O Historiador
Capítulo 48
E sta foi a última das cartas de Rossi, provavelmente a última que escrevera ao seu
amigo. Sentado ao lado de H elen no autocarro de regresso a B udapeste, voltei a dobrar cuidadosamente as páginas e peguei-lhe na mão só por um segundo.
— H elen — disse, hesitante, porque senti que um de nós, pelo menos, tinha de o dizer
em voz alta. — Você é descendente de Vlad Drácula.
E la olhou para mim, depois para fora da janela do autocarro, e pareceu-me ter visto no
seu rosto que ela própria não sabia como se sentir em relação àquilo, mas que sabê-lo fazia todo o seu sangue retorcer-se, revirar-se nas suas veias.
J á era quase noite quando H elen e eu descemos do autocarro em B udapeste, mas
apercebi-me, com uma sensação de choque, de que tínhamos saído da estação rodoviária naquele mesmo dia, naquela manhã. E ra como se tivesse vivido alguns anos desde então. As cartas de Rossi estavam em segurança na minha pasta e o seu conteúdo enchia-me a cabeça de imagens comoventes; também via um reflexo delas nos olhos de H elen. E la mantinha uma das suas mãos aninhada no meu braço, como se as revelações daquele dia tivessem abalado a sua segurança. A minha vontade era passar o meu braço em volta dela, abraçá-la e beijá-la ali na rua, dizer-lhe que nunca a deixaria e que Rossi nunca deveria... nunca deveria ter deixado a sua mãe, é isso. C ontentei-me em apertar firmemente a mão dela contra o meu corpo e deixar que ela nos guiasse de regresso ao hotel.
N o momento em que entramos no vestíbulo, tive outra vez a sensação de que
tínhamos estado ausentes durante um longo tempo como era estranho que estes lugares desconhecidos começassem a parecer-me familiares em poucos dias, refleti. H avia um bilhete para Helen, da tia, que ela leu ansiosa.
— E u já imaginava. E la quer que jantemos com ela esta noite, aqui no hotel. Suponho
que vem despedir-se de nós.
— Vai contar-lhe?
— Sobre as cartas? P rovavelmente sim. C onto sempre tudo a E va, mais cedo ou mais
tarde.
P erguntei-me se teria contado à tia alguma coisa sobre mim que eu não soubesse,
depois tirei a idéia da cabeça. T ínhamos pouco tempo para nos lavarmos e vestirmos nos nossos quartos antes do jantar, vesti a camisa mais limpa das duas sujas que tinha, fiz a barba no lavatório requintado e, quando desci novamente, E va já lá estava, mas H elen não. Eva estava de pé diante da janela da frente, de costas para mim, o rosto virado para a rua e para a luz do entardecer que aos poucos se desvanecia. V ista assim, não mostrava toda a vigilância e intensidade do seu comportamento em público; as suas costas, num casaco verde-escuro, estavam relaxadas, mesmo um pouco curvadas. V irando-se de repente, poupou-me ao problema de decidir chamá-la ou não, e vi preocupação no seu rosto antes que o seu maravilhoso sorriso se acendesse na minha direção. Apressou-se a apertar-me a mão, e eu a beijar a sua. Não trocamos uma palavra, mas mesmo assim era como se fôssemos velhos amigos que se reencontrassem depois de uma separação de meses ou anos.
L ogo a seguir H elen apareceu, para meu alívio, e conduziu-nos para a sala de jantar, com as suas toalhas brancas engomadas e a sua porcelana feia. A tia E va fez os pedidos por todos nós, como anteriormente, e recostei-me, cansado, enquanto elas conversavam um pouco. De início, pareceram gracejar entre si afetuosamente, mas logo a seguir o rosto de E va turvou-se e vi-a pegar no garfo e rodá-lo, taciturna, entre o polegar e o indicador. Então, sussurrou qualquer coisa a Helen que a fez também franzir a testa.
— Qual é o problema? — perguntei, inquieto. J á tinha a minha conta de segredos e mistérios.
