O Tom Ausente de Azul
Capítulo 58
De volta ao quinto arrondissement, era difícil compreender que aqui era o lar. Tudo foi
lançado numa luz nada familiar. Uma viagem curta com destino a Paris, e agora o táxi estava
se movendo lentamente pelas castanheiras e plátanos. Tentei me submeter à metafísica da
familiaridade — os amplos bulevares, os bouquinistes, os chiques sem um tostão, as ruelles
enquanto nos aproximávamos —, mas meu retrovisor estava cheio de areia branca e Carrie e
vento em seus cabelos. Na escada antiga que levava ao meu apartamento, pensei num daqueles
besouros xilófagos que podemos ouvir nas vigas do telhado. Não se tomava ciência completa
dele até que caía morto no chão à frente.
Aguardando por mim no corredor havia um pacote — os dados perdidos do meu
computador avariado. Firmei a mão antes de introduzir o disquete no novo laptop e, devagar,
comecei a ler as velhas traduções dos ensaios perdidos. Eram tão diferentes das novas
versões que poderiam ter sido feitas por outro tradutor. Que, em certo sentido, era o caso.
Mais tarde, eu empreenderia uma comparação detalhada, definiria o que fazer — com os
ensaios e com tudo o mais. Enquanto isso, eu arrumava meu apartamento, colocando de volta
todas as coisas da forma que eram antes de um estranho as tocar.
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Jennie Erdal
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