O Historiador
Capítulo 16
E ra o início de Dezembro, estávamos novamente na estrada, e a fadiga das nossas viagens de Verão pelo M editerrâneo parecia longe. O forte vento do Adriático mais uma vez fazia-me ondular o cabelo e eu gostava daquela sensação, daquela rudeza desajeitada; era como se um animal de patas pesadas andasse a trepar por cima de tudo no porto, fazendo as bandeiras estalarem bruscamente na fachada do moderno hotel e torcendo os galhos mais altos dos plátanos que ladeavam o paredão.
— O quê? — gritei. O meu pai voltou a dizer algo ininteligível, apontando para o andar de cima do palácio do imperador. Ambos esticámos o pescoço para olhar para trás.
A elegante fortaleza de Diocleciano elevava-se diante de nós à luz do sol da manhã, e quase caí de costas tentando vislumbrar o seu ponto mais alto. M uitos dos espaços entre as suas belas colunas tinham sido ocupados em geral por pessoas que dividiam o edifício em apartamentos, como o meu pai me explicara antes, de modo que uma verdadeira manta de retalhos feita de pedra, em grande parte de mármore talhado pelos Romanos e saqueado de outras construções, reluzia por toda a estranha fachada. Aqui e ali, a água ou os terramotos tinham aberto fendas. P equenas plantas tenazes, até mesmo algumas árvores, pendiam das fissuras. O vento fustigava as amplas golas dos marinheiros que passeavam pelo cais em grupos de dois ou três, os rostos bronzeados em contraste com o branco dos uniformes e os cabelos escuros cortados rente, brilhando como escovas de arame. Segui o meu pai e contornámos a esquina do edifício, passando por cima de nozes negras caídas no chão e ramos e folhas de sicómoro, até à praça rodeada de monumentos que ficava por trás dele e que cheirava a urina. Mesmo à nossa frente, erguia-se uma torre fabulosa, aberta aos ventos e que parecia ter sido decorada por um pasteleiro, um alto e fino bolo de noiva. E stava mais silencioso ali e não precisávamos de gritar.
— Sempre quis ver aquilo ali — disse o meu pai com a sua voz normal. — Queres subir até lá acima?
Fui à frente, começando a subir com prazer os degraus de ferro. N o mercado a céu aberto próximo do cais, que eu entrevia de quando em quando através de uma moldura de mármore, as árvores tinham ganho um colorido entre o dourado e o castanho, e ao pé delas os ciprestes ao longo da água pareciam mais negros do que verdes. À medida que subíamos, via a água azul-marinho do porto lá em baixo, as pequenas formas brancas dos marinheiros de licença vagueando entre os cafés ao ar livre. P ara lá do nosso grande hotel, um pedaço distante de terra descrevia uma curva e apontava como uma flecha para o interior do mundo de língua eslava, para onde o meu pai em breve seria arrastado pela maré de detente que se espalhava pela região.
P arámos para recuperar o fôlego mesmo por baixo do telhado da torre. Só uma plataforma de ferro nos protegia da queda livre para o solo; de onde estávamos, podíamos ver o percurso até ao chão através da teia de degraus de ferro entrançado que tínhamos acabado de subir. O mundo à nossa volta estendia-se para lá das aberturas emolduradas em pedra, suficientemente baixas para deixar um turista descuidado cair de uma altura de nove andares nas lajes do pátio em baixo. E scolhemos um banco no meio, virado para a água, e sentámo-nos tão sossegadamente que um andorinhão se aproximou, as asas arqueadas contra o furioso vento do mar, e desapareceu sob o beiral. T razia qualquer coisa brilhante no bico, uma coisa que captou a cintilação do sol quando ele voou para longe da água.