— A minha tia fez uma descoberta. — H elen baixou o tom de voz, embora poucas das pessoas que jantavam ali pudessem saber inglês. — Uma coisa que pode ser desagradável para nós.
— O quê?
E va fez um gesto com a cabeça e falou de novo, outra vez em voz muito baixa, e a testa de Helen franziu-se ainda mais.
— I sto é mau — sussurrou ela. — A minha tia foi interrogada sobre si... sobre nós. Disse que recebeu uma visita esta tarde, de um detetive da polícia que ela conhece há muito tempo. E le pediu desculpa e disse que era só uma questão de rotina, mas interrogou-a sobre a sua presença na H ungria, os seus interesses, e o nosso... o nosso relacionamento. A minha tia é muito esperta nestes assuntos e, quando por sua vez o interrogou, ele acabou por revelar que tinha sido... como é que se diz... posto no caso por G éza J ózsef. — A sua voz baixou para um murmúrio quase inaudível.
— Géza! — Exclamei, olhando para ela.
— E u disse-lhe que ele é uma peste! Tentou fazer-me perguntas também durante a conferência, mas ignorei-o. Aparentemente, isso deixou-o mais zangado do que eu imaginava. — Fez uma pausa. — A minha tia diz que ele pertence a polícia secreta e que pode ser muito perigoso para nós. Eles não gostam das reformas liberais do governo e estão a tentar manter os velhos métodos. — Alguma coisa no seu tom de voz fez-me perguntar:
— Você já sabia disto? Da posição que ele ocupa?
Ela fez que sim com a cabeça, culpada.
— Conto-lhe isso mais tarde.
E u não tinha a certeza de quanto mais queria saber, mas a idéia de sermos perseguidos pelo belo gigante era-me sem dúvida desagradável.
— O que é que ele quer?
— P arece que ele acha que você está envolvido em algo mais do que pesquisas históricas. Acredita que veio aqui procurar outra coisa.
— E tem razão — observei em voz baixa.
— E stá determinado a descobrir o que é. Tenho certeza de que sabe aonde fomos hoje, e espero que não vá interrogar também a minha mãe. A minha tia desviou o detetive... do nosso rastro o melhor que pôde, mas agora está preocupada.
— A sua tia sabe do que... de quem... estou à procura? H elen ficou em silêncio por um momento e, quando levantou o olhar, havia como que
um apelo nos seus olhos.
— Sim. Pensei que ela pudesse ajudar-nos de alguma forma. — Ela tem algum conselho para nos dar?
— Só diz que é bom sairmos da H ungria amanhã. Disse para não falarmos com
estranhos quando formos embora.
— É claro — disse eu, irritado. — Talvez J ózsef queira estudar os documentos de
Drácula conosco, no aeroporto.
— P or favor — a voz dela era um mero sussurro. — N ão brinque com isto, P aul. P ode
ser muito sério. Se eu quiser voltar para cá um dia...
Remeti-me a um silêncio cheio de culpa. N ão tivera a intenção de dizer uma piada,
estava apenas a manifestar a minha irritação. O criado acabava de trazer a sobremesa doces e café que a tia E va nos obrigou a comer com uma preocupação maternal, como se, ao engordar-nos um pouco, pudesse proteger-nos dos males do mundo. E nquanto comíamos, H elen contou a tia sobre as cartas de Rossi, e E va assentia movimentando devagar a cabeça, atenta, mas não disse nada. Quando as nossas chávenas se esvaziaram, virou-se deliberadamente para mim, e Helen traduziu com os olhos baixos.
— M eu caro jovem — disse E va, apertando a minha mão exatamente como a sua irmã
fizera antes. — N ão sei se nos veremos outra vez, mas tenho esperança de que sim. E ntretanto, tome conta da minha querida sobrinha, ou pelo menos deixe-a tomar conta de si — e lançou um olhar malicioso a H elen, que esta fingiu não notar — e certifique-se de que ambos voltam em segurança para os vossos estudos. H elen contou-me sobre a sua missão, e é uma missão meritória, mas, se não a realizar em breve, volte para casa com a convicção de que fez tudo o que podia. E daí em diante terá de continuar com a sua vida, meu amigo, porque você é jovem e tem a vida pela frente.
