Eu Mato
Capítulo 26
26
FRANK ACOMPANHOU HULOT ATÉ O CARRO. Jean-Loup e Bikj alo ficaram sentados diante da m esa da piscina. Quando saíram , o diretor da Rádio Monte Carlo, ainda agitado pelo risco que tinha corrido, passou um braço ao redor dos om bros de Jean-Loup, tentando m arcar sua presença e m urm urando conselhos em seus ouvidos, com o o treinador de um pugilista que está perdendo um a luta. Precisava convencê-lo a resistir m ais alguns assaltos, se queria receber sua parte.
A prim eira im pressão que Frank tivera daquele hom em tinha, no fundo, se revelado exata. Na prática de seu trabalho, com o tem po, tinha adquirido um instinto quase anim al para reconhecer as pessoas. E ainda não estava perdido. Ao que parece, não bastava sim plesm ente não querer ser um cão para deixar de sê-lo.
Quem nasce quadrado não morre redondo…
E isso valia tanto para ele quanto para Bikj alo ou qualquer outro.
Hulot abriu a porta do Peugeot, m as ficou em pé do lado de fora, adm irando a m aravilhosa vista lá em baixo. Parecia não ter a m enor vontade de voltar para a investigação. Virou-se para Frank. O am ericano viu em seus olhos a necessidade de um repouso sereno, sem sonhos, sem silhuetas negras, sem vozes m urm urando em seu ouvido — Eu mato… — e provocando um despertar povoado de fantasm as piores que os do sono.
— Você foi grande com o rapaz… com ele e com igo.
— O que quer dizer “com ele e com igo”?
— Sei que tenho m e apoiado m uito em você durante as investigações. Não pense que não sei disso. Pedi sua aj uda e contei para m im tam bém a balela de que era para aj udar você, quando na verdade era para aj udar a mim.
Em um breve lapso de tem po, parecia que os papéis tinham se invertido entre eles, num daqueles golpes de cena que a vida cria sem cessar, de m odo sem pre sarcástico.
— Não é nada disso, Nicolas. Pelo m enos, não é exatam ente isso. Talvez esse louco que nós perseguim os sej a contagioso, levando todos nós à loucura. Mas se esse é o cam inho certo para pegá-lo, não podem os deixar de percorrê-lo até que tudo estej a acabado.
Hulot sentou no carro e ligou o m otor.
— Só tem um risco nisso que você disse…
— Qual?
— Que um a vez aceita a loucura, a gente não consiga m ais se ver livre dela. Foi o que disse há pouco tem po, lem bra, Frank? Som os pequenos dinossauros, nada m ais que pequenos dinossauros…
Fechou a porta, engatou a m archa e saiu com o carro. O portão autom ático se abriu, com andado pelos agentes que estavam na rua. Frank ficou olhando o carro subir a ram pa, viu os faroletes se acenderem quando se preparou para pegar a estrada e viu quando desapareceu. Durante toda a conversa com Nicolas, os agentes que o acom panhavam tinham se m antido à parte, confabulando entre si, em pé ao lado do carro. Frank foi se sentar no banco traseiro. Os rapazes tam bém entraram e o que se sentou ao lado do m otorista olhou para ele em silêncio, com ar interrogativo.
— Vam os voltar ao Parc Saint-Rom an. Sem pressa — disse Frank, depois de hesitar um pouco. Sentia necessidade de ficar um pouco sozinho para organizar as ideias. A lem brança do general Parker e de suas intenções não tinha sido rem ovida, apenas arquivada. Precisava ter m ais inform ações sobre ele e sobre Ry an Mosse antes de tom ar um a decisão e escolher qual linha de conduta adotaria. Torceu para que Cooper j á tivesse enviado as inform ações pedidas, em bora m uito pouco tem po tivesse se passado.
