Par Perfeito

Eleanor Prescott · Capítulo 61 de 90

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Par Perfeito

Kate

Kate desabou na cama, suada, as bochechas coradas e o cabelo desgrenhado. Rapidamente, puxou o lençol sobre si e tentou recuperar o fôlego.

— Que coisa… — ofegou Tommy — incrível! — Ele rolou na direção dela e a puxou para perto, com um braço forte e suado. — Você é um furacão, Srta. Biggs!

Kate sorriu. Ninguém jamais a havia chamado de furacão. Mas, também, ninguém jamais a fizera se sentir um furacão.

— E estou gostando desse look suado — provocou Tommy, deixando a mão deslizar pela pele molhada dela. — É a última moda.

Ela riu.

Tommy afastou os cabelos dela do rosto com a ponta dos dedos e olhou para Kate com intensidade. Ela sentiu o corpo formigar diante da firmeza gentil do toque dele.

— Você é linda — disse ele, baixinho.

Com timidez, Kate encontrou seu olhar. Ficou surpresa pela forma terna como ele a olhava.

Não tinha pensado em se jogar na cama de Tommy tão depressa. Desobedecera à sua regra do sexto encontro. Anos antes, Kate decidira que não era bom transar cedo demais; mulheres que se entregavam muito depressa nunca faziam a transição de “divertimento” a namorada. Quando tinha seus 20 anos, encerrar a noite com sexo bêbado e pornográfico com um estranho qualquer era quase uma lei. Mas tirar a roupa na frente de um estranho nunca fora a ideia de diversão para Kate e, portanto, impor-se a regra do sexto encontro tinha sido um alívio. Não tinha previsto, porém, que o resultado daquilo seria não transar quase nunca. Os poucos homens que ela conhecera tinham sumido lá pelo terceiro e infrutífero encontro.

Além disso, pensou Kate ao se aconchegar, contente, ao corpo quente de Tommy, não tinha esperado que o sexo com Tommy fosse tão bom assim. Já passara tanto tempo desde a última vez que transara que quase se esquecera como era. Tinha lembranças de encontros desajeitados em quartos sórdidos de solteiro; agarramentos rápidos e insatisfatórios que terminavam com seu parceiro exaurido e roncando e Kate indo sorrateiramente até o banheiro para passar fio dental e arrumar o cabelo antes de se posicionar lindamente entre os lençóis e sonhar que lhe trouxessem o café na cama. Quando a manhã chegava, seu parceiro de ressaca mal se lembrava de onde era a própria cozinha, quanto menos de servir café com croissants.

Mas nesta noite, com Tommy, tudo havia sido diferente. Eles tinham se divertido muito num show de stand-up. E, no táxi, nem passara por sua cabeça ir para a própria casa.

E, depois, o sexo em si. Quando Tommy tirara a camisa dela, Kate sentira uma sucessão de minúsculos choques elétricos, conforme a pele dele se encostava à sua, e seu corpo, de repente, ansiava em ser tocado. Havia se esquecido de como podia ser bom, pele contra pele — como era estonteantemente erótico. Quando ele puxou gentilmente seu corpo seminu de encontro ao peito, ela quase ficou sem ar. Podia tê-lo deixado tocar sua pele com a dele a noite inteira.

Mas, logicamente, não havia feito isso. As coisas tinham ido muito além. E no quarto à luz de velas ela não tinha ficado constrangida por causa de seu corpo nu. O corpo de Tommy era tão másculo e musculoso que ela não havia se preocupado se seus quadris eram grandes demais, se seu peso o esmagaria ou que ele pudesse mudar de ideia e mandá-la para casa quando visse o tamanho de seu traseiro. Ela, na verdade, se sentira sexy! Tommy correra as mãos pelo cabelo dela e mordiscara seus seios, tomando suas nádegas com as mãos grandes e levantando-a suavemente sobre ele. Seu gemido de admiração fez Kate se sentir sensual pela primeira vez na vida. Um pensamento invadiu sua mente. Devia ser assim que Lou se sentia quando transava. Não era de admirar que fizesse aquilo com tanta frequência.

De repente, voltou à real, com um susto. Enquanto Tommy acariciava seu rosto e o suor começava a secar em seu corpo, Kate sentiu um nó se formando em seu estômago.

Não tinha mais falado com Lou desde sua discussão. Deitada ali na cama de Tommy, com os braços dele ao seu redor, Kate se sentiu solitária. Normalmente, sempre que algo maravilhoso acontecia, ligava imediatamente para Lou. Era como se não houvesse realmente acontecido até que tivesse contado a ela, em todos os mínimos detalhes.

Kate olhou para Tommy, seu corpo ainda formigando deliciosamente do exercício. Sabia que não contaria a Lou sobre aquilo. Algo havia mudado e não tinha mais volta.

— Normalmente, não faço esse tipo de coisa — ela se ouviu sussurrar.

— O quê, transar? — brincou Tommy.

— Não! Sim! Quer dizer, normalmente não faço isso tão no começo.

Tommy pareceu confuso.

— Não antes do sexto encontro.

— Por quê? — estranhou ele.

— Porque as garotas boas não fazem… tão cedo.

Tommy atirou a cabeça para trás e soltou uma gargalhada.

— E é isso que os homens querem, então? Garotas boas?

— Não! — disse Kate com afetação. — Eles querem garotas más que fazem na primeira noite.

Tommy se apoiou num cotovelo e olhou para ela com atenção.

— Então, você está dizendo que sua estratégia com os homens tem sido a de não dar a eles o que querem?

— Eles recebem, com o tempo — argumentou Kate. — Os homens respeitam as mulheres que os fazem esperar. E, além disso, as coisas são melhores se você espera ansiosamente por elas. É recompensa adiada.

— É por isso que você está solteira! — Tommy riu. — Kate, acredite em mim; os homens não são tão complicados assim! Temos a capacidade de concentração de um peixinho dourado. Se esperarmos demais por qualquer coisa, vamos nos esquecer do que era mesmo que queríamos. É por isso que adoramos tanto o controle remoto. Caso contrário, quando finalmente chegássemos até a televisão, já teríamos esquecido por que nos levantamos.

Kate sentiu-se confusa.

— Mas, se você realmente quiser alguém, não vai se esquecer dela — insistiu. — Vai querê-la ainda mais porque teve de esperar.

— Você é doidinha! — Tommy riu e rolou para longe. — Você sabe disso, não sabe?

O rosto de Kate se congelou. Ela entrou em pânico. Tinha entregado seu corpo cedo demais e agora estava se fazendo de idiota ao entregar demais sua personalidade.

— Sou muito linguaruda?

— Não devo esperar até o sétimo encontro para descobrir?

— Pervertido! — Kate riu e bateu nele com o travesseiro.

— Ainda bem que sempre tive uma queda pelas doidinhas — provocou Tommy, esticando-se na cama e puxando Kate para si. — Principalmente, doidinhas que se entregam tão depressa.

E lutou com ela para agarrá-la.