Limpou os lábios com o guardanapo e levantou-se. À porta do hotel, abraçou Helen em
silêncio e inclinou-se para me dar um beijo em cada face. A sua expressão era grave e nenhuma lágrima brilhava nos seus olhos, mas vi-lhe no rosto uma tristeza profunda e silenciosa. O carro elegante estava à espera. A minha última visão dela foi o seu aceno discreto pelo vidro de trás.
P or alguns segundos, H elen pareceu incapaz de falar. V irou-se para mim, virou-se
para o outro lado. Então recompôs-se e olhou para mim, decidida.
— Vamos, P aul. E sta é a nossa última hora de liberdade em B udapeste. Amanhã
vamos ter de ir cedo para o aeroporto. Quero dar uma volta.
— Uma volta? — disse eu. — E quanto à polícia secreta e ao seu interesse por mim? — E les querem saber o que você sabe, e não esfaqueá-lo num beco escuro. E não seja vaidoso — disse, sorrindo. — E stão interessados em si tanto como em mim. Vamos ficar apenas em lugares bem iluminados, ao longo da rua principal, mas quero que veja a cidade mais uma vez.
A idéia não podia agradar-me mais, sabendo que poderia ser a minha última visão de B udapeste em toda a vida, e saímos novamente para a noite fragrante. C aminhamos na direção do rio, permanecendo, como H elen prometera, nas ruas de maior tráfego. Ao chegar a grande ponte, paramos, e então H elen entrou nela, fazendo deslizar uma das mãos pelo parapeito, pensativa. Acima da vastidão da água, paramos novamente, olhando para os dois lados de B udapeste, e novamente senti a sua majestade e a violência da guerra que quase a destruíra. As luzes da cidade brilhavam em toda a parte, tremulando na superfície negra da água. H elen ficou junto ao parapeito por um momento e depois virou-se, relutantemente, para voltar para P este. T inha tirado o casaco e, quando se virou, vi uma forma irregular nas costas da sua blusa. Ao chegar mais perto, percebi que era uma aranha enorme. Tecera uma teia de um lado ao outro das costas dela; viam-se nitidamente os filamentos brilhantes. L embrei-me então de ter visto teias de aranha ao longo de todo o parapeito da ponte, onde ela passara a mão.
— Helen — disse-lhe suavemente. — Não fique nervosa... tem uma coisa nas costas.
— O quê? — Perguntou, petrificada.
— Vou tirá-la — disse eu calmamente. — É só uma aranha.
Um calafrio percorreu-a, mas ficou parada, obediente, enquanto eu tirava a aranha das suas costas com um piparote. Admito que também senti um arrepio, porque era a maior aranha que eu já vira, quase metade da largura da minha mão. Caiu sobre o parapeito junto de nós com um ruído audível e H elen gritou. N unca a ouvira expressar medo antes, e aquele grito curto fez-me querer agarrá-la e sacudi-la, até mesmo bater-lhe.
— E stá tudo bem — disse eu depressa, segurando-lhe o braço, tentando ficar calmo. P ara minha surpresa, ela deu um ou dois soluços antes de conseguir recompor-se. Admirava-me que uma mulher capaz de disparar contra vampiros ficasse tão abalada por causa de uma aranha, mas o dia tinha sido longo e tenso. V oltou a surpreender-me ao virar-se para o rio dizendo, em voz baixa:
— Prometi contar-lhe o que sei sobre Géza.
— Não precisa me contar nada.
Esperava que a minha voz não tivesse soado irritada.
