O Queijo e os Vermes

Carlo Ginzburg · Capítulo 62 de 62 · parte 3/3

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O Queijo e os Vermes

Notas e abreviaturas

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.

Um culto de base xamanista ... : v. C. Ginzburg, I benandanti , op. cit., p. XII . Voltarei a esse tema num próximo trabalho, mais amplo.

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A Reforma e a difusão da imprensa : sobre a relação entre os dois fenômenos, v. entre as últimas coisas de E. L. Eisenstein, “l’avènement de l’imprimerie et la Réforme”, in Annales : ESC (1971), XXVI : 1355-82.

O salto histórico ... : v. sobre o assunto o ensaio fundamental de J. Goody e J. Watt, “The Consequences of Literacy”, in Comparative Studies in Society and History (1962-63), v: 304-45, que, todavia, curiosamente ignora o corte introduzido pela invenção da imprensa. Sobre as possibilidades de autodidatismo oferecidas por esta última, insiste com justiça E. L. Eisenstein, “The Advent of Printing and the Problem of the Renaissance”, in Past and Present (nov. 1969), 45: 66-8.

A traição ... : v. ACAU , proc. n. 126, f. 27v. Observe-se que, em 1610, o lugar-tenente veneziano A. Grimani prescreveu que todos os processos friulanos nos quais estivessem implicados camponeses deveriam ser escritos em idioma vulgar: v. Leggi , op. cit., p. 166.

O que é que você pensa : v. ibid., proc. n. 285, folhas não numeradas (6 de julho de 1599).

Procurar coisas maiores : v. ibid., proc. n. 126, f. 26v.

29

Deus não pode : v. Fioretto , op. cit., ff. A III v-A IV r.

Muitos lósofos ... : v. Fioretto , op. cit., ff. Cr-v.

Os instrumentos linguísticos e conceituais : utilizo aqui (embora com perspectiva diversa, como já foi dito no Prefácio) a noção de “outillage mental” elaborada por Febvre (v. Le problème de l’incroyance , op. cit., p. 328 ss.).

30

As imagens que brilham no Fioretto: v., por exemplo, pp. 81-2.

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Todos somos lhos : v. ACAU , proc. n. 126, f. 17v.

Tem a mesma consideração : ibid., f. 28r.

Chama todos : ibid., f. 37v.

Faz mal só a si próprio : ibid., f. 21v.

Todavia , além de pai : as duas imagens eram tradicionais: v. K. Thomas, Religion and the Decline of Magic (Londres, 1971), p. 152.

Santíssima majestade : por exemplo, ibid., f. 20r etc.

Grande capitão : ibid., f. 6r.

Quem irá sentar : ibid., f. 35v.

Eu disse que , se Jesus : ibid., f. 16v.

Quanto às indulgências : ibid., f. 29r.

E , como um feitor : ibid., f. 30v.

O Espírito Santo : ibid., f. 34r.

Através dos anjos : ibid.

Assim como alguém : ibid., f. 37r.

Quando ... o querer : ibid.

Carpinteiro : ibid., f. 15v.

Eu acredito : ibid., f. 37r.

Esse Deus : ibid., f. 31v.

Deus único : ibid., f. 29r.

Os anjos : observe-se que, se realmente Menocchio, como se supõe, tivera em mãos o Dante con l’espositioni de Christoforo Landino et d’Alessandro Vellutello , ali pudera ler, entre os comentários de Landino ao canto IX do Inferno : “Menandrianos tomam o nome de Menandro, magus discípulo de Simão. Dizem o mundo não ser feito por Deus, mas pelos anjos” (f. 58v). Um re exo confuso e distorcido dessa passagem parece a orar nas palavras de Menocchio: “Neste livro, Mandavilla me parece que diz que foi Simão, o mago, quem deu forma aos anjos”. Na verdade, Mandeville nem sequer menciona Simão, o mago. Provavelmente esse desvio re etia um momento no qual Menocchio se sentia confuso. Depois de ter dito que suas ideias remontavam à leitura das Viaggi , de Mandeville, de “cinco ou seis anos” antes, ouvira o inquisidor retrucar: “Consta que há trinta anos já possuía tais opiniões” ( ACAU , proc. n. 126, f. 26v). Pressionado, Menocchio tentara sair da situação, atribuindo a Mandeville uma frase que lera em outro lugar — provavelmente muitos anos antes — e mudou rapidamente de assunto. Mas essas são simples conjecturas.

Da mais perfeita : ibid., f. 37r.

As primeiras criaturas : v. Fioretto , op. cit., f. b VIII r.

Vejam , porém : ibid., f. A III v.

Eu acredito que o mundo todo : v. ACAU , proc. n. 126, f. 17r.

32

Quem é esse tal de Deus? : ibid., f. II v.

Quem é que vocês pensam ... : ibid., f. 8r.

O que é o Espírito Santo? : ibid., f. 12r.

Nunca se encontrará ... : ibid., f. 24r.

Se pudesse falar ... : ibid., f. 25r.

Eu disse. .. : ibid., f. 27v.

Tradução italiana ... : v. Stella, Anabattismo e antitrinitarismo , op. cit., p. 7, 135-6.

No centro da primeira obra de Servet : sobre Servet, v. Cantimori, Eretici , op. cit., pp. 36-49; Autour de Michel Servet et de Sébastien Castellion , org. B. Becker (Harlem, 1953); R. H. Bainton, Michel Servet hérétique et martyr (Genebra, 1953).

Minha dúvida é ... : v. ACAU , proc. n. 126, f. 16v.

Eu acredito que seja homem ... : ibid., f. 32r.

Nam per Spiritum ... ( Pois por Espírito ... ): v. M. Servet, De Trinitatis erroribus (Haguenau, 1531), reimpr. Frankfurt am Main, 1965, f. 22r.

Acredito ... : ACAU , proc. n. 126, ff. 16v, 29v, 21v. Para a interpretação do “espírito” da última citação, ver o que foi dito no cap. 36.

Spiritus sanctus ( Espírito Santo ): v. Servet, De Trinitais , op. cit., f. 28v.

