Par Perfeito

Eleanor Prescott · Capítulo 70 de 90

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Par Perfeito

Sheryl

Sheryl ficou parada na frente do The Privet, o corpo inteiro agitado pelo aroma de escândalo.

— Você viu aquilo? — sibilou ela para Brad conforme ele caminhava pesadamente ao seu lado.

— Viu o quê, gata?

— John Cracknell!

Brad a olhou sem qualquer expressão no rosto.

— O marido de Audrey Cracknell, seu tosco! Ele estava lá no restaurante. Com outra mulher!

Sheryl olhou novamente para dentro do saguão, parecendo a ponto de voltar para uma segunda dose de espionagem.

— Uma mulher muito mais bonita do que Audrey! — acrescentou ela, extasiada. Seu rosto se abriu num sorriso sádico. — John Cracknell! — declarou para o ar da noite. — Seu cachorro sem-vergonha!

Brad se moveu, incomodado.

— Não é assunto seu, gata.

— Não seja ridículo! Ele está cuspindo no próprio prato; é assunto de todo mundo! — Ela riu com crueldade. — Ora, ora, ora. Bem feito para a Audrey, aquela bruxa velha e hipócrita. Ela vive falando sobre seu casamento “sólido como uma rocha” e se babando em cima dele feito uma adolescente. Mas eu sabia que alguma coisa estava errada. John nunca pareceu adequado para ela; bonito demais. E agora ele está fazendo xixi fora do penico marital, está tendo um caso!

Brad estava olhando para o ponto de táxi mais próximo.

— Só porque ele está jantando com alguém não quer dizer que exista mais alguma coisa — disse ele pacificamente. — Talvez seja a irmã dele.

Sheryl bufou desdenhosamente, foi até a janela e espiou os comensais.

— Eu conheço essa mulher — disse ela, pensativa.

— Gata, talvez a gente deva tomar este táxi.

Sheryl o afastou com um gesto da mão, como se ele fosse uma mosca.

— Onde foi que eu a vi antes? — deliberou ela em voz alta. Agora tinha se animado. Nada poderia detê-la.

— Gata, vamos. Você prometeu que estaríamos em casa a tempo de assistir àquele filme.

— Pelo amor de Deus, Brad — sibilou ela com maldade. — Vá você para casa.

Eu tenho mais o que fazer.

— Você não vai voltar lá, vai?

— Não — respondeu ela, pouco convincente. Ainda não tinha tirado os olhos de John e sua acompanhante. — Só lembrei que preciso fazer uma coisa no escritório.

Ela deu um beijo de dispensa no nariz de Brad antes de voltar para sua observação.

— Boa-noite, querido — murmurou distraidamente por cima de seu ombro.

Ouviu vagamente Brad fazer tsc-tsc e entrar num táxi. Sem se importar com a impressão que podia dar a quem estivesse passando por ali, ela ficou parada diante da janela, seu hálito predatório embaçando a vidraça, enquanto fritava o cérebro tentando desvendar quem seria a mulher elegante e cheia de joias.