Par Perfeito

Eleanor Prescott · Capítulo 78 de 90

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Par Perfeito

Kate

Kate estava discretamente empolgada com os pequenos, mas regulares, riscos de concepção que ela e Tommy vinham correndo. Sabia que deveria ser mais sensata; o relacionamento ainda estava no começo. Mas não podia se controlar. E nem, ao que parecia, Tommy.

Veja essa noite, por exemplo, ela disse a si mesma. Ambos estavam desesperados para ver o último thriller policial de sucesso no cinema. Mas lá pela metade do filme, aconchegados o máximo que o braço da poltrona e o saco enorme de pipoca permitiam, Tommy havia subitamente se aproximado e sussurrado em seu ouvido: — Eu quero você.

Exatamente sessenta segundos depois, Kate se flagrou trancada num reservado do banheiro, encostada à parede divisória. O saco de pipoca caiu no chão, espalhando sua carga açucarada como num clichê de filme B, enquanto Kate se entregava ao momento. Desejou brevemente que Lou pudesse vê-la. Seus olhos provavelmente saltariam das órbitas. A Kate que Lou conhecia — a velha Kate — jamais transaria no banheiro feminino do cinema local, pensou ela deliciosamente. A velha Kate nem sequer teria ido ao cinema; ainda estaria na sua mesa, escrevendo e reescrevendo notinhas à imprensa até que atingissem a perfeição literária.

— Eu vou gozar — Tommy, de repente, sussurrou em seu ouvido.

Kate sentiu que ele começava a se afastar dela. Firme, mas gentilmente, ela puxou suas nádegas de volta à posição e as segurou ali.

— Ai que loucura — sussurrou ela, sentindo um perigoso formigar de adrenalina.

— Tem certeza? — Tommy fez uma pausa, afastando a cabeça para confirmar. — Não é arriscado?

Kate resistiu à tentação de responder honestamente: que o risco era a parte mais excitante de todas e que se ela de repente se visse grávida desse homem maravilhoso, rebelde, rústico, que não se importava em trabalhar para chegar ao topo de uma carreira sem sentido e que fazia seu estômago dar voltas e sua respiração se acelerar toda vez que o via, então seria a coisa mais sexy imaginável.

— Não estou no período fértil — ofegou ela. — Me come toda, porra! — E o puxou com força para si, o cérebro mal registrando que a velha Kate jamais teria usado aquelas palavras.

Depois de tudo, ficou tarde demais para voltar ao cinema e assistir ao resto do filme. Além disso, perseguições de carros e explosões haviam perdido a graça.

— Já sei o que quero fazer — disse Tommy quando eles saíram do cinema e foram atingidos pelo ar frio da noite. Ele colocou a mão de Kate sob seu braço, de forma protetora.

— O quê? — murmurou ela, derretida, ao erguer os olhos para ele. Embora soubesse que, tecnicamente, tinha dito a verdade, que era realmente uma semana segura do mês (a velha Kate ainda vivia: havia examinado um site sobre planejamento familiar naquela manhã para ver em que dias do ciclo não se podia conceber), ela ainda se sentia maravilhosamente descuidada e inequivocamente excitada pelo significado do que acabara de acontecer. Eles haviam, tacitamente, entrado num novo território.

— Voltar para a sua casa e continuar de onde paramos. — Ele sorriu com astúcia. Kate sentiu o corpo se contorcer de prazer. Eles tomaram a direção de seu apartamento.

— O ideal seria comprar algumas camisinhas, só por segurança — disse ela com sensatez, tentando não deixar a decepção que sentia diante da ideia permear sua voz.

— O ideal… — concordou Tommy com suavidade. Ele parou, de repente, e a tomou nos braços. — Que se foda! Você sabe que eu sou louco por você, não sabe, Kate?

O coração dela deu um pulo e o tempo pareceu parar. Ela olhou para ele. Ele era, de verdade, o homem mais maravilhoso que ela já vira.

Eles tinham parado na frente de um restaurante de aparência cara e a iluminação suave do vestíbulo se derramava até a rua, refletindo-se no rosto de Tommy.

— O que estou tentando dizer é… Eu sei que nós não deveríamos ser burros, mas… — E, então, ele sorriu. — Você me conhece, Kate; eu não gosto de fazer joguinhos… nunca quis aprender as regras. Eu sei que você diria que, supostamente, eu deveria esperar um certo número de encontros antes de dizer isso, e que a Lua precisaria estar alinhada com Júpiter e que você deveria estar vestida de verde-esmeralda, mas que se dane; não sou um cara de seguir regras. Então, vou simplesmente falar logo. Eu te amo, Kate. Eu te amo, eu te amo, eu te amo!

