Dicionário de Política (Volume 1)

Norberto Bobbio, Nicola Matteucci e Gianfranco Pasquino · Capítulo 60 de 93 · parte 1/3

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Dicionário de Política (Volume 1)

Poder

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.

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do indivíduo A ou do grupo A que procura modificar o o comportamento também seja "livre". No caso, por

comportamento do indivíduo B ou do grupo B em exemplo, do Poder coercitivo, B tem o comportamento quem se concretiza a modificação comportamental desejado por A, só para evitar um mal de ameaça: pretendida por A, abrangendo também o nexo embora o comportamento não seja livre, B executa-o e intercorrente entre os dois comportamentos: um exame por isso é dotado de um mínimo de voluntariedade. Isto

mais detalhado do Poder em ato comporta uma análise permite distinguir entre o exercício do Poder

destes três aspectos do fenômeno. coercitivo e o emprego direto da força ou VIOLÊNCIA

Num primeiro sentido se pode dizer que o (V.). Neste último caso, A não modifica a conduta de

comportamento de A visa a modificar a conduta de B: B, mas modifica diretamente seu estado físico: mata-o, A exerce Poder quando provoca intencionalmente o fere-o, imobiliza-o, aprisiona-o, etc. É sabido que, nas

comportamento de B. O requisito da intenção é relações sociais e políticas, se recorre muitas vezes à

amplamente aceito nos escritos de politologia e força quando não se consegue exercer o Poder. Por

sociologia respeitantes ao Poder. Contudo, alguns outra parte, para se ter Poder, não é necessário que B

autores excluem-no, julgando que se pode falar de tenha intencionalmente o comportamento pretendido

Poder sempre que um dado comportamento provoque por A. A pode provocar um determinado um outro, embora não de maneira intencional. Mas tal comportamento de B sem manifestá-lo explicitamente; definição do Poder parece demasiado ampla. É correto pode até esconder de B que ele deseja esse afirmar que o pai exerce Poder sobre o filho, quando comportamento e sem que B se dê conta de que se está lhe dá, com êxito, uma determinada ordem; mas já não comportando segundo a vontade de A. Isto pode parece tão correto afirmá-lo, quando o filho não verificar-se, por exemplo, em certos casos de

obedece e, em vez disso, se rebela ou abandona a propaganda camuflada. Este tipo de relação, que

família em decorrência da ordem paterna. Neste habitualmente é conhecido pelo nome de segundo caso, é ainda verdade que o comportamento MANIPULAÇÃO (v.), entra, certamente, no âmbito do do pai provoca o comportamento do filho; conceito do Poder. descreveremos todavia esta relação não como um Falemos, enfim, da relação que intermedeia entre o

exercício de Poder do pai sobre o filho, mas como uma comportamento de A e o de B. Para que exista Poder, é tentativa malograda de exercer o Poder. necessário que o comportamento do primeiro

Por outro lado, se pode distinguir uma posição determine o comportamento do segundo, o que se pode

intermédia que estenda a noção do Poder para além da exprimir de outra maneira dizendo que o modificação intencional do comportamento alheio, comportamento de A é causa do comportamento de B. sem por isso se qualificar como Poder qualquer tipo de Deve-se, no entanto, explicar em que sentido é lícito

causalidade social não intencional. O conceito em que usar aqui a noção de "causa". Antes de tudo, quando convém basear este alargamento da noção de Poder é o referida às relações do Poder social, a noção de causa conceito de interesse, tomado em sentido subjetivo, não envolve em si uma perspectiva de determinismo

isto é, como estado da mente de quem exerce o Poder. mecanicista. As relações entre comportamentos são Diremos então que o comportamento de A, que exerce relações prováveis, não relações "necessárias". Por o Poder, pode ser associado, mais que à intenção de isso, neste contexto, o conceito de causa está

determinar o comportamento de B, objeto do Poder, ao desvinculado do conceito de "necessidade", devendo interesse que A tem por tal comportamento. As ser entendido como "causa provável". Em segundo relações de imitação, por exemplo, onde falta a lugar, pelo menos em muitos casos, a noção de Poder

intenção no imitado de se propor como modelo, se social serve para descrever uma determinada relação

incluem em Poder, se a imitação corresponde ao que intermedeia entre dois comportamentos interesse do imitado (como em certas relações entre particulares, sem que isso implique que a relação

pai e filho), mas não se incluem, se à imitação não descrita seja um caso particular de uma lei universal ou

corresponde o interesse do imitado (como pode geral. Em muitos casos, dizer que o comportamento a de acontecer, quando uma senhora vê que uma amiga A é causa do comportamento b de B não implica que imita o seu modo de vestir). todas as vezes que A adota um comportamento do tipo