O carro avançou. Subida, portão, rua. Esquerda. Mais agitação entre as m oitas de j ornalistas à espreita. Frank olhou para eles atentam ente, enquanto despertavam da letargia da espera, com o cães à passagem de um outro cão. Lá estava o ruivo que tinha enfiado a cabeça no carro do delegado. No m om ento em que Frank passou diante dele, o repórter, de pé ao lado de um Mazda conversível, trocou um olhar com ele, pensativo.
Frank ponderou que dentro em pouco com eçariam a caçá-lo tam bém . Era certo que acabariam sabendo de seu papel naquela investigação. Até aquele m om ento tivera sorte, porque havia bocados m ais suculentos a saborear, porém m ais cedo ou m ais tarde alguém se voltaria para ele. Cada um deles tinha, com certeza, um contato dentro das forças policiais: aqueles que são definidos nos artigos com o “fontes seguras”.
Os j ornalistas desfilaram diante da j anela do carro. Eles representavam a vanguarda de um m undo que, antes de qualquer coisa, queria saber a verdade. E o m elhor deles não era quem conseguisse descobri-la, m as quem conseguisse vender sua própria verdade com o autêntica.
Num ritm o m oderado, o carro seguiu no sentido oposto ao que haviam tom ado para chegar à casa de Jean-Loup. Enquanto desciam a ladeira, Frank viu a m ulher e o m enino pela prim eira vez.
Saíram quase correndo de um a rua não asfaltada que se abria a algum as centenas de m etros depois do bando de j ornalistas, à esquerda. Frank notou sua presença porque ela segurava o m enino pela m ão e tinha um ar assustado. Parou na esquina e olhou ao redor, com o quem está num lugar que não conhece e não sabe que cam inho tom ar. Quando o carro passou por eles, Frank teve a nítida im pressão de um a pessoa em fuga. A m ulher tinha pouco m ais de trinta anos e usava um a confortável calça esportiva xadrez em vários tons de azul e um a blusa delicada, azul-m arinho, de tecido furta-cor, para fora das calças. A cor ressaltava os m agníficos cabelos louros que desciam até a altura dos om bros. O tecido e os cabelos pareciam sintonizados e com petiam na busca de reflexos especiais sob o sol de m aio. Era alta e esbelta e seus m ovim entos eram harm oniosos, apesar da pressa.
O m enino devia ter cerca de dez anos e parecia alto para a idade. Usava j eans largos e um a cam iseta de algodão colorido. Hesitante, olhava para a m ulher que o segurava com lum inosos olhos azuis um pouco desbotados.
Frank virou a cabeça e apoiou a testa no vidro da j anela para poder vê-los. Viu o capitão Ry an Mosse, do Exército dos Estados Unidos, chegar correndo e bloquear a passagem da m ulher e do m enino, colocando-se diante deles. Agarrou seus braços, obrigando-os a voltar à rua da qual os três tinham vindo. Frank virou e colocou um a m ão no om bro do m otorista.
— Pare.
— Com o?
— Pare um instante, por favor.
O m otorista freou e o carro encostou suavem ente à direita. Os dois agentes se entreolharam . O que estava no banco do carona deu de om bros. Am ericanos!…
Frank desceu e atravessou a rua. Entrou na ruazinha que levava até um a casa um pouco separada das outras, cuj o portão se via m ais adiante. Viu as costas de três pessoas. Um hom em forte que segurava firm em ente um a m ulher e um m enino.
— Isso faz parte de suas investigações, capitão Mosse?
Ao ouvir a voz, o hom em parou, obrigando a m ulher e o m enino a um a parada brusca. Segurou o tranco dos dois sem esforço aparente. Virou a cabeça e viu Frank, sem se m ostrar surpreso.
— Ah, aqui está, o nosso agente especial do FBI. O que foi, escoteiro, está tentando fazer sua boa ação do dia? Se for até a praça do Cassino e tiver um pouco de paciência, talvez acabe encontrando um a velhinha precisando de aj uda para atravessar a rua…
Frank avançou em direção ao trio. A m ulher olhava para ele com um m isto de esperança e curiosidade, com um olhar azul com o o do m enino. A beleza daqueles olhos o im pressionou e adm irou-se de que a beleza daqueles olhos o im pressionasse.
