Pesquisa na área biomédica: do planejamento à publicação

Estudos observacionais

Todo modelo experimental é um estudo comparativo e

prospectivo: formam-se, ao menos, dois grupos de indivíduos com

características semelhantes — esse é um ponto essencial. Se os

grupos diferem desde o início, a avaliação final ficará comprometida.

Para formar grupos com as mesmas características usa-se um

processo aleatório de separação de participantes; aqueles alocados

no grupo experimental são submetidos ou expostos à intervenção

proposta, enquanto os outros recebem tratamento habitual ou

simplesmente placebo e permanecem como controles para termos

de comparação. Todos os participantes são seguidos de modo

semelhante durante algum tempo; quando possível, opta-se por

uma avaliação duplamente cega, em que nem o avaliador nem o

avaliado sabem a que grupo este pertence. Tal procedimento

possibilita evitar a influência involuntária de sugestões ou

impressões tendenciosas de ambos os lados: do pesquisador sobre

o pesquisado e vice-versa.

Essa metodologia pode ser aplicada a comunidades inteiras, em

vez de enfocar indivíduos. Os princípios gerais dos ensaios clínicos

ou comunitários, de natureza preventiva ou curativa, são quase

idênticos — pois adaptá-los a diferentes situações encontradas na

prática exige pequenas variações.

Pode-se constatar com facilidade que poucas pessoas na área da

saúde já participaram de estudos com características de um modelo

experimental. No entanto, muitas já desenvolveram modelos de

estudos do tipo inquérito. Há diversas explicações para isso. Uma é

que problemas inerentes aos modelos experimentais, como os de

natureza ética ou prática, podem torná-los impossíveis ou dificultar a

realização.

 

Estudos Observacionais

 

Os estudos observacionais são aqueles em que a natureza se

encarrega de ditar-lhes o curso; o investigador mensura os

fenômenos que observa, mas não intervém neles. Incluem estudos

que podem ser chamados de descritivos ou analíticos.