O Tom Ausente de Azul

Jennie Erdal · Capítulo 15 de 59

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O Tom Ausente de Azul

Capítulo 14

 

Meus dias começaram a estabelecer um ritmo: as manhãs eram passadas em casa, onde eu

transferia minhas anotações para o computador e passava duas ou três horas na tradução;

durante a tarde, eu ia para a Biblioteca Nacional trabalhar nos manuscritos. Laptops são

permitidos na biblioteca, desde que se obtenha um passe especial, mas decidi não fazer isso.

Sem a confiança para abandonar o velho hábito, eu ainda me apegava à maneira antiga e

familiar, incluindo a crença pitoresca de que as bibliotecas devem ser lugares de paz e

quietude, e não lugares perturbados pelo clique-cleque dos teclados modernos. Algumas

pessoas — aquelas que começaram com uma máquina de escrever, imagino — batem nas

teclas com força demais, tornando o nível de ruído, às vezes, intolerável. De tal forma que,

vez ou outra, dei por mim nutrindo fantasias de assassinato, brincando com a ideia de

estrangular algumas pessoas com minhas luvas brancas de algodão. Havia me acostumado

demais a trabalhar sozinho.

Traduzir filosofia era também uma fuga de mim mesmo. Eu me versara muito mais em

ficção, em particular o tipo de romance ambientado no cenário emocional da classe média

britânica. As marcas registradas haviam se tornado tão familiares a mim quanto minha própria

pele — muito diálogo interior, introspecção, relacionamentos problemáticos e um toque de

fatalismo. É um coquetel envolvente, e, nas mãos erradas, ele poderia levar facilmente a uma

terrível desolação, mas em geral “meus” autores sabiam como equilibrar as coisas com uma

boa dose de comédia absurda, o verdadeiro redentor desse tipo de ficção (e talvez da

realidade). No período de um ou dois anos antes de ir a Edimburgo, meu trabalho de tradução

havia se expandido numa direção diferente — uma trilogia de romances, histórias policiais de

alto nível escritas por um acadêmico de Oxford — que se revelou bastante lucrativa. Os livros

se tornaram muito populares na França, e, como havia um pequeno percentual de direitos autorais incluído em meu contrato, descobri que, pela primeira vez na vida, estava ganhando

mais dinheiro do que precisava para viver.

As coisas não poderiam ser mais diferentes quando comecei no ofício da tradução, mais

de vinte anos antes, quando fui obrigado a aceitar o que caísse em minhas mãos apenas para

sobreviver. Isso incluía tudo, desde material técnico sobre a indústria nuclear na França a

notícias curtas para a AFP. Os tradutores (pelo menos na França) ganham muito mal — destino

que compartilham com todos os escritores, com raras exceções —, e houve momentos em que

cheguei perto de desistir. Mas, como a esta altura eu já provara o fracasso em outras áreas,

parecia importante continuar. Com o tempo, a tradução se tornou mais do que um trabalho para

mim. Começou a parecer uma vocação.

 

Quando cheguei aos quarenta anos, um ano ou dois antes de ir a Edimburgo, adquiri o hábito

de revisitar o passado, nem tanto com arrependimento, mas com um olhar crítico. Foi um

verdadeiro choque perceber que meus primeiros anos como tradutor mal contavam, que eu

tinha ficado muito ocupado aprendendo meu ofício para ser bom nele. Mas reconheço que as

coisas mudaram: finalmente cheguei à feliz posição de me dar o luxo de escolher os livros que

quero traduzir. Nesse sentido, menos, eu era independente.

Os tradutores formam um grupo humilde, envolto na obscuridade — isso ficou claro para

mim ao longo dos anos. Os editores franceses pareciam considerá-los um mal necessário, um

meio de obter uma mercadoria potencialmente valiosa nas livrarias. É claro que os editores

prefeririam que o livro tivesse sido escrito em francês, sem precisar gastar tempo e dinheiro

aguardando por uma tradução. Tendo sido forçados a fazer esse investimento contra a vontade,

contudo, eles queriam que o resultado fosse tão fluente e suave a ponto de dar a ilusão de que

não era uma tradução, mas A Coisa de Verdade. Como se a escrita original sempre fosse

fluente. Para ajudar com essa ilusão, eles muitas vezes escondem o nome do tradutor em algum

lugar nas primeiras páginas, uma minúscula indicação junto com o impressor e o

encadernador. Os resenhistas de livros também tendem a ignorar tradutores — essa é mais

uma coisa que aprendemos a aceitar —, embora, na verdade, minha reputação tenha crescido

continuamente e eu começasse a receber uma menção ocasional. Isso é, muitas vezes, uma

benção relativa, já que praticamente nenhum resenhista faz a menor ideia do que está falando.

