O Historiador

Elizabeth Kostova · Capítulo 14 de 83

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O Historiador

Capitulo 12

16 de Dezembro de 1930 Trinity College, Oxford Meu caro e desventurado sucessor

Neste ponto, a minha história quase me alcançou, ou eu a alcancei a ela, e tenho de contar

os acontecimentos que a trarão para o presente, onde espero que termine, pois não consigo pensar

na possibilidade de mais horrores como estes no futuro. Como já relatei, acabei por pegar de novo

no meu estranho livro, como um homem impelido por um vício. Disse a mim mesmo, antes de o

fazer, que a minha vida voltara ao normal, que a minha experiência em I stambul fora estranha

mas decerto era explicável, e tomara proporções exageradas por causa do meu espírito cansado

da viagem. P ortanto, peguei literalmente no livro outra vez, e sinto que devo contar-lhe como foi

esse momento nos termos mais literais possíveis.

Foi numa noite chuvosa de Outubro, há apenas dois meses. O semestre tinha começado e eu

desfrutava da agradável solidão dos meus aposentos, depois do jantar, enquanto esperava pelo

meu amigo Hedges, um catedrático só dez anos mais velho do que eu e de quem gostava muito.

E ra uma pessoa desajeitada e sobretudo com bom coração, cujos gestos de desculpas e o sorriso

tímido e afável escondiam uma inteligência tão aguda que muitas vezes eu dava graças por ele a

ter dirigido para a literatura do século dezoito e não para os seus colegas. A não ser pela sua

timidez, sentir-se-ia perfeitamente à vontade a conversar com A ddison, Swift e P ope num café

qualquer de Londres. T inha poucos amigos, nunca olhara diretamente para uma mulher com

quem não tivesse uma relação de parentesco e não alimentava sonhos que fossem além dos

campos de Oxford, onde gostava de caminhar, debruçando-se de vez em quando numa cerca para

apreciar as vacas a ruminar nos pastos. A sua gentileza era visível no formato da sua grande

cabeça, nas mãos carnudas e nos serenos olhos castanhos, tanto que ele próprio parecia bastante

bovino, ou com um ar de texugo, até ao momento em que o seu sarcasmo inteligente irrompia de

modo inesperado. E u adorava ouvi-lo falar sobre o seu trabalho, que ele discutia com modéstia

mas com entusiasmo, e nunca deixava de insistir para que eu falasse também do meu. O nome

dele era. bem, pode encontrá-lo em qualquer biblioteca, se bisbilhotar um pouco, pois ele

ressuscitou, para o leitor leigo, vários génios literários de I nglaterra. M as vou chamar-lhe

Hedges, um nom-de-guerreque inventei para lhe dar nesta narrativa a privacidade e a decência

que teve em vida.

Naquela noite em particular, Hedges viria trazer-me os rascunhos dos dois artigos que eu

espremera do meu trabalho em Creta. T inha-os lido e corrigido a meu pedido; embora não

pudesse pronunciar-se sobre a exatidão ou inexatidão das minhas descrições do comércio no

antigo M editerrâneo, escrevia como um anjo, o tipo de anjo cuja precisão lhe permitiria dançar

na cabeça de um alfinete, e muitas vezes sugeria aperfeiçoamentos ao meu estilo. E u já previa

meia hora de críticas amigáveis, depois um xerez e aquele agradável momento em que um amigo

verdadeiro estica as pernas diante da lareira e nos pergunta como estamos. Não lhe contaria a

verdade sobre os meus nervos abalados e ainda em recuperação, é claro, mas poderíamos

conversar sobre qualquer outra coisa.