O comportamento de B, que é sujeito de Poder, é a, este seja seguido de um comportamento do tipo b de

dotado, no mínimo, de voluntariedade. Mas não se diz B, ou que sempre que B adote um comportamento do que B esteja consciente de que deverá agir de acordo tipo b, lhe precede um comportamento do tipo a de A. com a vontade de A. Por um lado, portanto, trata-se de B é induzido por A, por exemplo, a votar no partido um comportamento voluntário. Mas isto não comporta socialista numa determinada disputa eleitoral; mas, nas

necessariamente que eleições seguintes, B

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pode votar no partido liberal, apesar de A tentar levá- a é condição suficiente de um subseqüente lo, mais uma vez, a votar nos socialistas; ou então B comportamento b, é razoável qualificar tal relação pode votar de novo no partido socialista, mas sem a como exercício de Poder, mesmo que a não seja interferência de A nesse sentido. Por conseguinte, condição necessária de b. Com as bombas atômicas de afirmar que, dentro do exercício do Poder, o Hiroshima e Nagasaki, os Estados Unidos exerceram

comportamento de A é causa do comportamento de B, um indubitável Poder sobre o Japão, no sentido de que

é apenas dizer, pelo menos em numerosos tipos de o levaram à rendição (condição suficiente); mas não se

relação, que a e causa de b naquele caso determinado. pode afirmar que, sem essas bombas, o Japão não se

Outras vezes, contudo, um certo uso do Poder pode teria rendido, pois não é possível excluir constituir um caso particular de uma lei ou de uma absolutamente que ele não se houvesse decidido à

uniformidade geral. Isso se pode dizer, por exemplo, em rendição de modo autônomo ou que não fosse

determinadas situações, de uma particular relação de induzido a isso movido por qualquer outro agente (a

mando e obediência que liga ao "Governo" um URSS, por exemplo). Concluindo este ponto, se pode,

membro da sociedade política, pelo menos num dos portanto, afirmar que, na prática do Poder, o

dois sentidos acima referidos: às injunções de tipo a comportamento a é a causa determinante, do Governo é provável, em geral, que se sigam pragmaticamente decisiva, do comportamento b; ou condutas de obediência de tipo b tanto desse como dos seja, é a sua condição "suficiente", não a sua condição

demais membros da sociedade política. "necessária", nem, com maior razão, a sua condição

Com as restrições agora mencionadas, pode-se, "necessária e suficiente".

portanto, afirmar que a relação de Poder constitui um Do fato de existir entre os comportamentos um nexo

certo tipo de causalidade, particularmente um tipo de causai, alguns estudiosos pretendem deduzir também

causalidade social. Mantém-se todavia aberta a questão que a relação do Poder é assimétrica, no sentido de

de como entender, se bem que dentro dos limites que se o comportamento de A é causa do referidos, o conceito de causa. Alguns autores comportamento de B, o comportamento de B não é entendem o nexo causai entre os comportamentos no causa do comportamento de A. Ora, é verdade que sentido de que o comportamento de A é condição muitas relações de Poder possuem esta característica,

necessária do comportamento de B (o comportamento sendo, por conseguinte, unidirecionais; mas existem

de B só ocorre, se ocorrer o comportamento de A). também relações de Poder que se distinguem por um

Outros, considerando demasiado rígida tal maior ou menor grau de reciprocidade. Pensemos, por interpretação, entendem o nexo causai no sentido de exemplo, nas relações de Poder que intermedeiam

que o comportamento de A é condição suficiente do entre dois partidos durante as negociações para a

comportamento de B (se se verifica o comportamento formação de um Governo de coalizão. Cada partido

de A, verifica-se também o de B). Há ainda quem opta usa de diversos meios para influir no comportamento

por uma orientação contrária, pensando que se deveria do outro e no resultado dos entendimentos; mas é

reformular o conceito de Poder equiparando-o à noção claro que não pode deixar de fazer certas concessões

de condição necessária e suficiente (o comportamento (e de suportar, portanto, o Poder do outro partido) para

de B se dá quando e só quando se dá o de A). arrancar também, por sua vez, algumas (e exercer,

Penso, com Oppenheim, que entre estas três noções conseqüentemente, Poder sobre o outro partido).

de causa convém escolher a de condição suficiente, que é a que mais se conforma com a perspectiva provável. III. O PODER POTENCIAL. — O Poder potencial é a Por um lado, um comportamento a que seja condição capacidade de determinar o comportamento dos

necessária, mas não suficiente, de um subseqüente outros. Enquanto o Poder atual é uma relação entre

comportamento b, pode não ser um exercício de comportamentos, o potencial é uma relação entre

