Eu Mato

Giorgio Faletti · Capítulo 40 de 76

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Eu Mato

Capítulo 33

33

 

A VIAGEM ATÉ A CASA DE GREGOR YATZIMIN foi breve e longa ao m esm o tem po.

Frank, sentado ao lado do m otorista, ouvia o que Nicolas Hulot dizia com o olhar fixo diante de si. Seu rosto era um a m áscara de raiva silenciosa.

— Sabe quem é Gregor Yatzim in, não?…

O silêncio de Frank valia um a confirm ação.

— Mora… m orava aqui em Montecarlo e dirigia a Com pagnia dei Balletti. Ultim am ente, tinha problem as de visão.

Frank falou de repente, interrom pendo com o se não tivesse ouvido o que Hulot estava dizendo.

— Assim que ouvi seu nom e, entendi o quanto fom os burros. Devíam os ter im aginado que aquele filho da puta ia pegar m ais pesado. O prim eiro indício, Um homem, uma mulher, foi relativam ente fácil, j ustam ente porque era o prim eiro. Aquele desgraçado tinha que fornecer algum a chave de leitura. “Sam ba Pa Ti” era bem m ais com plicado. É óbvio que o terceiro seria ainda m ais difícil. E ele anunciou isso.

Hulot não conseguia seguir o raciocínio do am ericano.

— Anunciou em que sentido?

— O loop, Nicolas. O loop que gira, gira, gira. O cão que m orde o próprio rabo. Ele fez de propósito.

— De propósito o quê?

— Deu um indício que podia ser m al entendido, com duplo sentido. Ficam os na situação de ter de correr atrás do próprio rabo. Ele sabia que chegaríam os a Roby Stricker por causa do nom e inglês do DJ, das discotecas No Nukes. E enquanto todas as forças da polícia estavam em penhadas em proteger aquela espécie de hom em , ele ficava com pletam ente livre para atacar sua verdadeira vítim a…

Hulot term inou o discurso por ele.

— Gregor Yatzim in, o bailarino russo que estava ficando cego por causa da radiação que absorveu em Chernoby l, depois do acidente na central nuclear, em 1986. “Dance” não era um a referência à m úsica de discoteca, m as à dança. E “Nuclear Sun” era o núcleo radioativo de Chernoby l.

— Claro. Fom os uns idiotas. Devíam os ter entendido que não podia ser tão sim ples assim . E agora tem os m ais um m orto na consciência.

Frank bateu com o punho no painel do carro.

— Desgraçado filho da puta escroto!

Hulot entendia m uito bem o estado de espírito de Frank. Era o seu tam bém . Tinha vontade de gritar e socar as paredes. Ou a cara do assassino, infinitam ente, até transform á-la na m esm a m áscara de sangue de suas vítim as. Tanto ele quanto Frank eram policiais com um a certa experiência e, sem dúvida, não eram im becis, m as naquele m om ento tinham a sensação de que seu adversário os m antinha sob contínuo controle e possuía a habilidade de m anipulá-los a seu bel-prazer, com o peças num tabuleiro de xadrez.

Infelizm ente, os policiais dotados de consciência, assim com o os m édicos, nunca pensam nas vidas que conseguiram salvar: têm em m ente apenas as que perderam . Os elogios e as acusações da im prensa, dos superiores ou da sociedade nada têm a ver com isso. É um discurso pessoal, um discurso que cada um deles retom a no m esm o ponto em que estava na noite anterior, quando se olha no espelho pela m anhã.

O carro parou diante de um elegante edifício na Avenue Princesse Grace, pouco depois do Jardin Japonais. A cena era a de sem pre: a m esm a que viram até dem ais nos últim os tem pos e que não gostariam de estar revendo naquela noite. Os veículos da perícia e do instituto m édico-legal j á estavam estacionados na frente do prédio. O portão, guardado por dois agentes. Alguns j ornalistas j á tinham chegado e logo chegariam os dem ais. Hulot e Frank desceram do carro e foram em direção a Morelli, que esperava na frente do portão. Seu rosto era a peça que faltava no quebra-cabeça da furiosa frustração geral.