E, portanto, num lugar que ela jamais teria escolhido, para um homem que ela jamais teria imaginado possível e vestindo algo claramente da estação passada —

mas com um total de 497 dias até seu 35 o aniversário —, a cabeça de Kate zuniu como um fogo de artifício e ela disse aquelas três palavras mágicas para ele também. Bem, oito, para ser preciso.

— Eu te amo, Tommy! De verdade, verdade verdadeira.

E eles se beijaram da forma mais deliciosa possível.

— E com relação a anticoncepcionais… — acrescentou Tommy, quando finalmente pararam para respirar. — Obviamente, a decisão é sua. Mas se você me perguntar o que eu acho, bem… qual é o pior que pode acontecer? Você se descobrir grávida e nós nos vermos comprometidos um com o outro para sempre. Não parece tão terrível, do meu ponto de vista!

— Não — respirou Kate, tão excitada que mal conseguia falar. — Não é terrível, de jeito nenhum!

— Então, vamos pras cabeças, que tal? Vamos decidir viver perigosamente!

— Sim — ela se ouviu concordando, zonza. — Vamos!

E ambos sorriram, em êxtase, na escuridão.

De repente, uma mulher desceu afobadamente os degraus do restaurante e saiu para a rua, rompendo o momento idílico deles ao correr cegamente em sua direção. Ela soluçava histericamente, lágrimas se misturando ao muco conforme ela ofegava no ar noturno. Instintivamente, Kate segurou seu braço para estabilizá-la.

— Audrey Cracknell? — perguntou Kate, surpresa. — Você está bem?

Mas a mulher já estava correndo estrada afora na direção do cinema.

— Conhece? — perguntou Tommy, observando a estranha figura que se afastava.

— Acho que sim. — Kate ficou olhando, preocupada. — Acho que é a dona da Mesa Para Dois, mas não pode ser. Ela é normalmente tão… organizada. — E pegaram o táxi que acabara de deixar um passageiro.

— Ei, falando na Mesa Para Dois… Eu não te contei, né? — disse Tommy de repente, a voz cheia de graça. — Você se lembra do meu amigo, Steve? Bem, ele foi decifrado pela Alice!

— Decifrado?

— Pois é. Veja bem, Steve não contratou a agência para encontrar uma namorada. Ele se inscreveu porque faz um ano desde que ele transou pela última vez e, de alguma forma, ele conseguiu ser a única pessoa no universo a não conseguir arrumar alguém pela internet. Portanto, sua lógica era, se uma mulher está desesperada o bastante para pagar caro a uma agência de relacionamentos, então pode ser, pode ser que ela esteja desesperada o suficiente para dar pra ele!

— Ele se inscreveu por sexo? — perguntou Kate, incrédula.

— Com o máximo de mulheres que sua tarifa permitisse.

— Eu sabia que havia algo de estranho nele! — exclamou Kate. — Ele parecia, como posso dizer, quase como se tivesse ensaiado.

— Isso porque tinha mesmo! — Tommy riu. — Quando ele chegou a um discurso que finalmente convenceu alguma pobre mulher a dormir com ele, ele passou a repetir suas histórias tim-tim por tim-tim com o alvo seguinte. Ele ainda não tinha conseguido uma taxa alta de sucesso, no entanto. Uma em vinte, ele achava.

— Não posso acreditar! — disse Kate, abismada. — Que cínico! Parece o tipo de coisa que Lou faria!

— Então, enfim, nossa amiga Alice o decifrou — prosseguiu Tommy — e o suprimento de encontros de Steve secou. Então, ele abandonou a Mesa Para Dois e passou para a agência seguinte. Ele tem tudo planejadinho, entende? Seis a 12 meses numa agência, tentar com todas as mulheres nos cadastros deles e, então, passar para um novo acervo de talentos. Ele agora contratou esse lugar novo. Aparentemente, a dona é uma verdadeira devoradora de homens. Steve foi lá uma vez e já está convencido de que tem uma chance de sair com ela!

— Cachorro sarnento! — respondeu Kate, pensativa, a mente cheia de nostalgia. E, de repente, percebeu quanto sentia falta de sua melhor amiga.