Dum de spiritu ... ( Ao falar do Espírito ...): ibid., ff. 60r-v.

Quem é que vocês pensam : ACAU , proc. n. 126, ff. 2r, 5r.

Omne quod ... ( Tudo o que ... ): cf. Servet, De Trinitais , op. cit., ff. 66v-67r, 85v (v. também Cantimori, Eretici , op. cit., p. 43, nota 3).

Quem é que vocês pensam. .. : ACAU , proc. n. 126, ff. 8r, 3r (e 10r, 12v etc.), 2r, 16v, 12r.

Na Itália do século XVI , os escritos de Servet ... : v. a carta do pseudo-Melanchton enviada ao Senado veneziano em 1539 e sobre isso v. K. Benrath, “Notiz über Melanchtons angeblichen Brief an den venetianischen Senat (1539)”, Zeitschrift für Kirchengeschichte , I , 1877, pp. 469-71; o caso do ourives mantovano Ettore Donato, que conhecia o De Trinitatis erroribus em latim e a rmara: “Tinha um estilo que eu não entendia” (Stella, Anabattismo e antitrinitarismo , op. cit., p. 135); sobre a difusão no ambiente modenense, v. J. A. Tedeschi e J. von Henneberg, “Contra Petrum Antonium a Cervia relapsum et Bononiae concrematum”, in Italian Reformation Studies in Honor of Laelius Socinus , org. J. A. Tedeschi (Florença, 1965), p. 252, nota 2.

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É uma traição : ACAU , proc. n. 126, f. IIV .

Acredito que [ os homens ]: ibid., f. 34r.

O demônio : ibid., ff. 38r-v.

Uma religião camponesa : “No mundo dos camponeses não há lugar para a razão, para a religião e para a história. E não há lugar para a religião justamente porque tudo participa da divindade, porque tudo é, realmente e não simbolicamente, divino, o céu como os animais, Cristo como a cabra. Tudo é magia natural. As cerimônias da Igreja também se tornam ritos pagãos, celebrantes da indiferenciada existência das coisas, dos in nitos deuses terrestres do lugar” (C. Levi, Cristo si è fermato a Eboli [Turim, 1946]).

34

Diz-se : ACAU , proc. n. 126, f. 17r.

E então o homem : v. Fioretto , op. cit., ff. B VIII r-v. O grifo é meu.

Quando o homem morre ... : ACAU , proc. n. 126, f. 10v.

Os versos do Eclesiastes: v. Eclesiastes 3:18 ss.: “Dixi in corde meo de liis hominum, ut probaret eos Deus et ostenderet similes esse bestiis. Idcirco unus interitus est hominum et iumentorum, et aequa utriusque conditio. Sicut moritur home, sic et illa moriuntur...” (Eu disse no meu coração acerca dos lhos dos homens, que Deus os provava e lhes mostrava que eram semelhante aos brutos. Por isso uma é a morte dos homens brutos, e de uns e outros é igual a condição: do mesmo modo que morre o homem, assim morrem também os brutos). A esse respeito, lembre-se das acusações dirigidas, dez anos antes, contra o nobre de Pordenone, Alessandro Mantica, depois condenado pelo Santo Ofício como “veementemente suspeito” de heresia (sem que se conhecesse a base da suspeita). Entre elas havia a de ter defendido, baseado nesses versos, a tese da mortalidade da alma. “E atentos para o fato — podia-se ler na sentença, datada de 29 de maio de 1573 — de que o tal Alessandro, sendo uma pessoa letrada, não convinha que dissesse, como o fez mais de uma vez, para pessoas ignorantes ‘quod iumentorum et hominum par esse interitus’ (porque é igual a morte dos homens e dos animais), sugerindo a mortalidade da alma racional...” ( ASV en, Sant’Uf zio , b. 34, fasc. Alessandro Mantica, ff. 21-2r e sentença). Que entre as “pessoas ignorantes” estivesse Menocchio é uma suposição atraente, mas indemonstrável — além do que desnecessária. Nesse período, os Mantica tinham se aparentado com a família Montereale: v. A. Benedetti, Documenti inediti riguardanti due matrimoni fra membri di signori castellani di Spilimbergo e la famiglia Mantica di Pordenone , s. 1., s. d. (mas é Pordenone, 1973).

O que você pensa ... : ACAU , proc. n. 126, f. 18v.

35

O senhor disse : ibid., ff. 20r-v.

36

Panteísta : o termo panteísmo foi cunhado por John Toland, em 1705 (v. P. O. Kristeller, La tradizione classica nel pensiero del Rinascimento , trad. ital. [Florença, 1965], p. 87, nota 5).

Crença popular : v. Ginzburg, I benandanti , op. cit., p. 92.

Fale a verdade : ACAU , proc. n. 126, f. 21r.

Nosso espírito : ibid., f. 20v.

Se acreditava : ibid., ff. 21r-v.

Eu vos digo : ibid., ff. 32r-v.

É separado do homem : ibid., f. 34v.

Dois espíritos : v. em geral, a esse respeito, as decisivas considerações de Febvre, Le problème de l’incroyance , op. cit., pp. 163-94.

37

E é verdade : v. Fioretto , op. cit., ff. B II v-B III r.

Essa distinção : v. também Febvre, Le problème de l’incroyance , op. cit., p. 178, a respeito da distinção formulada por Postel entre animus (em francês, anime ) imortal e anima (em francês, âme ). Observe-se, porém, que para Postel esta última que é ligada ao Espírito, enquanto a anime é iluminada pela mente.

É preciso voltar : v. sobre isso G. H. Williams, The Radical Reformation , op. cit., Índice, sub voce “psychopannychism”; id. “Camillo Renato ( c . 1500?-1575)”, in Italian Reformation Studies , op. cit., p. 106 ss., pp. 169-70, passim; Stella, Dall’anabattismo , op. cit., p. 37-44.

