Par Perfeito
John
John sorriu para Alice pela milionésima vez naquela noite e se perguntou novamente o que teria feito para merecer se sentir tão bem. Não podia acreditar que ela estivesse realmente ali, sentada na cozinha dele, comendo sua comida, bebendo seu vinho e, esperava que em breve, dormindo em sua cama.
— Sabia que… — ele sorriu — além de Emily e Geraldine, você é a primeira mulher para quem eu cozinho em 15 anos!
Alice sorriu, mas parecia distraída. Ela pousou o garfo.
— O que você vai fazer com relação a Audrey? — perguntou baixinho, a voz soando fraca e preocupada. — Não podemos deixar que ela descubra acidentalmente; não seria justo.
— Não seria? — John teve um flashback do rosto duro e cruel de Audrey no baile.
— Ela se sentiria humilhada, como se não apenas tivéssemos magoado seus sentimentos como também a houvéssemos feito de boba.
— Sabe — disse John com leveza —, pela primeira vez na vida não ligo a mínima para os sentimentos de Audrey, ou de qualquer das minhas ex-clientes. Já me preocupei com elas tempo demais. Está na hora de me preocupar com as pessoas que são realmente importantes. Você, eu e Emily. Ah, e o Parceiro, claro. — Ele olhou para Alice e viu seu rosto tomado pela preocupação. — Você não deve nada a ela, viu? Ela te tratou muito mal ao longo dos anos.
— Ela não é rude de propósito.
— Só é rude naturalmente!
Mas Alice ainda parecia preocupada. Empurrou o prato, pela metade.
— Você não está se arrependendo, está? — perguntou ele, de repente.
— Não! — exclamou Alice com ênfase. — Só que não consigo parar de imaginar como ela deve estar se sentindo e como será ainda pior para ela quando descobrir a nosso respeito. Ela vai ter que explicar a sua ausência no próximo baile. Imagino que terá de dizer que vocês se divorciaram.
— Mas será que ela vai fazer isso? — perguntou John. — Acho que ela só vai dizer que eu viajei a negócios e que não pude ir. A mentira já está arraigada. É grande demais para que Audrey consiga sair dela.
Alice pensou por um momento.
— Se você me pergunta… — disse John, rigoroso. — Quanto antes ela descobrir sobre nós, melhor. Fará bem para ela se livrar dessas mentiras. Acredite em mim, eu sei melhor do que ninguém. A liberdade é uma delícia!
— Ela vai me demitir — disse Alice com tristeza. — Não terá nenhum motivo, mas fará isso mesmo assim.
John escolheu suas palavras com cuidado.
— E isso seria assim tão ruim? Você merece mais do que a Mesa Para Dois. Você é uma casamenteira brilhante. Deveria ter sua própria agência.
— Mas eu adoro meu emprego.
— Existem outros empregos.
— Adoro meus clientes.
— E outros clientes!
— Eu sei — respondeu Alice, incerta, parecendo tristonha. John deixou seu jantar de lado. Empurrou o prato, estendeu a mão sobre a mesa e acariciou o rosto dela.
— Não vamos nos preocupar com isso hoje. Você é a melhor coisa que me aconteceu em séculos e não quero estragar tudo pensando na Audrey. Estou tão feliz por você estar aqui. Então, agora que finalmente tenho você, deixe-me aproveitar a sua companhia. Vamos pensar num plano, um plano gentil, para contar a Audrey algum outro dia. Prometo.
Ele lhe deu um sorriso tranquilizador, se levantou e a levou para fora da cozinha.