— E aí, Morelli? — perguntou Hulot enquanto entravam j untos no edifício.

Morelli indicou a porta do elevador.

— Com o sem pre. O rosto sem pele, a m ensagem “Eu mato…” escrita com sangue. Mesm o procedim ento dos outros, m ais ou m enos.

— Com o assim , m ais ou m enos?

— Dessa vez a vítim a não foi apunhalada. O assassino liquidou-a com um tiro antes de…

— Um tiro de revólver? — interrom peu Frank, incrédulo. — Um tiro no m eio da noite faz um belo estrondo. Alguém ouviu algum a coisa?

— Nada. Ninguém ouviu nada.

O elevador chegou ao térreo, silencioso com o só os elevadores de luxo conseguem ser. As portas se abriram sem nenhum ruído. Entraram .

— Últim o andar — disse Morelli a Hulot, que estava com o dedo suspenso na frente do painel de com ando.

— Quem descobriu o corpo?

— O secretário de Yatzim in. Secretário e confidente. Acho que era tam bém seu am ante. Tinha saído com um grupo de am igos da vítim a: bailarinos de Londres. Yatzim in não quis ir, m as insistiu para que fossem sem ele.

Chegaram ao últim o andar e as portas do elevador deslizaram sobre suas guias bem lubrificadas. A porta do apartam ento de Gregor Yatzim in estava escancarada, todas as luzes acesas. Via-se o rebuliço típico da cena de um crim e. Os agentes da perícia trabalhavam , enquanto os hom ens de Hulot revistavam m eticulosam ente cada canto da casa.

— Por aqui.

Morelli abriu cam inho. Atravessaram o apartam ento luxuosam ente decorado, de estilo vagam ente glam oroso. Chegaram à porta do aposento que parecia ser o quarto de dorm ir j ustam ente na hora em que o legista estava saindo de lá. Aliviado, Hulot constatou que não era Lassalle, m as Coudin. Sua presença significava que os andares de cim a estavam preocupados, m uito preocupados, j á que tinham ido incom odar nada m ais, nada m enos que o núm ero um .

— Bom -dia, delegado Hulot.

Nicolas se lem brou da hora.

— É verdade, tem razão, doutor. Bom -dia. Mas tenho a leve suspeita de que não será um bom dia. E então, o que m e diz?

— Nada de sensacional. No que diz respeito às prim eiras am ostras, é claro. Sobre a tipologia do hom icídio a coisa é bem diferente. Se quiser ir dando um a olhada…

Seguiram Frank, que j á tinha entrado no quarto. Todos ficaram , ainda um a vez, horrorizados com o espetáculo que se apresentava diante de seus olhos. Já tinham visto aquela cena, em diversas m odalidades e circunstâncias, m as era difícil se habituar a um a coisa daquelas.

Gregor Yatzim in estava estendido no leito, as m ãos cruzadas sobre o peito, na posição em que se costum am colocar os m ortos. Se não fosse pela cabeça barbaram ente m utilada, evocava um corpo devidam ente preparado por algum a agência funerária, à espera de seu caixão. Na parede, sarcástica com o sem pre, a m ensagem escrita com fúria e sangue.

Eu mato…

Diante da m orte, todos ficaram em silêncio. Diante daquela m orte. Um novo hom icídio sem m otivo, sem nenhum a explicação senão a que habitava o cérebro doentio de quem o com etera. A raiva era agora um a lâm ina em brasa, não m enos afiada que a do assassino, que girava dentro de chagas dolorosas.

A voz do inspetor Morelli tirou-os daquela espécie de transe em que tinham caído, subj ugados pelo fascínio hipnótico do m al em estado puro.

— Tem algo de diferente…

— O quê?

— Bem , é um a sensação, m as não vej o o delírio dos outros hom icídios. Não há sangue por todo lado, não há fúria. Até a posição do cadáver. Dá a im pressão de que havia um … um certo respeito pela vítim a. É isso.

— Está querendo dizer que aquele anim al é capaz de sentir piedade?