— N ão quero mentir por omissão. — Afastou-se alguns passos, como para deixar a aranha completamente para trás, embora o animal tivesse desaparecido, talvez caído no Danúbio. — Quando era estudante universitária, estive apaixonada por ele durante algum tempo, ou pensei que estava, e em troca ele ajudou a minha tia a conseguir-me uma bolsa de estudo e o passaporte para deixar a Hungria.
Recuei, olhando fixamente para ela.
— Ah, não foi assim tão óbvio — disse ela. — E le não disse "Dormes comigo, e depois podes ir para I nglaterra." N a verdade, ele é bastante sutil. Também não conseguiu de mim tudo o que queria. M as quando deixei de estar apaixonada por ele, já tinha o meu passaporte na mão. Foi assim que aconteceu e, quando percebi, já possuía um bilhete para a liberdade, para o Ocidente, e não estava disposta a desistir dele. E eu pensava que tudo aquilo valia a pena para encontrar o meu pai. E ntão, fiz o jogo de G éza até conseguir escapar para L ondres e deixei-lhe uma carta a cortar os meus laços com ele. Queria ser honesta sobre isso, pelo menos. E le deve ter ficado muito zangado, mas nunca me escreveu.
— E como é que soube que ele pertencia à polícia secreta? — Ela riu. — E le era demasiado vaidoso para guardar o segredo só para si, queria impressionar-
me. N ão lhe disse que fiquei mais assustada do que impressionada, e mais enojada do que assustada. E le contou-me de pessoas que mandara para a prisão ou para a tortura, e insinuava que havia coisas piores. E m última análise, é impossível não odiar uma pessoa assim.
— N ão fico contente por saber isso, já que ele está interessado nos meus movimentos
— disse eu. — Mas fico contente por saber que é isso que sente por ele.
— O que é que pensava? — perguntou ela. — Tenho tentado ficar longe dele desde o
momento em que aqui chegamos.
— M as reparei que havia algum sentimento complicado em si quando o viu na
conferência — admiti. — N ão consegui deixar de pensar que talvez o tivesse amado, ou ainda o amasse, qualquer coisa assim.
— N ão — sacudiu a cabeça, olhando para a corrente escura lá em baixo. — N unca
poderia amar um interrogador, um torturador, provavelmente um assassino. E se não o rejeitei por tudo isso, no passado e mais ainda agora, haveria outras coisas pelas quais o rejeitaria. V irou-se ligeiramente na minha direção, mas sem encontrar o meu olhar. São coisas menores, mas ainda assim muito importantes. E le não é gentil. N ão sabe quando deve dizer palavras de conforto ou quando deve ficar calado. N ão se interessa realmente por H istória. N ão tem olhos cinzentos suaves nem sobrancelhas espessas, nem arregaça as mangas até aos cotovelos. — Olhei para ela, e então ela olhou-me diretamente no rosto com uma espécie de coragem determinada. — Em suma, o maior problema dele é não ser você.
O olhar dela era praticamente indecifrável, mas depois de um momento começou a
sorrir, quase sem querer, como se estivesse a lutar contra si mesma, e era o lindo sorriso de todas as mulheres da sua família. Olhei-a fixamente, ainda incrédulo, e então tomei-a nos meus braços e beijei-a apaixonadamente.
— O que é que pensavas? — sussurrou ela, assim que consegui soltá-la por um
segundo. — O que é que pensavas?
Ficamos ali durante longos minutos pode ter sido uma hora e então de repente
afastou-se com um gemido e levou a mão ao pescoço.
— O que foi? — perguntei imediatamente. Ela hesitou.
— A minha ferida — disse ela, devagar. — J á sarou, mas às vezes ainda dói, por um momento. E agora mesmo pensei que... talvez não devesse ter-te tocado.
Entreolhámo-nos.
— Deixa-me ver — disse eu. — Helen, deixa-me ver.