E nquanto esperava, remexi o lume da lareira, juntei-lhe mais lenha, preparei dois copos e

inspeccionei a minha secretária. O meu gabinete de trabalho também me servia de sala de estar e

eu fazia questão de o manter tão em ordem e confortável como a solidez do seu mobiliário do

século dezenove exigia. Terminara uma boa quantidade de trabalho naquela tarde, jantara uma

refeição que me fora trazida às seis horas e em seguida desembaraçara-me do último dos meus

textos. A escuridão já estava a chegar cedo e, com ela, viera uma chuva enviesada, melancólica.

P ara mim, este é um gênero de noite de Outono agradável, e não desolador; por isso só senti um

leve arrepio de premonição quando a minha mão, à procura de qualquer coisa para ler durante

uns dez minutos, caiu por acaso no antigo volume que eu tinha andado a evitar. Deixara-o

enfiado entre outros títulos menos perturbadores numa prateleira por cima da secretária. E ntão

sentei-me, sentindo na mão, com um prazer furtivo, a suavidade de camurça da velha capa, e abri

o livro.

A percebi-me imediatamente de qualquer coisa de muito estranho. Um cheiro subia das suas

páginas, que não era apenas o do papel envelhecido e do velino gretado. E ra um fedor de

decomposição, um odor terrível e enjoativo, um cheiro de carne velha ou apodrecida. Nunca

notara isso antes e aproximei o nariz, incrédulo, e então fechei o livro. Reabri-o um instante

depois e novamente as emanações repugnantes, que davam a volta ao estômago, desprenderam-

se das suas páginas. O pequeno volume parecia vivo nas minhas mãos, e contudo cheirava a

morte.

O inquietante mau cheiro trouxe-me outra vez todo o medo nervoso da minha viagem de

regresso ao continente, e só consegui acalmar os meus sentimentos com um esforço concentrado.

Os livros velhos apodreciam, era um fato, e eu viajara com aquele no meio de chuvas e temporais.

O que certamente poderia explicar o cheiro. Talvez devesse levá-lo outra vez à seção de Livros

Raros e perguntar como poderia mandar limpá-lo, ou fumigá-lo, o que fosse preciso.

Se não estivesse calculadamente a esquivar-me à minha reação àquela desagradável

presença, teria largado o livro, guardando-o de novo na estante. M as agora, pela primeira vez

em muitas semanas, forcei-me a abri-lo naquela extraordinária imagem central, o dragão de asas

abertas e os dentes à mostra sobre o seu estandarte. E , de repente, trémulo, vi com exatidão algo

novo, que entendi pela primeira vez. Nunca fui dotado de grande perspicácia na minha

compreensão visual do mundo, mas uma súbita acuidade dos sentidos revelou-me o contorno

completo do dragão, as suas asas estendidas e a cauda enrolada. Num espasmo de curiosidade,

revirei o pacote de anotações que trouxera de I stambul e deixara esquecido numa gaveta da

secretária. A o abri-lo, nervoso, encontrei a página que queria; arrancada do meu caderno de

notas, mostrava um esboço que fizera nos arquivos de I stambul, uma cópia do primeiro dos

mapas que lá encontrara.

Se bem se lembra, havia três desses mapas, graduados numa escala que apresentava a

mesma região não identificada em pormenores cada vez maiores. E ssa região, mesmo rabiscada

por mim com a minha falta de habilidade artística, embora com cuidado, tinha uma forma bem

definida. P arecia-se, sem sombra de dúvida, com um animal simetricamente alado. Um comprido

rio ondulava a partir dele para sudoeste, curvando-se para trás como a cauda do dragão. E u

analisava a xilogravura, o coração a palpitar-me de modo estranho. A cauda do dragão era em

forma de farpa, com uma seta na extremidade que apontava e abafei um grito, esquecendo todas

as semanas que passara a recuperar da minha obsessão anterior para o local que correspondia no

meu mapa ao sítio da "Tumba ímpia".

