Pesquisa na área biomédica: do planejamento à publicação
Conclusão
Questões Éticas
Estudos terapêuticos experimentais, muitas vezes, colocam os
pesquisadores responsáveis em situações injustas — por exemplo:
não proporcionar tratamento cirúrgico ou quimioterápico a pacientes
oncológicos para efeito de comparação entre grupos, assim como
não oferecer o coquetel anti-retroviral a pacientes aidéticos. Além de
injustas, essas situações são consideradas antiéticas e, em geral,
não têm aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), que
julga os aspectos de um estudo experimental e autoriza o início em
determinada instituição (ver capítulo 3).
Da mesma forma, se há evidências de que certo medicamento em
investigação acarreta maior comprometimento funcional ou mais
mortes que o tratamento convencional comparado, o Centro
Coordenador da Pesquisa, via de regra, opta pela interrupção do
estudo, ainda que este não tenha sido concluído. Além disso, é
muito comum que os resultados nem venham a ser publicados na
literatura.
Por outro lado, havendo evidência estatística de benefício
superior da droga ou intervenção, mesmo com o estudo ainda em
curso, a regra é interromper o ensaio e tomar tal tratamento como
novo padrão a partir dali.
Nunca é demais lembrar que a ética em pesquisa, também, se
aplica à imparcialidade no que se refere às pessoas envolvidas no
estudo e que podem distorcer os resultados quando interferem no
tão falado e importante processo de randomização.
Conclusão
Os diferentes tipos de estudos têm ou não capacidade de
demonstrar a eficácia de uma nova intervenção relativamente à não-
intervenção ou ao tratamento adotado até então. Pelo que se tentou
demonstrar — ao delinearem seus passos e discutirem sua
validade, os estudos experimentais ou ensaios clínicos
randomizados são mais apropriados para se avaliar essa questão.