Par Perfeito

Eleanor Prescott · Capítulo 72 de 90

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Par Perfeito

Sheryl

Em algum lugar no meio de seu fichário, com dezenas de arquivos antigos espalhados pelo chão formando um leque de corações solitários e esquecidos que finalmente se encontravam, anos depois da necessidade, o reconhecimento atingiu Sheryl. Como um relâmpago tortuoso ou uma flecha perigosa de um Cupido de mau gosto, ela subitamente se deu conta de quem era a mulher misteriosa de John. Seu rosto estava sorrindo para Sheryl de uma pasta desbotada.

Era Lady Isabella Denham, previamente conhecida como Isabella Alpine e, antes disso, simplesmente como Isabel Jones. Muito tempo atrás, antes do casamento com Lorde Denham, ela havia contratado os serviços da Pombinhos.

Sheryl riu alto e beijou o arquivo, vitoriosa. Sabia que a conhecia de algum lugar!

O arquivo continha toda a munição de que precisava contra Lady Denham — desde sua idade até suas preferências e seus divórcios. Tinha um registro completo dos encontros que tivera ao longo dos dois anos em que fora cliente da Pombinhos: um catálogo voraz de homens, todos eles, notou Sheryl, consideravelmente mais jovens do que ela. Sheryl tinha até o número de seu celular! Perguntou-se se ainda funcionava.

Deixando os demais arquivos espalhados no chão, levou o de Lady Denham até sua mesa. Portanto, conhecia a identidade da mulher misteriosa de John Cracknell. Só o que precisava agora era de um pouco mais de evidências para concluir sua culpa como mulherengo. Simplesmente vê-lo jantando com uma mulher que não era sua esposa não era suficiente. Precisava de algo mais: de um prego de ferro fundido, dos grandes, para o caixão de Audrey.

Sheryl pegou o telefone, com a respiração rápida e excitada. Deus, aquilo era divertido! Já podia ver a expressão no rosto de Audrey…

— Sim? — o tom curto de Isabella Denham soou ao ouvido de Sheryl. Ela parecia estar num carro, supostamente a caminho de casa, voltando do encontro amoroso no The Privet. Será que John estava com ela? Será que eles estavam a caminho de um quarto de hotel, prestes a fazer sexo selvagem e apaixonado?

— Lady Denham, me desculpe por importuná-la. Aqui é Sheryl Toogood da agência de relacionamentos Pombinhos.

— Pombinhos? Que diabos você quer? E a esta hora da noite? Já faz anos!

— Eu sei. E sinto muito pela hora. — Sheryl usou seu tom de voz mais lisonjeiro. — É que um solteiro maravilhoso entrou nos nossos cadastros… uma verdadeira joia! E você sabe como é quando aparece um homem bonito e qualificado — confidenciou ela, deleitando-se com sua própria intriga. — Sempre ocorrem brigas, com todas afiando as garras para capturá-lo primeiro. Estou tentando pensar num par adequado para ele, um par à altura, antes que a notícia se espalhe e comece a loucura! Ele seria absolutamente perfeito para você! E, portanto, tive que lhe telefonar imediatamente para ver se você estaria interessada. Eu não conseguiria dormir esta noite se não houvesse tentado formar esse par!

Houve uma longa pausa.

— Não sei se… Estava me perguntando… você está… — Sheryl tentava parecer o mais casual possível — procurando alguém, no momento? — Ela prendeu a respiração, esperando pela resposta.

Houve outra pausa demorada. As nádegas de Sheryl se apertaram na cadeira, em expectativa. Os segundos passavam de forma interminável. Podia ouvir o som do carro de Lady Denham zunindo discretamente ao fundo.

— Bem, Srta. Toogood — respondeu Lady Denham finalmente, a voz seca. — A despeito do horário grosseiro do seu telefonema, seu senso de oportunidade é surpreendentemente bom.

— Jura? — respondeu Sheryl, animada. Só precisava que Lady Denham desse alguns passos à frente e caísse em sua rede.

— Por pura coincidência — continuou Lady Denham vividamente —, um dos meus companheiros regulares me deixou esta noite. Portanto, sim, eu poderia estar interessada em ouvir a respeito de seu novo cavalheiro. Conte-me mais.

Sheryl podia ouvir seu próprio coração batendo. Lady Denham tinha acabado de se referir a John como um “regular”. Havia definitivamente algo entre eles!

— É claro, Lady Denham — respondeu Sheryl docemente. — Mas que azar com esse seu companheiro regular. O que houve?

— Ele está se aposentando do trabalho como acompanhante.

— Acompanhante? — Sheryl respirou, eufórica. — Como assim, ele trabalha para uma agência?

— Não para uma agência de relacionamentos. Obviamente, eu desisti dessas agências quando conheci Lorde Denham.

Sheryl mal podia acreditar na sua sorte. Lady Denham era mais fácil de espremer do que uma laranja.

— Mas você diz que esse homem era um acompanhante? Então você, hã, você o pagava, certo?

— Certo. Muito mais simples. Dessa forma, todo mundo sabe no que está se metendo. Ele era da Geraldine.

— Geraldine?

— Sim, Geraldine Ashby. Olha, não tenho certeza se realmente quero contratar a sua agenciazinha de novo, Srta. Toogood, mas suponho que você possa me contar sobre seu cavalheiro, de qualquer forma. Talvez possamos fazer alguma espécie de acordo, se ele estiver disposto.

Lady Denham nem terminara de falar e Sheryl já estava abrindo a página do Google em seu computador e digitando “Geraldine Ashby”. Teceu alegremente algumas mentiras para Lady Denham sobre seu fascinante solteiro novo, tomando cuidado para que ele não parecesse fascinante demais. Afinal, estaria frita se Lady Denham quisesse conhecê-lo. Ele simplesmente não existia.

Rapidamente, encontrou o website da “G. Ashby Serviços” e clicou.

— Humm, bem, não tenho certeza — disse Lady Denham, hesitante. — Ele não é exatamente o que estou procurando no momento. Acho que você está perdendo a forma, Srta. Toogood.

— Ah, paciência! — Sheryl clicou no botão para procurar acompanhantes masculinos. Passou rapidamente pelos anúncios no alto da tela. “Acompanhando você em seus eventos mais importantes… Serviço discreto e profissional.”

— Temos que nos encontrar qualquer hora dessas — cantarolou Sheryl com leveza, sua atenção já em outro lugar. — Almoçar. — Ela devolveu o fone ao gancho sem nem esperar pela resposta. Agora já tinha o que precisava, e não era de Lady Denham como cliente. Clicou no botão que dizia fotos e prendeu a respiração enquanto examinava a seleção de acompanhantes do sexo masculino.

E lá estava ele, John Cracknell. Seu rosto distinto, tão conhecido dos bailes da ADAR, sorria-lhe atraentemente no monitor. Exceto que ele não era John Cracknell. Era John Marlowe. Seus interesses eram atualidades, esportes e jardinagem. Ele tinha 41 anos e podia ser seu por uma noite mediante a tarifa premium da G. Ashby Serviços.

Sheryl se reclinou na cadeira e sorriu vitoriosamente.

— Te peguei! — disse em voz alta para o escritório vazio.