Par Perfeito

Eleanor Prescott · Capítulo 89 de 90

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Par Perfeito

Kate

Fazer as pazes foi surpreendentemente fácil. Kate decidiu dar o primeiro passo e desceu, apreensiva, a escada até o bar de Lou, na volta do trabalho.

Tinha sua estratégia planejada. Não queria pedir desculpas por tudo; ainda mantinha o que tinha dito. O comportamento de Lou era autodestrutivo e ela estava desperdiçando sua vida trabalhando no bar de Tony. E se iam voltar a ser amigas — e era isso que Kate queria —, então precisavam passar menos tempo juntas. Um pouco de distância se fazia necessária. Tinham de abrir espaço em seu relacionamento para permitir novas relações. Afinal, não era por coincidência que, assim que elas se apartaram, Kate finalmente se apaixonara.

Mas, definitivamente, estava na hora de uma desculpa parcial. Sentira tanta falta de sua amiga!

— Olá, sumida! — O rosto de Lou se abriu num sorriso quando Kate se aproximou do bar.

Kate sentiu uma onda de alívio. Não sabia o que esperar, mas Lou parecia genuinamente feliz em vê-la. Além de extraordinariamente radiante.

— Uau! — disse Kate com honestidade. — Você está linda!

Pensou ter visto Lou se ruborizar um pouco.

— Ah, bem, venho pegando leve no reboco. Pensei em deixar meu eu interior respirar um pouco.

— E está te fazendo muito bem.

— Obrigada. — Lou sorriu e entregou a Kate uma taça de vinho. — Na verdade, você deu sorte de me pegar aqui. Se demorasse mais uma semana, eu já não estaria mais.

— Ah, é?

— Entreguei meu aviso prévio.

Kate ficou boquiaberta de choque.

— Por causa do que eu disse?

— Em parte — admitiu Lou. — Você estava certa. Eu realmente preciso me afastar do Tony. Mereço mais do que isso.

— Apoiada!

— E você também estava certa sobre outra coisa! Eu realmente preciso tomar jeito, caso contrário serei a garçonete mais velha da cidade! Então, consegui um emprego naquele bar novo, o que fomos perto da Partridges. Começo na semana que vem. Como gerente!

— Que fantástico! Parabéns! — Kate brindou com Lou, transbordando entusiasmo. — Você é uma gerente brilhante!

— Obrigada. — Lou sorriu e olhou para seu relógio. — Então, saiu para almoçar mais tarde?

Kate sorriu.

— Não, já terminei o trabalho por hoje. Estava a caminho de casa.

— Mas não são nem seis horas ainda!

— Ah, pois é, pensei em seguir seu conselho também. Romper os grilhões que me prendem a Julian, viver um pouco.

Lou sorriu e guiou Kate até uma mesa de canto.

— Bom te ver — disse Lou, com carinho, quando elas se sentaram.

— Você também.

— Então, como andam as coisas?

E Kate lhe pôs a par de tudo, adorando a chance de, finalmente, poder fofocar.

— Então, deixe-me ver se entendi direito — resumiu Lou. — Você começou a sair do trabalho às 17h30 e o mundo não acabou.

Kate sorriu.

— Você caiu na real sobre Julian e percebeu que ele é apenas um cara, e não o chefe do Obama. Você se apaixonou por um homem que faz você ver a vida além do escritório e que te convenceu a desobedecer regras. E está com a aparência perigosamente próxima de alguém que, de fato, está feliz!

— E como! — admitiu Kate, corando.

— Estou tão contente por você… — Lou sorriu. E parecia sincera.

— E tenho mais novidades — provocou Kate, olhando cuidadosamente para Lou. — Eu acho que o Julian está a fim de você!

— De mim? — Lou pareceu surpresa e, se Kate não estava enganada, um pouquinho satisfeita.

— Ele veio até a minha mesa hoje à tarde e pediu seu telefone. Ele parecia até meio tímido. Resmungou alguma coisa sobre você ser ainda mais bonita à luz da manhã; o bobalhão te comparou a uma pintura de Klimt. E, então, ele me perguntou se eu achava que você se interessaria.

— O que você disse? — perguntou Lou, deliberadamente casual.

— Eu disse que não sabia.

Kate notou que Lou pareceu ficar desapontada.

— Eu sugeri que ele deveria te ligar e descobrir por ele mesmo — continuou ela. — Eu disse que ele teria muita sorte em ter você e que, se ele te enrolasse, eu colocaria todos os hábitos nojentos dele num comunicado à imprensa e enviaria para todos os jornalistas do país.

Lou sorriu.

— Mas eu pensei que Julian estivesse fora de cogitação — disse ela delicadamente.

— Sim, bem, é como eu disse. Segui seu conselho. Estou tentando desencanar um pouco — admitiu Kate, com um sorriso.

Lou estendeu a mão sobre a mesa e agarrou a mão de Kate. Elas sorriram uma para a outra.

— Sabe, você não deveria ser tão dura com Julian — provocou Lou, recolhendo a mão. — Ele é obviamente um homem de bom gosto. Está bem, ele vai embora mais cedo todos os dias, mas quem não faria a mesma coisa, se fosse dono da empresa? E não é culpa dele se a mãe nunca o ensinou a comer croissants de boca fechada!

— Ah, então você gosta dele, hein! — Kate riu. — Achei que gostasse!

— É coisa de gente rica… — continuou Lou, ignorando propositalmente o comentário de Kate. — Se você fechar a boca, o que será da colher de prata que te alimenta? Mastigar de boca aberta é a maldição da elite.

— Entendi! — Kate riu. — O que aconteceu com sua queda por um grosseirão?

— Ah, eu sou uma defensora da igualdade de direitos nas transas. — Lou sorriu. — É a única coisa politicamente correta em mim.

— Sabe, talvez você e Julian não formem um par tão ruim, afinal — ponderou Kate. — Vocês dois são bebuns sem um pingo de vergonha na cara. Talvez estejam fazendo um favor ao mundo, tirando um ao outro do mercado e impedindo que outros pobres inocentes cruzem seu caminho por engano. Na verdade, não sei por que não percebi isso antes. Vocês dois podem muito bem formar um par perfeito!

Lou pestanejou.

— Ele tem uma conta bancária enorme! — acrescentou Kate, digamos, prestativa.

— E não é só a conta bancária. — Lou sorriu de forma maliciosa, de repente voltando a ser a boa e velha Lou. — Vou te dizer uma coisa, Kate, seu chefe tem o maior pau que eu já vi!