Através da in uência direta de Renato : v. os depoimentos de um seguidor valtellinense de Renato (declarou ter a “mesma fé” que ele), Giovanbattista Tabacchino, amigo do anabatista de Vicenza Jacometto “stringaro”: v. Stella, Anabattismo e antitrinitarismo , op. cit., Índice, sub voce “Tabacchino”. Cai por terra, portanto, a prudente reserva formulada por Rotondò. (V. C. Renato, Opere , documenti e testimonianze , org. A. Rotondò, “Corpus Reformatorum Italicorum” [Florença-Chicago, 1968], p. 324.) Observe-se, porém, que o opúsculo “La revelatione”, mantido manuscrito nos autos inquisitoriais venezianos, e até o momento atribuído a Jacometto “striagaro” (v. Stella, Anabattismo , op. cit., pp. 67-71, que publica longos trechos; C. Ginzburg, I costituti di don Pietro Manel , “Biblioteca del Corpus Reformatorum Italicorum” [Florença-Chicago, 1970], p. 43, n. 22), é, na verdade, obra de Tabacchino: v. ASV en, Sant’Uf zio , b. 158, “liber quartus”, f. 53v. O opúsculo, que era destinado aos companheiros de seita reunidos na Turquia, merece uma análise mais profunda pelas estreitas relações do autor com Renato. Ao último não tinham ainda sido atribuídas doutrinas antitrinitárias (v. Renato, Opere , op. cit., p. 328), enquanto “La revelatione”, de Tabacchino, é explicitamente antitrinitária.

Sustentavam que a anima: v. Stella, Anabattismo e antitrinitarismo , op. cit., p. 61. Os grifos são meus.

Outro inferno : v. C. Ginzburg, I costituti , op. cit., p. 35.

O pároco de Polcenigo : v. ASV en, Sant’Uf zio , b. 44 ( De Melchiori don Daniele ).

Vai-se para o paraíso : ibid., f. 23v etc.

Eu me lembro : ibid., ff. 66r-v.

“ Prédicas ”: cito a edição veneziana de 1589, ff. 46r-v. A primeira edição é de 1562. Sobre Ammiani ou Amiani, que foi secretário da ordem e participou do concílio de Trento, v. o verbete escrito por G. Alberigo, in Dizionario bio gra co degli italiani (Roma, 1960), II : 776-7. Aí está frisada a atitude de Amiani, hostil à controvérsia antiprotestante e favorável, por sua vez, à proposta tradicional, principalmente a patrística. Isso ca evidente mesmo nestes “Discorsi” (depois de alguns poucos anos, outras duas partes foram anexadas), onde a polêmica explícita contra os luteranos é encontrada só no 40 o discurso (“Che cosa habbia fatto il scelerato Luthero con i suoi seguaci”, ff. 51r-v).

Ad per dam ( à pér da ): v. ASV en, Sant’Uf zio , b. 44, f. 80r. A alusão a Wyclif, em uma sentença inquisitorial do período, é absolutamente excepcional.

38

Eu acredito : v. cap. 35.

O lho : ACAU , proc. n. 126, ff. 31v-32r.

Sim , senhores : ibid., f. 32v.

Os lugares : ibid., f 33v.

39

Disse : v. cap. 35.

Eu gosto que se pregue : ibid., f. 28v.

Acredito que sejam boas : ibid., f. 29r.

Porque Deus : ibid., f. 35r.

Eu acredito ... : ibid.

Intelecto ... : ibid., ff. 32r-v.

Os olhos : ibid., f. 35v.

Paraíso é um lugar ... : v. Mandavilla, Qual tratta , op. cit , f. 51r.

Acredita ... : ACAU , proc. n. 126, f 38v.

40

Meu espírito : ibid., f. 30r.

Nas sociedades ... : v. Goody-Watt, The Consequences , op. cit.; L. Graus, “Social Utopias in the Middle Ages”, in Past and Present (dez. 1967), 38: 3-19; E. Hobsbawm, “The Social Function of the Past: Some Questions”, ibid. (maio 1972), 55: 3-17. Sempre útil, M. Halbwachs, Les cadres sociaux de la mémoire (1 a ed., 1925; Paris, 1952).

Quando Adão ... : “When Adam delved Eve span Who was then a gentleman?” é um provérbio famoso do qual se encontram vestígios desde a revolta dos camponeses ingleses de 1381 (v. R. Hilton, Bon Men Made Free : Medieval Peasant Movements and the English Resing of 1381 [Londres, 1973], pp. 222-3).

Igreja primitiva : v., em geral, G. Miccoli, “Ecclesiae primitivae forma”, in Chiesa Gregoriana (Florença, 1966), p. 225 ss.

Gostaria ... : ACAU , proc. n. 126, f. 35r.

A crise do etnocentrismo ... : v. Landucci, I loso , op. cit.; W. Kaegi, “Voltaire e la disgregazione della concezione cristiana della storia”, in Meditazioni storiche , trad. ital. (Bati, 1960), pp. 216-38.

Martinho , conhecido como Lutero : v. Foresti, Supplementum , op. cit., ff. CCCLVR -v (mas a numeração está errada).

41

Mantido ... : ACAU , proc. n. 132, declaração do pároco Odorico Vorai, 15 de fevereiro de 1584.

Nas tavernas : ibid., proc. n. 126, f. 9r.

Criticado e falado mal ... : ibid., e v. ff. 7v, II r etc.

Ele me dá ... : ibid., proc. n. 132, folhas não numeradas (depoimento de 18 de fevereiro de 1584).

Fazer ... : ibid., proc. n. 126, f. 13v.

Este aqui ... : ibid., f. 10v.

Disse tais coisas ... : ibid., f. 12v.

Quando disse ... : ibid., proc. n. 132, folhas não numeradas (depoimento de 25 de abril de 1584).

Que Deus os guarde ... : ibid., proc. n. 126, f. 27v.

Naquela tarde : ibid., ff. 23v-24r.

Se tornar bandido : v. E. J. Hobsbawm, I banditi , trad. ital. (Turim, 1971).

Uma geração antes ... : v. cap. 7 (Introdução).

42

Começa ... : ACAU , proc. n. 126, f. 34v.