Poder. Por exemplo, a inclusão do meu nome nas atitudes para agir. De uma parte, A tem a possibilidade listas eleitorais pelo funcionário comunal para isso de ter um comportamento cujo objetivo é a

designado é uma condição necessária para que eu vote, modificação do comportamento de B. De outra parte, assim como para que eu vote por um certo partido. Mas se esta possibilidade é levada a ato, é provável que B

certamente não se pode dizer que esse funcionário tenha o comportamento em que se concretize a

exerceu Poder sobre mim e isso, atente-se bem, mesmo modificação de conduta pretendida por A. Um chefe no caso em que ele estivesse interessado na vitória militar exerce Poder sobre seus soldados quando eleitoral desse partido: eu, na verdade, poderia votar ordena o ataque e seus soldados executam a ordem. E

em outro partido ou abster-me de votar. Por outro tem Poder sobre eles se é provável que os soldados lado, quando um comportamento atacariam se o comandante ordenasse. Uma vez que

exercer o Poder

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implica necessariamente ter a possibilidade de exercê- pretendido por A — depende, em última análise, da lo, o Poder social, em seu sentido mais amplo, é a escala de valores de B. Se os instrumentos usados capacidade de determinação intencional ou interessada para exercer Poder forem de tipo generalizado dentro

no comportamento dos outros, de um ambiente social, como é o caso do dinheiro,

Quando podemos dizer, de verdade, que tal haverá também uma atitude mais ou menos

capacidade existe? generalizada, naquele âmbito social, para uma pessoa

Antes de tudo, é necessário que A tenha à sua se deixar influenciar em certas esferas de atividade.

disposição recursos que podem ser empregados para Nesta hipótese, se para atingir seus fins A não precisa,

exercer o Poder. Os recursos deste tipo são numerosos: especificamente, do comportamento de B, e não

riqueza, força, informação, conhecimento, prestígio, apenas do comportamento de B (como acontece no legitimidade, popularidade, amizade, assim como caso do mártir e do conspirador), mas do

ligações íntimas com pessoas que têm altas posições comportamento de B ou C ou de D ou de É..., a sua

de Poder. Mas não basta. A capacidade de probabilidade de ter sucesso dependerá da escala de A depende

também da habilidade pessoal de converter em Poder valores que prevalecer no ambiente social em que age.

os recursos à sua disposição. Nem todos os homens Com base nos conceitos desenvolvidos na análise do

ricos têm a mesma habilidade em empregar recursos Poder potencial, podemos individualizar as relações de

econômicos para exercer Poder. Uma favorita pode Poder estabilizado, particularmente importantes na usar a sagacidade com fins de Poder, ao aproveitar seu vida social e política. O Poder diz-se estabilizado

íntimo relacionamento com o monarca, levando quando a uma alta probabilidade de que B realize com vantagem sobre outras que já ocuparam posição continuidade os comportamentos desejados por A,

análoga. Esta habilidade pode dizer respeito à corresponde uma alta probabilidade de que A execute utilização de um determinado recurso ou de vários ações contínuas com o fim de exercer Poder sobre B. O

recursos. E no caso de A ser um grupo, deve ser Poder estabilizado se traduz muitas vezes numa

utilizada a coesão e a coordenação do próprio grupo. relação de comando e obediência. E pode ser ou não

Assim, nas relações internacionais, os Poderes acompanhado de um aparato administrativo com a

recíprocos de dois Governos podem não ser finalidade de executar as ordens dos detentores do

proporcionais aos recursos humanos, econômicos e Poder. E o que acontece, respectivamente, nos casos

militares que os dois Governos têm respectivamente à do Poder governamental e do Poder paterno. Além

disposição, porque um dos Governos é mais disso, o Poder estabilizado pode fundar-se tanto em

habilidoso na utilização de um recurso importante ou características pessoais do detentor de Poder

no emprego combinado de vários recursos, ou então (competência, fascínio, carisma) como na função do

porque um dos dois Governos tem maior grau de detentor do Poder. Quando a relação de Poder

coesão e coordenação mais eficaz. estabilizado se articula numa pluralidade de funções

Por outro lado, o fato de claramente definidas e estavelmente coordenadas entre A ser dotado de recursos e

de habilidades máximas não é suficiente para fazer si, fala-se normalmente de Poder institucionalizado.

que A tenha Poder sobre B. A pode ser riquíssimo e Um Governo, um partido político, uma administração

entretanto não ter Poder sobre o paupérrimo pública, um exército, como norma, agem na sociedade B, em

relação a certos comportamentos, se o segundo não contemporânea com base numa institucionalização do

estiver disposto a ter tais comportamentos a troco de Poder mais ou menos complexa. uma compensação. Analogamente, um homem que

dispõe dos mais poderosos meios de violência não tem IV. O PAPEL DAS PERCEPÇÕES SOCIAIS E

Poder sobre um inerme a respeito de um determinado DAS EXPECTATIVAS. — De tudo o que se disse até comportamento, se o segundo prefere morrer a agora fica evidenciado que o Poder não deriva

assumir tal ou tal comportamento. É o caso do mártir simplesmente da posse ou do uso de certos recursos

que recusa renegar seu Deus, ou o do conspirador que mas também da existência de determinadas atitudes dos

recusa revelar os nomes dos companheiros. Trata-se, sujeitos implicados na relação. Essas atitudes dizem

sem dúvida, de casos de exceção, mas que têm o respeito aos recursos e ao seu emprego e, de maneira

mérito de pôr em evidência que o Poder potencial, tal geral, ao Poder. Entre tais atitudes, devem ser

como o Poder atual, é uma relação entre seres colocadas as percepções e as expectativas que dizem

humanos. Uma relação que se rompe se aos recursos respeito ao Poder, As percepções ou imagens sociais do de A e à sua habilidade em utilizá-los não Poder exercem uma influência sobre fenômenos do corresponder a atitude de B para se deixar influenciar. Poder real. A imagem que um indivíduo ou um grupo