— Não sei. Provavelm ente é só um a bobagem , m as foi o que senti quando entrei aqui.

Frank pousou um a m ão no om bro de Morelli.

— Tem razão, a cena é diferente das outras. Não acho que tenha dito um a bobagem . E m esm o que fosse, seria só um pequeno acréscim o a todas as besteiras que j á dissem os e fizem os essa noite.

Deram um a últim a olhada no corpo de Gregor Yatzim in, o etéreo bailarino, o “cisne m udo”, com o tinha sido apelidado pela crítica do m undo inteiro. Mesm o naquela posição fúnebre, horrendam ente desfigurado, transm itia um a sensação de graça, com o se seu talento fosse tão im enso que nem m esm o a m orte conseguia alterá-lo.

Coudin saiu do quarto e os três o seguiram .

— E então? — perguntou Hulot, em bora alim entasse poucas esperanças.

O legista deu de om bros.

— Nada de especial. À parte o obstinado procedim ento no rosto, que foi realizado, acho eu, com um instrum ento de corte adequado, provavelm ente um bisturi, não há o que destacar. O exam e dos ferim entos no rosto deve ser feito num local apropriado, em bora eu possa dizer, à prim eira vista, que o trabalho foi feito com m uita perícia.

— Bem , nessa altura, nosso am igo j á tem um a certa prática.

— A m orte foi causada por um tiro de arm a de fogo, disparado a pouca distância. Mas tam bém nesse caso, só posso arriscar que é de grosso calibre, talvez um calibre 9. Tiro no coração, m orte praticam ente instantânea. Pela tem peratura do corpo, creio que ocorreu há cerca de duas horas.

— Justam ente quando estávam os perdendo nosso tem po com aquele babaca do Stricker — sibilou Frank à m eia-voz.

O olhar de Hulot só veio confirm ar que Frank estava expressando o pensam ento de todos eles.

— Bem , eu j á term inei por aqui — cortou bruscam ente Coudin. — No que m e diz respeito, podem rem over o corpo. Mandarei o relatório da autópsia em breve.

Hulot não tinha dúvidas sobre isso. Provavelm ente tinham posto um bocado de pim enta no olho de Coudin tam bém . E isso não era nada em com paração com a dose que esperava por ele.

— Está certo, doutor. Obrigado. Bom -dia.

O legista olhou o delegado em busca de traços de ironia. Descobriu apenas o olhar opaco de um hom em derrotado.

— Para o senhor tam bém , delegado. E boa sorte.

Am bos sabiam o quanto precisaria dela.

O m édico se afastou enquanto chegavam os responsáveis pela rem oção do corpo. Hulot fez um sinal com a cabeça e os dois entraram no quarto desdobrando o saco para transportar cadáveres.

— Vam os trocar duas palavrinhas com o tal secretário, Morelli.

— Enquanto isso, vou dar um a olhada por aí — disse Frank, distraído.

Hulot seguiu Morelli até o fundo do corredor, à direita do quarto de dorm ir. O apartam ento era dividido de m aneira bastante orgânica, em área do dia e área da noite. Atravessaram salas cobertas por cartazes celebrando o infeliz dono da casa. O secretário de Gregor Yatzim in estava sentado na cozinha, na com panhia de um policial.

Pelos olhos verm elhos, via-se claram ente que tinha chorado. Era pouco m ais que um rapazinho, de tipo frágil, pele diáfana e cabelos cor de areia. Na m esa diante deles havia um a caixa de lenços de papel e um copo com um líquido cor de âm bar. Hulot achou que era conhaque.

Quando os viu entrar, ele se levantou.

— Sou o delegado Nicolas Hulot. Fique à vontade, por favor, senhor…

— Boris Devchenko. Sou o secretário de Gregor. Eu…

Falava francês com forte sotaque eslavo. As lágrim as subiram a seus olhos enquanto se sentava. Abaixou a cabeça e pegou um lenço às apalpadelas.

— Desculpem -m e, m as o que aconteceu é tão horrendo…

Hulot pegou um a cadeira e sentou-se na frente dele.

