Par Perfeito
Lou
— Puta que me pariu, Lou! — explodiu Tony. — Como assim, não vem trabalhar? Nós temos aquela festa do clube de rúgbi hoje, aquele evento interno deles; só homens, sem as esposas. Preciso de todos os funcionários e, mais especificamente, preciso de você atrás do balcão, usando uma roupa decotada. De que outra forma vou conseguir manter felizes sessenta caras transbordando testosterona?
Sentada em seu sofá, com seu roupão mais velho, com uma mancha de café na frente, Lou agarrou o telefone com força.
— Eu já disse, Tony; estou doente. E sou subgerente do bar, não uma stripper! — Tony era inacreditável. De jeito nenhum Julian falaria daquele jeito com Kate. A perfeita Kate. A perfeita Kate que provavelmente nunca faltou ao trabalho por doença em toda a sua disciplinada vida. Só Deus sabia por que ela reclamava do chefe dela. Julian pagava rios de dinheiro para ela e nunca esperava que ela desse em cima de seus clientes. — Você contratou uma stripper para eles, não contratou? — ela interrogou seu próprio chefe com ceticismo.
— É claro que contratei uma porra de uma stripper! — retrucou Tony, não parecendo muito convencido. — Mas não é essa a porra da questão. Suz e as crianças vão passar a noite na casa da irmã dela hoje. Achei que você pudesse dar uma passada naquela sex shop, comprar a fantasia de enfermeira. Eu ia filmar a gente no circuito interno antes de abrir o bar; pensei que pudéssemos assistir no escritório, mais tarde; fazer uma pornografia reservada depois que mandássemos a ralé pra casa. Mas se você não pode se dar ao trabalho de vir…
— Tony, estou doente!
— E eu estou com tesão! Jesus, Lou; se eu soubesse que você ia dar tanto aborrecimento, nunca teria me esforçado…
— Você se esforçou alguma vez…? — interrompeu Lou com acidez. — Devo ter perdido essa.
Não era de admirar que ela estivesse evitando o trabalho. Tony não era o mais generoso dos empregadores. E servir a clientela (ou Tony, para dizer a verdade) não valia o esforço de se levantar da cama. Ela simplesmente não estava a fim, hoje. Não se esforçaria para ser sociável. Este era o problema com seu trabalho: era preciso ser agradável com os clientes e, desde sua discussão com Kate, agradável era algo que Lou definitivamente não queria ser. Nem morta iria se cobrir de maquiagem, se arrastar até o trabalho e sorrir para aqueles imbecis.
— Não sei o que tem te dado ultimamente — continuava Tony. — Você anda tão chata; e na outra noite você foi mais frígida que uma freira. Jesus…! — Lou podia praticamente ouvir o cérebro de Tony girando. — Você não está grávida, está? É melhor que não esteja; seria uma porra de um desastre. A Suz me crucificaria.
— Não, Tony — disse Lou, severa. — Não estou grávida.
— Oh, muito obrigado! — Ele pareceu quase desfalecer de alívio.
— Estou gripada. O médico me mandou repousar por uma semana. Voltarei na segunda-feira.
— Segunda-feira? Mas vamos passar o jogo de futebol amanhã! É um clássico!!! Você sabe como é… ficaremos lotados até o teto. E quanto àquela despedida de solteiro marcada no sábado? Jake e Paul não vão conseguir dar conta.
— Jake e Paul vão dar conta direitinho. E obrigada pela sua preocupação, viu. Excelente, sua capacidade de gerenciamento, Ton… De verdade, melhor impossível!
Lou desligou o telefone e o atirou para o outro lado da sala. Estava cansada de Tony e estava cansada de Kate. Bem, os dois podiam ir para o inferno. Ela tinha um maço de cigarros, duas garrafas de vinho tinto e horas de televisão diurna à sua frente. Por ela, o mundo podia explodir.