O Tom Ausente de Azul

Jennie Erdal · Capítulo 1 de 59

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O Tom Ausente de Azul

Dedicatória

Em memória de Wilkie Crawford, 2006-2007

E para seus pais

Suponhamos, então, que uma pessoa usufruiu sua visão durante trinta anos e se familiarizou perfeitamente com cores de todos os tipos, com exceção, digamos, de uma particular tonalidade de azul, com a qual nunca teve a ventura de deparar. Suponhamos que todas as diferentes tonalidades dessa cor, com exceção daquela única, sejam dispostas diante dessa pessoa, descendo gradualmente da mais escura para a mais clara; é claro que ela perceberá um espaço vazio onde falta aquele tom, e perceberá que naquele lugar há, entre as cores contíguas, uma distância maior que em qualquer outro lugar. Pergunto agora se lhe seria possível suprir essa falta a partir de sua própria imaginação e trazer à sua mente a ideia daquela tonalidade particular, embora esta jamais lhe tenha sido transmitida pelos sentidos.

David Hume, Investigações sobre o entendimento humano e sobre os princípios da moral*

 

E o abismo? O abismo?

O abismo é fácil mesmo:

Fica bem onde estás —

Um degrau só a mais.

Theodore Roethke, “O abismo”**

Notas:

*Investigações sobre o entendimento humano e sobre os princípios da moral, David Hume; tradução de José Oscar

de Almeida Marques. São Paulo: Unesp, 2004. (N. T.)

**And the abyss? The abyss?/ The abyss you can’t miss:/ It’s right where you are —/ A step down the stair. (N. T.)