O Castelo de Vidro
Às vezes, eu sentia
Quando meu trabalho terminava, eu lia as matérias das agências de notícias. Como nunca tínhamos assinado jornais e revistas, eu nunca sabia o que acontecia no mundo, a não ser pela versão distorcida dos fatos que recebíamos de mamãe e papai — na qual todo político era pilantra, todo policial era bandido e todo criminoso havia sido incriminado. Comecei a me sentir como se estivesse recebendo a história completa pela primeira vez, como se tivesse em mãos as peças que faltavam do quebra-cabeça, e assim o mundo fazia um pouco mais de sentido.
ÀS VEZES, EU SENTIA que falhava com Maureen, que não estava mantendo minha promessa de protegê-la, a promessa que lhe fizera quando a embalei de volta para casa do hospital onde havia nascido.
Não conseguia lhe dar o que mais precisava — banhos quentes, tigelas fumegantes de creme de trigo antes da escola de manhã —, mas tentava fazer pequenas coisas. Quando ela fez sete anos, eu disse a Brian e Lori que ela precisava de uma celebração especial de aniversário. Sabíamos que mamãe e papai não lhe dariam presentes, poupamos durante meses, fomos à Dol ar General Store e compramos para ela uma cozinha de brinquedo que era muito real: o agitador na máquina de lavar girava, e a geladeira tinha prateleiras de metal. Imaginamos que, quando estivesse brincando, ela poderia fingir ter, pelo menos, roupas limpas e refeições regulares.
— Conte novamente sobre a Califórnia — pediu Maureen, depois de abrir os presentes. Embora tivesse nascido lá, não conseguia se lembrar. Sempre adorava ouvir nossas histórias sobre a vida no deserto da Califórnia, repetíamos para ela como o sol brilhava o tempo todo, como era tão quente que corríamos descalços mesmo no meio do inverno, como comíamos alface nas fazendas, pegávamos cargas pesadas de uvas verdes e dormíamos sobre cobertores sob as estrelas. Contamos a ela que era loura por ter nascido em um estado onde tanto ouro havia sido minerado e que tinha olhos azuis da cor do oceano que banhava as praias da Califórnia.
— É onde eu vou morar quando crescer — disse Maureen.
Embora ela ansiasse pela Califórnia, o lugar mágico de luz e calor, parecia mais feliz em Welch que o restante de nós, crianças. Ela era uma garota bonita de anúncio, com cabelos louros compridos e olhos azuis impressionantes. Passava tanto tempo com as famílias dos amigos que, com frequência, não parecia ser da nossa família. Muitos de seus amigos eram pentecostais, cujos pais consideravam mamãe e papai lamentavelmente irresponsáveis e se encarregavam de salvar a alma de Maureen. Cuidavam dela como filha postiça e a levavam para reuniões da igreja e cerimônias com cobras em Jolo.
Sob a influência dos pentecostais, Maureen desenvolveu uma forte religiosidade. Foi batizada mais de uma vez, e o tempo todo voltava para casa proclamando ter renascido. Certa vez, insistiu que o diabo assumira a forma de uma cobra mítica com o rabo na boca, que rolara atrás dela pela montanha sibilando que ia levar sua alma. Brian contou a mamãe que precisávamos afastar Maureen daqueles pentecostais malucos, mas mamãe disse que todos chegávamos à religião à própria maneira e todos precisávamos respeitar as práticas religiosas dos outros, considerando que cabia a cada ser humano descobrir seu próprio caminho para o céu.
MAMÃE PODIA SER SÁBIA como um filósofo, mas seu humor estava me dando nos nervos. Às vezes, passava dias seguidos feliz, anunciando que decidira ter apenas pensamentos positivos, pois a quem tinha pensamentos positivos coisas positivas aconteciam. Mas os pensamentos positivos davam lugar a pensamentos negativos, e os pensamentos negativos pareciam penetrar em sua mente como uma grande revoada de corvos pretos domina a paisagem, sentados em árvores, cercas e gramados, olhando para nós em um silêncio soturno. Quando isso acontecia, mamãe se recusava a se levantar da cama, mesmo quando Lucy Jo aparecia para levá-la à escola, buzinando impaciente.