Superioribus ... ( Alguns anos ...): Mundus novus , s. c., s. d. (1500?), folhas não numeradas. O grifo é meu.

Numa carta ... a Martim Butzer ... : v. Opus epistolarum Des. Erasmi ... org. P. S. Allen (Oxford, 1928), VII : 232-3.

Capitolo ... : encontra-se em apêndice à Begola contra la bizaria (Modena, s. d.) (uso o exemplar conservado pela Biblioteca Comunale dell’ Archiginnasio, Bolonha, assinalado 8. Lett. it., Poesie varie , caps. XVII , n. 43). Não consegui identi car o tipógrafo. V. R. Ronchetti Bassi, Carattere popolare della stampa in Modena nei secoli XV-XVI-XVII (Modena, 1950).

País da Cocanha : v. Graus, Social Utopias , op. cit., p. 7 ss., que, todavia, não valoriza a importância da difusão deste tema e suas ressonâncias populares. Em geral, v. Bakhtin, L’oeuvre de François Rabelais , op. cit., passim. (Note-se de passagem que no “nouveau monde” que o autor imagina descobrir pela boca de Pantagruel existe um re exo da Cocanha, que foi revelado por E. Auerbach, Mimesis . Il realismo nella letteratura occidentale , trad. ital. [Turim, 1970], II : 3 ss., especialmente p. 9.) Para a Itália, sempre fundamental, v. Rossi, Il paese di Cuccagna nella letteratura italiana , em apêndice a Le lettere di messer Andrea Calmo (Turim, 1888), pp. 398-410. Algumas indicações úteis no ensaio de G. Cocchiara, na coletânea homônima Il paese di Cuccagna (Turim, 1956), p. 159 ss. Para a França, v. A. Huon, “‘Le roy Sainct Panigon’ dans l’imagerie populaire du XVI e siècle”, in François Rabelais . Ouvrage publié pour le quatrième centenaire de sa mort ( 1553-1953 ) (Genebra-Lille, 1953), pp. 210-25. Em geral, v. E. M. Ackermann, “ Das Schlaraffenland ” in German Literature and Folk song ... with an Inquiry into its History in European Literature (Chicago, 1944).

Esses elementos ... : nisso insiste, por exemplo, o ensaio citado de Cocchiara, sem, entretanto, ligá-los às descrições dos indígenas americanos (sobre a ausência da propriedade privada, v. R. Romeo, Le scoperte americane nella coscienza italiana del Cinquecento [Milão-Nápoles, 1971], p. 12 ss.). Uma leve indicação dessa ligação in Ackermann, “ Das Schlaraffenland ”, op. cit., p. 82 e principalmente 102.

Não apenas os temas sérios ... : proibidos: poder-se-ia recorrer aos comentários de Freud sobre chistes contra “instituições [...] proposições da moral ou da religião, concepções de vida que gozam de tamanho respeito que uma objeção a elas só pode ser feita recobrindo-a sob a forma do chiste...” (v. o comentário de F. Orlando, Per una teoria freudiana della letteratura [Turim, 1973], p. 46 ss.). No decorrer do século XVII , a Utopia de Thomas More é incorporada a coletâneas de paradoxos frívolos ou humorísticos.

Anton Francesco Doni : v. P. F. Grendler, Critics of the ltalian World ( 1530-1560 ): Anton Francesco Doni , Nicolò Franco and Ortensio Lando (Wisconsin, 1969). Usei a edição do Mondi , de 1562 ( Mondi celesti, terrestri et infernali de gli academici pellegrini ...): o diálogo sobre o Mondo nuovo encontra-se nas pp. 172-84.

Utopia ... não é camponesa : v. Graus, “Social Utopias”, op. cit., p. 7, que a rma que o cenário da Cocanha não é jamais urbano. Parece que a Historia nuova della città di Cuccagna é uma exceção; foi impressa em Siena, por volta do nal do século XV , citada por Rossi ( Le lettere , op. cit., p. 399); infelizmente não consegui encontrar tal texto.

Me agrada : v. Doni, Mondi , op. cit., p. 179.

O antigo mito da idade do ouro : v. A. O. Lovejoy e G. Boas, Primitivism and Related Ideas in Antiquity (Baltimore, 1935); H. Levin, The Myth of the Golden Age in the Renaissance (Londres, 1969), e H. Kamen, “Golden Age, Iron Age: A Con ict of Concepts in the Renaissance”, in the Journal of Medieval and Renaissance Studies (1974), 4: 135-55.

Um mundo novo diverso : v. Doni, Mondi , op. cit., p. 173.

Podia ser projetado no tempo : para essa distinção, v. N. Frye, “Varieties of Literary Utopias”, in Utopias and Utopian Thought , org. F. E. Manuel (Cambridge, Mass., 1966), p. 28.

... e dos bens : v. Doni, Mondi , op. cit., p. 176: “Tudo era comum, os camponeses se vestiam como os da cidade. Cada um levava o fruto do seu trabalho e se apossava do que tivesse necessidade. Não precisava vender, revender, comprar”.

Alusões do Supplementum: v. Foresti, Supplementum , op. cit., ff. CCCXXXIXV-CCCXLR .

Por ter lido ...: v. ACAU , proc. n. 126, f. 34r.

“ Mundo novo ” citadino : sobre o signi cado da utopia urbana de Doni, v. as páginas, muito super ciais, de G. Simoncini, Città e società nel Rinascimento (Turim, 1974), I : 271-3 e passim.

A religião privada de ritos ... : v. Grendler, Critics , op. cit., pp. 175-6 (mais em geral, p. 127 ss.). As observações de Grendler não são sempre convincentes: por exemplo, falar de “materialismo” até certo ponto explícito em se tratando de Doni é forçar demais. (V., além disso, hesitações signi cativas às p. 135 e 176.) De qualquer modo, as inquietações religiosas de Doni não deixam dúvidas. Mas parece que A. Tenenti não as percebeu — “L’Utopia nel Rinascimento (1450-1550)”, in Studi storici (1966), VII : 689-707, que fala, referindo-se ao “mundo novo”, de “teocracia ideal” (p. 697).

