Pesquisa na área biomédica: do planejamento à publicação
Erros potenciais em estudos epidemiológicos
Os estudos de comunidade são apropriados, em particular, ao
estudo de doenças cuja origem reside nas condições sociais dos
indivíduos e que podem ser influenciadas com mais facilidade
diretamente no comportamento do grupo ou do indivíduo — as
doenças cardiovasculares exemplificam bem uma condição
apropriada a estudos de comunidade. Todavia, pode limitar esse tipo
de estudo a impossibilidade de nem todas as comunidades serem
incluídas, porque seria impraticável uma alocação aleatória dos
indivíduos.
Erros potenciais em estudos
epidemiológicos
Há muitas possibilidades de erro em estudos e empregos de
métodos epidemiológicos que levam a conclusões falsas. Como não
podem ser eliminados, deve-se investir na minimização deles e
analisar sua importância. Os erros podem ser classificados em
randômicos (ao acaso) ou sistemáticos (vício).
1. ERRO RANDÔMICO (AO ACASO) é a divergência dos dados
de uma amostra do valor verdadeiro da população em virtude
apenas do acaso.
Há três fontes principais de erros ao acaso: variação biológica
individual, de amostragem e de aferições. A variação biológica
individual sempre ocorre em estudos de uma amostra da população
e leva a determinações nem sempre precisas. Aferições
sistemáticas e cuidadosas de exposição e efeito podem reduzir as
variações individuais e os erros de aferições. Erro de amostragem
ocorre como parte do processo de seleção dos participantes do
estudo, já que representam uma amostra de uma população maior.
Tais erros podem ser minimizados pela utilização de amostras de
tamanho adequado.
O erro ao acaso pode ser do tipo I, ou erro a — ocorre quando se
conclui que existe diferença significativa e, na realidade, ela não
existe; e do tipo II, ou erro β —ocorre quando se conclui que não há
diferença significativa quando, na realidade, ela existe (Quadro 5.4).
Resultado do Resultado real
Estudo Há diferença Não há diferença
significativa significativa
Não há diferença Decisão correta Erro tipo II
significativa (erro β)
Há diferença Erro tipo I (erro α) Decisão Correta
significativa
QUADRO 5.4 — Possibilidades de erros na análise dos
resultados de estudos
A probabilidade de haver o erro á é expressa pelo valor de P, que
representa o nível de significância estatística, ou seja, a
probabilidade aceita pelo pesquisador de se cometer o erro á.
Assim, o valor de á pode ser arbitrariamente fixado em 5%
(probabilidade de a diferença encontrada ter sido ao acaso é menor
que 5%) ou 1% (menor probabilidade de ocorrer o erro á).
Entretanto, quanto menor for o valor de á, maior será a
probabilidade de ocorrer o erro β — a menos que o tamanho da
amostra seja adequadamente aumentado. Portanto, esses três
elementos (tamanho da amostra, erro á e erro β) estão
intrinsecamente relacionados e são influenciados por qualquer
alteração em um dos valores.
Em geral, a probabilidade de ocorrer o erro β não é previamente
estabelecida e referida no texto; mas é quase sempre superior à
probabilidade fixada ou aceitável para o erro á. O erro β pode ser
minimizado aumentando-se o número de casos do estudo e se
vincula ao poder do teste; noutros termos, a probabilidade de os
resultados ou as conclusões do estudo serem verdadeiramente
negativos é maior.
Os erros α e β podem ser também discutidos no contexto dos
testes de hipóteses, por exemplo, no que se refere à aceitação ou
rejeição da hipótese de nulidade (Quadro 5.5) — como será
discutido nos capítulos 6 e 10.