Pesquisa na área biomédica: do planejamento à publicação

Epidemia, pandemia e endemia

exposta ao risco de adquirir tal doença no mesmo período,

multiplicando-se o resultado por potência de 10.

Taxa de Incidência (TI) é definida conforme a seguinte fórmula:

 

Exemplo: Brasil, 2003. Novos casos de AIDS: 5.762. População:

174.606.060.

Taxa de Incidência = (5.762 / 174.606.060) x 100.000

= 3,3 novos casos de AIDS/100.000 hab./ano.

 

Epidemia, pandemia e endemia

 

Epidemia é definida com base na ocorrência, em dada

comunidade ou região, de elevação inesperada no número de casos

de uma doença para aquele lugar e período. Quando uma epidemia

é descrita, o período de tempo, a localização geográfica e as

características do grupo no qual os casos ocorreram devem ser

claramente especificadas. O número de casos indicativo da

presença de uma epidemia varia conforme o agente, o tipo e o

número de habitantes na população exposta, a experiência prévia

ou ausência de exposição à doença e o tempo e o lugar de

ocorrência.

A identificação de uma epidemia também depende da freqüência

usual da doença naquela área para aquele grupo da população

durante o mesmo período do ano. Um número muito pequeno de

casos de uma doença não previamente reconhecida, associada ao

tempo e lugar, pode ser suficiente para se constituir em epidemia. A

Figura 5.2 representa um fluxograma do método de estudo em

epidemia.

FIGURA 5.2 — Fluxograma de um método epidemiológico em

epidemia

 

Dentre os fatores responsáveis por uma epidemia, destacam-se

aqueles relacionados ao agente, ao hospedeiro e ao ambiente.

Considerando-se os fatores relativos ao agente, deve-se levar em

conta a introdução de um novo agente ou da mudança no número

de microorganismos vivos, bem como de mudanças na biologia do

parasito ao interagir com o hospedeiro ou ambiente. Quanto aos

fatores relacionados ao hospedeiro, há de se observarem as

variações nos seus mecanismos de imunidade e sensibilidade às

mudanças na sua densidade populacional e em movimentos

migratórios, bem como às mudanças comportamentais ou de seus

hábitos. Em relação aos fatores do ambiente, há que se

investigarem as variações de temperatura, umidade e chuvas, e

àqueles resultantes de mudanças nas condições socioeconômicas

da população.

 

Quanto à velocidade a partir do estágio inicial, as epidemias

podem ser classificadas em explosivas ou lentas. Denominam-se

explosivas quando a manifestação da doença ocorre em pouco

tempo e acomete quase a totalidade das pessoas atingidas. Assim,

a incidência máxima deve ser alcançada logo após o início da

egressão. Como exemplo desse tipo de epidemia pode-se citar a intoxicação alimentar em dado evento. As epidemias lentas se

referem à baixa velocidade em que se verifica sua incidência

máxima. Nesse caso, a ocorrência é gradualizada e progride

durante um longo tempo. Exemplifica esse tipo de epidemia, dentre

outras doenças, a hanseníase.

 

No que se refere à extensão do intervalo de tempo em que a fonte

produziu seus efeitos, as epidemias podem ser estratificadas em

epidemias de fonte pontual e epidemias de fonte persistente. No

processo de fonte pontual, a exposição se dá durante curto intervalo

de tempo, cessa e não se repete, ou torna essa hipótese

minimizada. Um exemplo desse processo é a exposição a gases

venenosos. No processo epidêmico de fonte persistente, a fonte tem

existência dilatada e se prolonga por um período. O melhor exemplo

é a contaminação da fonte hídrica por Salmonella.

 

Quanto ao espaço geográfico onde se verifica sua abrangência, o

processo epidêmico pode ser classificado em surto ou pandemia.

Surto epidêmico refere-se à ocorrência epidêmica restrita a um

espaço extremamente delimitado, como bairro, colégio, edifício,

quartel, etc. Como exemplo, um surto de febre tifóide em

determinado bairro. Por outro lado, pandemia refere-se a uma

epidemia de grandes proporções que se espalha por vários países e

por mais de um continente. Exemplo: AIDS no mundo.

Ao se aplicar como modelo de estudo o método epidemiológico

em epidemia apresentado na Figura 5.2 na pandemia da AIDS,

pode-se construir para essa situação um fluxograma tal qual o que a

Figura 5.3 representa.

 

FIGURA 5.3 — Fluxograma de um método epidemiológico em

AIDS

 

Relativamente a uma endemia, o número de casos de uma

doença é aquele normalmente presente ou que está dentro dos

valores esperados para determinado lugar ou dada população.

 

Endemia

Presença constante de uma doença em uma população

definida e em uma determinada área geográfica; pode também

se referir à prevalência usual de uma dada doença em um

grupo ou em uma área. Algumas doenças endêmicas podem

eventualmente se manifestar em surtos epidêmicos.

 

Os índices relativos a determinada doença endêmica podem

apresentar diferentes índices de prevalência e incidência, os quais podem ser comparados com outras áreas e populações onde ocorre

a manutenção da infecção (Figura 5.4; Quadro 5.3)

 

FIGURA 5.4 — Mapa físico das áreas endêmicas para

leishmaniose canina visceral no município de Montes Claros, Minas

Gerais, Brasil, em estudo conduzido com o objetivo de caracterizar

diferentes aspectos dessa doença a fim de implementar estratégias

para o controle epidemiológico. Áreas mais claras: menor

endemicidade; áreas mais escuras: maior endemicidade. (escala:

1:200.000).

Fonte: França-Silva et al. (2003).

 

Manutenção da infecção

 

A manutenção da infecção na população está

relacionada em primeiro lugar com a existência de

reservatórios, portadores e hospedeiros susceptíveis.

 

Do ponto de vista epidemiológico, maior sucesso no

controle de doenças pode ser atingido se as

investigações forem dirigidas para o esclarecimento

de como as infecções ocorrem e persistem na

ausência da doença.

 

QUADRO 5.3 — Fatores relacionados a processos endêmicos

 

Modificação nas condições determinantes de uma doença

endêmica — como alterações ambientais, do hospedeiro ou de determinados agentes infecciosos — pode fazer dela uma doença