O m enino se desvencilhou.
— Está m e m achucando, Ry an.
— Vá para casa, Stuart. E não saia de lá.
Mosse largou a presa. Stuart olhou para a m ulher, que fez um sinal positivo com a cabeça.
— Pode ir, Stuart.
O m enino deu dois passos para trás e continuou a olhar para eles, depois virou e correu em direção ao portão pintado de verde.
— Você tam bém , Helena. Vá para casa e fique lá.
Mosse apertou o braço da m ulher com força. Frank viu os m úsculos se contraindo sob a cam isa. Obrigou a m ulher, que continuava a olhar para Frank, a virar para ele.
— Olhe para m im . Entendeu bem o que eu disse, Helena?
A m ulher sufocou um gem ido de dor. Fez que sim com a cabeça. Quando a soltou, Helena lançou um últim o olhar desesperado para Frank, depois virou e seguiu o m enino pelo m esm o cam inho. O portão verde se abriu e se fechou atrás deles.
Como o portão de uma prisão, pensou Frank instintivam ente.
Agora os dois hom ens estavam parados um diante do outro. Pelo m odo com o olhava para ele, Frank entendeu m uito bem qual era sua escola de pensam ento, a qual, aliás, devia ser a m esm a de Parker. Quem não estava com eles, estava contra eles. Quem não os seguia, não os am ava e teria de arcar com as devidas consequências.
Um breve sopro de vento chegou para despentear as sebes agrestes dos dois lados da rua. Logo se acalm ou e as m oitas voltaram a ficar im óveis, com o se sublinhassem a tensão entre eles.
— Vej o que se dá bem com as m ulheres e as crianças. Mas m e parece m uito pouco com o referência para alguém que chegou aqui com obj etivos tão am biciosos… Estarei enganado, capitão Mosse?
Frank sorriu. Recebeu em troca o m esm o sorriso. Era um sorriso de escárnio.
— Acho que você tam bém se dá bem com as m ulheres, não, Frank? Ah, desculpe, esqueci que Frank é m uito íntim o para você… Com o quer que o cham e m esm o? Ah, sim : mister Ottobre…
Pareceu refletir um pouco sobre o que tinha acabado de dizer. Moveu-se um pouco de lado. O m ovim ento, na verdade, tinha o obj etivo de colocar-se bem sobre as pernas, com o quem está esperando um ataque de um m om ento para o outro.
— Pois então, mister Ottobre. Parece que para você as m ulheres são um a boa desculpa para se esconder, acho eu. Nada a fazer com relação a mister Ottobre, não se pode esperar m ais nada dele. Fechado para luto. Talvez sua m ulher…
Frank se m oveu sem perceber, tão veloz que o outro, m esm o esperando, não o viu chegar. O punho o atingiu no rosto, derrubando-o no chão. Mosse se viu estendido no chão, um fio de sangue escorrendo no canto da boca. À parte isso, parecia não ter sentido o golpe de Frank. Sorriu de novo e nos seus olhos havia um a luz de triunfo.
— Lam ento apenas que terá m uito pouco tem po para entender o erro que com eteu.
Com um salto ficou de pé e quase sim ultaneam ente lhe deu um chute, um velocíssim o maegeri com a perna esquerda. Frank esquivou-se do golpe, aparando com o antebraço. Ficou levem ente desequilibrado para um lado. Percebeu im ediatam ente o erro com etido. Mosse era um lutador form idável. O chute tinha j ustam ente a intenção de provocar aquele gesto. O soldado deslizou para o chão e com a perna direita deu um a rasteira nas pernas de Frank. Enquanto caía no cascalho, conseguiu se virar de lado, para atenuar o choque com o om bro. Pensou que um tem po atrás não se deixaria surpreender daquela form a, que um tem po atrás não teria…
Num relâm pago, Mosse estava atrás dele. Im obilizou suas pernas com as dele e envolveu seu pescoço com o braço direito. Em sua m ão esquerda surgiu com o por encanto um punhal m ilitar, que agora estava apontado para a garganta de Frank. Os dois ficaram im óveis, tensos, com o um a estátua caída no chão. Pareciam esculpidos em m árm ore. O capitão tinha os olhos brilhantes, excitados pelo com bate. Frank com preendeu que aquilo lhe dava prazer, que lutar era a razão de sua vida. Era um a daquelas pessoas para as quais um inim igo é um tesouro.
