Pesquisa na área biomédica: do planejamento à publicação
Pesquisa em animais
ao menos minimizar, dilemas éticos que possam impedir o acesso a
um tratamento equivocadamente desaprovado por algum CEP.
Acrescentem-se a tais documentos aqueles que surgirem após o
início da comercialização de alguma droga testada em todas as
fases de um experimento clínico, mas que traz imensos problemas
por causa de efeitos colaterais não testados ou não previstos e, de
alguma forma, não percebidos durante o estudo.
Pesquisa em animais
Introdução
Desde a antiguidade, modelos animais têm sido utilizados em
pesquisa, como evidenciam os registros de Pitágoras (500 a. C.),
Hipócrates (450 a. C.) e dos anatomistas Herophilus (250 a. C.) e
Erasistratus (240 a. C.), os quais faziam vivissecções de animais
para estudar os órgãos e funcionamento deles. Mais tarde, já no
século XVII, destaca-se a publicação intitulada Exercitatio anatomica
de motu cordis et sanguinis in animalibus, de William Harvey (1638),
que descreve a fisiologia da circulação sanguínea em mais de 80
diferentes espécies de animais.
No entanto, a preocupação com o sofrimento e a proteção dos
animais, embora já existisse na Grécia antiga, só começam a ser
questionadas em 1789, pelo filósofo Jeremy Benthan, onde a
argumentação não é no sentido se eles podem raciocinar, ou então
falar, mas podem eles sofrer?
O uso de animais em pesquisa remonta há milhares de anos, mas
só com Charles Darwin (1859) — e seu estudo sobre a evolução
das espécies animais em A origem das espécies — foi possível
extrapolar dados obtidos em pesquisas com modelos animais para
seres humanos. Logo após, Claude Bernard (1865) — com a
publicação de An introduction to the study of experimental medicine
— enfatizou o uso de animais em pesquisas, pois “seria estranho se
reconhecêssemos o direito de usar os animais para serviços caseiros e alimentação, e proibir o seu uso para o ensino de uma
das ciências mais úteis para a humanidade”.
Em seguida, surgem várias publicações sobre aspectos éticos da
utilização de animais em experimentação científica. A primeira lei a
regulamentar o uso de animais em pesquisa foi proposta no Reino
Unido, em 1876. Em 1909, a Associação Médica Americana lançou
a primeira publicação sobre o tema. Entretanto, só em 1959, Russel
e Burch estabeleceram o princípio dos três “Rs” (replace, reduce e
refine) para a pesquisa em animais:
– refine: refinamento de técnicas utilizadas no manejo dos
animais para diminuir a dor e o sofrimento durante os
experimentos (métodos adequados para analgesia, assepsia e
eutanásia);
– reduce: redução do número de animais utilizados através de
técnicas e abordagens mais apropriadas para esta finalidade e
aplicação de testes estatísticos mais adequados a pequenas
amostras;
– replace: substituição, parcial ou total, dos animais por
métodos alternativos (experimentos in vitro, modelos
matemáticos e simulações por computador).
O princípio dos “3 Rs” é adotado internacionalmente como
necessidade para adequação da pesquisa em modelos animais e
pode ser assim resumido: qualquer técnica que refine um método
existente para diminuir a dor e o desconforto dos animais, que
reduza seu número em um trabalho particular ou que substitua o
uso de uma espécie animal por outra, de categoria inferior na escala
zoológica, ou por métodos computadorizados ou in vitro, deve ser
considerada como método alternativo.
Em dias atuais, os países desenvolvidos e os em
desenvolvimento se interessam e discutem a regulamentação de
suas atividades de pesquisa envolvendo modelos animais, por
causa do uso crescente de animais em pesquisas e, sobretudo, das
condições a que eram submetidos em pesquisas industriais — em
particular, aquelas ligadas a cosméticos e produção de alimentos. Essa questão foi polemicamente debatida por Singer em Animal