Esta atitude — a probabilidade de B realizar o faz da distribuição do Poder, no âmbito social a que

comportamento

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pertence, contribui para determinar o seu empresários da nação, pode querer dizer que o comportamento, em relação ao Poder. Neste sentido, a Governo tem um grande Poder sobre eles, mas pode

reputação do Poder constitui um possível recurso do significar também, ao contrário, que os empresários

Poder efetivo. A pode exercer um Poder que excede os usufruem de um grande Poder sobre o Governo, pela recursos efetivos que tem à disposição e a sua vontade capacidade que têm de impedir, através do mecanismo

e habilidade em transformá-los em Poder, se aqueles das reações previstas, que sejam tomadas decisões que

que estão debaixo do seu Poder reputam que A tem de ponham em perigo seus interesses. fato mais Poder do que aquele que seus recursos, sua

Não estamos privados, entretanto, de instrumentos

vontade ou sua habilidade mostram. Num confronto ou para desfiar a meada. Em primeiro lugar, podemos numa negociação internacional, se o Governo A acha fazer um mapa dos interesses dos atores do sistema e

que o Governo B tem um Poder maior do que ele, esse procurar identificar, por este processo, as vigas Governo tende naturalmente a sofrer, de fato, um

mestras sobre as quais podem apoiar-se as previsões

maior Poder da parte do Governo B, até nos casos em das reações e as respectivas relações de Poder. Em que uma avaliação correta dos recursos disponíveis, por segundo lugar, deve ter-se presente que a ambigüidade

parte dos dois Governos, pudesse levar a um resultado depende do equilíbrio da situação. Se surgem conflitos mais favorável ao Governo A.

relevantes entre os atores, torna-se possível averiguar a

No que toca às expectativas, deve dizer-se, de uma orientação fundamental da vontade dos mesmos e

maneira geral, que, numa determinada arena de portanto a direção prevalente em que opera o Poder.

Poder, o comportamento de cada ator (partido, grupo

de pressão. Governo, etc.) é determinado parcialmente V. MODOS DE EXERCÍCIO E CONFLITUALIDADE DO pelas previsões do ator relativas às ações futuras dos PODER . — Os modos específicos pelos quais os outros atores e à evolução da situação em seu conjunto. recursos podem ser usados para exercer o Poder, ou

Mas é nas relações de Poder que operam através do seja, os modos de exercício do Poder, são múltiplos:

mecanismo das reações previstas que o papel das da persuasão à manipulação, da ameaça de uma

expectativas se torna mais evidente. punição à promessa de uma recompensa. Alguns

O Poder age de modo previsível quando B modifica autores preferem falar de Poder só quando a

sua conduta de acordo com os desejos de A, não determinação do comportamento alheio se funda sobre

através da intervenção direta de A, mas porque B prevê a coação. Neste sentido, se distingue, às vezes, entre

que A adotaria reações desagradáveis, se ele não Poder e influência. Mas a palavra influência é

modificasse seu comportamento. Naturalmente, para empregada em muitos sentidos diferentes, tanto na

que haja Poder, é necessário que A, embora não linguagem comum, como na linguagem técnica. E são

provoque intencionalmente o comportamento de B, numerosos os casos em que se emprega o termo Poder nutra um interesse por tal comportamento. Por para denotar relações não coercitivas: pode-se falar,

exemplo, um Governo está sujeito ao Poder de certos por exemplo, de um Poder baseado na persuasão. A

setores agrícolas influentes, mesmo sem a intervenção verdade é que neste aspecto, o problema essencial se

direta destes últimos, quando ao programar sua arrisca a tomar-se uma simples questão de palavras.

política agrícola não leva em consideração as reações Para além dos termos empregados, o que importa é

desses setores e faz um planejamento que não prejudica formular uma noção clara da determinação intencional

os interesses dos agricultores. Como já observou Carl ou interessada sobre a conduta alheia e identificar,