Certa manhã, no final do ano letivo, mamãe desmoronou totalmente. Ela deveria fazer avaliações da evolução dos alunos, mas passou todos os minutos livres pintando, e chegara o prazo final, e as avaliações não haviam sido feitas. O programa de reforço de leitura perderia o financiamento, e a diretora ficaria furiosa ou totalmente infeliz. Mamãe não suportaria encarar a mulher. Lucy Jo, que estivera
esperando por mamãe no Dart, foi embora sem ela, e mamãe ficou enrolada em cobertores no sofá-cama, soluçando sobre quanto odiava a vida.
Papai não estava em casa, nem Maureen. Como era de praxe, Brian começou a imitar mamãe perturbada e soluçando, mas ninguém estava rindo, ele pegou seus livros e saiu de casa. Lori sentou junto a mamãe na cama, tentando consolá-la. Eu fiquei em pé junto à porta com os braços cruzados, olhando para ela.
Era difícil acreditar que aquela mulher com a cabeça sob os cobertores, sentindo pena de si mesma, e chorando como uma criança de cinco anos era minha mãe. Mamãe tinha trinta e oito anos, não era jovem, mas também não era velha. Em vinte e cinco anos, disse a mim mesma, eu teria a idade dela. Não tinha ideia de como a minha vida seria a partir daí, mas, enquanto juntava meus livros escolares e passava pela porta, jurei a mim mesma que nunca seria igual à de mamãe, que não ficaria em lágrimas em um barraco sem aquecimento esquecido por Deus.
Eu descia a rua Lit le Hobart. Havia chovido na noite anterior, e o único som era o gorgolejo da água descendo pelas valas erodidas na encosta. Finos riachos de água enlameada cruzavam a rua, penetrando em meus sapatos e encharcando minhas meias. A sola do sapato direito se soltara e fazia barulho a cada passo.
Lori me alcançou, e por um tempo caminhamos em silêncio.
— Pobre mamãe — disse Lori finalmente. — É duro para ela.
— Não mais duro que para o restante de nós — retruquei.
— É, sim. Foi ela quem se casou com papai.
— Escolha dela. Ela precisa ser mais firme, estabelecer regras para papai em vez de ficar histérica o tempo todo. Papai precisa de uma mulher forte.
— Uma cariátide não seria forte o bastante para papai.
— O que é isso?
— Um pilar com o formato de uma mulher — explicou Lori. — Aqueles que sustentam os templos gregos com a cabeça. Eu estava olhando uma imagem de alguns outro dia e pensando: essas mulheres têm o segundo pior trabalho do mundo.
EU DISCORDAVA DE LORI. Achava que uma mulher forte conseguiria lidar com papai. Ele precisava de alguém concentrado e determinado, alguém que desse ultimatos e os cumprisse. Eu imaginava ser forte o bastante para manter papai na linha. Quando mamãe me disse que eu era muito concentrada foi assustador, sabia que ela não estava fazendo um elogio, mas entendi dessa forma.
Minha chance de provar que papai podia ser controlado chegou naquele verão, ao final do ano letivo. Mamãe tinha de passar oito semanas em Charleston, fazendo cursos universitários para renovar seu diploma de professora. Ou foi o que ela disse. Fiquei pensando se ela estaria buscando um modo de ficar longe de todos nós por algum tempo. Por causa de suas notas e seu portfólio artístico, Lori fora aceita em um acampamento de verão patrocinado pelo governo para alunos com aptidões especiais. Isso me deixava como chefe da casa aos treze anos.