A semelhança entre as duas imagens era demasiado marcante para ser coincidência. Como é

que eu não tinha reparado, no arquivo, que a região representada nesses mapas tinha exatamente

a forma do meu dragão pairando de asas abertas, como se, lá de cima, lançasse a sua sombra

sobre ela? A gravura que tanto me intrigara antes da viagem devia ter um significado preciso,

trazer uma mensagem. Fora planeJ ada para ameaçar e intimidar, para celebrar o poder. P ara

alguém que fosse persistente, porém, poderia ser uma pista; a cauda apontava para o túmulo com

tanta segurança como quando se aponta um dedo para si mesmo: este sou eu. E stou aqui. E

quem está lá, nesse ponto central, nessa "Tumba ímpia"? O dragão segurava a resposta nas suas

garras cruelmente aguçadas: DRÁCULA.

Senti um gosto acre de tensão, como o do meu próprio sangue, no fundo da garganta. Sabia

que devia abster-me de tirar tais conclusões, como o meu treino me recomendava, mas a

convicção era mais profunda do que a razão. Nenhum dos mapas mostrava o lago Snagov, onde

Vlad Tepes supostamente fora sepultado. I sto significava certamente que Tepes Drácula

repousava noutro lugar, um lugar que nem as lendas tinham registRado de modo fiável. M as

onde ficava, então, o seu túmulo? Fiz a pergunta em voz alta e áspera, sem querer. E por que

motivo a localização fora mantida em segredo?

E nquanto estava sentado tentando juntar as peças do quebra-cabeças, ouvi o som

conhecido de passos no corredor da faculdade o andar arrastado, afável, de Hedges e pensei,

aturdido, que tinha de esconder aquele material, ir até aporta, servir o xerez e recompor-me para

uma conversa coloquial. J á estava meio levantado, juntando os papéis, quando ouvi o repentino

silêncio. Foi como um erro em música, uma nota sustida demasiado tempo, uma entrada

atrasada, que prende a atenção do ouvinte como nenhum acorde definido o faria. Os passos

conhecidos, afáveis, tinham parado à minha porta, mas Hedges não batera como sempre fazia. O

meu coração fez eco com aquela perceptível ausência de batida. A cima do restolhar dos meus

papéis e do gotejar dos pingos de chuva no algeroz por cima da minha janela, agora escura,

escutei um zumbido o som do meu sangue nos meus ouvidos. Larguei o livro, corri para a porta

que dava para o exterior, destranquei-a e escancarei-a.

Hedges estava lá, mas caído no chão encerado, a cabeça atirada para trás e o corpo torcido

para o lado, como se uma grande força o tivesse derrubado. Dei-me conta, com um arrepio de

náusea, que não ouvira nenhum grito nem o corpo a cair. T inha os olhos abertos, e olhava

fixamente para um ponto atrás de mim. P or um infindável segundo, achei que estava morto.

Então, ele mexeu a cabeça e gemeu. Ajoelhei-me ao seu lado.

-Hedges!

Ele gemeu de novo e pestanejou rapidamente.

— Está a ouvir-me? — arquejei, quase a soluçar de alívio por ele estar vivo. Naquele momento, a cabeça rolou convulsivamente e revelou um corte sangrento no lado do

pescoço. Não era grande, mas parecia profundo, como se um cão o tivesse atacado e rasgado a

carne, e estava a sangrar abundantemente para a gola, pingando do ombro para o chão.

— Socorro! gritei.

Duvido que alguém tivesse rompido o silêncio daquele corredor revestido de painéis de

carvalho com tanta violência desde que fora construído, há séculos atrás. E eu não sabia se

adiantaria; aquela era a noite em que a maioria dos professores jantava com o diretor da

faculdade. E ntão, uma porta escancarou-se na outra ponta e o criado pessoal do professor

J eremy Forester veio a correr, um ótimo sujeito chamado Ronald E gg, que já lá não trabalha. E le

pareceu avaliar a situação de imediato, com os olhos arregalados, e depois ajoelhou-se para

amarrar com um lenço a ferida do pescoço de Hedges.

