si mesma, com severidade.

Não que seu relógio biológico a estivesse advertindo, exatamente; era mais uma sensação cada vez maior de pânico e do tempo passando sem dó nem piedade. Era como se alguém, em algum lugar, estivesse rindo dela; e, lentamente, mas de forma igualmente certa, estivesse colocando seu plano de vida numa picotadora de papel. A despeito dos constantes lembretes de Lou, ela não tinha apenas 33 anos; tinha 33 anos, cinco meses e uma semana. Droga, tinha quase 33 e meio. As coisas estavam ficando sérias; 35 estava a apenas 569 dias. Se ela perdesse um momento mais, ficaria sem tempo; os salões de festa poderiam estar todos reservados; ela poderia ter de se casar no cartório; dois filhos poderiam se transformar em um, ou talvez nenhum. Precisava que Alice fizesse sua mágica, e depressa.

Já fazia três semanas inteiras desde que Kate contratara a Mesa Para Dois e, até agora, só tivera dois encontros. Tudo estava acontecendo devagar demais. Seu encontro com Sebastian tinha sido um desastre e o com Michael não fora muito melhor. Ela sempre soubera que teria de beijar alguns sapos, mesmo tendo Alice como filtro da saparia, mas, naquele ritmo, poderia levar meses para encontrar um namorado. Ela precisava apressar as coisas. Precisava que Alice lhe marcasse dois encontros por semana — ou três!

— Olá. — Alice estava parada do lado da mesa, parecendo pálida e cansada. Kate nem sequer a vira entrar. Ela se levantou para cumprimentá-la.

— Alice! Obrigada por vir. Posso pedir um chá para você?

Alguns minutos depois, ambas estavam instaladas por trás de xícaras de chá. Kate foi diretamente ao assunto.

— Então vamos apressar as coisas, está bem? — sugeriu Alice quando Kate finalmente parou para respirar. — Na verdade, já tenho alguém em mente para seu próximo encontro. Aqui está ele: encontro número três!

Ela tirou um papel de sua bolsa. Kate examinou ansiosamente a folha. O encontro número três se chamava Harvey. Sua foto era absolutamente linda e uma rápida análise de seus dados revelou que ele regularmente tirava férias em locais distantes e luxuosos e dirigia uma Maserati. Parecia promissor.

— Tem uma coisa que eu quero perguntar. — A voz de Alice rompeu o devaneio de Kate. — É com relação aos seus critérios.

— Sim? — Kate olhou para o papel.

Alice pareceu constrangida.

— Bem… eu estava pensando se você teria mudado de ideia quanto…?

— Como assim? — perguntou Kate, um sinal de alarme disparando dentro de si.

— Bem, você ainda está procurando por todas as coisas que você especificou originalmente?

— É claro! — Aonde Alice estava querendo chegar? Estaria dizendo que ela não tinha sido suficientemente boa para Sebastian e Michael? Eles haviam se queixado dela? Eles tinham dito que ela não era bonita o suficiente? Ou gorda demais? A boca de Kate secou.

— Então, você ainda quer conhecer alguém alto, bonito, moreno…?

— Sim.

— … com um maxilar forte e olhos azuis…?

— Sim!

— … e um emprego formal, que tire férias regularmente e tenha um carro bacana? Alguém esportivo, com um bom físico…?

— Sim, sim! — Kate podia perceber sua voz ficando cada vez mais aguda. — Por que você está perguntando? — Ela olhou incisivamente para Alice, em busca de respostas. Estaria lhe dizendo para baixar seus padrões? Estaria lhe dizendo que ela era inferior a esse tipo de homem?

Alice se ruborizou e pousou a xícara de chá. A despeito de suas bochechas coradas, ela ainda parecia pálida e exausta.

— Só queria confirmar se eu ainda estava no caminho certo.

Kate sentiu o alívio se espalhar pelo corpo.

— Sim, tudo parece perfeito. Exatamente o tipo de homem que estou procurando!

— Então você não consideraria ninguém que não tivesse um salário alto e todas essas outras coisas?

— Hã… — Kate se sentiu confusa, como se estivesse sendo testada. Tentou rir. — Eu sei que ser rico e bonito não fará dele uma pessoa melhor. Dinheiro não é tudo, claro. É só que, bem… as meninas querem se casar com príncipes, não querem? Não com lixeiros. Não que haja alguma coisa errada com os lixeiros, é só que… bem… um lixeiro nunca fez parte dos meus planos de vida. — Ela sorriu debilmente.

— Está bem.

Kate relaxou.

— Então devo continuar procurando mais do mesmo?

— Sim! — disse Kate com certeza. Exceto que um pouquinho de incerteza estava começando a aparecer. Mais do mesmo que Sebastian e Michael? Ela detestara seus encontros com eles. Mas eles haviam cumprido com todos os seus requisitos. Ela apenas dera azar. Sebastian e Michael eram certos no papel, mas errados na vida real. Isso não significava que todos os homens altos, morenos e bonitos fossem errados. Alto, moreno e bonito e com um carrão. E um grande extrato bancário e belos dentes.

— Sim — repetiu ela ao pegar sua xícara de chá e olhar para Alice. — Mais do mesmo, por favor.