O Castelo de Vidro

Jeannette Walls · Capítulo 69 de 71

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O Castelo de Vidro

Duas semanas depois,

Conversamos um pouco sobre os velhos tempos, e finalmente chegou a hora de partir. Eu os beijei e, à porta, me virei para papai mais uma vez.

— Ei — disse ele, piscando e apontando para mim. — Eu já deixei você na mão?

Ele começou a rir, porque sabia que só havia um modo de responder àquela pergunta. Eu apenas sorri. E depois fechei a porta.

DUAS SEMANAS DEPOIS, papai teve um ataque cardíaco. Quando cheguei ao hospital, ele estava em um leito na emergência com os olhos fechados. Mamãe e Lori estavam ao lado dele.

— A essa altura, só as máquinas o mantêm vivo — mamãe disse.

Eu sabia que papai teria odiado aquilo — passar seus últimos momentos em um hospital ligado a máquinas. Teria preferido estar em algum lugar selvagem. Sempre dissera que, quando morresse, deveríamos colocá-lo no alto de uma montanha, para que abutres e coiotes rasgassem seu corpo. Senti uma necessidade louca de pegá-lo e passar correndo pelas portas — uma alta ao estilo Rex Wal s, uma última vez.

Em vez disso, segurei sua mão. Estava quente e pesada. Uma hora depois, eles desligaram as máquinas.

NOS MESES SEGUINTES, eu me vi sempre querendo estar em algum outro lugar. Se estava no trabalho, desejava estar em casa. Se estava no apartamento, mal conseguia esperar para sair dele. Se o táxi que eu pegava ficava preso no trânsito mais de um minuto, eu saltava e andava. Eu me sentia melhor quando em movimento, simplesmente indo a algum lugar em vez de parada. Comecei a patinar no gelo.

Acordava cedo e seguia pelas ruas silenciosas, iluminadas pela alvorada, até o rinque, onde apertava tanto os patins que meus pés latejavam. Gostava do frio anestesiante e até mesmo do golpe de minhas quedas no gelo duro e molhado. As manobras rápidas e repetitivas me distraíam, e às vezes eu voltava para patinar à noite, só retornando para casa quando era tarde, exausta. Demorei algum tempo para me dar conta de que só me movimentar não era suficiente, eu precisava reconsiderar tudo.