Na prática, eles recorrem a um ou dois adjetivos vazios — em geral, “hábil” ou “discreta” —

para descrever algo que não têm a menor capacidade de avaliar. A ironia é que os resenhistas

ficam felizes em discutir o estilo e a linguagem do livro como se estes tivessem tudo a ver

com o autor e nada a ver com o tradutor. Ignore as resenhas, disse o editor, quando uma vez desabafei sobre tudo isso. Mas não ignoro. Meu maior elogio até hoje foi ter sido descrito

como un traducteur sensible numa resenha que, no mais, era inexpressiva no Le Figaro. Essa

é outra coisa que acontece com tradutores: nós nos entusiasmamos desproporcionalmente

mesmo com o menor dos elogios.

 

Meu trabalho com certeza correspondia ao meu temperamento. É uma atividade solitária na

maior parte do tempo, e a vida solitária me fazia bem. A solitude tem uma reputação injusta:

as pessoas a confundem com a solidão, que é algo inteiramente diferente. Foi meu pai quem

me convenceu, tanto por exemplos como pela argumentação, que, embora passemos a maior

parte do nosso tempo com outras pessoas, essencialmente vivemos nossa vida sozinhos. É

claro que nos relacionamos com outras pessoas o tempo todo — assim parece, pelo menos —,

com as pessoas no trem ou na rua ou nas lojas, mas esses contatos nada são comparados à

comunhão de uma vida inteira que um homem tem consigo. Não obstante, muita solitude pode

ser um fardo terrível, disse ele. David Hume certamente descobrira isso, e a solitude havia,

sem dúvida, contribuído para seu colapso nervoso. Logo após essa conversa, encontrei, por

acaso, uma edição francesa do Tratado de Hume na livraria, e foi nela que descobri a

convicção dele de que sua vida de estudo o pusera num confinamento solitário, o qual ele

achava quase intolerável. É central na doutrina de Hume que nós somos criaturas naturalmente

sociáveis e que nos deprimimos se formos deixados sozinhos. O prazer é aumentado quando

ele se relaciona com outras pessoas, e a dor se torna menos tolerável se é sofrida no

isolamento. La parfaite solitude est peu-être la plus grande punition que nous puissions

souffrir. Pareceu-me uma afirmação extravagante, talvez porque, na época, eu estivesse

dominado por Sartre e sua famosa máxima: L’enfer c’est les autres. A pior punição, eu repetia

ao meu pai mais tarde. (Passei a maior parte da vida sozinho e odiava a ideia de que isso

pudesse ser a pior coisa.) Com certeza, há coisas piores que a solidão. Talvez não, disse meu

pai, um homem que foi conduzido ao extremo da loucura por ela. Contudo, ser solitário,

acrescentou ele, evidentemente contém um paradoxo feliz: “Quando um homem está sozinho,

ele entende melhor como está atrelado ao mundo.” E, em muitos aspectos, disse ele, David

Hume parecia ter vivido esse paradoxo perfeitamente: por um lado, ele se sentia

completamente abandonado e inconsolável, como escreveu, porque não era capaz de se

entrosar adequadamente com outras pessoas, e isso teve o efeito de transformá-lo, a seus

próprios olhos, num monstro estranho. Apesar disso, já com idade avançada, ele atribuiu a

origem de toda a sua filosofia ao que chamava de prazer da reflexão solitária. A bem da

verdade, disse meu pai, foi Montaigne, e não Hume, quem entendeu o paradoxo melhor do que quase todo mundo. “Montaigne percebeu que era importante que as pessoas mantivessem um

espaço reservado, algum lugar distante das demandas cotidianas da vida — o que ele chamava

de sua arrière boutique. Acho que diríamos o cômodo nos fundos da loja, embora eu deva

dizer que algo se perde na tradução.” Estávamos de pé na livraria, quando essa conversa

ocorreu, e, por instinto, nos viramos para o fundo da loja, como que para sugerir que poderia

existir um cômodo assim que não notáramos. Rimos da nossa tolice, mas depois refleti que eu,

um homem jovem, naquele tempo, ainda não tinha nada que pudesse chamar de meu arrière

boutique e não conseguia deixar de pensar em quando ele se materializaria e que forma teria.

 

*

 

A tradução é um desses trabalhos sobre os quais pouquíssimas pessoas sabem como falar a

respeito. Ou elas não estão interessadas o suficiente para descobrir o que o trabalho envolve

ou pensam que sabem tudo o que há para saber e consideram o trabalho mortalmente

enfadonho. Isso significa que você nunca é convidado a fazer um relato sobre seu trabalho.

Nas raras ocasiões em que eu me encontrava numa reunião social, as pessoas não sabiam o

que me dizer. “Ah, um tradutor”, a ênfase pretendia demonstrar interesse. “Ora, ora”, elas

diziam, tentando ocultar o pânico. Acostumei-me a essa reação, e ela se adequava a mim

perfeitamente. Falar com as pessoas não era o meu ponto forte.

