Par Perfeito

Eleanor Prescott · Capítulo 43 de 90

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Par Perfeito

Alice

Alice analisou Steve, por trás de seu suco de laranja. Kate tinha razão; havia definitivamente algo estranho. Ele mal fazia contato visual; em vez disso, seus olhos ficavam se movimentando pelo bar ou dardejando na direção da porta, esperando que seu camarada chegasse. E essa era outra coisa: Steve já sabia há mais de uma semana que eles iriam se encontrar para discutir seu progresso na Mesa Para Dois, então por que tinha marcado com o amigo exatamente na mesma hora? Esse não era o doce e sincero Steve de que Alice se lembrava. Alguma coisa estava acontecendo.

— Então, você está totalmente satisfeito com a maneira como estão indo as coisas? — perguntou Alice, interrompendo o milionésimo passeio visual de Steve pelo interior do bar.

— Sim, sim. Está ótimo — animou-se ele, distraído, ainda sem olhar para ela.

— Só que você já teve primeiros encontros com várias mulheres, mas não quis se encontrar com nenhuma delas novamente.

— Sim, isso mesmo.

Alice ficou confusa. Clientes não eram geralmente tão impassíveis. O normal era que, se o Cupido não tivesse dado as caras lá pelo terceiro encontro, eles telefonassem para reclamar.

— Então não está ótimo realmente, está? — insistiu ela.

— Hã? — Os olhos dele focaram rapidamente nela. — Não, sério. Está tudo bem.

— Mas você não está se sentindo frustrado?

— Frustrado? — Ele soltou uma fungada. Então se recompôs rapidamente.

— Pelo fato de ainda não termos resolvido seu problema?

— Não, não. Quer dizer, bem, é um trabalho difícil, né, unir as pessoas. Vocês estão fadados a alguns fracassos, antes de acertar na loteria.

Alice estava perplexa. Os clientes nunca diziam esse tipo de coisa!

— Olha. — Steve voltou sua atenção brevemente a ela. — Se você está aqui porque está preocupada que eu ache que está fazendo um mau trabalho, bem, não fique, mesmo. Preocupada, quero dizer. Tenho certeza de que está fazendo o melhor que pode.

O tom de voz dele não era conciliatório, nem elogioso, nem condescendente. Era apenas… o quê? Não fazia sentido!

— Então é isso — tentou concluir Steve.

— Bem, não exatamente.

Steve se enrijeceu um pouco. Por um momento, pareceu ter sido apanhado ou encurralado.

— Olha, não quero continuar te marcando encontros com… “fracassos”. — Alice se forçou a usar a descrição dele. — Meu trabalho é encontrar um par perfeito… a mulher com quem você disse que queria envelhecer, lembra?

Seria a imaginação de Alice ou Steve ficou lívido?

— Não quero desperdiçar seu dinheiro tampouco decepcioná-lo — insistiu ela. — Tenho que pensar na sua felicidade! Então, vamos parar de gastar seu tempo em encontros com mulheres nas quais você não está interessado e vamos encontrar “a” perfeita e tirar você do mercado.

Steve olhou fixamente para a mesa. Alice tentou engolir seu assombro.

— É isso que você quer, Steve. Não é?

Sua pergunta ficou pairando entre eles. Ela viu as bochechas dele ficarem ruborizadas, a vermelhidão se espalhando pelo rosto, cobrindo sua palidez e incendiando suas orelhas. Houve alguns longos segundos de silêncio. E, então, justamente quando ele estava abrindo a boca para responder, sua atenção foi atraída por alguém entrando pela porta, e uma expressão — de alívio? — passou por seu rosto.

— Tommy! — Ele se levantou de um salto. — Tudo bem, cara? Esta é Alice da Mesa Para Dois. Alice, este é meu amigo Tommy.

Relutantemente, Alice afastou os olhos dele. Um homem de aparência robusta e amigável vinha na sua direção, com um sorriso no rosto e alegria no olhar.

— Então é você a moça com a tarefa de encontrar uma garota desesperada o bastante para se apaixonar pelo mané aqui, é? — Ele deu um sorriso amplo, sacudindo a mão dela em cumprimento.

Tommy era um tipo grandalhão e forte, de constituição sólida e com um charme descontraído. Quando Steve se moveu para ficar ao lado dele, Alice notou que ele parecia ainda menor e mais pálido do que antes.

— Pois é, bem, só porque basta você piscar para uma mulher para ela tirar a calcinha… — resmungou ele, amargurado.

Houve um silêncio repentino. Tommy abafou uma risada. Alice notou o rubor de Steve retornar com mais força ainda do que antes.

— Você mantém o poeta que vive em você bem escondido, não é, cara? — comentou Tommy preenchendo a pausa. — Agora, Alice, o que posso trazer do bar para você? Deve estar precisando de uma bebida forte, depois de aguentar este maluco aqui!

Alice ficou observando enquanto Tommy ia a passos largos até o bar, com Steve correndo atrás dele, as pontas das orelhas queimando num doloroso tom de rosa. Ela se recostou em sua cadeira e pensou. As peças estavam finalmente se encaixando.