(. Friedrich, que. pela primeira vez, pôs em relevo a dentro deste genus, a species particularmente

importância deste aspecto do Poder, o mecanismo das importante da determinação do comportamento alheio

reações previstas constitui habitualmente um fundado sobre a coerção (coação). A coerção pode ser poderoso fator de conservação, uma vez que é muito definida como um alto grau de constrangimento (ou

mais fácil "avaliar e, portanto, conhecer as ameaça de privações). Ela implica que as alternativas

preferências de um indivíduo ou de um grupo no que de comportamento em que B se acha (e que sofre a

diz respeito ao estado das coisas existentes do que coerção) são alteradas pela ameaça de sanções de A

conhecer a sua preferência no respeitante a um (que faz a coerção), de tal modo que o comportamento

possível futuro e eventual estado das coisas". Este que este último deseja do primeiro termina por parecer

modo operacional do Poder torna ambíguas muitas a B como a alternativa menos penosa. É o caso daquele

situações concretas. Por exemplo, o fato de que as que é assaltado e dá a carteira para salvar a vida. No

providências tomadas por um Governo, em matéria conceito de coerção pode incluir-se também um alto

industrial, encontrem notável correspondência no grau de aliciamento (promessa de vantagens).

comportamento dos

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Neste sentido sofre coerção, por exemplo, o indivíduo O caráter antagônico das relações de Poder pode

que, para sair de um estado de extrema indigência, derivar, porém, mais do que do conflito de vontade,

aceita fazer um trabalho perigoso ou degradante. Para acima referido, de outros aspectos do Poder. além da etiqueta terminológica, existe uma diferença Na relação de manipulação, por exemplo, não surge

entre o primeiro e o segundo caso. No primeiro, é o imediatamente um conflito, mas existe, via de regra,

assaltante que coloca o assaltado em situação de ceder um conflito potencial que se torna atual no momento

à ameaça; no segundo, não se diz que seja o aliciante a em que B se der conta de que seu comportamento foi pôr o aliciado em estado de inferioridade que o força manipulado por A. E este conflito pode derivar da ceder à promessa. simples manipulação: do juízo negativo e do

O problema da conflitualidade do Poder está ligado, ressentimento de B em relação à manipulação de A.

ao menos parcialmente, com os modos específicos Também, num nível extremo de aliciamento, a através dos quais se determina o comportamento alheio. conflitualidade da relação pode nascer do fato de B se As relações de Poder são necessariamente de tipo sentir ferido e nutrir ressentimento pela grave antagônico? Do conflito entre a vontade de A e de B desigualdade entre seus recursos e os recursos de A e podemos falar, referindo-nos ao momento em que A também pelo fato de A tirar vantagem desta situação inicia a tentativa de exercer Poder sobre B ou tendo de desigualdade. O ressentimento derivado da em conta o momento em que B executa o desigualdade de recursos é, por isso, juntamente com o comportamento pretendido por A: no momento inicial antagonismo das vontades, a segunda matriz que se ou no momento final do exercício do Poder. Ora, que evidencia na conflitualidade do Poder. Ela pode ser exista um conflito inicial entre a vontade de A e a encontrada também nas relações de manipulação e vontade de B está implícito na definição de Poder: B aliciamento moderado e, de um modo geral, em todas teria agido de maneira diferente daquela com que foi as relações de Poder, particularmente se estabilizadas, induzido a agir por A. C problema que interessa é saber uma vez que toda a forma de Poder é habitualmente a se existe necessariamente um conflito entre a vontade expressão de uma desigualdade de recursos. E quanto de A e a de B, mesmo no momento final. Colocada mais esta é sentida pelo sujeito passivo como um peso assim em termos precisos, a pergunta não pode ter oneroso ou como uma vergonha infamante, tanto mais senão uma resposta negativa: a conflitualidade ou não a relação de Poder tende a criar um antagonismo de conflitualidade depende do modo de exercer o Poder. atitudes e a preparar um conflito aberto. Consideremos, por exemplo, um exercício baseado

sobre a persuasão, de um lado, e um exercício baseado VI. A MENSURAÇÃO DO PODER. — Esclarecido o sobre a ameaça de uma punição, do outro. Em ambos conceito de Poder, podemos aplicá-lo à realidade

os casos, por definição, B teria tido — não havendo social e ver quando existe, de fato, uma relação do

intervenção de A — um comportamento (que chamados Poder. Mas em relação aos fenômenos reais, temos

(a) diferente de (b)) que proviria como conseqüência também necessidade de comparar entre si diversas

de tal intervenção. Mas, no caso do Poder de relações de Poder e de saber se uma relação de Poder

persuasão, B, após a intervenção de A, prefere b a a e, é, ao menos grosso modo, maior ou menor do que

tendo b, se comporta como é de seu agrado se outra. Coloca-se assim o problema da mensuração do comportar. Por outras palavras, B atribui maior valor Poder. ao comportamento que tem depois da intervenção de A Um modo de medir o Poder é o de determinar as

do que ao comportamento que teria tido sem tal diversas dimensões que pode ter o comportamento em

intervenção. Por conseqüência podemos dizer que não causa. Em tal sentido, uma primeira dimensão do

existe conflito de vontade entre A e B. Bem ao Poder é dada pela probabilidade que o comportamento

contrário, no caso do Poder baseado sobre ameaça de desejado se verifique. Quanto mais provável for que B

punição, B, após a intervenção de A, continua a reaja positivamente às ordens e às diretrizes de A,