— Não precisa se desculpar, sr. Devchenko. Acalm e-se, se for possível. Preciso lhe fazer algum as perguntas.

Num gesto brusco, Devchenko levantou o rosto sulcado de lágrim as.

— Não fui eu, senhor delegado. Estava fora com am igos, todo m undo m e viu. Queria m uito bem a Gregor, nunca seria capaz de fazer um a coisa… um a coisa desse tipo.

Hulot sentiu um a ternura im ensa pelo rapaz. Morelli tinha razão. Quase certam ente eram am antes. E isso não m udava em nada sua consideração. O am or é o am or, não im porta com o se m anifesta. Ele m esm o j á tinha conhecido casais hom ossexuais que viveram suas histórias com um a delicadeza de sentim entos dificilm ente encontrável em outros casais m ais convencionais.

Sorriu.

— Fique tranquilo, Boris, ninguém está acusando você de nada. Só queria alguns esclarecim entos para entender o que aconteceu nesta casa durante a noite. Só isso.

Boris Devchenko pareceu m ais calm o ao saber que ninguém o acusava de nada.

— Ontem à tarde chegaram alguns am igos de Londres. Roger Darling, o coreógrafo, deveria ter vindo tam bém , m as ficou preso na Inglaterra no últim o m inuto. No início, era Gregor quem faria Billy Elliot adulto, m as depois sua visão piorou drasticam ente…

Hulot lem brou que tinha visto o film e no verão, com Céline.

— Fui pegá-los no aeroporto, em Nice. Viem os para cá e j antam os em casa. Quem cozinhou fui eu. Depois, propusem os a Gregor que saíssem os, m as ele não se anim ou. Ele m udou m uito depois que o problem a em seus olhos se agravou…

Olhou para o delegado, que fez um sinal com a cabeça confirm ando que conhecia a história de Gregor Yatzim in. A exposição às radiações de Chernoby l causara um a degeneração irreversível do nervo óptico, que o levou à cegueira absoluta. Sua carreira desm oronou quando ficou evidente que nunca m ais poderia se m over num palco sem aj uda.

— Nós saím os e ele ficou aqui sozinho. Talvez ele ainda estivesse vivo, se eu tivesse ficado em casa.

— Não se culpe assim . Num caso com o esse, não havia nada que pudesse fazer.

Hulot não achou que era o caso de sublinhar que, se Boris tivesse ficado em casa, m uito provavelm ente teriam encontrado dois cadáveres em vez de um .

— Não notou nada de diferente nesses últim os dias? Algum a pessoa encontrada por acaso m ais de um a vez, um telefonem a estranho, algum detalhe insólito, qualquer coisa…

Devchenko estava envolvido dem ais com seu desespero para perceber a nota de angústia na voz de Hulot.

— Não, nada. Eu, aliás, cuidava de Gregor em tem po integral e isso m e absorvia com pletam ente. Cuidar de um hom em quase cego exige m uito em penho.

— Tem em pregados?

— Nenhum fixo. Tem um a m ulher que vem todos os dias para cuidar da lim peza, m as vai em bora à tarde.

Hulot olhou para Morelli.

— Pegue o nom e dela, em bora eu tenha certeza de que não vam os conseguir nada com ela. Sr. Devchenko…

O tom de voz do delegado abrandou quando falou novam ente com o rapaz.

— Gostaríam os de lhe pedir que passasse na central de polícia para assinar seu depoim ento e tam bém que ficasse disponível para nos aj udar a resolver essa história. Se puder não deixar a cidade, ficaríam os m uito agradecidos.

— Claro, delegado. Qualquer coisa, desde que a pessoa que m atou Gregor dessa m aneira pague pelo que fez.

O m odo com o disse essas palavras fez com que Hulot não tivesse dúvida de que, se estivesse em casa, Boris Devchenko teria arriscado a própria pele para tentar salvar Gregor Yatzim in. E teria perdido a vida.

Hulot levantou e deixou Morelli falando com Devchenko. Voltou para o salão, onde a perícia estava term inando seu trabalho. Dois agentes vieram em sua direção.