— Acordei cedo na manhã seguinte — disse o meu pai —, depois de ler até o fim os
papéis de Rossi. N unca fiquei tão satisfeito ao ver a luz do sol quanto naquele dia. A minha primeira e triste tarefa seria enterrar Rembrandt. E m seguida, não tive qualquer dificuldade em chegar à biblioteca, que estava a abrir as portas; queria aquele dia inteiro para me preparar para a próxima noite, para a nova investida das trevas. Durante muitos anos, a noite fora minha amiga, o casulo de tranquilidade em que eu lia e estudava. Agora, tornara-se uma ameaça, um perigo inevitável a poucas horas de distância. E ra provável que em breve também eu empreendesse uma viagem, com todos os preparativos que isso envolvia. Seria um pouco mais fácil, refleti, pesaroso, se ao menos soubesse onde ia.
O salão principal da biblioteca estava muito silencioso, a não ser pelo eco dos passos dos
bibliotecários, ocupados com o seu trabalho; poucos alunos chegavam tão cedo e eu teria paz e sossego pelo menos durante meia hora. Dirigi-me para o labiríntico ficheiro, abri o meu caderno e comecei a puxar as gavetas de que precisava. Havia diversas entradas sobre os C árpatos e uma sobre o folclore da T ransilvânia. Um livro sobre vampiros — lendas de tradição egípcia. P erguntei a mim próprio o que teriam os vampiros em comum pelo mundo fora. Os vampiros egípcios seriam parecidos com os do L este E uropeu? E ra assunto para um antropólogo, não para mim, mas de qualquer forma anotei o número do livro sobre a tradição egípcia.
Depois, procurei em Drácula. Os assuntos e títulos estavam misturados no ficheiro:
entre "Drab-Ali, o G rande" e "Dragões, Ásia", deveria haver pelo menos uma entrada: a ficha de título do Drácula de B ram Stoker, que eu vira a rapariga de cabelo escuro a ler na véspera. E ra possível até que a biblioteca tivesse dois exemplares de um clássico como aquele. P recisava dele sem demora: Rossi dissera que se tratava da essência da pesquisa de Stoker sobre as lendas de vampiros, e além disso poderia ter sugestões de proteção para meu uso pessoal. E squadrinhei o ficheiro para baixo e para cima. N ão havia uma única entrada sobre "Drácula" nada, nem uma sequer. N ão esperava que a lenda fosse um importante tema acadêmico, mas certamente o livro deveria estar catalogado em algum lugar.
E ntão, descobri o que havia realmente entre "Drab-Ali" e "Dragões". Um fragmento de
papel rasgado no fundo da gaveta revelava claramente que pelo menos uma ficha fora arrancada do seu lugar. C orri para a gaveta "St". N ão havia qualquer entrada para Stoker; apenas mais uma evidência de um furto apressado. Sentei-me no banco de madeira mais próximo. E ra tudo muito estranho. P or que razão teria alguém arrancado aquelas fichas em particular?
A rapariga de cabelo escuro tinha sido a última pessoa a requisitar o livro, isso sabia eu. Teria querido fazer desaparecer a prova de que o requisitara, por algum motivo que só ela sabia? E ntretanto, se queria roubar ou esconder o exemplar, por que razão o lera em público, no meio da biblioteca? Talvez outra pessoa tivesse arrancado as fichas, talvez uma pessoa mas por quê? que não quisesse que mais ninguém procurasse o livro. Quem quer que fosse, fizera-o à pressa, não se preocupando em deixar vestígios do seu acto. Reconsiderei a questão mais uma vez. Aqui, o ficheiro era sagrado; qualquer aluno que deixasse sequer uma das gavetas fora do lugar em cima das mesas, e fosse apanhado pelos funcionários ou bibliotecários, não se furtava a uma severa repreensão. Uma violação do ficheiro teria de ser feita rapidamente, sem sombra de dúvida, num raro momento em que ninguém estivesse por perto ou a olhar naquela direção. Se não fora a rapariga que cometera a infracção, talvez ignorasse que havia alguém que não queria que aquele livro fosse consultado. E ela provavelmente ainda o tinha com ela. Quase corri para o balcão principal.
