Pesquisa na área biomédica: do planejamento à publicação
Métodos de biossegurança
O termo “contenção” é usado para descrever os métodos de segurança utilizados na
manipulação de materiais infecciosos em um meio laboratorial onde são manejados ou mantidos. O objetivo da contenção é reduzir ou eliminar a exposição da equipe de um laboratório, de outras pessoas e do meio ambiente em geral aos agentes com potencial patogênico. A contenção primária — proteção da equipe do laboratório e do meio de trabalho contra a exposição aos agentes infecciosos — é proporcionada por uma boa técnica microbiológica e pelo uso de equipamento de segurança adequado e de vacinas, que podem fornecer elevado nível de proteção pessoal. A contenção secundária — proteção do meio ambiente externo ao laboratório contra a exposição aos materiais infecciosos — é proporcionada por um projeto de instalações que prevê as práticas operacionais.
Dessa forma, os três elementos de contenção incluem: 1) prática e técnica
laboratorial; 2) equipamentos de segurança; e 3) projeto e construção das instalações. A avaliação do risco do trabalho a ser realizado com um agente específico determinará a combinação adequada destes três elementos.
1) Prática e técnica laboratorial — O elemento de contenção mais importante é a
adesão rígida às práticas e técnicas microbiológicas padrão. As pessoas que trabalham com agentes infecciosos ou com materiais potencialmente contaminados devem se conscientizar dos possíveis riscos, ser treinadas e estarem aptas a lidar com técnicas e práticas necessárias ao manuseio seguro desses materiais. Cabe ao diretor ou à pessoa responsável pelo laboratório a responsabilidade pelo fornecimento ou pela elaboração de um treinamento adequado ao corpo de funcionários.
Cada laboratório deverá desenvolver ou adotar um manual de biossegurança que
identifique os riscos que serão, ou poderão ser, encontrados e especifique as práticas e os procedimentos para minimizar ou eliminar a exposição a tais perigos. Os funcionários devem receber informações sobre os riscos especiais, bem como ler e seguir as práticas e os procedimentos solicitados. Um pesquisador treinado e com grande conhecimento das técnicas laboratoriais apropriadas, dos procedimentos de segurança e dos perigos associados ao manuseio de agentes infecciosos deve ser o responsável pela condução do trabalho envolvendo agentes ou materiais infecciosos.
Quando as práticas laboratoriais padrões não forem suficientes para controlar os
perigos associados a um agente ou a um procedimento laboratorial em particular, medidas adicionais poderão ser necessárias. O diretor do laboratório será o responsável pela seleção das práticas adicionais de segurança, que devem estar relacionadas com os riscos associados aos agentes ou aos procedimentos. A ação da equipe, as práticas de segurança e as técnicas laboratoriais deverão ser complementadas por um projeto que considere a estrutura físico-arquitetônica, as instalações, os equipamentos de segurança e as práticas de gerenciamento.
2) Equipamentos de segurança (barreiras primárias) — Incluem cabines de
segurança biológica (CSBS), recipientes adequados e outros controles da engenharia de segurança projetados para remover ou minimizar a exposição aos materiais biológicos infecciosos. A CSB é o dispositivo principal utilizado para a contenção de borrifos ou aerossóis infecciosos provocados por numerosos procedimentos microbiológicos.
Três tipos de cabines de segurança biológica (classes I, II e III) utilizados em
laboratórios que manipulam agentes infecciosos serão descritos neste capítulo. As CSBs classes I e II, com a frente aberta, são barreiras primárias que oferecem níveis significativos de proteção para a equipe do laboratório e para o meio ambiente quando utilizadas com boas técnicas microbiológicas. A CSB Classe II também fornece uma proteção dos materiais que serão manipulados dentro das cabines (por exemplo, cultura de células, estoque microbiológico) contra a contaminação externa. A CSB Classe III, hermética e impermeável aos gases, proporciona o mais alto nível de proteção aos funcionários e ao meio ambiente.
Um outro exemplo de barreira primária é o copo de segurança da centrífuga, que é
um recipiente conectado à centrífuga projetado para evitar que aerossóis sejam liberados durante a centrifugação. Para se minimizar esse risco, controles de contenção como as CSBs ou os copos deverão ser utilizados na lida com agentes infecciosos que possam ser transmitidos na exposição aos aerossóis.
O equipamento de segurança também deve incluir itens para a proteção pessoal, tais
como aventais, gorros e luvas; bota, proteção para sapatos; escudo ou protetor facial, máscaras faciais ou óculos de proteção, bem como respiradores. O equipamento de proteção pessoal, com freqüência, é utilizado em combinação com as CSBs e outros dispositivos para contenção de agentes, animais ou materiais que estão sob manipulação. Em alguns casos nos quais se torna impossível trabalhar em capelas de segurança biológica, o equipamento de segurança pessoal deve formar a barreira primária entre os trabalhadores e os materiais infecciosos. Os exemplos incluem certos estudos envolvendo animais, submetidos ou não a necropsias, ou atividades de produção em grande escala do agente infeccioso e atividades relacionadas com manutenção, serviços ou suporte da instalação do laboratório.
3) Projeto e construção das instalações (barreiras secundárias) — O
planejamento e a construção das instalações contribuem para a proteção da equipe do laboratório e proporcionam uma barreira de proteção, para quem se encontra fora do laboratório e para pessoas ou animais da comunidade, contra agentes infecciosos que podem ser liberados pelo laboratório por acidente. A gerência deve ser a responsável por instalações que estejam de acordo com o funcionamento do laboratório e com o nível de biossegurança recomendado para os agentes que forem ali manipulados.
As barreiras secundárias recomendadas dependerão do risco de transmissão dos
agentes específicos. Por exemplo, o risco de exposição para grande parte dos trabalhos laboratoriais em dependências de um nível de biossegurança NB–1 e NB–2 — cujas definições serão discutidas mais adiante neste capítulo — será o contato direto com os agentes ou as exposições inadvertidas através de um ambiente de trabalho contaminado. As barreiras secundárias em tais laboratórios podem incluir isolamento da área de trabalho ao acesso público, disponibilidade de dependência para descontaminação (por exemplo, uma autoclave) e dependências para lavagem das mãos.