— P ronto — disse-me. — É preciso sentá-lo, senhor, manter o corte elevado, se ele não

tiver outros ferimentos. — A palpou o corpo rígido de Hedges e, como o meu amigo não

protestou, encostámo-lo à parede. Amparei-o com o meu ombro, onde ele se apoiou pesadamente,

os olhos a fecharem-se. — Vou buscar um médico — disse Ronald, e desapareceu no corredor.

M antive um dedo no pulso de Hedges; a sua cabeça tombou para o meu lado, mas o ritmo

cardíaco parecia estável. Não pude evitar tentar chamá-lo de novo à consciência.

— O que aconteceu, Hedges? Alguém o atacou? Está a ouvir— me? Hedges? E le abriu os olhos e olhou para mim. A cabeça descaía para um lado e metade do seu rosto

parecia flácida, azulada, mas falava de modo inteligível.

— Ele mandou-me dizer-lhe...

— O quê? Quem?

— Ele mandou-me dizer-lhe que não vai tolerar intrusões. A cabeça de Hedges tombou para a parede, aquela excelente e grande cabeça que abrigava

um dos melhores espíritos de I nglaterra. A pele dos meus braços arrepiou-se enquanto o

amparava.

— Quem, Hedges? Quem lhe disse isso? Ele feriu-o? Você viu-o? A saliva borbulhou-lhe no canto da boca e as mãos agitaram-se ao lado do corpo. — Não vai tolerar intrusões — balbuciou.

— Fique quieto agora — pedi. — Não fale. O médico está a chegar. P rocure relaxar e

respirar com calma.

— Deus do céu — murmurou Hedges — Pope e a aliteração. Doce ninfa. A debater. Olhei fixamente para ele, com um aperto no estômago. — Hedges?

— The Rape of the Lock {1} — disse Hedges, num tom educado. — Sem dúvida nenhuma. O médico da universidade que o internou no hospital contou-me que Hedges tivera um

derrame juntamente com o ferimento.

— Causado pelo choque. A quele corte no pescoço — acrescentou ele fora do quarto de

Hedges — parece que foi feito por alguma coisa aguda, mais provavelmente por dentes aguçados,

por um animal. O senhor tem algum cão?

— Claro que não. São proibidos nos quartos da universidade. O médico abanou a cabeça.

— M uito estranho. A cho que ele foi atacado por um animal quando se dirigia para o seu

quarto, e o choque causou-lhe um derrame que talvez estivesse à espera para acontecer. E stá

bastante fora de si por enquanto, embora consiga formular palavras coerentes. A credito que

haverá uma investigação, por causa do ferimento que sofreu, mas parece-me que no fim desta

história vamos acabar por descobrir que alguém tinha um cão de guarda feroz. Procure saber que

percurso é que ele fez até ao seu apartamento.

A investigação não chegou a nenhuma conclusão satisfatória, mas também não fui

indiciado, pois a polícia não encontrou motivos ou provas de que eu tivesse ferido Hedges. Hedges

estava incapaz de testemunhar, e acabaram por classificar o incidente como "ferimento auto-

infligido", o que me pareceu uma nódoa que poderia ter sido evitada na reputação dele. Certo dia,

durante uma visita à clínica onde ele se encontrava, pedi a Hedges, com muita calma, para pensar

nestas palavras: "Não vou tolerar intrusões."

Lançou-me um olhar indiferente e tocou com os dedos roliços, ociosos, aferida a vermelhada

no pescoço.

— Se é assim, Boswell{2} — disse ele, num tom agradável, quase bem-humorado. — Se não,

vá-se embora.

Dias mais tarde, Hedges teve um segundo derrame durante a noite e morreu. Na clínica não

houve registros de mais ferimentos externos no seu corpo. Quando o diretor da faculdade veio

dar-me a notícia, jurei a mim mesmo que tentaria incansavelmente vingar a morte de Hedges, se

conseguisse descobrir como.