— E então, mister Ottobre, o que acha agora? E ainda dizem que é m uito bom … Seu instinto de escoteiro não avisou que é m elhor não se m eter com gente m aior que você? Cadê seu faro, mister Ottobre?
A m ão que segurava o punhal se m exeu e Frank sentiu a ponta penetrar em sua narina. Teve m edo de que Mosse resolvesse cortá-la. A im agem de Jack Nicholson em Chinatown lhe veio à cabeça. Ficou se perguntando se Mosse tam bém teria visto o film e. A com pleta incongruência de tal pensam ento o fez sorrir, o que pareceu irritar ainda m ais seu adversário. Sentiu a lâm ina em purrando a cartilagem da narina esquerda.
— Chega, Ry an.
O com ando seco chegou por trás dos dois, e a tensão da lâm ina dim inuiu im ediatam ente. Frank reconheceu a voz do general Parker. Sem se virar, depois de um últim o e im perceptível apertão do braço em seu pescoço, Mosse o soltou. Aquilo significava que as coisas entre eles não tinham chegado ao fim , estavam apenas adiadas.
Um soldado não chora. Um soldado não esquece. Um soldado se vinga.
O capitão se levantou batendo a poeira das calças leves de verão. Frank ficou um instante olhando os dois que estavam acim a dele, um ao lado do outro, tão sem elhantes no físico j ustam ente porque eram , na verdade, um a m esm a coisa. A avó italiana com seus provérbios onipresentes veio novam ente à m ente de Frank.
Deus os faz e Deus os junta.
Não era por acaso que o capitão e o general andavam sem pre j untos, tinham os m esm os obj etivos e provavelm ente os m esm os m étodos para alcançá-los. O que tinha acontecido ali não significava nada, fosse ele vencido ou vencedor. Um a fanfarronada e nada m ais, um m onte de excrem entos que Mosse tinha colocado a seu redor para delim itar seu território. Frank estava preocupado com o que ainda poderia acontecer.
— Deveria utilizar outro com ando para seu doberm ann, general. Dizem que platz é o que funciona m elhor.
Mosse retesou-se, m as Parker o deteve com um gesto do braço.
Estendeu a outra m ão a Frank. Sem lhe dedicar um olhar sequer, Frank se levantou sozinho, tam bém espanando as roupas. Estava de pé, levem ente ofegante diante dos dois hom ens. Diante dos olhos azuis de Parker e do olhar do capitão Mosse, que j á tinha perdido todo o brilho e refletia de novo o lim bo em que sua m ente vivia.
Um a gaivota passou planando em cim a deles. Voou para o m ar, no céu azul, e lançou do alto, com o um a provocação, seu grito característico.
Parker dirigiu-se a Mosse.
— Ry an, poderia, por favor, ir até em casa ver se Helena não está fazendo algum a besteira? Muito agradecido.
Mosse lançou um últim o olhar a Frank. Por um segundo, seus olhos lam pej aram .
Um soldado não esquece.
O bulbo se apagou quase im ediatam ente. Virou e partiu em direção à casa. Frank pensou que andaria daquele m esm o j eito se a rua estivesse pavim entada de corpos hum anos. Se Ry an tivesse encontrado a inscrição “Eu mato…” feita com sangue, escreveria com o m esm o sangue: “Eu também…”
Era um hom em im piedoso e era m elhor não se esquecer dele.
— Deve desculpar o capitão Mosse, mister Ottobre.
Na voz do general não havia vestígios de ironia, m as Frank não tinha ilusões. No m om ento oportuno, em outras circunstâncias, sabia m uito bem que as coisas seriam diferentes. A ordem de Parker não se faria ouvir e Ry an não seria detido.
