Par Perfeito

Eleanor Prescott · Capítulo 40 de 90

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Par Perfeito

Kate

Kate riu. Gostou dele.

Diante dela estava sentado Steve, e ele acabara de contar uma história hilária sobre uma série de micos estratosféricos que pagara no trabalho, uma gafe mais vergonhosa que a outra, que haviam culminado com seu chefe o qualificando como o cocô mais inútil a passar boiando diante de sua mesa.

O maxilar de Kate doía de tanto rir. Ele, com certeza, era diferente dos outros homens com quem Alice a compatibilizara. E os múltiplos gins-tônica também estavam ajudando. Sentia-se relaxada, como se pudesse se soltar e ser ela mesma. Era uma sensação boa.

Quando parou de rir, Steve apanhou os copos, declarou em voz alta que era “sua vez de pagar” e foi até o bar.

Kate se acomodou na cadeira e o observou. Ele era ótimo, mas ela não tinha se sentido atraída.

Não que houvesse alguma coisa errada com ele. Ele cumpria vários de seus requisitos, como ter um bom emprego e um relacionamento próximo com a família. E, ao contrário dos outros homens com quem Alice lhe marcara encontros, ele era interessante e divertido e, de fato, ouvia o que ela tinha a dizer. Portanto, em muitos aspectos, Steve era um excelente partido.

Porém, percebera dois grandes pontos negativos e ela mal podia esperar para telefonar para Lou e analisá-los.

O primeiro era difícil de assinalar, mas era uma sensação nítida, que ficava mais forte conforme a noite progredia. Havia algo nele que não fazia sentido. Alguma coisa que Steve, por mais franco e autodepreciativo que fosse, não estava lhe dizendo. Como suas histórias engraçadas, por exemplo. Eram brilhantes. Mas havia algo nelas que era esmerado demais. Elas pareciam… o quê, hein? Ensaiadas! Como se ele as houvesse contado antes. Muitas vezes.

Mas repetir-se não é crime, ponderou Kate. Todo mundo faz isso, principalmente as mulheres. Algo não aconteceu de verdade a não ser que você conte a pelo menos dez amigas, em todos os detalhes mais sórdidos. Não; era mais o fato de as histórias de Steve parecerem perfeitas. Ele nunca confundia nada nem errava a ordem. Ele parecia um comediante seguindo seu script. Só que para uma audiência de apenas uma pessoa… ela.

Kate viu Steve chamar a atenção do barman e pedir os drinques.

A segunda coisa que a impedia de se sentir atraída por ele era o rosto. Detestava ter de admitir, mas ele simplesmente não era bonito o bastante. Está bem, aquilo parecia terrível — e era algo que só admitiria em voz alta para Lou, por medo que qualquer outra pessoa a achasse superficial —, mas não podia evitar. Queria um namorado lindo de morrer, e Steve estava mais para morrer do que para lindo. Além disso, se estava à procura do Sr. Para Sempre, então não era melhor que ele tivesse um rosto que ela iria querer contemplar… bem, para sempre?

Era estranho que Alice tivesse indicado Steve, pensou Kate, de repente. Afinal, ela sabia o que Kate queria num homem e a aparência sempre estivera no alto da lista de prioridades. E Harvey, com quem Kate havia se encontrado na noite anterior, era tão maravilhoso quanto Sebastian e Michael, embora um pouco lerdo e não muito ligado no mundo à sua volta. Kate ficara surpresa ao descobrir que ele jamais lia jornais nem assistia aos noticiários.

— Como você sabe o que está acontecendo no mundo? — perguntara, com curiosidade.

— O que há para saber? — respondera ele com um sorriso moroso.

Harvey sabia tudo sobre quem ganhara o último reality show da TV ou que jeans da Dolce & Gabbana tinha a maior lista de espera. Mas não fazia a menor ideia que partido político estava no poder, que escritor estava atualmente em voga ou que escândalo tropical dominava os jornais.

Portanto, quando Kate conhecera Steve, tinha se flagrado feliz por ele não ser como os outros encontros promovidos pela Mesa Para Dois. Não era obcecado consigo mesmo, arrogante, grosseiro, workaholic, preguiçoso ou cabeça-oca. Não atendia o celular no meio do encontro e não a fazia sentir-se burra nem gorda. Pela primeira vez, Kate começou a questionar se não vinha procurando de forma errada, com os critérios que dera a Alice. Mas, então, olhou para Steve com sua pele pálida e lustrosa, cílios que mal se podiam ver e orelhas de abano, e soube que era um rosto ao lado do qual jamais poderia acordar.

Além disso, havia aquela sensação estranha que não conseguia ignorar…

Steve voltou do bar e colocou um gim-tônica do tamanho do mundo sobre a mesa, fazendo um floreio. Kate sorriu. Ele era legal. Mas não servia para namorar. Nem para casar. Nem para ser pai. Era uma boa diversão, nada mais. E após seus encontros desastrosos recentes, ela queria mais era curtir o momento.

Pegou o copo e mandou ver.