Comparados à ficção, os ensaios filosóficos eram muito diferentes, mas o estilo da prosa

tardia de David Hume, além de ser polido e refinado, é bem marcante por sua clareza e sua

elegância. Foi um privilégio traduzi-lo. Durante toda a vida, Hume desejou tornar sua filosofia

mais acessível, para se conectar ao homem comum, e, para isso, mesmo suas ideias abstratas

mais difíceis são esclarecidas por exemplos comuns do cotidiano, ditos e oferecidos com

simplicidade num ritmo que se pode acompanhar, como se ele estivesse conduzindo um

diálogo amistoso com o leitor. É transmitido como uma forma pura e bela da língua inglesa. O

tom é urbano — o tom da conversa inteligente —, e sua preocupação é sempre com o que é ser

um humano, o que é ser um tipo de pessoa. Ele conduz o leitor, usando uma amplitude

emocional notável — páthos, comédia e imensa compaixão: tudo isso tem o efeito de

convencer o leitor de que os escritos de Hume são simplesmente a coisa mais interessante que

existe. É viciante.

Anos antes, quando mencionei pela primeira vez ao meu pai a ideia de trabalhar com

Hume, ele me mostrou um livro que continha uma carta de Voltaire a Madame du Deffand. O

assunto da carta era o fracasso do famoso homem de letras parisiense l’abbé Le Blanc, cerca de duzentos anos antes, ao traduzir Hume para o francês — algo que Voltaire comparava ao

fracasso francês para derrotar os ingleses no mar. “Nous traduisons les Anglais aussi mal que

nous nous battons contre eux sur mer.”

Meu pai ria enquanto lia isso para mim. Embora pudesse facilmente ter o efeito oposto,

aquela era sua forma de me encorajar. “Seja como for, não se preocupe, David Hume era

escocês”, disse ele. “Não há necessidade de você tentar derrotá-lo — a Velha Aliança coloca

vocês dois do mesmo lado!”

Enquanto trabalhava no manuscrito de Hume e passava a conhecê-lo melhor, foi assim que

me ocorreu: estávamos do mesmo lado. Parecia haver afinidade entre nós, e logo senti que o

conhecia a vida toda. A tarefa seria um desafio, mas um desafio que me empolgava. Havia

também a sensação de que tudo o mais parecia uma mera preparação.

 

Esse último pensamento havia sido preponderante na minha cabeça quando abordei o editor

com a minha ideia. Éditions Scolaires, uma das editoras mais antigas da França, com uma

reputação excelente em livros acadêmicos e comentários filosóficos, já publicara traduções

modernas dos trabalhos mais conhecidos de Hume: Tratado da natureza humana e

Investigações sobre o entendimento humano. Isso me deixou esperançoso de que eles seriam

receptivos à minha proposta: uma edição de ensaios selecionados, incluindo a curta obra

autobiográfica Minha vida, escrita pouco antes de sua morte, além de dois ensaios não

publicados, cujos manuscritos estavam guardados na Biblioteca Nacional da Escócia. O plano

era ter uma curta introdução, descrevendo a importância de Hume na França, sua forte ligação

com a vida e a cultura francesas, os três anos que passou na antiga universidade de Descartes

escrevendo o Tratado e assim por diante. No fim do texto principal, eu também queria incluir

um breve escrito sobre a importância de David Hume na própria vida. É claro que sabia muito

bem que uma memória pessoal não tinha lugar num trabalho acadêmico e, portanto, decidi

deixá-la de fora da proposta original. Como as coisas se deram, porém, foi exatamente isso

que fez a diferença entre a aceitação e a rejeição.

Depois da minha proposta escrita a Éditions Scolaires, fui convidado para ir à editora

discuti-la mais a fundo. Um sinal encorajador, pensei, mas minhas esperanças logo foram

despedaçadas. O editor, um homem chamado Mauvignier, contava-me com dificuldade quantas

ideias para livros chegavam à sua mesa em uma semana normal. Era lamentável, disse ele,

mas simplesmente não havia interesse suficiente em David Hume para justificar uma tradução

dos ensaios. Mauvignier era escrupulosamente cortês, mas tinha o ar de que se atribuía

importância e estava preparado para conceder pílulas de sabedoria aos meros mortais, desde que, é claro, eles soubessem o próprio lugar e ficassem agradecidos. Ele estava claramente

gostando do poder de que desfrutava, e logo o taxei de sadista de meia-tigela. “Quando se

trata de ensaios”, disse ele, “temos Montaigne. É assim que as coisas são — c’est comme ça.

