Par Perfeito

Eleanor Prescott · Capítulo 69 de 90

Páginas do PDF

Par Perfeito

Lou

Lou entregou o chopp a ele, pegou a nota de vinte de sua mão e tentou manter contato visual pelo maior tempo possível. Ele era maravilhoso!

— Pegue um para você. — Ele sorriu com educação.

— Obrigada! — Ela lhe atirou seu sorriso mais sexy e rodopiou até o caixa, remexendo os quadris para exibir o traseiro na saia justa. Discretamente, deu mais uma olhada nele, mas ele já tinha se virado e conversava com o amigo.

Era uma noite de terça-feira muito mais movimentada do que de hábito e ela vinha sacando o cara pelo canto do olho enquanto ele esperava pacientemente para ser atendido. Por mais tentador que fosse servi-lo primeiro, a experiência já lhe havia ensinado que, quanto mais tempo um bonitão tivesse de esperar, mais tempo ela tinha para olhar para ele de perto. Não era sempre que homens tão bonitos quanto aquele entravam em seu bar. E, agora que todos os outros já tinham sido servidos, podia levar o tempo que quisesse, dar a ele a oportunidade de papear com ela e de olhar seu decote.

— Nunca te vi por aqui antes — disse ela, garantindo que seus dedos tocassem na mão dele ao lhe entregar o troco. — Eu me lembraria de um rosto como o seu.

— Comecei num emprego novo — respondeu ele, parecendo não perceber o que estava rolando. — Ali na esquina, na Bateman Street. Essa é a minha primeira vez por aqui.

— Primeira vez? — Lou levantou a sobrancelha de forma sugestiva. — Bem, agora que você perdeu a virgindade, espero que volte mais vezes.

Ele riu, encabulado.

— Prazer em te conhecer. — Ele levantou levemente seu copo e se virou.

— Qual é o seu nome? — perguntou Lou, às suas costas.

— Simon.

— Eu sou Lou. Obrigada pelo drinque!

Ele assentiu, sorriu e se sentou com o amigo. Não olhou para trás. Lou se sentiu extraordinariamente incomodada.

Então, o nome dele era Simon, pensou ela. E se ele havia acabado de começar a trabalhar na Bateman, havia grandes chances de que se tornasse um cliente regular. Sentiu-se estranhamente satisfeita com aquela informação. Ele não era o tipo que normalmente a atrairia. Era um pouco sério. E não tinha correspondido ao seu flerte. A maioria dos homens com quem ela flertava a estava despindo mentalmente antes de ter o primeiro chopp nas mãos. No segundo, eles já estavam tentando atraí-la para a rua e para a viela ao lado. De alguma forma, Simon não parecia ser assim.

Seus pensamentos foram repentinamente interrompidos por um dedo deslizando pelo interior da sua coxa. Tony tinha aparecido silenciosamente atrás dela.

— Tá gostosa, hein! — soprou ele libidinosamente em seu ouvido. — Acho que você deveria ir lá para trás; refrescar um pouco a pele.

Lou se afastou. Ele tinha a cara de pau! Não tinha se dado ao trabalho de perguntar se ela estava melhor da gripe, mesmo que ela tivesse inventado tudo. E também não tinha se desculpado por dar o cano nela na semana anterior, nem por ser grosseiro ao telefone. De jeito nenhum iria conseguir transar com ela. Além disso, ela não queria que Simon a visse ser apalpada por seu chefe. Ela queria se assegurar de parecer disponível. Para Simon.

— Estou ocupada. Coisas a fazer — disse ela com rispidez, de repente assumindo a tarefa de limpar a bandeja de pingos mais próxima.

— Também tenho coisas a fazer — insistiu Tony, pressionando seu corpo inteiro contra o dela. — Comer você! — Ele se esfregou em Lou.

— Agora não. — Lou se afastou dele novamente, a irritação permeando sua voz. — Estou trabalhando.

Tony deu um passo atrás, surpreso.

— Desde quando isso é empecilho?

Lou percebeu seu tom de voz. Não era nada agradável.

— Faça como quiser — disse ele, curto e grosso. — Garçonetes de bar dão em árvores.

Ele girou nos calcanhares e foi para a sala dos fundos, onde Lou sabia que ele a ficaria observando pelo monitor, mal-humorado, esperando que ela fosse lá e o compensasse. Bem, ele iria esperar bastante tempo. Se havia alguma compensação a ser feita, nem morta seria ela a fazer. Continuou se ocupando com as bandejas, lançando olhares furtivos a Simon.

Simon parecia legal. O tipo de homem que Kate estava pagando caro para conhecer. Um homem que você poderia apresentar aos seus pais sem se preocupar que ele fosse querer transar com você no jardim de inverno ou tentar dar em cima da sua mãe. Era o tipo de homem, pensou Lou, que Kate achava que Lou jamais poderia ter.

Pensar em Kate fez Lou se sentir estranha. Elas ainda não tinham se falado, desde a discussão. Normalmente, elas se telefonavam várias vezes por dia, às vezes só para dizer para a outra como tinham enfiado o pé na jaca no almoço. Mas nem morta Lou iria pedir desculpa primeiro. Além disso, algumas coisas que Kate dissera ainda estavam entaladas em seu peito, como algo pesado que houvesse comido e não conseguisse digerir.

Ela lavou a última bandeja, observando Simon através dos cílios. Kate tinha feito sua vida parecer patética. Bem, iria mostrar para ela que era tão capaz de conquistar um cara decente quanto era de conquistar um indecente. Não estava condenada aos Tonys deste mundo. Podia ter qualquer homem que quisesse, até mesmo os burgueses de classe alta que Kate estava tentando garfar. Isso calaria a boca de Kate. Mostraria a ela que não era preciso contratar agências esnobes para arranjar um homem “adequado”. Mostraria a Kate que ela estava errada em pensar tão mal de sua melhor amiga.

Lou iria pegar Simon.