Avança, Brasil: proposta de governo

Fernando Henrique Cardoso · Capítulo 21 de 80

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Avança, Brasil: proposta de governo

Indústria: investimento e competitividade

• articulação de empresas atuantes nos vários elos da cadeia frutícola, desde insumos, processamento pós-colheita e embalagem, frigorificação, transporte e comercialização, para neles implantar a Gestão da Qualidade Total;

• concentração das ações em áreas geográficas delimitadas pólos agroindustriais – para evitar a dispersão de recursos e aproveitar as chamadas “economias de aglomeração”.

Indústria: investimento e competitividade

O principal objetivo das medidas de apoio ao setor industrial adotadas a partir de 1995 foi estimular sua reestruturação produtiva, condição indispensável para enfrentar o aumento da competição no mercado interno, assegurar e expandir a presença dos produtos nacionais no mercado mundial.

Graças ao Plano Real, foi possível construir um ambiente favorável ao investimento privado, nacional e estrangeiro, que além de ampliar a capacidade instalada para acompanhar o crescimento da demanda doméstica, permitiu o aumento da produtividade, da competitividade e das exportações de produtos industrializados.

Aproveitando ainda a expansão da demanda em decorrência do Mercosul, setores industriais com produção ou projetos virtualmente paralisados voltaram a investir. Um dos exemplos mais marcantes foi o setor automotivo. Atraíram-se novas empresas e implantaram-se novas unidades industriais modernas, distribuídas pelo território, com vistas ao atendimento do mercado interno e à exportação.

O setor mineral é uma das áreas em que o país já vem obtendo resultados expressivos em termos da produção e do comércio internacional, contando com uma moderna indústria de máquinas e equipamentos e de serviços especializados. As mudanças institucionais – o fim das restrições ao capital estrangeiro, o novo regime de licenciamento, a parcial desregulamentação promovida pela Lei 9.314 e a venda da Vale – devem propiciar um aumento do volume de investimentos em relação aos últimos anos, principalmente através de joint-ventures entre empresas brasileiras e estrangeiras, explorando plenamente o potencial mineral do país.

O Brasil voltou a constar do mapa de investimentos das empresas estrangeiras. E, entre as economias chamadas emergentes, passou a ocupar o segundo lugar no mundo como receptor de investimentos diretos: foram, em termos líquidos, cerca de 31,3 bilhões de dólares no período 1994-1997. Para se ter idéia do que significa a retomada do dinamismo na indústria, as intenções firmes de investimento até 2002 dos 19 principais setores industriais com importante contribuição potencial para as exportações somam 112 bilhões de dólares.

A indústria brasileira tem respondido ao desafio de enfrentar forte competição com produtos importados, empenhando-se em elevar a produtividade. Disseminou-se a utilização de tecnologias modernas de produção e gerência, a tal ponto que, no período 1994-1997, a produtividade média da indústria aumentou 22,6%. O número de empresas com certificado ISO 9000 alcançou três mil em junho de 1998, contra 950 certificadas ou em processo de certificação em meados de 1994.

Dessa nova realidade resultam bens de melhor qualidade, com preços menores para os consumidores brasileiros, bem como espaço mais amplo à presença da produção nacional no mercado externo.

Antes do Real, em ambiente de superinflação e de proteção, muitas empresas ou setores relutavam em promover os investimentos necessários para se adaptar aos novos tempos. O papel do BNDES foi fundamental para incentivar a reestruturação, principalmente dos setores mais fortemente atingidos pela concorrência externa.

Apenas em 1998, o banco destinou ao setor industrial R$ 6,8 bilhões. Além disso, simplificou procedimentos e implantou políticas específicas de apoio para os setores coureiro-calçadista; máquinas e implementos agrícolas; têxtil; moveleiro; autopeças; bens de capital; bens destinados ao setor de telecomunicações; indústria aeronáutica.

O BNDES também expandiu suas operações de apoio às vendas externas, concedendo créditos à produção e à comercialização de produtos. Os desembolsos do banco nesse particular aumentaram de 369 milhões de dólares em 1995 para 1,2 bilhão de dólares em 1997. Devem chegar a 2,5 bilhões de dólares até o fim de 1998.

A reconversão produtiva, o aumento da competitividade dos produtos brasileiros, a expansão dos investimentos em infra-estrutura e o crescimento das exportações irão requerer do governo nos próximos quatro anos ações que assegurem:

• crédito de longo prazo para a reestruturação produtiva, modernização ou expansão da capacidade instalada;