Antes de partir, mamãe me deu duzentos dólares. Disse que era suficiente para comprar comida para mim, Brian e Maureen por dois meses e pagar as contas de água e eletricidade. Fiz as contas. Dava vinte e cinco dólares por semana, ou pouco mais de três e cinquenta por dia. Fiz um orçamento e calculei que poderíamos sobreviver se eu ganhasse algum dinheiro extra, trabalhando como babá.
Na primeira semana, tudo funcionou como planejado. Comprei comida e fiz refeições para mim, Brian e Maureen. Havia se passado quase um ano desde que o homem do juizado de menores nos
assustara e nos levara a limpar a casa, e ela estava novamente uma bagunça completa. Mamãe teria um ataque se eu jogasse algo fora, mas passei horas arrumando e tentando organizar as enormes pilhas de lixo. Papai normalmente ficava fora até estarmos na cama, e ainda dormia quando acordávamos e saíamos de manhã. Mas certa tarde, mais ou menos uma semana depois de mamãe ter ido a Charleston, ele me flagrou sozinha em casa.
— Querida, preciso de algum dinheiro — disse.
— Para quê?
— Cerveja e cigarros.
— Estou com o orçamento meio apertado, papai.
— Não preciso de muito. Só uns cinco dólares.
Aquilo correspondia a dois dias de comida. Meio galão de leite, um pão de fôrma, uma dúzia de ovos, duas latas de peixe, um saquinho de maçãs e um pouco de pipoca. E papai nem sequer me fazia a gentileza de fingir que precisava do dinheiro para algo útil. Tampouco discutiu, argumentou, bajulou ou jogou charme. Simplesmente esperou que lhe desse o dinheiro, como se soubesse que eu não podia dizer não. E não disse. Peguei minha bolsinha de plástico verde, tirei uma nota de cinco amassada e a entreguei a ele lentamente.
— Você é um amor — disse papai, e me deu um beijo.
Eu afastei a cabeça. Dar a ele aquele dinheiro me deixou furiosa. Estava com raiva de mim mesma, mas ainda mais dele. Ele sabia que eu tinha um fraco por ele, que ninguém mais na família tinha, e estava tirando vantagem disso. Eu me senti usada. As garotas na escola sempre falavam sobre como esse ou aquele cara eram manipuladores, e como tal e tal garota foram manipuladas, e naquele momento eu entendi, bem no fundo, o significado daquela palavra.
Quando papai me pediu mais cinco pratas alguns dias depois, dei a ele. Eu me senti enojada ao pensar que agora estava dez dólares fora do orçamento. Em mais alguns dias, ele pediu vinte.
— Vinte dólares? — perguntei, espantada. Eu não podia acreditar que papai estivesse me pressionando dessa forma. — Por que vinte?
— Maldição, desde quando preciso me explicar a meus filhos? — reagiu papai. Depois, disse que havia pegado emprestado o carro de um amigo e precisava colocar gasolina para poder ir a uma reunião de negócios em Gary. — Preciso de dinheiro para ganhar dinheiro. Eu devolverei — falou, olhando para mim, me desafiando a não acreditar nele.
— As contas estão se acumulando — eu disse. Ouvi minha voz ficando aguda, mas não conseguia controlar. — Tenho crianças para alimentar.
— Não se preocupe com comida e contas — disse papai. — Eu me preocupo com isso. Certo?
Coloquei a mão no bolso. Não sabia se estava pegando meu dinheiro ou tentando protegê-lo.
— Eu já a deixei na mão? — perguntou papai.
Eu ouvira aquela pergunta pelo menos duzentas vezes e sempre respondera do modo como sabia que ele desejava, pois achava que era minha fé em papai que o sustentara todos aqueles anos. Estava prestes a lhe dizer a verdade pela primeira vez, prestes a deixar que soubesse que nos deixara na mão muitas vezes, mas me contive. Não podia fazer aquilo. Enquanto isso, papai dizia que não estava me pedindo o dinheiro; estava me dizendo para dar a ele. Precisava dele. Eu achava que ele mentia quando dizia que iria devolver?