A biblioteca, construída no mais elaborado estilo neogótico aproximadamente na mesma época em que Rossi acabava os seus estudos em Oxford (onde estava rodeado pelo verdadeiro gótico, evidentemente), sempre me agradara por ser ao mesmo tempo bonita e cômica. P ara chegar ao balcão principal, era preciso percorrer de ponta a ponta uma longa nave de catedral. O balcão de circulação ficava onde deveria estar o altar numa catedral a sério, sob um mural de N ossa Senhora do C onhecimento, presume-se vestida com um manto azul-celeste, os braços cheios de livros celestiais. Requisitar um livro era um ato tão santificado como receber a comunhão. N aquele dia, aquilo parecia-me a mais cínica das piadas e ignorei o rosto suave de N ossa Senhora ao dirigir-me à bibliotecária, tentando não demonstrar a minha perturbação.
— E stou à procura de um livro que de momento não está nas prateleiras — comecei, — e gostaria de saber se acabou de ser requisitado ou se vai ser devolvido em breve...
A bibliotecária, uma mulher pequenina e séria, na casa dos sessenta anos, levantou os olhos do trabalho.
— O título, por favor — disse.
— Drácula, de Bram Stoker.
— Um minuto, por favor, vou ver se está aqui. — M anuseou as fichas de uma caixa pequena, com o rosto inexpressivo. — Lamento, está requisitado.
— Ah, que pena — disse eu, enfaticamente. — Quando vai ser devolvido?
— Dentro de duas semanas e meia. Foi requisitado ontem.
— C reio que não posso esperar tanto tempo. Sabe, estou a dar um curso ... — E m geral, estas palavras eram mágicas.
— P ode reservá-lo, se quiser — disse a bibliotecária, friamente. V irou-me a cabeça grisalha e bem penteada, como se quisesse voltar ao seu trabalho.
— Talvez tenha sido um dos meus alunos que o requisitou para o ler antes do curso. Se
me disser o nome da pessoa, posso entrar em contato com ela.
Ela olhou-me fixamente.
— Não costumamos fazer isso disse.
— É uma situação especial — confidenciei-lhe. — V ou ser franco com a senhora.
P reciso de usar uma parte do livro para preparar o teste e, bem, emprestei o meu exemplar a um aluno que agora não sabe onde o deixou. A culpa foi minha, mas sabe como são estas coisas com os alunos. Devia ter previsto isso.
O rosto dela suavizou-se e pareceu quase simpática. — É terrível, não é? — disse, abanando a cabeça. — Acho que todos os semestres
perdemos uma estante cheia de livros. B em, deixe-me ver se lhe consigo o nome, mas não espalhe por aí que fiz isto, ouviu?
A bibliotecária virou-se para remexer num armário atrás dela e fiquei a refletir sobre a
duplicidade que acabara de descobrir na minha natureza. Quando aprendera a mentir com tanta facilidade? I sso deu-me uma sensação de desconfortável prazer. E nquanto esperava, percebi que outro bibliotecário, que se encontrava atrás do grande altar, se tinha aproximado e me observava. E ra um homem magro de meia-idade que já vira ali muitas vezes, apenas ligeiramente mais alto do que a sua colega e mal vestido, com um casaco de tweed e uma gravata com nódoas.
— P osso ajudá-lo? — perguntou de repente, como se desconfiasse que eu roubaria
alguma coisa do balcão se não fosse imediatamente atendido.
— Oh, não, obrigado — fiz um gesto mostrando a bibliotecária de costas. — J á estou a
ser atendido.
— Muito bem.
