Pesquisa na área biomédica: do planejamento à publicação

Um breve histórico

respeito ao princípio imprescindível de primo non nocere (primeiro,

não causar mal), a decisão nem sempre é fácil. Não causar danos

ao indivíduo e ao mesmo tempo conseguir avanços com os

resultados desejados, muitas vezes, é tarefa árdua, cercada de

polêmicas e pormenores.

 

Um breve histórico

 

Vários documentos em diferentes países foram elaborados nos

últimos 50 anos, mais exatamente a partir de 1947, quando há um

marco decisivo na ética em pesquisa com serem humanos: o

Código de Nuremberg. É claro que isso não foi por acaso; havia

uma necessidade imensa de se garantir integridade física e mental

aos seres humanos após as atrocidades impostas aos judeus

concentrados em campos nazistas durante a Segunda Guerra

Mundial.

É verdade que documentos já promulgados buscavam limitar a

ação médica sem intenções bem definidas — como aquele redigido

em Berlim na então Prússia (atual Alemanha), em 1901, intitulado

“Instrução sobre intervenções médicas com objetivos outros que não

diagnóstico, terapêutica ou imunização (Anweisung an die Vorsteher

der Kliniken, Polikliniken under sinstigen Krankenanstakten)”. Em

1931, ainda na Alemanha e também na era pré-Segunda Guerra, foi

estabelecida uma legislação para controlar, com rigor, os

experimentos em seres humanos: “Diretrizes para novas

terapêuticas e pesquisa em seres humanos”. Assim, embora as

experiências no campo de concentração judeu de Auschwitz tenham

trazido avanços para a ciência médica — por mais desumanas,

cruéis e imorais que tenham sido —, a dor humana, mental e

espiritual, a que milhões de inocentes tiveram de ser submetidos

não justifica o fim pretendido e conseguido.

Do ponto vista evolutivo, surgiram documentos em diferentes

partes do mundo ao longo deste tempo; os mais importantes são

listados no Quadro 3.1.