Pesquisa na área biomédica: do planejamento à publicação
Conclusão
Embora se evidencie o confundimento (por exemplo, RR não
ajustado = 4,0 e RR ajustado = 1,0), a valorização de tal diferença
não é objetiva — pois não há prova de significância estatística do
confundimento — e deve ser analisada segundo sua relevância
clínica.
No entanto, quando houver interação (por exemplo, RR = estrato 1
5,2 e RR = 2,0), deve-se verificar se essa diferença é estrato 2
estatisticamente significativa por meio da prova de Mantel-Haenszel
Summary Chi-squared proposta no Epi-Info (para p < 0,05).
Em resumo, as principais etapas para se identificarem e se
analisarem as variáveis de confundimento e as variáveis
modificadoras do efeito são:
1. listar as possíveis variáveis interferentes;
2. verificar se a associação é alterada após a estratificação das
amostras segundo as variáveis interferentes;
3. se houver diferença entre o RR ajustado e RR não ajustado, há
confundimento e os resultados devem conter o RR ajustado,
como medida da força de associação entre a variável de
exposição e o efeito observado, eliminando o efeito da variável
de confundimento;
4. se houver diferenças entre RR para as amostras estratificadas,
há interação (que só deve ser valorizada quando é
estatisticamente significativa) e os resultados devem conter o
RR de cada estrato;
5. se houver diferenças significativas entre RR das amostras
estratificadas e entre RR ajustado e não ajustado, há
confundimento e interação, devendo também ser apresentados
apenas o RR de cada estrato.
Conclusão
Estudos epidemiológicos envolvendo causalidade têm grande
importância para o conhecimento das causas de doenças e, por
conseqüência, para uma conduta adequada nas áreas de
prevenção, diagnóstico e tratamento. Os conceitos atuais de causa de doenças são mais abrangentes: consideram não só a causa
única (agente etiológico), mas também causas multifatoriais de
doenças, fatores de risco e efeitos. De qualquer forma, a causa
deve sempre preceder a doença, e uma associação causal ou de
causalidade existe quando há evidências de interação entre fatores
etiológicos e de risco para o desenvolvimento da doença. Além
disso, a eliminação de um desses fatores acarreta potencial redução
da doença.
Fatores de risco compreendem condições necessárias, mas não
suficientes, para causar uma doença particular. Podem ser
genéticos, físicos, químicos, biológicos, sociais ou comportamentais.
Todos podem atuar de maneira a induzir (predisponentes), favorecer
(facilitadores), desencadear (desencadeantes) ou agravar
(agravantes) o desenvolvimento da doença. Qualquer associação
entre fatores de risco e doença para ser considerada causal deve, a
princípio, excluir outras condições (acaso, viés de seleção ou
aferição, fator de confusão) e preencher os seguintes critérios ou
evidências epidemiológicas: relação temporal, consistência,
intensidade, especificidade, relação dose–resposta, reversibilidade,
plausibilidade biológica e analogia.
As associações entre causa e efeito podem ser mensuradas — as
medidas mais utilizadas em epidemiologia são risco relativo (RR),
risco atribuível (RA) e razão de chances (OR: odds ratio). O RR
representa a força da associação entre fator (exposição) e doença
(efeito); o RA representa o excesso de incidência da doença
relacionado com a exposição; o OR representa uma medida de risco
semelhante ao RR para estudos em que não é possível determinar
o coeficiente de incidência (estudos seccionais ou de caso-controle).
Embora esses cálculos estatísticos forneçam dados quantitativos
para se avaliar a causalidade, indicam só a probabilidade de a
associação observada ser causal.
Fatores epidemiológicos e biológicos devem ser analisados em
conjunto para se aumentar o grau de certeza da inferência causal e,
assim, se aplicarem os conhecimentos adquiridos no campo da
prevenção, do diagnóstico e da terapêutica das doenças.