C hegou-se para o lado quando ela voltou com uma tira de papel, que colocou na
minha frente. N aquele momento, não soube para onde olhar o papel dançava-me diante dos olhos. P orque, quando o segundo bibliotecário se afastou, inclinou-se para examinar alguns livros que deviam ter sido devolvidos ao balcão e aguardavam a sua vez de serem reencaminhados para os respectivos lugares. Ao curvar-se, num gesto de míope para ver melhor os livros, o seu pescoço ficou exposto por um momento sobre a gola puída da camisa e vi nele duas fendas com uma crosta escura e um pouco de sangue seco formando um feio rendilhado na pele logo por baixo delas. Depois, endireitou o corpo e foi-se embora, segurando nos seus livros.
— E ra isto que o senhor queria? — perguntava-me a bibliotecária. Olhei para o papel
que ela empurrava na minha direção. — É o verbete do Drácula de B ram Stoker. Só temos um exemplar.
O bibliotecário encardido deixou cair um livro ao chão e o som reverberou com um
estrondo pela enorme nave. Apanhou-o e, ao endireitar-se, olhou diretamente para mim, e nunca vi ou até àquele momento nunca vira um olhar humano tão cheio de ódio e de desconfiança.
— Não era o que queria? — insistia a senhora.
— Oh, não — disse eu, pensando rapidamente e recompondo-me. — A senhora não me compreendeu bem. E stou à procura do Declínio e Queda do I mpério Romano, de G ibbons. Como lhe disse, estou a dar um curso sobre o assunto e precisamos de mais exemplares.
Ela franziu intensamente as sobrancelhas.
— Mas pensei que...
Detestei ter de sacrificar os seus sentimentos, mesmo naquele momento desagradável, quando ela me fizera um favor tão grande.
— N ão faz mal — disse eu. — Talvez eu não tenha procurado bem. V ou verificar o ficheiro outra vez.
P orém, assim que pronunciei a palavra ficheiro, percebi que abusara da minha nova facilidade em mentir. Os olhos do bibliotecário magro estreitaram-se mais e mexeu ao de leve a cabeça, como um animal acompanhando os movimentos da sua presa.
— M uito obrigado — murmurei educadamente e afastei-me, sentindo os olhos penetrantes nas minhas costas durante todo o percurso do grande salão. Fingi que consultava o ficheiro por um minuto, depois fechei a minha pasta e saí cheio de determinação pela porta da frente, através da qual os fieis já afluíam para a sua manhã de estudo. Lá fora, encontrei um banco onde o sol batia com mais intensidade e sentei-me com as costas apoiadas numa daquelas paredes neogóticas, de onde podia ver com segurança todos os que iam e vinham à minha volta. P recisava de cinco minutos para ficar sentado a pensar a reflexão, como Rossi dizia sempre, deve ser oportuna, não importuna.
C ontudo, havia demasiado para digerir rapidamente. N aquele instante de atordoamento, não só entrevira o pescoço ferido do bibliotecário, como o nome da frequentadora da biblioteca que levara o Drácula antes de mim. Chamava-se Helen Rossi.
O vento soprava frio e cada vez mais forte. O meu pai fez uma pausa e tirou da bolsa da máquina fotográfica dois impermeáveis, um para cada um de nós. M antinha-os bem enrolados para caberem juntamente com o seu equipamento fotográfico, um chapéu de lona e um pequeno estojo de primeiros socorros. Sem dizermos uma palavra, vestimo-los por cima dos nossos blazers e ele prosseguiu.
— Sentado ali ao sol do fim da P rimavera, observando a universidade despertar para as suas atividades diárias, senti uma súbita inveja daqueles alunos e professores de aparência vulgar a andarem de um lado para o outro. P ensavam que a prova do dia seguinte era um desafio sério, ou que a política do departamento era um grande drama, refleti amargamente. N enhum deles poderia compreender a minha situação, ou ajudar-me a sair dela. Senti repentinamente a solidão de estar fora da minha escola, do meu universo, uma abelha operária expulsa da colméia. E aquele estado de coisas, percebi com surpresa, começara apenas há quarenta e oito horas.