preferir a a b e tem o segundo comportamento não tanto maior é o Poder de A sobre B. Uma segunda porque o prefira simplesmente ao primeiro, mas dimensão é constituída pelo número dos homens

prefere-o ao primeiro sem a ameaça de punição feita submetidos ao Poder. Existem Poderes que se dirigem a

por A (a-p). Por outras palavras, B atribui menor valor uma só pessoa e Poderes que dizem respeito a

ao comportamento que tem depois da intervenção de A milhares e" até a milhões de pessoas. Existe uma

do que ao comportamento que teria tido na ausência de terceira dimensão que é a esfera do Poder. Com base

tal intervenção. Podemos dizer, por isso, que nesta na escala de valores prevalecentes numa determinada

relação de Poder existe um conflito de vontade entre A cultura, pode-se dizer que um Poder que diz respeito a

e B. uma certa esfera tem um peso maior ou

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menor do que outro que se refere a uma esfera atestado pela longa história e tradição da filosofia

diversa. Por exemplo, na nossa cultura, o Poder de política, e é atestado pelas ciências sociais um bom costureiro sobre a forma de vestir é bem contemporâneas, a partir da análise hoje tomada

menor do que um Poder que diz respeito à vida e à clássica que do Poder fez Max Weber. morte e que pode ser, em certas ocasiões, o próprio Para Weber, as relações de mando e de obediência,

Poder político. Uma quarta dimensão do Poder é dada mais ou menos confirmadas no tempo, e que se

pelo grau de modificação do comportamento de B (ou encontram tipicamente na política, tendem a se basear

de B, C, D. . .) que A pode provocar dentro de uma não só em fundamentos materiais ou no mero hábito

certa esfera de atividades. Por exemplo, dois grupos de obediência dos súditos, mas também e de pressão têm ambos um certo Poder sobre o principalmente num específico fundamento de Governo no campo da instrução pública, mas um deles legitimidade. Deste Poder legítimo, que é muitas vezes

tem condições de influir sobre a política escolar em designado pela palavra AUTORIDADE (V.), Weber maior medida que o outro. especificou três tipos puros: o Poder legal, o Poder

Pode constituir-se ainda uma quinta dimensão a tradicional e o Poder carismático. O Poder legal, que é

partir do grau em que o Poder de A restringe as especificamente característico da sociedade moderna,

alternativas de comportamento que restam abertas funda-se sobre a crença na legitimidade de para B. ordenamentos jurídicos que definem expressamente a

A esta tentativa de mensuração do Poder que função do detentor do Poder. A fonte do Poder é,

concentra sobre a entidade a atenção dos efeitos portanto a lei, à qual ficam sujeitos não apenas aqueles

provocados em B foi objetado que, para medir o Poder que prestam obediência, como são os cidadãos e

de um modo adequado, convém levar em conta, consócios, mas também aquele que manda. O aparelho também, os custos que pesam sobre A, para tentar administrativo do Poder é o da burocracia, com sua

exercer Poder sobre B e também a sua força, que estrutura hierárquica de superiores e de subordinados,

seriam os custos que pesariam sobre B no caso de este na qual as ordens são dadas por funcionários dotados

se recusar a ter o comportamento desejado por de competência específica. O Poder tradicional funda- A. E

não há dúvida de que esta colocação do problema se sobre a crença no caráter sacro do Poder existente

enriquece as possibilidades de mensuração fornecidas "desde sempre". A fonte do Poder é portanto a

pelas dimensões do Poder anteriormente mencionadas. tradição que impõe vínculos aos próprios conteúdos Deve-se acrescentar, finalmente, que foram feitas das ordens que o senhor comunica aos súditos. No

tentativas de elaboração de métodos para a mensuração modelo mais puro do Poder tradicional, o aparelho

da distribuição do Poder dentro de um sistema: de um administrativo é de tipo patriarcal e composto de modo particular para medir a distribuição do Poder servidores ligados pessoalmente ao patrão. O Poder

entre os membros de um Comitê eleitoral, quando a carismático, enfim, está fundado na dedicação afetiva à

decisão depende exclusivamente da própria votação e pessoa do chefe e ao caráter sacro, à força heróica, ao

para medir o grau de concentração de Poder entre os valor exemplar ou ao Poder de espírito e da palavra

participantes de um sistema político. que o distinguem de modo especial. A fonte do Poder

se conecta com o que é novo, com o que não existiu

VII. O PODER NO ESTUDO DA POLÍTICA. — Um nunca, e por isso o Poder tende a não suportar vínculos

dos fenômenos mais difundidos na vida social é predeterminados. Quem comanda é verdadeiramente o

líder (o profeta, o herói guerreiro, o grande

exatamente o do Poder. Pode dizer-se que não existe

demagogo) e aqueles que prestam obediência são os

praticamente relação social na qual não esteja presente,

de qualquer forma, a influência voluntária de um discípulos. O aparelho administrativo é escolhido com

indivíduo ou de um grupo sobre o comportamento de base no carisma e na dedicação pessoal e não constitui,

por isso, nem uma burocracia, nem um corpo de

outro indivíduo ou de outro grupo. Não devemos nos

servidores.