Por que precisaríamos de David Hume?” Ele deu de ombros e os manteve levantados, fixos

por um instante, só para reiterar seu argumento. Com um comportamento desses, pensei, era de

admirar que ele chegasse a publicar alguma coisa — os filisteus estavam evidentemente entre

nós, aqui mesmo em Paris. Embora parecesse inútil, respirei fundo e tentei levá-lo a ver as

coisas de um jeito diferente: Hume já era muito estimado na França, comentei, e havia sinais

de que sua reputação estava crescendo — na verdade, um trecho do seu Tratado havia até

feito parte de um recente exame baccalauréat. Ele ouviu com educação; no entanto, estava

claro que não se convencera. Foi então que, justamente quando a rejeição parecia preencher

todo o espaço disponível, ele disse que eu não devia pensar que ele tinha algo contra Hume. O

fato é que ele tinha uma certa queda por ele. Nesse momento, perguntou-me se por acaso eu já

havia visitado o Café Le Bon David na margem esquerda do Sena.

— Ou talvez você seja jovem demais.

Eu ri e lhe disse que não havia necessidade de visitá-lo porque fora minha casa durante

toda a infância. Expliquei que meus pais foram os proprietários do sebo que se tornou o Café

Le Bon David.

— Na verdade, eu nasci naquela livraria. Minha mãe entrou em trabalho de parto no meio

da subida de uma escada enquanto arrumava volumes de Proust nas prateleiras. Uma cama

improvisada foi preparada no chão, e um médico foi chamado às pressas. Pelo menos, foi

assim que me contaram.

— Incrível! Por que não falou isso antes? — Agora ele estava animado, ansioso para obter

informações. Às vezes, as pessoas podem mudar diante de seus olhos. — Ah, então o seu pai

era o libraire. Impressionante! — Acontece que o próprio pai de Mauvignier o levara, quando

criança, à livraria de meu pai e isso deixara uma impressão duradoura. Ele nunca se esqueceu

de que, como se fosse um truque de mágica, ela parecia maior do lado de dentro do que do

lado de fora. E os livros estavam por toda a parte: nas prateleiras que iam até o teto, em

caixas no chão e dispostos em fileiras, com a lombada para cima, numa grande mesa no

quintal, onde o cheiro de pão recém-saído do forno da boulangerie ao lado atravessava a

parede, e onde homens como o meu pai se reuniam para fumar, beber café e falar sobre

assuntos sérios.

— Café Le Bon David... bem, é parte da nossa história. É nossa herança cultural, tanto

como o Les Deux Magots.

Consegui sorrir. A comparação com o lugar frequentado por Sartre e Beauvoir pretendia

ser um elogio, mas as pessoas que frequentavam o lugar do meu pai teriam se sentido

insultadas.

— Seu pai ainda está vivo?

— Ele morreu alguns anos atrás. Ataque cardíaco. Na livraria. Estava empilhando livros

numa prateleira alta, e eles caíram sobre meu pai in a shower — referindo-me à cascata de

livros, usei a expressão em inglês.

Mauvignier parecia confuso.

— Une grêle de livres fondit sur lui. Como Leonard Bast em Howard’s End.

— Ah, sim, é claro — comentei.

Durante vários minutos, Mauvignier me disparou perguntas, e o tempo todo expressando

surpresa e entusiasmo. Então, ele cruzou os braços e se sentou de volta na cadeira, sem

dúvida, naquele momento, como um homem cujo único propósito na vida é instruir e iluminar.

“Acho que podemos publicar o livro, afinal”, disse ele. Pela meia hora seguinte, discutimos o

formato do livro, o tamanho — “máximo duzentas e cinquenta páginas” — e o que seria

necessário como introdução. Estávamos os dois na mesma sintonia naquele momento, como

velhos camaradas.

No fim, contudo, Mauvignier impôs uma barganha difícil. Como ele julgava que o mercado

para um livro de ensaios filosóficos era altamente especializado, ele me pagaria “somente

como autor”, como ele dizia — em outras palavras, não como tradutor. Eu receberia um

adiantamento modesto, metade na assinatura do contrato e metade depois que as primeiras mil

cópias fossem vendidas. Isso me pareceu monstruosamente injusto, embora não tão injusto

quanto a recusa de me pagar pela tradução. Quando lhe perguntei sobre isso, ele me garantiu

que traduções — ele torceu o lábio inferior nessa palavra e fez cara de quem sente mau cheiro

— não vendiam muito bem, e, de qualquer forma, nesses “tempos bem difíceis”, era um

acordo bem normal. Ele bateu as mãos num gesto que dizia “é pegar ou largar”, indicando o

fim do assunto. Seu modo de agir era profundamente irritante, e eu precisava ficar me

lembrando do quanto queria ter esse livro publicado, do quanto seria importante como uma

espécie de homenagem ao meu pai. Com isso em mente, fingi um sorriso de gratidão, engoli

em seco e concordei com as condições.