Conhecer Deus : v. Doni, Mondi , op. cit., p. 184. Grendler (p. 176) fala de “orthodox religious coda”: na verdade, essas palavras vão contra a religião simpli cada veementemente defendida por Doni. V. também ACAU , proc. n. 126, f. 28r.

Seu jejum : ibid., f. 35r.

“ Lamento ”... : Lamento de uno poveretto huomo sopra la carestia , con l’universale allegrezza dell’abondantia , dolcissimo intertenimento de spiriti galanti , s. c., s. d. (consultei o exemplar conservado na Biblioteca Comunale dell’Archiginnasio, Bolonha, assinalado 8. Lett. it., Poesie varie , caps. XVIII , n. 40).

Quaresma e carnaval : sobre a visão cíclica implícita nas utopias populares insiste Bakhtin (v. L’oeuvre de François Rabelais , op. cit., p. 211, e passim). Ao mesmo tempo, porém, atribui contraditoriamente um valor de ruptura irreversível com o “velho” mundo feudal à concepção de mundo carnavalesca do Renascimento: v. p. 215, 256, 273-4, 392. Essa sobreposição de um tempo unilateral e progressivo a um tempo cíclico e estático revela o quanto se forçam as características subversivas da cultura popular — que é o aspecto mais discutível desse livro, que, apesar de tudo, continua sendo básico. V. também P. Camporesi, “Carnevale, cuccagna e giuochi di villa (Analisi e documenti)”, in Studi e problemi di critica testuale (abr. 1975), 10: 57 ss.

Raízes populares das utopias : v. ibid., p. 17, 20-1, 98-103, e passim (v. também a nota precedente). O problema é colocado no caso de Campanella por L. Firpo, “La cité idéale de Campanella et le culte du Soleil”, in Le soleil à la Renaissance : Sciences et mythes (Bruxelas, 1965), p. 331.

Muito velho : v. Bakhtin, L’oeuvre de François Rabelais , op. cit., pp. 89-90.

Renascença : v. ibid., p. 218, 462, e sobretudo G. B. Ladner, “Vegetation Symbolism and the Concept of Renaissance”, in De artibus opuscula XL : Essays in Honor of Erwin Panofsky , org. M. Meiss (Nova York, 1961), I : 303-22. V. também id., The Idea of Reform : Its Impact on Christian Thought and Action in the Age of the Fathers (Cambridge, Mass., 1959). Sempre importante, K. Burdach, Riforma-Rinascimento-Umanesimo , trad. ital. (Florença, 1935), pp. 3-71.

Não o Filho do Homem ... : v. Daniel 7:13 ss. Trata-se de um dos textos fundamentais da literatura milenarista.

43

Uma longa carta ... : ACAU , proc. n. 126, folhas não numeradas.

Inutilmente pedida ... : cf. acima, p. 49.

45

Os transmontanos ... : v. M. Scalzini, Il secretario (Veneza, 1587), f. 39.

Dom Curzio Cellina : v. fasc. de escrituras notariais por ele redigidas in ASP , Notarile , b. 488, n. 3785.

p. 143 Aliterações : v. P. Valesio, Strutture dell’alliterazione : Grammatica , retorica e folklore verbale (Bolonha, 1967), particularmente p. 186 (sobre a aliteração na linguagem religiosa).

Dissera no processo ... : ACAU , proc. n. 126, f. 34v.

46

A sentença : ibid., “Sententiarum contra reos S. Of cii liber II ”, ff. I r- XIV . A abjuração se encontra em ff. 23r-34r.

No Supplementum... : v. ff. CLIIIV - CLIV r, CLVII r.

47

Embora eu ... : ACAU , “Sententiarum contra reos S. Of cii liber II ”, f. 12r.

O carcereiro ... : ibid., ff. 15r-v.

... mandaram trazer Menocchio : ibid., ff. 16r-v.

O bispo de Concórdia ... : ibid., ff. 16v-17r.

48

Em 1590 ... : ACAU , “Visitationum Personalium anni 1593 usque ad annum 1597”, pp. 156-7.

Um testemunho do mesmo período ... : ASP , Notarile , b. 488, n. 3785, ff. Ir-2v.

No mesmo ano ... : ibid., ff. 6r-v.

Em 1595 ... : ibid., ff. bv., 17v.

... com a morte do lho : ACAU , proc. n. 285, folhas não numeradas.

49

No carnaval ... : ibid. As folhas deste processo não são numeradas.

Beati qui non viderunt ... : João, 20:29.

Soube que dom Odorico ...: v. ACAU , proc. n. 285, folhas não numeradas (11 de novembro de 1598, depoimento de dom Ottavio dos condes de Montereale).

Interrogou o novo pároco : ibid. (17 de dezembro de 1598).

Dom Curzio Cellina : ibid.

50

Um certo Simon : ibid. (3 de agosto de 1599).

Talvez tenha sido a recusa ... : v. Stella, Anabattismo e antitrinitarismo , op. cit., p. 29, e id., “Guido da Fano eretico del secolo XVI al servizio dei re d’Inghilterra”, in Rivista di storia della Chiesa in Italia ( 1959 ), VIII : 226.

51

Um taverneiro ... foi interrogado : v. ACAU , proc. n. 285, folhas não numeradas (6 de maio de 1599).

Se Cristo fosse Deus ... : trata-se de uma frase blasfema corrente, como se pode observar, por exemplo, pela testemunha de 1599 contra Antonio Scudellario, conhecido por Fornasier, que morava nas proximidades de Valvasone ( ACAU , “Anno integro de 1599, a n. 341 usque ad 404 incl.”, proc. n. 361).

Mesma observação jocosa : v. A. Boscchi, Symbolicarum quaestionum... libri quinque (Bolonha, 1555), ff. LXXX-LXXXI . A tal símbolo voltarei em outra ocasião.

Acredito que tivesse ... : ACAU , proc. n. 285, folhas não numeradas (6 de julho de 1599).

52

Eductus ( retirado )... : ibid. (12 de julho de 1599).