— Delegado…

— Falem .

— Fom os interrogar os vizinhos do andar de baixo. Ninguém viu nem ouviu nada.

— Mas um tiro foi disparado.

— Quem m ora bem aqui em baixo é um casal de idosos. Tom am sedativos para dorm ir. Disseram que não ouvem nem os fogos de artifício durante o Mundial, im agine um tiro. No apartam ento em frente ao deles m ora um a senhora sozinha, bastante idosa tam bém . Não está aqui nesse m om ento e quem está lá é um neto de Paris, um rapaz de 22, 23 anos. Circulou a noite inteira pelas discotecas e tinha acabado de chegar em casa na hora em que tocam os a cam painha. Obviam ente, não viu nem ouviu nada.

— E o apartam ento ao lado deste?

— Está vazio. Acordam os o porteiro, que nos entregou as chaves. É provável que o assassino tenha passado por lá, pulando a varanda que se com unica com a daqui. Mas não há sinais de arrom bam ento. Não entram os para não contam inar a cena, m as a perícia vai passar por lá, assim que term inar aqui.

— Muito bem — disse Hulot.

Frank retornou de sua volta de inspeção. Hulot com preendeu que tinha feito isso para ficar sozinho um instante e esfriar a raiva que sentia. E para refletir. Provavelm ente, im aginava que não encontrariam nenhum traço do assassino pela casa. A análise que fazia era ligada a um instinto inconsciente, àquilo que, às vezes, a cena de um crim e transm ite além da sim ples percepção sensorial com um .

Naquele m om ento, Morelli tam bém saiu da cozinha.

— Ao que tudo indica, sua sensação era correta, Morelli.

Olharam para ele em silêncio, à espera da continuação.

— Não há traços de sangue em toda a casa, à parte aquelas poucas m anchas na colcha da cam a. Nem um único traço. E sabem os que um trabalho daquele tipo, com o infelizm ente j á pudem os com provar, produz m uito, m uito sangue.

Frank tinha voltado a ser o de sem pre. Parecia que a derrota daquela noite não tinha deixado traços, m as Nicolas estava cansado de saber que não era bem assim . Ninguém pode esquecer tão rapidam ente que, em bora tivesse tido a possibilidade de salvar um a vida hum ana, não tinha conseguido.

— Nosso hom em lim pou a casa perfeitam ente quando term inou de fazer o que tinha de fazer. Tenho certeza de que a análise do apartam ento com Lum inol vai m ostrar os indícios de sangue.

— E por quê, na sua opinião? Por que não quis deixar traços de sangue?

— Não tenho a m ais pálida ideia. Talvez tenha acontecido o que Morelli disse.

— Eu m e pergunto se um anim al com o esse poderia sentir algum a form a de piedade por Gregor Yatzim in, se o m otivo seria esse m esm o.

— Isso não m uda nada, Nicolas. É possível, m as não tem nenhum a im portância. Dizem que até Hitler am ava com ternura seu cão, e no entanto…

Ficaram em silêncio, andando em direção à entrada do apartam ento. Através da porta aberta, viram os assistentes do legista carregando o corpo de Gregor Yatzim in pelo am plo saguão, dentro do saco de encerado verde-escuro, e entrando no elevador para não ter que descer seis andares a pé carregando um cadáver.

Lá fora o dia nascia. Seria um novo dia, irm ão de sangue de todos que tinham se passado desde que a história com eçara. Diante do prédio de Gregor Yatzim in encontrariam um a m ultidão de j ornalistas. Enfrentaria um a artilharia de perguntas com o tiros e um a bateria antiaérea de “nada a declarar”. A m ídia os provocaria. Os superiores de Hulot iam explodir. Roncaille talvez perdesse um pouco de seu bronzeado e o rosto diáfano de Durand talvez ganhasse um a bela cor esverdeada. Enquanto desciam as escadas a pé, Frank Ottobre pensava que qualquer um que investisse contra eles estaria desgraçadam ente coberto de razão.