E m silêncio, ela desamarrou o lenço e levantou o queixo, à luz do candeeiro da rua. N a pele do seu pescoço vigoroso vi duas marcas roxas, quase completamente fechadas. Os meus receios diminuíram um pouco; era evidente que não fora mordida novamente desde o primeiro ataque. Inclinei-me e toquei o sítio com os meus lábios.
— Oh, Paul, não! — Exclamou ela, afastando-se.
— N ão me importo — disse eu. — Sou eu que vou curar isso. — E xaminei-lhe o rosto. — Ou o meu beijo fez-te doer?
— N ão, aliviou-me — admitiu ela, mas cobriu a ferida com uma das mãos, de modo quase protetor, e logo a seguir amarrou novamente o lenço. E concluí que, embora a sua contaminação tivesse sido ligeira, precisava de a observar com mais cuidado do que nunca. Procurei uma coisa no bolso.
— Devíamos ter feito isto há muito tempo. Quero que uses isto. — E ra um dos pequenos crucifixos que tínhamos comprado na I greja de Saint M ary, nos E stados Unidos. C oloquei-lho no pescoço, de maneira que pendesse discretamente por baixo do lenço. E la deu um suspiro que pareceu de alívio, tocando-lhe com os dedos.
— Não sou religiosa, como sabes, e sentia-me demasiado intelectual para...
— Eu sei. Mas e aquela vez na Igreja de Saint Mary?
— Saint Mary? — Ela franziu a testa.
— N os E stados Unidos, perto da universidade. Quando foste ler as cartas de Rossi comigo, puseste água benta na testa.
Ela pensou um minuto.
— Sim, é verdade. M as isso não era fé. E ram saudades de casa. — C aminhamos vagarosamente pela ponte e ao longo das ruas escuras, sem nos tocarmos. Ainda sentia os braços dela em volta de mim.
— Deixa-me ir contigo para o teu quarto — murmurei quando avistamos o hotel.
— Aqui não — pensei ver os seus lábios a tremer. — Estamos a ser observados.
N ão repeti o meu pedido e fiquei agradecido pela distração que nos aguardava na recepção do hotel. Quando pedi a minha chave, o recepcionista deu-me também um pedaço de papel rabiscado em alemão: Turgut tinha telefonado e queria que eu lhe ligasse. H elen esperou enquanto enfrentei o ritual de implorar por um telefone e dar ao porteiro um pequeno incentivo para que me ajudasse — eu tinha caído muito baixo naqueles últimos dias ali — e então marquei os números sem grande esperança durante algum tempo até que ouvi os toques, muito longe. Turgut respondeu com um brado indistinto e rapidamente mudou para o inglês.
— P aul, meu caro! G raças aos deuses que telefonou. Tenho novidades para si... novidades importantes!
O coração caiu-me aos pés.
— Encontrou... um mapa? A tumba? Rossi? — N ão, meu amigo, nada tão miraculoso. M as a carta que Selim encontrou foi
traduzida, e é um documento estarrecedor. Foi escrita por um monge de fé ortodoxa, em Istambul, em 1477. Está a ouvir-me?
— E stou, estou! gritei, — fazendo com que o recepcionista me fulminasse com um
olhar e Helen ficasse ansiosa. — Continue.
— E m 1477. H á muito mais. Acho que é importante seguirem as informações desta
carta. Vão vê-la quando voltarem, amanhã. Está bem?
— Sim! — berrei. — Mas a carta diz se o enterraram em Istambul? H elen estava a abanar a cabeça, e pude ler os seus pensamentos: a linha podia estar a
ser vigiada.
— P ela carta, não sei dizer — bradou Turgut. — Ainda não tenho certeza onde é que
ele está sepultado, mas é muito pouco provável que seja aqui. Acho que devem preparar-se para outra viagem. É possível que precisem outra vez dos préstimos da boa tia, também. — Apesar da estática, percebi uma certa dureza na voz dele.
— Outra viagem? Mas para onde?
— P ara a B ulgária — gritou Turgut, de muito longe. Olhei para H elen, o telefone a
escorregar-me da mão.
— Bulgária?