Dei aula de ábaco : correspondia ao grau mais elementar de ensino. Sobre esse episódio da vida de Menocchio não temos infelizmente mais notícias.

No Supplementum... : não consigo encontrar a página exata; v., em todo caso, Foresti, Supplementum , op. cit., ff. 180r-v.

53

Era melhor simular ... : v. C. Ginzburg, Il nicodemismo . Simulazione e dissimulazione religiosa nell’Europa del ’500 (Turim, 1970).

Nous sommes Chrestiens ... :v. M. de Montaigne, Essais , org. A. Thibaudet (Paris, 1950), p. 489 (livro II , cap. XII , Apologie de Raimond Sebond ).

Ao inquisidor declarou ... : v. ACAU , proc. n. 285, folhas não numeradas (19 de julho de 1599).

Ele disse , continue ... : v. L’Alcorano di Maometto , nel qual si contiene la dottrina , la vit a, i costumi et le leggi sue, tradotto nuovamente dall’arabo in língua italiana (Veneza, 1547), f. 19r.

Raciocinando muito pouco : v. ACAU , proc. n. 285 (12 de julho de 1599).

Em seguida : ibid. (19 de julho de 1599).

É verdade que os inquisidores : ibid. (12 de julho de 1599).

54

Em nome ... : ibid., folhas não numeradas.

55

Fez justamente ... : a personalização abre uma brecha sobre as atitudes das classes populares do período relativamente à morte — atitudes que conhecemos ainda muito pouco. De fato, os raros testemunhos a respeito aparecem quase sempre ltrados por estereótipos deformantes: v., como exemplo, a citação in Mourir autrefois , org. M. Vovelle (Paris, 1974), pp. 100-2.

56

Eu não quero ... : ACAU , proc. n. 285, folhas não numeradas (19 de julho de 1599).

57

... ser torturado : em geral, v. P. Fiorelli, La tortura giudiziaria nel diritto comune (Milão, 1953-54), 2 v.

O aborrecimento ... : v. Stella, Chiesa e Stato , op. cit., pp. 290-1. A declaração de Bolognetti é de 1581.

58

Homens ... : v. C. Ginzburg, “Folklore”, op. cit., p. 658. Para casos análogos na Inglaterra, v. Thomas, Religion , op. cit., p. 159 ss.

O velho camponês inglês ...: ibid., p. 163, e o comentário de Thompson, “Anthropology”, op. cit., p. 43, aqui quase reproduzido literalmente. Sobre o papel ativo, até mesmo inovador, das classes populares no que se refere à religião, v. o trabalho de N. Z. Davis, que polemiza com aqueles que estudam a religião popular do ponto de vista das classes superiores (ou até mesmo do clero) e vendo-a, portanto, unicamente como simpli cação ou distorção (com sentido de magia) da religião o cial: v. N. Z. Davis, “Some Tasks and Themes in the Study of Popular Religion”, in The Pursuit of Holiness in Late Medieval and Renaissance Religion , org. C. Trinkaus e H. A. Oberman (Leiden, 1974), p. 307 ss. Num plano mais geral, v. o que foi dito no Prefácio sobre as discussões do conceito de “cultura popular”.

Scolio : v. o belo ensaio de E. Donadoni, “Di uno sconosciuto poema eretico della seconda metà dei Cinquecento di aurore lucchese”, in Studi di letteratura italiana (1900), II : 1-142, pecando pela insistência em estabelecer nexos diretos entre o poema de Scolio e as doutrinas anabatistas. Berengo, retomando tal ensaio (v. Nobili e mercanti , op. cit., p. 450 ss.), atenuou as conclusões, embora não as tivesse afastado totalmente: por um lado, a rmou que “seria estéril esforçar-se para situar este texto no âmbito de uma corrente religiosa bem de nida” e, por outro, ligou Scolio ao veio do “racionalismo popular”. Deixando de lado as reservas quanto a essas expressões (v. penúltima nota do cap. 9), a ligação nos parece inaceitável. Sobre o autor, v. a sugestiva hipótese de Donadoni, que propõe a identi cação de “Scolio” com o queijeiro Giovan Pietro di Dezza, obrigado a abjurar em 1559 (“Di uno sconosciuto”, op. cit., pp. 13-4). A redação do poema, como advertiu o autor na última página, levou sete anos (por isso, “Settennario”), a partir de 1563. Para concluí-lo, mais três anos.

Re exos da poesia de Dante : além da remissão direta a Dante ( BGL , ms. n. 1271, f. 9r), observar versos como “Está sobre a escada a alma de Beatriz” (ib.) ou “que estavam ainda em terra no calor e no frio” (v. Paradiso XXI , 116). E ver Donadoni, “Di uno sconosciuto”, op. cit., p. 4.

Profetas : BGL , ms. n. 1271, f. 10r.

Maomé : ibid., f. 4v. (e Donadoni, “Di uno sconoscito”, op. cit., p. 21). Na última página do poema, Scolio inseriu uma ambígua retratação: “porque quando o escrevi estava fora da minha razão, forçado a escrever. Estava cego, mudo e surdo e como aconteceu não me lembro bem” (ibid., p. 2). As correções e as anotações marginais feitas à maioria dos trechos citados aqui são fruto de tal retratação.

Turco , tu ... : BGL , ms. n. 1271, f. 10r (E. Donadoni, “Di uno sconosciuto”, op. cit., p. 28).

Grandes preceitos : BGL , ms. n. 1271, f. 10r.

Não se adore ... : ibid., f. 19r (E. Donadoni, “Di uno sconosciuto”, op. cit., p. 130 ss.).

Circuncise-se : BGL , ms. n. 1271, f. 15r (E. Donadoni, “Di uno sconosciuto”, op. cit., p. 90).

“ E se eu lhes disse ”: BGL , ms. n. 1271, f. 2r (E. Donadoni, “Di uno sconosciuto”, op. cit., p. 120).

O meu batismo ... : BGL , ms. n. 1271, f. 2r.

Glosa ... : BGL , ms. n. 1271, f. 10r.

