Sonho de uma Noite de Verão

William Shakespeare · Capítulo 42 de 85

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Sonho de uma Noite de Verão

A minha senhora ama um monstro.

3.2

A minha senhora ama um monstro.

Contíguo ao seu leito consagrado,

Quando ela estava em sono profundo,

Um bando de palhaços, maus atores,

10

Que vivem em Atenas de favores,

Ensaiava uma peça em meio ao breu

Para o dia de núpcias de Teseu.

Tão logo o pior canastrão dessa corja –

Que interpretava Píramo, ou o que seja –

Terminou sua cena e foi ao camarim,48

Para ajudá-lo em sua arte, fiz assim: Fixei-lhe uma cabeça de asno;

Voltou quando Tisbe lhe deu um aceno

97

E, ao perceberem tal forma estranha –

20

Como gansos selvagens na montanha

e

Ou qual codornas reunidas em bando,

pear

Ao ouvirem a arma engatilhando,

es

Revoam ligeiro em busca de abrigo –

hak

Tal visão fez fugir os seus amigos.

am Silli

Todos correram a gritar apenas

W

“Morte!”, pedindo ajuda de Atenas.

Os sentidos fracos, mas cheios de medo, Topavam feito loucos nos penedos,

Os espinhos todos neles se enfiavam

30

E nos galhos, em pavor, se enganchavam.

Deixei-os nessa aflição distraídos

E o doce Píramo lá transmutado;

Bem nesse momento, não fique pasmo,

Titânia acordou e na hora amou o asno.

OBERON

Isso saiu melhor do que eu previa.

Pôs no olho do ateniense, todavia,

O sumo do amor como lhe ordenei?

3.2

PUCK

I took him sleeping – that is finished too –

And the Athenian woman by his side,

That when he waked, of force she must be eyed.

40

Enter DEMETRIUS and HERMIA OBERON

Stand close: this is the same Athenian.

PUCK

This is the woman, but not this the man.

DEMETRIUS

O, why rebuke you him that loves you so?

Lay breath so bitter on your bitter foe.

98

HERMIA

Now I but chide; but I should use thee worse, ão

For thou, I fear, hast given me cause to curse. er

If thou hast slain Lysander in his sleep, e v

Being o’er shoes in blood, plunge in the deep, oite d

And kill me too.

a n

The sun was not so true unto the day

50

e um

As he to me. Would he have stol’n away o d

From sleeping Hermia? I’ll believe as soon Sonh

This whole earth may be bored, and that the moon May through the centre creep, and so displease Her brother’s noontide with th’Antipodes.

It cannot be but thou hast murderer him: So should a murderer look; so dead, so grim.

DEMETRIUS

So should the murdered look, and so should I, Pierced through the heart with your stern cruelty; Yet you, the murderer, look as bright, as clear, 60

As yonder Venus in her glimmering sphere.

PUCK

3.2

Encontrei-o dormindo e o sumo pinguei; E a mulher ateniense ao seu lado,

40

Ao acordar, por certo ele a terá olhado.

Entram DEMÉTRIO e HÉRMIA OBERON

Permaneça oculto: este é o tal jovem.

PUCK

Esta é a mulher, mas este não é o homem.

DEMÉTRIO

Oh, por que rejeita aquele que a ama?

Esse amargor não é digno de uma dama.

HÉRMIA

99

Eu só posso repreendê-lo; mas, temo

e

Que me fará destilar mais veneno.

pear

Se matou Lisandro enquanto dormia,

es

Besuntando-se no sangue que saía,

hak

Mate-me também.

am S

50

O sol não era tão fiel ao dia

illiW

Como ele a mim. Será que fugiria

De Hérmia adormecida? Só creio

Se a terra se abrir e pelo seu meio

A lua passar, para o desgosto

Que aos antípodas seria imposto.

Foi você quem o matou, isto é certo,

Sua aparência põe a descoberto.

DEMÉTRIO

De fato, assim pareceria o morto,

Com o coração transpassado e roto,

60

Mas você, bela assassina, reluz

Tão ou mais resplandecente que Vênus.49 3.2

HERMIA

What’s this to my Lysander? Where is he?

Ah, good Demetrius, wilt thou give him me?

DEMETRIUS

I had rather give his carcass to my hounds.

HERMIA

Out, dog! Out, cur! Thou driv’st me past the bounds Of maiden’s patience. Hast thou slain him then?

Henceforth be never numbered among men.

O, once tell true; tell true, even for my sake: Durst thou have looked upon him being awake?

And hast thou killed him sleeping? O, brave touch!

70

Could not a worm, an adder do so much?

100

An adder did it; for with doubler tongue Than thine, thou serpent, never adder stung.

ãoer

DEMETRIUS

e v

You spend your passion on a misprised mood.

I am not guilty of Lysander’s blood,

oite d

a n

Nor is he dead, for aught that I can tel .

e um

HERMIA

o d

I pray thee, tell me then that he is wel .

Sonh

DEMETRIUS

And if I could, what should I get therefor?

HERMIA

A privilege, never to see me more;

And from thy hated presence part I so.

See me no more, whether he be dead or no.

80

Exit

DEMETRIUS

There is no following her in this fierce vein; Here therefore for a while I will remain.

So sorrow’s heaviness doth heavier grow

HÉRMIA