Não tenho ânimo para contar em pormenor como foi dolorosa a cerimónia realizada em sua

homenagem na nossa capela em T rinity, os soluços abafados do seu velho pai quando o coro de

rapazes começou a entoar os seus salmos maravilhosamente executados para reconfortar os

vivos, a raiva que senti pela impotente E ucaristia na sua bandeja. Hedges foi enterrado na sua

aldeia de Dorset e visitei sozinho o seu túmulo num dia ameno de Novembro. Na lápide, está

escrito RE QUI E SCAT I N PA CE , que era exatamente o que eu também teria escolhido, se a

decisão tivesse sido minha. P ara meu infinito alívio, é o mais sossegado dos cemitérios de

província, e o pároco fala do enterro de Hedges com tanta naturalidade como falaria sobre o de

qualquer outro membro honrado da comunidade local. Não ouvi nenhuma história sobre um

vrykolakas inglês no pub da rua principal, nem mesmo quando deixei escapar as alusões mais

amplas e diretas. A final, Hedges foi atacado apenas uma vez, e não as muitas que Stoker diz

serem necessárias para infectar uma pessoa viva com o contágio dos mortos-vivos. A credito que

ele tenha sido sacrificado como um mero aviso para mim. E para si, igualmente, infeliz leitor?

Seu, com profundo pesar, Bartholomew Rossi

O meu pai mexeu o gelo no copo, talvez para dar firmeza à mão e ocupar-se com alguma coisa. O calor da tarde amainara e transformara-se num calmo anoitecer veneziano, fazendo as sombras dos turistas e dos edifícios alongarem-se pela piazza. Um grande bando de pombos levantou voo do chão empedrado, assustado por alguma coisa, e volteou por cima das nossas cabeças, enorme, no ar. O frio de todas aquelas bebidas geladas tomara finalmente conta de mim, penetrara-me nos ossos. Alguém deu uma gargalhada, à distância, e ouvia-se o grito das gaivotas por cima do ruído dos pombos. E nquanto estávamos ali sentados, um rapaz de camisa branca e jeans aproximou-se a passos largos para falar conosco. T razia, uma bolsa de lona pendurada num dos ombros e tinha a camisa salpicada de tinta de várias cores.

— Quer comprar uma pintura, signore? — disse, sorrindo para o meu pai. — O senhor e a signorina foram as estrelas do meu trabalho hoje.

— Não, não, grazie — respondeu o meu pai automaticamente.

As praças e ruelas estavam cheias desses estudantes de arte. Aquela era a terceira cena de Veneza que nos ofereciam naquele dia; o meu pai mal olhou para a pintura. O rapaz, ainda a sorrir e talvez sem querer deixar-nos sem pelo menos um cumprimento pelo seu trabalho, estendeu-mo para que o visse e eu abanei a cabeça com simpatia, olhando para a pintura. Um segundo depois, partiu saltitante em busca de outros turistas, e eu fiquei sentada, gelada, a vê-lo afastar-se.

A pintura que me mostrara era uma aguarela de cores vivas. Representava o nosso café e a ponta do café Florian, os toldos ondulando ao sol, uma luminosa e tranquila impressão da tarde. O artista devia estar instalado algures atrás de mim, concluí, mas muito próximo do café; pintara um borrão de cor que reconheci como a copa do meu chapéu de palha vermelho, com o meu pai em tons manchados de castanho e azul. E ra um trabalho elegante, informal, a imagem da indolência do Verão, algo que um turista gostaria de guardar como recordação de um dia sem mácula no Adriático. M as o meu rápido olhar para a tela mostrara-me também uma figura solitária sentada mais à frente do meu pai, uma pessoa de ombros largos e cabelo escuro, nítida silhueta negra no meio das cores alegres dos toldos e das toalhas das mesas. Aquela mesa, lembrava-me claramente, estivera vazia toda a tarde.