Que não haja colunas ... : v. ibid., f. 15r (no texto, ma organi... ma campanil : sigo as emendas de Donadoni, “Di uno sconosciuto”, op. cit., pp. 94-5).

Inchada ... : BGL , ms. n. 1271, f. I r.

Se o Senhor meu ... : ibid., f. 16r.

Não existam ... : v. ibid., f. 13r (E. Donadoni, “Di uno sconosciuto”, op. cit., p. 99).

Que o jogo ... : BGL , ms. n. 1271, f. 13r (e, em parte, Donadoni, “Di uno sconosciuto”, op. cit., p. 97).

Idade do ouro : v. Donadoni, “Di uno sconosciuto”, op. cit., p. 34.

Em mãos ... : BGL , ms. n. 1271, f. 14r.

Homem ou mulher ... : v. Donadoni, “Di uno sconosciuto”, op. cit., pp. 102-97.

Só é lícito ... : BGL , ms. n. 1271, f. 19r.

Deus me levou : ibid., f. 4r.

Esse paraíso : v. Donadoni, “Di uno sconosciuto”, op. cit., pp. 128-30. A consciência de Scolio transparece numa nota acrescentada posteriormente, à margem de uma das descrições do paraíso: “Eu, sendo o profeta e rei dos loucos, fui trazido ao grande paraíso dos loucos, dos tolos, dos torpes e estúpidos, no paraíso das delícias ou dos asnos e pareceu-me ver todas essas coisas: mas, acima de tudo, deixo isso a seu julgamento”. Trata-se, mais uma vez, de uma retratação ambígua e sem convicção, o que na verdade con rma quanto o mito da Cocanha impregnava a mente dos camponeses. O “paraíso das delícias” ou “delicioso” era sinônimo do paraíso terrestre. Para os nexos possíveis entre o paraíso maometano e o da Cocanha, v. também Ackermann, “ Das Schlaraffenland ”, op. cit., p. 106. (Has são asnos e não “Urini”, como erroneamente leu Donadoni, “Di uno sconosciuto”, op. cit., p. 128.)

59

Fizeram-me ... : v. Donadoni, “Di uno sconosciuto”, op. cit., p. 8.

Filósofo ... : v. cap. 53; BGL , ms. n. 1271, f. 30r (E. Donadoni, “Di uno sconosciuto”, op. cit., p. 40).

No obedecer ... : BGL , ms. n. 1271, f. 12r.

Reservada ... : deixo de lado aqui elementos de difícil interpretação, como as diversas citações da antropofagia, surpreendentemente legitimada, tanto no céu como na terra: “Ao rei por sua vontade, a alguns por necessidade/ comer carne humana não é coisa ímpia/ come-a o verme, devora-a o fogo/ o primeiro sendo da terra e o outro não é menos do céu” (ibid., f. 13r). “Se a alguém viesse vontade de saborear/ carne humana como a que teve na terra/ ou como qualquer outro alimento provar/ já que aqui cada um guarda a vontade para si mesmo/ logo vê que a trazem/ e pode comer sem brigas ou guerra/ : tudo é lícito no céu, tudo é benfeito/ acabou a Lei, foi rompido o Pacto” (f. 17r). Donadoni, sem ser muito convincente, interpreta essa última passagem como uma alusão à sodomia (“Di uno sconosciuto”, op. cit., p. 127).

Pellegrino Baroni ... : para outras notícias sobre esse personagem, remeto a um ensaio de próxima publicação de A. Rotondò.

Em 1570 ... : v. ASM , Inquisizione , b. 5b, fasc. Pighino Baroni , folhas parcialmente numeradas. No fasc. estão as cópias de dois testemunhos relativos ao processo ferrarense (1561).

p. 180 A presença maciça de moleiros ... : v. Hérésies et sociétés dans l’Europe préindustrielle (11 e -18 e siècles) (Paris-Haia, 1968), pp. 185-6, 278-80; C.-P. Clasen, Anabaptism , op. cit., pp. 319-20, 432-5.

O poeta satírico ... : v. Andrea da Bergamo (Piero Nelli), Delle satire alla carlona libro secondo (Veneza, 1566), f. 36 v.

A hostilidade secular ... : v. principalmente R. Bennett e J. Elton, History of Corn Milling , III : Feudal Laws and Customs (Londres, 1900) (reimp., Nova York), p. 107 ss., e passim; v. também os textos recolhidos por G. Fenwick Jones, “Chaucer and the Medieval Miller”, in Modern Language Quarterly (1955), XVI : 3-15.

Fui até o inferno ... : v. D’Ancona, La poesia popolare italiana (Livorno, 1878), p. 264.

Terreno mole ... : v. Andrea da Bergamo (Piero Nelli), Delle satire , op. cit., f. 35v.

Padres e frades : v. ASM , Inquisizione , b. 5b, fasc. Pighino Baroni , folhas não numeradas (1 o de fevereiro de 1571). Já no processo de 1561, uma testemunha dissera ter ouvido Pighino “dizer muitas coisas estranhas sobre a missa” no seu moinho.

As próprias condições de trabalho ... : R. Mandrou insiste neste ponto in Hérésies et sociétés , op. cit., pp. 279-80.

O caso de Modena ... : v. C. Violante, ibid., p. 186.

Vínculo de dependência direta ... : v. M. Bloch, “Avènement et conquête du moulin à eau”, in Mélanges historiques (Paris, 1963), II : 800-21.

60

Em 1565 : v. ASV at, Concilio Tridentino , b. 94, fasc. Visita della diocesi di Modona , 1565 , f. 90r (e também f. 162v, a propósito de uma visita feita quatro anos depois, e f. 260v).

Natale Cavazzoni ... : v. ASM , Inquisizione , b. 5b, fasc. Pighino Baroni , ff. 18v-19r.

Padre ... : ibid., f. 24r.

Repetiu a lista ... : ibid., f. 25r.

Chegando a Bolonha ... : v. A. Rotondò, “Per la storia dell’eresia a Bologna nel secolo XVI ”, in Rinascimento (1962), XIII : 109 ss.

