Pesquisa na área biomédica: do planejamento à publicação

Teste exato de Fisher

 

O teste exato de Fisher constitui técnica não paramétrica bastante útil à

análise de dados discretos (nominais ou ordinais), quando o tamanho das duas amostras independentes é pequeno. É utilizado quando os escores das duas amostras aleatórias independentes se enquadram em uma ou outra de duas classes mutuamente exclusivas (sim/não, positivo/negativo). Em outras palavras, para cada indivíduo, em ambos os grupos, é atribuído um dentre dois escores possíveis — representados por freqüências em uma tabela de contingência 2 x 2.

Ao se analisar a significância da diferença de mortalidade entre os dois

grupos (Tabela 6.13), pode-se observar que, pelo teste do qui-quadrado, o valor de P foi igual a 0,047; portanto, é significante a diferença da taxa de mortalidade entre os dois grupos. Entretanto, no teste exato de Fisher, verificou-se que o valor de P foi igual a 0,068, ou seja, não existe diferença na taxa de mortalidade entre os dois grupos estudados. Com esse exemplo, ilustra-se a importância da utilização do teste exato de Fisher quando uma das células da tabela de contingência for menor que cinco.

 

TABELA 6.13 — Mortalidade entre pacientes infectados por

MRSA e MSSA no HC–UFU

MORTALIDADE MRSA n = 34 MSSA n = 100

NÃO 30 97

SIM 4 3

MRSA= Staphylococcus aureus resistentes à meticilina

MSSA= Staphylococcus aureus sensíveis à meticilina

 

Cálculos do P:

Qui-quadrado: P = 0,047

Exato de Fisher: P = 0,068

 

Em caso de células com valores superiores a cinco, quando deve ser

usado o qui-quadrado ou o teste exato de Fisher? Em tabelas de contingência 2 x 2, pode-se escolher qualquer um dos testes. Entretanto, o segundo será sempre a melhor escolha porque fornece o valor exato de P. O primeiro é de cálculo mais simples, mas para pequenos números nas células o valor de P é sempre aproximado quando seu calculo é feito em um programa computacional, em geral pela correção de continuidade de Yates — também denominada correção de Yates. Assim, considerando que somente com números grandes os valores de P obtidos pelo qui-quadrado e pelo teste exato de Fisher são similares, recomenda-se evitar o qui-quadrado quando os números na tabela de contingência são pequenos.