T inha de pensar com clareza, e depressa. P rimeiro, verificara o que o próprio Rossi relatara: alguém alheio à ameaça direta a Rossi no caso, um bibliotecário meio sujo e com aspecto excêntrico fora mordido no pescoço. Vamos supor, disse a mim próprio, quase rindo do absurdo das coisas em que começava a acreditar, vamos supor que nosso bibliotecário tivesse sido mordido por um vampiro, e muito recentemente. Rossi fora levado do seu gabinete — com derramamento de sangue, não podia esquecer-me só há duas noites. Se Drácula andasse à solta, parecia ter predileção não apenas pela fina-flor do mundo acadêmico (e lembrei-me do pobre H edges) mas também por bibliotecários, por arquivistas. N ão — e endireitei o corpo, compreendendo subitamente qual era o padrão seguido, ele preferia os que mexiam em arquivos ou documentos que tinham a ver com a sua lenda. P rimeiro, tinha sido o funcionário que tirou o mapa a Rossi em I stambul. Depois, o pesquisador do Smithsonian, pensei, recordando-me da última carta de Rossi. E , evidentemente, sempre sob ameaça, o próprio Rossi, que possuía um exemplar de "um daqueles bonitos livros" e examinara outros possíveis documentos relevantes. Agora, aquele bibliotecário, embora ainda não tivesse provas de que o sujeito tinha manuseado documentos relacionados com Drácula. E, por fim, seria eu?
P eguei na pasta e corri para uma cabina telefônica próxima do refeitório dos
estudantes.
— Serviço de informações da Universidade, por favor. — N inguém me seguira até ali,
pelo menos até onde podia ver, mas fechei a porta e, através do vidro, mantive o olhar atento a quem passava. — Têm algum registro de uma M iss H elen Rossi? É, sim, aluna de pós-graduação — arrisquei.
A telefonista da universidade foi lacônica; podia ouvi-la a folhear papéis devagar. — Temos uma H. Rossi nas instalações para alunas de pós-graduação — respondeu ela. — É essa mesmo. Muito obrigado. Anotei o número e liguei outra vez. Atendeu uma governanta, com voz perspicaz e protetora. — M iss Rossi? Sim? Quem quer falar com ela, por favor? — M eu Deus. N ão tinha
pensado nisso antes.
— O irmão dela — respondi depressa. — Ela disse-me que ligasse para este número. Ouvi passos que se afastavam do telefone, outros mais vivos voltando, o ruído da mão
de alguém a pegar no telefone.
— Obrigada, M iss L ewis -disse uma voz distante, como que a dispensar a outra. E ntão,
ela falou e eu ouvi o timbre baixo e forte que me lembrava de ter escutado na biblioteca.
— N ão tenho nenhum irmão — disse ela. A frase soava como uma advertência, não
como a mera constatação de um fato. — Quem é?
O meu pai esfregou as mãos uma na outra no vento frio, fazendo as mangas do
impermeável amarfanharem-se como lenços de papel. H elen, pensei, sem coragem de repetir o nome em voz alta. E ra um nome de que eu sempre gostara; evocava valentia e beleza, como o frontispício pré-rafaelita mostrando H elena de T róia no livro A I líada Contada às Crianças, que tinha tido em casa, nos Estados Unidos. Acima de tudo, era o nome da minha mãe, e a minha mãe era um assunto de que o meu pai nunca falava.
Olhei firmemente para ele, mas já estava a falar outra vez.
— Um chá quente num daqueles cafés lá em baixo — disse ele. — É disso que estou a precisar. E tu?
Reparei pela primeira vez que o seu rosto — o rosto bonito e discreto de um diplomata estava desfigurado por pesadas olheiras, que lhe contornavam os olhos e faziam o seu nariz parecer mais afilado na base, como se nunca dormisse o suficiente. L evantou e espreguiçou-se, depois contemplamos uma última vez cada uma das vistas vertiginosamente emolduradas. O meu pai puxou-me um pouco para trás, como se receasse ver-me cair.