Avança, Brasil: proposta de governo
V – Política de segurança e defesa da pessoa
O Projeto Sipam/Sivam, de excepcional interesse regional e nacional, constitui ação concreta para consolidar a soberania brasileira no espaço territorial amazônico. Reflete, ademais, a profunda convergência das vertentes civil e militar em face das prioridades do desenvolvimento e da defesa.
Nesse sentido, as Forças Armadas intensificarão a cooperação nos programas de desenvolvimento nacional, participando de ações nas áreas mais inóspitas e carentes do país, onde é especialmente escassa a presença do Estado.
Do mesmo modo, poderá ser ampliada a participação das Forças Armadas nas operações de apoio à defesa civil e em defesa do meio ambiente, contando com a capacidade logística já instalada. O mesmo apoio se dará aos órgãos legalmente incumbidos de combater o narcotráfico e os crimes transfronteiriços.
O reaparelhamento das Forças Armadas terá por objetivo construir uma estrutura mínima compatível com a expressão geográfica e política do país, dando prioridade à manutenção de forças versáteis para pronto-emprego e de núcleos de modernidade, à vigilância das fronteiras, do espaço aéreo e do mar (zona econômica exclusiva), bem como aos sistemas de comunicação e controle.
V. Política de segurança e defesa da pessoa
Dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, a preocupação com segurança pública ocupou lugar central no governo do presidente Fernando Henrique, em especial por sua vinculação com a garantia dos direitos humanos.
Ao tratar do assunto, em 1994, o programa do então candidato Fernando Henrique, “Mãos à obra, Brasil”, afirmava: “Mais do que ações emergenciais, de efeito necessariamente transitório, a melhoria da situação requer um trabalho persistente de fortalecimento e de melhor articulação dos órgãos e autoridades específicas. Trata-se de um trabalho a ser desenvolvido sem concessões à truculência, mas com firmeza, levando em conta que a segurança é um direito fundamental do cidadão”.
O trabalho está em pleno andamento. Embora a Constituição atribua aos estados as principais responsabilidades nessa área, o governo federal, na sua esfera de competência, adotou medidas importantes:
• fortaleceu o sistema de prevenção e repressão ao crime, com destaque, entre outras providências, para a regulamentação do emprego das Forças Armadas no combate aos chamados crimes transfronteiriços; o controle da aquisição e posse de armas, para reduzir o seu número e circulação no país; e a lei da “lavagem de dinheiro”;
• incluiu o tema da segurança pública no Programa Nacional de Direitos Humanos;
• modificou a legislação penal e processual penal;
• criou a Secretaria Nacional Antidrogas;
• estreitou a cooperação com os estados, municípios e Organismos internacionais;
• apoiou substancialmente a expansão do sistema penitenciário;
• fortaleceu os órgãos federais de segurança e fiscalização.
Todas essas ações obedeceram ao princípio segundo o qual a proteção da pessoa contra a delinqüência – finalidade última das políticas de segurança pública nas sociedades democráticas – é indissociável da promoção da cidadania e da dignidade humana.
É cada vez mais clara, a propósito, a vinculação do tráfico e uso de drogas ilegais com outros crimes. As organizações delinqüentes que exploram essa atividade possuem enorme poder econômico, capaz de corromper e coagir. Em alguns casos, sua audácia chega a dificultar a extensão de serviços e ações do Estado a parcelas da população. O banditismo ligado à droga, em síntese, constitui séria ameaça à sociedade e aos valores inerentes à ordem democrática.
Para se contrapor a essas atividades criminosas, o presidente Fernando Henrique consolidará o alcance e a abrangência da Secretaria Nacional Antidrogas, de forma a coordenar melhor a prevenção e a repressão ao tráfico e uso de drogas, bem como a recuperação de dependentes. Essencial nessa tarefa é a articulação de todos os setores, públicos e privados, envolvidos nesse combate.
Desta mesma filosofia de mudança, modernização e integração de esforços decorrem as demais ações que o governo se empenhará em adotar, nos próximos quatro anos.
Iniciativas de ordem geral
• prosseguir na modernização do ordenamento jurídico nacional, para fortalecer a prevenção e a repressão ao crime, bem como o combate à impunidade;
• lutar pela aprovação da proposta de emenda constitucional que confere aos estados maior liberdade para organizar seus sistemas de segurança pública, a fim de permitir a discussão e a concretização de soluções criativas e adequadas às necessidades da população;
• aprofundar os debates para a formulação da Política Nacional de Segurança Pública, que deverá fortalecer as Secretarias, os Conselhos Regionais e o Conselho Nacional de Segurança Pública;
• intensificar a luta contra o crime organizado, incluindo, além do tráfico de drogas, seqüestros, furto de veículos, roubo e contrabando de armas;
• persistir na intensificação das ações descritas no capítulo “Segurança das Pessoas”, do Programa Nacional de Direitos Humanos;
• valorizar o policiamento preventivo e a difusão de orientações sobre cuidados básicos a serem tomados pelas pessoas;
• incentivar a investigação de delitos baseada nas informações prestadas por vítimas e testemunhas, seja no local, seja através de linhas especiais de comunicação para o recebimento de denúncias;
• desenvolver programas de prevenção da delinqüência juvenil; • qualificar o policial e melhorar a sua imagem, bem como a dos demais agentes das instituições de controle da violência, para que sejam identificados positivamente pela população;
• dar proteção especial às famílias dos policiais ameaçados em razão de suas atividades.
Formação dos agentes policiais
• promover o aprendizado e a integração de fundamentos do direito humanitário, notadamente o repúdio a tratamento discriminatório em razão de cor, raça, sexo, idade e classe social, em todos os aspectos do cotidiano da polícia, a começar do treinamento de seus quadros;
• criar, em cooperação com os estados, programas de aperfeiçoamento técnico dos policiais civis e militares visando ao esclarecimento de crimes e à identificação dos responsáveis sem o recurso à prática da tortura – inaceitável em qualquer circunstância.
Integração dos serviços
• integrar e elevar os padrões de desempenho das polícias civis e militares estaduais e das guardas municipais;
• intensificar, em ação coordenada com os estados e países vizinhos, os mecanismos de cooperação policial nas áreas de fronteira.
Informação
• promover programas de melhoria da coleta e sistematização de estatísticas criminais, para tomar mais eficiente o combate à criminalidade em todo o país;
• constituir um banco nacional de dados para identificar em cada estado, entre outros indicadores, a proporção de crimes resolvidos em relação ao total registrado e o número de policiais e civis feridos ou mortos em conflitos ou distúrbios, a fim de sugerir novos padrões de procedimento e difundir experiências bem-sucedidas;
• concluir a implantação do Programa Integrado de Informações Criminais em âmbito nacional;
• dar continuidade à montagem do Sistema Brasileiro de Inteligência, em moldes democráticos e modernos.
Participação da comunidade
• desenvolver programas de apoio a projetos de policiamento comunitário, com a participação dos moradores na definição das prioridades da ação policial, bem como das estratégias de policiamento nas suas comunidades;
• incentivar e divulgar experiências de autoproteção, de iniciativa das próprias comunidades, como os “fiscalizadores de bairros”, serviços voluntários de acompanhamento de idosos e escolares; de radioamadores e de telefonia celular para a denúncia de crimes que estejam ocorrendo.
Polícia Federal • instituir Conselho Consultivo e Fiscalizador, para tomar mais eficaz o controle da atuação do órgão;