surpreender ao verificar que o conceito de Poder foi

empregado para interpretar os mais diversos aspectos Depois de Weber, o interesse dos estudiosos pelo

da sociedade: desde os pequenos grupos da Poder se acentuou cada vez mais. Particularmente, no

administração de produção e desde a família até às que se refere ao conceito de Poder, surgiu uma das

relações entre as classes sociais. Todavia, o campo em principais correntes que deram vida à ciência política.

que o Poder ganha seu papel mais crucial é o da Esta corrente, que teve seu maior representante em

política; em relação aos fenômenos políticos, o Poder Harold Lasswell, se contrapôs às teorias jurídicas e

tem sido pesquisado e analisado continuamente e com filosóficas precedentes centradas em torno do conceito

a maior riqueza de métodos e de resultados. Isto é de Estado e concentrou a análise política no estudo do

Poder

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como fenômeno empiricamente observável. De uma sobre o conceito de Poder foi realizada por Talcott

parte, Lasswell viu no Poder o elemento distintivo do Parsons. Identificando como função específica do

aspecto político da sociedade e construiu elaborado sistema político no âmbito do funcionamento global da

sistema conceptual para o estudo dos fenômenos do sociedade a "consecução de objetivos" ou a capacidade

Poder no quadro da vida social cm seu conjunto. Por de tornar efetivos os objetivos coletivos, Parsons

outra parte, utilizando conceitos psicanalíticos de define o Poder, no sentido específico de Poder

origem freudiana, Lasswell examinou as relações "político", como a "capacidade geral de assegurar o

existentes entre Poder e personalidade: identificou a cumprimento das obrigações pertinentes dentro de um

personalidade política como sendo a que está orientada sistema de organização coletiva em que as obrigações

predominantemente para a busca do Poder; estudou são legitimadas pela sua coessencialidade aos fins

sua dinâmica de formação, chegando à conclusão de coletivos e portanto podem ser impostas com sanções

que ela se funda numa transferência racionalizada, em negativas, qualquer que seja o agente social que as

termos de interesse público, de impulsos privados aplicar". Nesta perspectiva, o Poder, conservando

reprimidos, para objetos públicos; e analisou o marco embora sua característica relacionai fundamental,

deixado pelos aspectos neuróticos da personalidade torna-se entretanto uma propriedade do sistema; torna-

sobre a participação na vida política e sobre suas se, precisamente, o "meio circulante" político, análogo

diversas formas, como a do agitador e a do à moeda na economia, ancorado por uma parte na

organizador. Destes estudos lasswellianos tomaram institucionalização e na legitimação da autoridade e

impulso as pesquisas sucessivas sobre a personalidade por outra na possibilidade efetiva do recurso à ameaça

autoritária (v. AUTORITARISMO). e, como extrema medida, ao uso da violência.

Atualmente, o Poder é considerado como uma das

variáveis fundamentais, em todos os setores de estudo VIII. MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA. — Um da política. Isto se verifica, por exemplo, na análise das método de pesquisa do Poder que nas investigações

burocracias, e, mais genericamente, na análise das mais recentes foi usado como instrumento secundário é

organizações, onde a estrutura hierárquica mais ou o posicionai. Consiste na identificação das pessoas mais menos acentuada e as diversas formas que ela pode poderosas que têm uma posição formal de cúpula nas

assumir colocam, naturalmente, em primeiro plano, o hierarquias públicas e privadas mais importantes da

fenômeno do Poder. Verifica-se também a comunidade. O maior valor desta técnica de pesquisa é fundamentalidade do Poder no estudo das relações a sua grande simplicidade. Basta saber quem ocupa

internacionais, onde o conceito de Poder, quando não é formalmente certas posições para estabelecer quem

considerado como instrumento privilegiado de detém maior Poder. Mas é também nesta simplicidade

interpretação, fornece, de uma maneira, um critério de que está o defeito fundamental do método. Na verdade,

análise de que não se pode prescindir e verifica-se não foi dito que o Poder efetivo corresponde à posição

também, no estudo dos sistemas políticos nacionais e ocupada formalmente. Dentro das estruturas de Poder

locais, onde o estudo do Poder termina no estudo da formalmente reconhecidas, podem existir, e natureza e composição das elites políticas (v. ELITES, normalmente existem, estruturas informais de Poder

