Pesquisa na área biomédica: do planejamento à publicação
Animais e principais doenças transmitidas
Conexão necessária de sistema de exaustores do edifício
FIGURA 4.3 — Cabine de Segurança Biológica classe III: (A) compartimento para
fixação de luvas longas de borracha à cabine; (B) vidraça corrediça; (C) filtro HEPA para
exaustão; (D) filtro HEPA para o suprimento de ar; (E) autoclave dupla saída na
extremidade ou caixa de passagem da cabine.
Obs.: um tanque de imersão química pode ser instalado e deverá ser colocado abaixo
da superfície de trabalho da CSB com o acesso por cima. O sistema de exaustores da
cabine necessita ser conectado a um sistema de exaustores independente.
Fonte: Brasil (2001), com modificações.
A cabine classe III deverá ser conectada a uma autoclave de duas portas e/ou um
tanque de imersão química para esterilizar ou desinfetar os materiais que dela saírem e permitir que nela entrem os estoques. É típica a instalação de várias cabines classe II como um sistema interconectado.
Animais e principais doenças transmitidas
Os quatro níveis de biossegurança acima discutidos também são descritos para
atividades que envolvam doenças infecciosas em animais de experimentação. Essas quatro combinações de práticas, equipamentos de segurança e de instalações são denominadas de níveis de biossegurança animal 1, 2, 3 e 4 e proporcionam níveis crescentes de proteção aos profissionais e ao meio ambiente.
Existem procedimentos básicos de segurança, tanto em laboratório como no campo,
quando se lida com vertebrados. Isso porque esses animais podem representar riscos para quem os manuseia: embora não infectados experimentalmente, podem portar agentes patogênicos — inclusive zoonóticos. Portanto, pesquisador e estagiário devem seguir algumas regras básicas não só para diminuir os riscos, mas também para minimizar o estresse do animal.
Os biotérios devem manter boa qualidade de vida dos animais para estudo e garantir
a limpeza do ambiente de trabalho do pesquisador, o que contribui para evitar doenças. Para isso, os biotérios devem ter as seguintes condições para manutenção:
boa alimentação para as cobaias;
boa iluminação;
ventilação adequada, com exaustores;
limpeza das bancadas e pisos com germicida para eliminar infecção; piso não escorregadio;
lavagem de caixas onde ficam ratos, camundongos ou coelhos periodicamente, trocando as serragens;
lotação adequada dos animais nas caixas segundo a capacidade: caixas pequenas suportam até 10 camundongos, e as caixas grandes, até 20 animais.
Os quadros 4.2 a 4.6 apresentam uma relação de mamíferos e aves potenciais
portadores de doenças que afetam o homem e as respectivas zoonoses que podem transmitir, incluindo nome da doença, agentes e forma de disseminação.
Animal Doença
hospedeiro
Cães Brucelose, leptospirose, pneumonia, tuberculose,
ricketsiose, dermatomicoses, histoplasmose e amebíase
Gatos Dermatomicoses e toxoplasmose
Primatas Pneumonia, shiguelose, tuberculose, encefalites virais, não- hepatite, protozoonoses sangüíneas e amebíase humanos
Suínos Brucelose, colibacilose, tuberculose e dermatomicoses
Caprinos Brucelose
Bovinos Brucelose, coccidiose e tuberculose
Lagomorfos Ricketioses, tularemia e pneumonia
Ovinos Brucelose e colibacilose
Aves Colibacilose, pasteurelose, pseudotuberculose,
tuberculoses, dermatomicoses, clamidiose e psitacose
Roedores Leptospirose, pseudotuberculose, ricketioses, febres
hemorrágicas, coriomeningite linfocitária,
dermatomicoses, protozoonoses sangüíneas e
hantaviroses
QUADRO 4.2 — Animais e respectivas doenças potenciais Fonte: Adaptado de Báo
(2000).
Nome Agente Disseminação
Febre Vírus da febre Contato, alimento contaminado hemorrágica hemorrágica com excretas
Coriomeningite Vírus da Contato, inalação, transmissão linfocitária coriomeningite congênita, cultura de células
linfocitária (LCMV)
Encefalite Herpes simiae Contato, mordedura herpética B
Hepatite A Vírus da hepatite A Contato
Raiva Vírus rábico Contato com saliva
contaminada, mordedura
QUADRO 4.3 — Nome, agente e disseminação das doenças virais Fonte: Adaptado
de Báo (2000).
Nome Agente Disseminação
Ricketsia akari Camundongos Picada
Ricketsia ricketsia Roedores, cães, lagomorfos, ovinos Picada
Ricketsia mosseri Ratos, camundongos Picada
QUADRO 4.4 — Agentes, hospedeiros e disseminação de ricketsioses Fonte:
Adaptado de Báo (2000).
Nome Agente Disseminação
Brucelose Brucella suis, B. canis, B. Contato, ingestão
abortus, B. melitensis
Clamidiose e Chlamydia sp Inalação psitacose
Colibacilose Escherichia coli Ingestão
Leptospirose Leptospira sp Contato com urina,
água
Peste Pasteurella pestis Contato, inalação
Pasteurelose Pasteurella multocida Contato, ingestão
Pneumonia Bordetella bronchiseptica Inalação, contato
Pseudotuberculose Yersinia pseudotuberculosis Contato, ingestão
Febre por mordida Spirilium minus, S. Ingestão, mordida de rato moniliformes de roedores
Salmonelose Salmonela sp Ingestão, inalação,
contato
Shiguelose Shiguela sp Contato,
contaminação por
fezes
Tétano Clostridium tetani Contaminação de
feridas
Tuberculose Micobacterium sp Inalação, ingestão,
contato
Tularemia Francisella tularensis Contato, ingestão
QUADRO 4.5 — Agentes e disseminação de doenças bacterianas Fonte: Adaptado
de Báo (2000).