Numa passagem da Apologia... : v. Renato, Opere , op. cit., p. 53.

In domo equitis Bolognetti ... ( na casa do cavalheiro ...): num primeiro momento, Rotondò identi cou essa personagem com Francesco Bolognetti (v. “Per la storia”, op. cit., p. 109, nota 3); mas aquele tornou-se senador só muitos anos depois, em 1555 (v. G. Fantuzzi, Notizie degli scrittori bolognesi [Bolonha, 1782], II : 244). E assim, na edição das obras de Renato, Rotondò abandonou a identi cação (v. índice de nomes). A hipótese de que se tratasse de Vincenzo Bolognetti é aceitável já que ele aparece, desde 1534, entre os magistrados e gonfalonieri [quem carregava a bandeira do município (N. T.)]: v. G. N. Pasquali Alidosi, I signori anziani, consoli e gonfalonieri di giustizia della città di Bologna (Bolonha, 1670), p. 79.

Inicialmente onze ... : v. ASM , Inquisizione , b. 5b, fasc. Pighino Baroni , ff. 12v, 30r.

Outubro de 1540 ... : v. Renato, Opere , op. cit., p. 170.

Seu nome era Turchetto ... : ibid., p. 172. A identi cação deste último com o frade Tommaso Paluio d’Apri, conhecido por Grechetto, proposta por Rotondò, não me parece muito convincente. Que se tratasse, em vez de Giorgio Filaletto, conhecido por Turca ou Turchetto, foi sugestão de Silvana Seidel Menchi, a quem agradeço de coração.

Eu acreditava ... : v. ASM , Inquisizione , b. fasc. Pighino Baroni , f. 33v.

A tese do sono das almas... : v. Renato, Opere , op. cit., pp. 64-5, e Rotondò, “Per la storia”, op. cit., p. 129 ss.

Os anabatistas vênetos ... : v. cap. 37.

A passagem em que são Paulo ... : Os Tessalonicenses 4, 13 ss.: “Nolumus autem vos ignorate, fratres, de dormientibus, ut non contristemini sicut et celeri qui spem non habent. Si enim credimus quod Iesus mortuu est et resurrexit, ira et Deus cos qui dormierunt per Iesum adducet cum co etc.” (irmãos, não queremos que ignoreis o que se refere àqueles que jazem adormecidos, para cardes tristes como os outros que não têm esperança. Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aqueles que adormeceram; por Jesus, Deus os levará com ele). V. Williams, Camillo . Renato , op. cit., p. 107.

Não o lera : v. ASM , Inquisizione , b. 5b, fasc. Pighino Baroni , f. 2v; e também v. f. 29v. O Fioretto havia sido colocado no Índex: v. nota do cap. 12.

E todas as coisas ... : v. Fioretto , op. cit., f. A VI v.

Alguma coisa ... : ibid., f. B II r.

Que todas as almas ... : ibid., ff. Cr-v.

Não li ... : v. ASM , Inquisizione , b. 5b, fasc. Pighino Baroni , f. 30r.

Eu queria inferir ... : v. ASM , Inquisizione , b. 25, fasc. Pighino Baroni , f. 20.

Combatessem juntos ... : v. ACAU , proc. n. 285, folhas não numeradas (19 de julho de 1599).

Pighino a rmara ... : v. ASM , Inquisizione , b. 5b, fasc. Pighino Baroni , folhas não numeradas (1 o de fevereiro de 1571) e f. 27r.

p. 189 Que se pregue ... : v. caps. 39 e 54.

61

As raízes populares ... : v. Bakhtin, L’oeuvre de François Rabelais , op. cit.

O período subsequente ... : para um quadro geral, v. J. Delumeau, Le catholicisme entre Luther et Voltaire (Paris, 1971), principalmente p. 256 ss. Interessantes perspectivas de pesquisa propõe J. Bossy, “The Counter-Reformation and the People of Catholic Europe”, in Past and Present (maio 1970), 47: 51-70. Uma periodização análoga foi proposta por G. Hennigsen, The European Witch-Persecution (Copenhague, 1973), p. 19.

A guerra dos camponeses ... : seria bem-vinda uma pesquisa sobre a repercussão, na sua totalidade, dessa guerra, incluindo os efeitos indiretos e remotos.

Mas a evangelização do campo ... : para esta comparação, v. Bossy, “The Counter-Reformation”, op. cit.

O rígido controle ... : para os vagabundos, v. bibliogra a acima, penúltima nota do cap. 8 (Prefácio); para os ciganos, v. H. Asséo, “Marginalité et exclusion; le traitement administratif des Bohèmiens dans la société française du XVII e siècle”, in Problèmes socio-culturels en France au XVII e Siècle (Paris, 1974), pp. 11-87.

62

5 de junho de 1599 ... : v. ACAU , “ Epistolae Sac. Cong. S. Of cii ab anno 1588 usque ad 1613 incl. ”, folhas não numeradas. Santoro esteve próximo do ponti cado no conclave que acabou elegendo Clemente VIII . O que o prejudicou foi sua fama de severo.

Ele próprio um ateu : portanto, não um negador da divindade de Cristo como pareceu num primeiro momento, mas algo ainda pior. Sobre a terminologia, v., em geral, H. Busson, “Les noms des incrédules au XVI e siècle”, in Bibliothèque d’Humanisme et Renaissance (1954), XVI : 273-83.

Depois de pouco tempo : em 26 de janeiro de 1600 o dote de Giovanna Scandella foi registrado diante do tabelião e o ato se realizou “domi heredum quondam ser Dominici Scandelle” ( ASP , Notarile , b. 488, n. 3786, f. 27v).

Temos certeza disso ... : v. ACAU , “ Ab anno 1601 usque ad annum 1603 incl. a n. 449 usque ad 546 incl. ”, proc. n. 497. Deve-se corrigir Paschini, Eresia , op. cit., p. 82, que a rma, com base em documentos por ele levantados, que o único indivíduo justiçado pelo Santo Ofício friulano foi um marceneiro alemão, em 1568.

 

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