Mito e Psicanálise
Páginas iniciais
Introdução
Um importante jornal de Brasília publicou, há algum tem-po, matéria tratando de responder a uma série de dúvidas que comumente temos sobre saúde, alimentação e esporte (por exemplo, se o ovo aumenta o colesterol; se a margarina é melhor que a manteiga, ou se pintas e sinais podem virar câncer). As respostas, todas bastante assertivas e conclusivas, vinham divididas sob duas categorias, ou melhor, dois ve-redictos: mito ou verdade. Assim, as perguntas sobre o ovo e a margarina foram classificadas de “mito”, e a questão sobre pintas e sinais, de “verdade”.
Esse fato cotidiano e simples é ilustrativo de uma ques-
tão que aqui nos interessa de perto: o que se entende por mito? Se tomarmos essa matéria jornalística como parâme-tro, vemos que para o jornal, ou pelo menos para o autor da matéria, opõe-se à verdade, à certeza, à exatidão científica, sendo, portanto, sinônimo de falso, de crença ou supersti-ção, de engano — em suma, de algo que deve ser descartado em prol da razão, de um conhecimento veraz e profundo. Os dois eixos que orientam as respostas podem ser caracte-rizados, sucintamente, da seguinte forma: de um lado, ver-dade, razão, conhecimento; de outro, mito, falsidade, fanta-sia, engano.
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