Dei a ele os vinte dólares.
NAQUELE SÁBADO, papai me disse que, para me pagar, primeiro precisava ganhar o dinheiro. Queria que o acompanhasse em uma viagem de negócios. Disse que eu precisava vestir algo legal. Examinou nossos vestidos pendurados em um cano no quarto e escolheu o de flores azuis que era abotoado na frente. Ele tinha pegado emprestado um carro, um Plymouth verde-ervilha com a janela do carona quebrada, e cruzamos as montanhas até uma cidade vizinha, parando em um bar de estrada.
O lugar era escuro e tão enevoado por fumaça de cigarro quanto um campo de batalha. Anúncios em néon de cerveja Pabst Blue Ribbon e Old Milwaukee brilhavam nas paredes. Homens emaciados com bochechas fundas e mulheres com batom vermelho-escuro estavam sentados ao longo do bar. Dois caras com botas de biqueira de aço jogavam sinuca.
Papai e eu nos acomodamos no bar. Papai pediu cerveja para ele e para mim, embora eu dissesse que queria uma Sprite. Depois de um tempo, ele foi jogar sinuca, e assim que desceu do banco, um homem chegou e se sentou nele. Tinha um bigode preto curvo nas laterais da boca e sujeira de carvão sob as unhas. Jogou sal na cerveja, o que papai disse que alguns caras faziam para produzir mais espuma.
— Meu nome é Robbie — falou. — Aquele é seu homem? — perguntou, apontando para papai.
— Sou filha dele — respondi.
Ele lambeu a espuma e começou a fazer perguntas sobre mim, inclinando-se mais para perto enquanto falava.
— Quantos anos tem, garota?
— Quantos anos você acha? — retruquei.
— Uns dezessete.
Sorri, colocando a mão sobre os dentes.
— Sabe dançar? — perguntou ele.
Balancei a cabeça.
— Claro que sabe — disse, e me puxou do banco. Olhei para papai, que sorriu e acenou.
Na jukebox, Kit y Wel s cantava sobre homens casados e anjos insinuantes. Robbie se colou em mim, com a mão na base das minhas costas. Dançamos uma segunda música e, quando voltamos a nos sentar nos bancos virados para a mesa de sinuca, as costas para o bar, ele deslizou o braço por trás de mim.
Aquele braço me deixou tensa, mas não inteiramente infeliz. Ninguém flertara comigo desde Bil y Deel, sem contar Kenny Hal .
Ainda assim, eu sabia o que Robbie queria. Ia lhe dizer que não era aquele tipo de garota, mas pensei que ele diria que estava me precipitando. Afinal, a única coisa que ele fizera foi dançar uma música lenta comigo e colocar o braço ao redor de mim. Procurei papai. Esperei que cruzasse o salão e acertasse Robbie com um taco de sinuca por se insinuar para a filha. Em vez disso, ele berrou para Robbie:
— Faça algo útil com as suas malditas mãos. Venha aqui e jogue uma partida comigo!
Eles pediram uísque e passaram giz nos tacos. Papai inicialmente se segurou e perdeu algum dinheiro para Robbie, depois começou a aumentar as apostas e derrotá-lo. Depois de cada jogo, Robbie queria dançar comigo de novo. Isso durou duas horas, com Robbie ficando bêbado e desajeitado, perdendo para papai e me agarrando quando dançávamos ou sentávamos no bar entre as partidas. Tudo o que papai me disse foi:
— Mantenha as pernas cruzadas, querida, e bem cruzadas.
Depois de papai ter arrancado oitenta pratas dele, Robbie começou a murmurar raivosamente consigo mesmo. Ele quebrou o giz de taco, produzindo uma nuvem de pó azul, e perdeu a última tacada.
