Par Perfeito

Eleanor Prescott · Capítulo 48 de 90

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Par Perfeito

Alice

— Onde está a casamenteira, por favor? A casamenteira! — gritou o fotógrafo do jornal Gazette.

 

— Aqui. Estou aqui! — Audrey atravessou a multidão de convidados do casamento como um torpedo cruzando o mar.

— Oh! — O rosto da noiva se imobilizou conforme Audrey abria caminho e assumia posição ao lado dela e do noivo. — Talvez devêssemos chamar a Alice também.

— É outra casamenteira? — Estava claro que o fotógrafo queria tirar logo a foto e ir para casa o mais depressa possível.

— Ela é uma das minhas assistentes — interrompeu Audrey autoritariamente.

— Mas ela foi realmente crucial — acrescentou a noiva.

— Alice! — gritou o fotógrafo, irritado, na direção da assembleia ruidosa. — Preciso da Alice aqui!

Movendo-se o mais depressa que podia, caso o fotógrafo gritasse novamente seu nome, Alice se uniu ao trio diante da câmera.

— Parabéns! — sussurrou ela, alegremente, para Jennifer e Jason. Dez segundos depois, o fotógrafo resmungou que já tinha tudo de que precisava. Audrey imediatamente se adiantou e passou a lhe dar instruções de como deveria publicar.

— Estamos tão felizes que você tenha vindo! — Jennifer segurou as mãos de Alice e sorriu, radiante. — Temos tanto pelo que te agradecer!

— É verdade, é verdade! — concordou Jason. — Vamos dar ao nosso primeiro bebê o nome de Alice em sua homenagem. Se for menina, lógico!

— Bem… — Alice riu. — Mas, é sério, vocês não precisam agradecer a Mesa Para Dois. Foram vocês dois que fizeram a parte mais difícil do trabalho.

— Ah, mas sem você… — reforçou Jennifer com um brilho nos olhos. — Vou mirar em você mais tarde para jogar isto aqui — acrescentou ela conspirativamente, indicando o buquê com a cabeça e dando uma piscadela.

Alice se ruborizou, mas, por sorte, tanto a noiva quanto o noivo foram imediatamente rodeados por um grupo de pessoas que vinham especialmente cumprimentá-los.

— Bem, tudo correu às mil maravilhas — Audrey se reuniu a ela, arrumando o chapéu e endireitando a jaqueta do tailleur. — Mais uma vitória da Mesa Para Dois!

— São os finais felizes que fazem tudo valer a pena — murmurou Alice, bebendo com os olhos o brilho que emanava de Jennifer e Jason.

— Sim, bem, não vamos ficar paradas aqui olhando feito bobas — ralhou Audrey com acidez. — O lugar está cheio de clientes em potencial! Circulando!

Alice se moveu em meio à multidão, feliz em colocar um pouco de distância entre ela e sua chefe, que já estava entregando cartões da agência. Se Audrey pensava que ela iria começar a angariar clientes, disse Alice a si mesma, podia tirar o cavalinho da chuva. Esse era o dia mais feliz da vida de Jennifer e Jason e de jeito nenhum ela iria usá-lo como oportunidade comercial. Portanto, ocupou-se em conversar com uma coleção de tias velhas, para grande irritação de Audrey.

Rápido demais, Jennifer chamou todas as mulheres solteiras para que pudesse jogar o buquê. Alice ficou para trás, tentando se fazer invisível. Nem morta iria se meter no meio da multidão arfante de encalhadas, que tinham até largado as bebidas para aumentar suas chances, apontando cotovelos em ângulos ameaçadores e calculando as melhores trajetórias em que se atirar.

Conforme Jennifer se virou e jogou o buquê, Alice notou Audrey se erguer em meio à multidão e fazer um esforço poderoso para pegar as flores que caíam. Mas foi derrotada por uma ágil garota de vinte e poucos anos que deu um gritinho de alegria e correu até o namorado para mostrar o prêmio. Alice viu a expressão fugaz de Audrey quando o buquê foi atirado para fora de seu alcance, alguns provocantes centímetros separando-a de seu final feliz. Por um instante, ela pareceu desesperançada. E então, um segundo depois, sua velha expressão ressurgiu e ela declarou em voz alta que não deveria nem sequer estar ali, sendo a mulher realizadamente casada que era.

Alice se virou, cheia de culpa. Quase desejou não saber o segredo de Audrey. Desde que John lhe contara, tinha sido tanto uma bênção quanto uma maldição. Bênção porque John era solteiro. A lembrança do encontro do dia anterior, ele se inclinando na cadeira, dando-lhe aquele adorável sorriso que enrugava os cantos de seus olhos, deixou-a tão feliz que ela quase riu em voz alta.

Mas, então, havia também a maldição. Por que Audrey mentira sobre John ser seu marido? Se ela era solteira, por que simplesmente não dizia? Audrey nunca mencionava ter amigos, apenas contava histórias sem fim sobre John. Mas se John de fato não fazia parte de sua vida, então quem fazia? Será que o turno de 9h às 17h na Mesa Para Dois era sua vida?

E se — uma voz irritante não parava de perguntar — Audrey fingisse ser casada com John porque, no fundo de seu coração, era isso que ela queria? E se ela estivesse perdidamente apaixonada por ele? E se a esperança de que esse amor fosse correspondido era a única coisa que a ajudava a sobreviver cada dia?

Alice foi passando entre os convidados, rumo ao banheiro feminino. Fechou a porta e apoiou a cabeça no espelho, querendo varrer de sua mente a imagem de uma Audrey solitária e melancolicamente apaixonada. Mas, então, sua visão foi inundada por uma nova imagem, do sonho que tivera na noite anterior: um sonho em que John lentamente se inclinava na sua direção e ela ficava a segundos de distância de seu beijo. Culpa e felicidade se mesclaram, em confusão. Alice exalou com um tremor, sua respiração formando uma pequena névoa no espelho.