TEORIA DAS) e das relações que existem entre elites e que exercem sobre as primeiras uma influência maior

outros setores da população. Neste último campo ou menor. Por isso, o método não atinge diretamente o

existem pouquíssimas pesquisas empíricas dirigidas Poder. Dá somente um indicador indireto muito

para o estudo da distribuição do Poder, a nível do inadequado e inteiramente insuficiente. Todavia, isso

sistema político nacional. Por outro lado, existem não significa que o método seja inteiramente

numerosas pesquisas voltadas para o estudo da inservível. Ele pode ser usado utilmente, em particular

distribuição do Poder ao nível da comunidade política para averiguação das posições de cúpula entre os

local. A propósito, sociólogos e politólogos, ocupantes dos cargos mais elevados em diversas

especialmente nos Estados Unidos, construíram organizações. Poderá, assim, oferecer elementos muito

técnicas de investigação mais ou menos elaboradas para úteis para identificar a existência de laços mais ou

identificar onde reside, de preferência, o Poder e quem menos orgânicos entre diversas organizações e setores

governa nesta ou naquela cidade. Deveremos recorrer a institucionais. este tipo de estudo para examinar os principais Um outro método de pesquisa, que tem sido usado

métodos de pesquisa empírica do Poder, adotados até principalmente por sociólogos, é o da reputação. Ele agora. se funda essencialmente na avaliação de alguns

Mais recentemente, uma importante tentativa de membros da comunidade estudada, os quais, quer

construir uma teoria política geral fundada pelas funções, quer pelos

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cargos que exercem, são considerados bons decisão, mesmo quando julgados importantes pelo conhecedores da vida política da comunidade. Por pesquisador, não pode reconstruir-se de modo

outras palavras, o pesquisador que adota este método satisfatório a distribuição geral do Poder na

se fia na "reputação" formulada por um certo número comunidade. Isto é ainda mais verdadeiro se

de juizes que previamente considera particularmente considerarmos, como sustenta a segunda crítica, que o

atendíveis. Os poderosos da comunidade são as processo de decisão pública não é todo o Poder, mas

pessoas que os "juizes" reputam como tais. Este apenas uma parte. Quem exerce Poder, na verdade, é

método é relativamente econômico e de fácil quem propugna, com sucesso, uma certa decisão;

aplicação. Ele foi submetido a numerosas e múltiplas exerce Poder quem impede que seja tomada uma

críticas. Mas a mais importante e mais radical objeta decisão proposta, mas também o exerce quem controla

que o método não atinge o Poder efetivo, mas só o de fora todo o processo de decisão e impede, por

Poder reputado. Este último pode corresponder ou não exemplo, que certas decisões sejam propostas ou

corresponder ao Poder real e, enquanto estivermos no tomadas. Por outras palavras, o processo de decisão

âmbito da técnica reputacional, não é possível não tem lugar no vácuo mas num determinado contexto

estabelecer a medida de tal correspondência. organizativo. Ele parte de instituições, de regras de

E desde que as reputações ou as percepções sociais jogo e de valores dominantes que pré-selecionam as

do Poder são uma possível fonte de Poder, o método propostas admissíveis ao processo de decisão e

pode ser utilizado para averiguação desta fonte e, em caracterizam a orientação geral da ação pública. E a

tal caso, deverá ser dirigido não para as "reputações" delimitação e a orientação geral do processo de

de um certo número de juizes, mas para as reputações decisão, por sua vez, se apóiam sobre uma constelação

de indivíduos e grupos que participam mais ou menos de outros centros de Poder, como o econômico e o

ativamente do processo do Poder. Como técnica geral religioso, por exemplo, que condicionam, de modo

para averiguar a distribuição do Poder na comunidade, relativamente estável, o Governo local. Ora estes

o condicionamentos estruturais, que são uma parte método reputacional deve ceder o lugar a outros

instrumentos mais objetivos, que estejam em decisiva do Poder na comunidade, fogem inteiramente

condições de investigar o Poder de forma mais direta. ao método decisional. Estas críticas atingem

A técnica reputacional se abaixa ao nível da técnica de indubitavelmente o alvo e levam à conclusão de que o

reforço e de integração. Neste sentido, ela foi muito método decisional, embora constitua uma técnica

útil para especificar se em que medida existem indispensável para o estudo do Poder que se manifesta

fenômenos de Poder oculto na comunidade, a saber, no processo de decisão, não pode definir, por si só, a relações de Poder que não são abertamente visíveis distribuição geral do Poder. para que se verifiquem nos bastidores da cena da vida Em conclusão: ainda que a fertilidade relativa

pública. destes métodos de pesquisa seja muito diferente,

Um terceiro método de investigação, que foi nenhum dos que foram até agora utilizados conseguiu

empregado especialmente por politólogos, é o averiguar, de modo satisfatório, a distribuição do

decisional. Poder dentro da comunidade ou, de forma geral, Baseia-se sobre a observação e sobre a

reconstrução dos comportamentos efetivos que se dentro de um sistema político, visto em seu conjunto.

manifestam no processo público de decisões. Para Isto parece indicar que, para estudar o Poder

determinar quais sejam as pessoas poderosas, alguns empiricamente, não é necessário utilizar simplesmente

pesquisadores se limitam a considerar a participação um dos métodos mencionados, mas usar um leque

Continuar: parte 2 de 3