Jogou o taco na mesa e anunciou que estava farto, depois sentou-se ao meu lado. Seus olhos estavam
desfocados. Continuava repetindo que não podia acreditar que aquele velho cretino havia tomado oitenta pratas dele, como se não pudesse decidir se estava zangado ou impressionado.
Depois disse que morava em um apartamento em cima do bar. Tinha um disco de Roy Acuff, que não estava na jukebox, e quis que eu subisse e o escutasse. Se tudo o que ele queria era dançar um pouco mais e talvez dar alguns beijos, eu poderia lidar com isso. Mas tinha a sensação de que ele se considerava com direito a algo em troca por perder tanto dinheiro.
— Não sei, não — falei.
— Ah, vamos lá — falou, e depois gritou para papai: — Vou levar sua garota lá em cima!
— Certo. Apenas não faça nada que eu não faria — respondeu papai, depois apontou o taco para mim. — Grite se precisar de mim.
Ele piscou como se dissesse que eu podia cuidar de mim mesma, que aquilo era somente parte do meu trabalho.
Então, com a bênção de papai, eu subi. No apartamento, nós passamos por uma cortina feita de lacres de lata de cerveja unidos. Havia dois homens sentados em um sofá assistindo a uma luta na TV.
Quando me viram, deram um sorriso lascivo para Robbie, que colocou o disco de Roy Acuff sem baixar o volume da televisão. Ele grudou em mim e começamos a dançar novamente, mas eu sabia que aquilo não estava indo na direção que queria, e resisti. Ele baixou as mãos. Apertou meu traseiro, me empurrou para a cama e começou a me beijar.
— É isso aí — disse um amigo.
O outro gritou:
— Vamos lá!
— Não sou esse tipo de garota — disse, mas ele me ignorou.
Quando tentei rolar para longe, ele prendeu meus braços. Papai me disse para gritar se precisasse dele, mas eu não queria gritar. Estava com tanta raiva de papai que não suportava a ideia de ele me resgatar. Enquanto isso, Robbie dizia algo sobre eu ser ossuda demais para transar.
— É, a maioria dos caras não gosta de mim. Além de magra, tenho essas cicatrizes.
— Ah, claro — disse ele, e parou.
Rolei para fora da cama, desabotoei rapidamente meu vestido na cintura e o abri para mostrar a cicatriz no lado direito. Assim ele pôde constatar que meu tronco inteiro era uma gigantesca massa de tecido cicatrizado. Robbie olhou para os amigos, inseguro. Foi como ver um buraco em uma cerca.
— Acho que ouvi papai me chamar — disse, e fui para a porta.
NO CARRO, PAPAI tirou o dinheiro que havia ganhado e contou quarenta dólares, que me passou.
— Formamos uma boa equipe — falou.
Senti vontade de jogar o dinheiro nele, mas nós precisávamos dele, e coloquei as notas na bolsa. Não tínhamos enganado Robbie, mas trabalhamos com ele de modo que parecia totalmente desonesto, e eu acabara em apuros. Se Robbie havia sido enganado por papai, eu também havia.
— Chateada com alguma coisa, Cabra-Montesa?
Por um momento pensei em não contar a papai. Tive medo de que corresse sangue, já que ele falava sempre sobre como mataria qualquer um que colocasse um dedo em mim. Depois, decidi que queria ver o cara espancado.
— Papai, aquele cretino me atacou quando estávamos lá em cima.
— Estou certo de que ele só apalpou você um pouco — disse papai enquanto saíamos do estacionamento. — Eu sabia que você saberia se cuidar.
A estrada de volta a Welch estava escura e vazia. O vento assobiava pela janela quebrada do meu lado do Plymouth. Papai acendeu um cigarro.
— Foi como naquela vez em que joguei você na fonte sulfurosa para ensiná-la a nadar. Você estava convencida de que ia se afogar, mas eu sabia que se sairia bem.