— Ele, com o dizer… às vezes se preocupa excessivam ente com a sorte de nossa fam ília. Às vezes se excede um pouco, devo adm itir, m as é um a pessoa de confiança e sinceram ente ligada a todos nós.
Sobre isso, Frank não tinha a m enor dúvida. A única desconfiança que tinha estava relacionada aos lim ites dos excessos do capitão, que eram traçados pelo general. E segundo Frank, seriam lim ites cada vez m ais vastos.
— A m ulher que viu há pouco é m inha filha Helena, irm ã m ais velha de Arij ane. O m enino que estava com ela é Stuart, m eu neto. Filho dela. Ela…
O tom da voz de Parker suavizou-se, transpassado por um a veia de tristeza.
— Bem , sem m eias palavras, ela sofre um grave distúrbio psíquico. Muito grave. A m orte de Arij ane foi o golpe de m isericórdia. Tentam os esconder-lhe os fatos, m as não foi possível.
O general ficou cabisbaixo. Apesar disso, Frank tinha dificuldades em vê-lo no papel de velho pai torturado pela dor. O detalhe de que, alguns m inutos antes, tinha definido o m enino prim eiro com o seu neto e só depois com o filho de Helena não lhe passou despercebido. Provavelm ente, o sentido da hierarquia e da disciplina regia, além da vida pública, sua vida privada. Com um pouco de cinism o, Frank chegou a pensar que a presença da filha e do neto em Montecarlo era um ótim o disfarce para as verdadeiras intenções de Parker.
— Arij ane era diferente, m ais forte. Era um a m ulher de fibra. Era m inha filha. Helena se parece com a m ãe, tem um tem peram ento frágil. Muito frágil. Às vezes faz as coisas sem perceber, com o hoj e. Certa vez, fugiu e vagou dois dias por aí antes que conseguíssem os encontrá-la, num estado lam entável. E acho que hoj e ia acontecer a m esm a coisa. Tem que ser m antida sob perm anente vigilância para evitar que se transform e num perigo para si m esm a e para os outros.
— Sinto m uito por sua filha, general. Por Helena e sobretudo por Arij ane, em bora nada disso m ude m inha opinião sobre o senhor e suas intenções. Se estivesse em seu lugar, talvez m e com portasse da m esm a m aneira, não sei. Fui designado para essa investigação e farei tudo para prender o assassino, pode contar com isso. Mas da m esm a form a, farei tudo para im pedir que siga adiante em seu plano, qualquer que sej a.
Parker não teve a reação furiosa da noite anterior. Talvez a recusa de Frank a colaborar j á estivesse arquivada sob a etiqueta “Taticam ente irrelevante”.
— Muito bem . É um hom em de caráter, m as certam ente não se surpreenderá ao saber que tam bém sou. Portanto, ouça m eu conselho e tenha m uito cuidado ao atravessar m eu cam inho quando eu estiver passando, mister Ottobre.
Dessa vez, a ironia com seu nom e despontou claram ente e Frank percebeu. Sorriu. Tal Ryan, tal Parker.
— Levarei em conta seu conselho, general, m as espero que não se aborreça, j á que, nesse m eio-tem po, pretendo continuar m inhas investigações. À m inha m oda. Em todo caso, agradeço m uito, mister Parker…
Ironia por ironia, com o o grito em tom de provocação de um a gaivota no céu azul, com o um assassino procurado pela j ustiça e pela vingança.
Frank virou-se e percorreu lentam ente os poucos m etros que o separavam da rua principal. Podia sentir o olhar perfurante do general em suas costas. À direita, entrevia-se por trás da cerca viva e da vegetação dos j ardins o teto da casa de Jean-Loup. Enquanto atravessava a rua em direção ao carro que esperava por ele, Frank ia se perguntando se o fato de Parker ter alugado um a casa a algum as centenas de m etros da casa do DJ era um a feliz coincidência ou um a escolha consciente.